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A Fenomenologia, como já mencionamos, vale-se do método que investiga a experiência vivida com a intenção de compreendê-la e não de explicá-la. Na modalidade Fenômeno Situado, a preocupação central é o ato de compreender o objeto de estudo. Ou seja, compreender o fenômeno que a interrogação interroga.

Nessa modalidade o objetivo é captar, pelas descrições ou discursos das experiências vividas pelos sujeitos, a essência do fenômeno. No caso da nossa

pesquisa, esses discursos são as postagens dos membros participantes das comunidades e dos grupos escolhidos.

O encontro entre pesquisador e o fenômeno segue uma trajetória, cujo itinerário procura ir ‘à coisa mesma’ – para Husserl, à volta ‘à coisa mesma’ constitui- se numa tentativa de reencontrar a verdade nos dados originários da experiência. Ou seja, se o pesquisador busca a compreensão do sujeito ele se volta para o ato em que tal compreensão é possibilitada e busca vê-la nos relatos dos sujeitos e não nas teorias acerca do fenômeno investigado. Assim exige-se uma postura de colocar-se diante do fenômeno de forma que este possa mostrar-se. Em nossa pesquisa vemos o ‘colocar-se diante do fenômeno’ como o acompanhamento das comunidades e dos grupos, procurando entender as postagens de seus membros. A partir das postagens fomos orientados por um sentido do que era dito.

Segundo Machado (1994), o que o pesquisador busca nos discursos é a compreensão das percepções que se evidenciam nas experiências vividas e expressas pelo sujeito. Nesse sentido, a análise dos dados na pesquisa torna-se ponto essencial uma vez que visa explicitar o sentido que tais expressões têm para a compreensão do que é interrogado.

Fini (1994) destaca quatro momentos diferentes da análise das descrições quando se assume essa postura fenomenológica na modalidade Fenômeno Situado: (1) No primeiro momento, o pesquisador faz a leitura das descrições como um todo, sem procurar destacar nenhuma unidade ou atributo, procurando captar o sentido das descrições;

(2) Depois de apreender um sentido, lê novamente, tentando identificar unidades de significado ou ‘trechos’ das descrições que lhe sejam reveladores do fenômeno que investiga;

(3) Após o destaque das unidades de significado o pesquisador procura expressar o significado contido nelas, construindo asserções articuladas;

(4) Por fim, o pesquisador busca a convergência entre as unidades de significados a fim de explicitar a estrutura do fenômeno.

Para a análise do fenômeno situado abandonamos a maneira comum de olhar estabelecendo contato direto com o fenômeno vivido por meio de uma leitura cuidadosa das descrições. Essa análise envolve dois grandes momentos: o da Análise Ideográfica e o da Análise Nomotética.

6.2.1 Análise Ideográfica

Este momento da análise dos dados é onde o “pesquisador busca acesso ao mundo-vida e ao pensar do sujeito” (MACHADO, 1994, p. 41). Ou seja, de posse das descrições o pesquisador inicia a fase de leitura atenta dos discursos procurando compreender o que é expresso na descrição de cada sujeito. Para tal ele pode se valer de distintos modos de organização do texto que constrói para expressar o compreendido. Normalmente o que se tem feito em pesquisas de cunho fenomenológico é construir tabelas que tragam o dito pelos sujeitos. Isso que é dito e trazido para as tabelas expressam uma primeira compreensão do que é significativo na fala de cada sujeito para que o investigado possa ser compreendido. Feito isso o pesquisador procura tornar claro o que é dito pelo sujeito reescrevendo o dito na linguagem do pesquisador. Esse movimento é feito individualmente. Ou seja, tomam-se de modo distinto as descrições de sujeito por sujeito.

Desse modo pode-se dizer que, no movimento de análise ideográfica, as primeiras leituras das descrições possibilita uma aproximação entre o pesquisador e o fenômeno, uma familiarização com o que é dito. Essa familiarização permite-lhe destacar as unidades de significado, ou aquilo que é relevante no discurso do sujeito para que ele possa compreender o interrogado. Porém esse movimento não avança para além do que cada um diz e exige uma busca de convergência entre os distintos discursos. Inicia-se, portanto outro movimento de análise. Articulando as compreensões que resultaram das unidades de significado o pesquisador busca por convergências que o levam às categorias abertas. Esse movimento interpretativo revela a análise nomotética, em que se pretende expressar as generalidades percebidas.

6.2.2 Análise Nomotética

A análise nomotética na pesquisa qualitativa indica a passagem do nível individual para o geral. É feita com base na análise das divergências e convergências expressas pelas unidades de significado estando vinculada, ainda, a interpretações que o pesquisador faz para obter cada uma dessas convergências ou divergências.

A análise nomotética é uma reflexão acerca da estrutura do fenômeno. Ou seja, é uma possibilidade de se olhar para o que está se mostrando nos dados

buscando compreender isso que se mostra da maneira como se mostra sem que se busque explicar. A análise nomotética revela aspectos gerais do fenômeno percebido – generalidades – e permite a interpretação do que é investigado à luz da pergunta orientadora.

É importante salientar que as generalidadesresultantes dessa análise iluminam uma perspectiva do fenômeno, mas não são universalidades, dado seu caráter perspectival. O fenômeno mostra-se em diferentes perspectivas e para diferentes olhares. “Outras pesquisas contribuirão para desocultar outros aspectos do fenômeno, na direção da sua completitude” (MACHADO, 1994, p. 43). A análise nomotética permite ao pesquisador nomear o que em seus dados se mostram revelando o que, de modo geral, foi compreendido.

Em nossa pesquisa, os discursos dos sujeitos, ou seja, as postagens do grupo e das comunidades se constituem dados de análise que permitem ao pesquisador voltar-se para esses ‘textos’ procurando compreender os modos pelos quais os sujeitos dialogam nas comunidades acerca de conteúdos matemáticos. Ou seja, no movimento de análise dos dados busca-se compreender o fenômeno do diálogo no ciberespaço tal qual ele se mostra nos discursos dos sujeitos.

Benzer Belgeler