3. MATERYAL VE YÖNTEM
3.2. Yöntem
3.2.6. Normal dağılım analizi
A análise de enquadramento é o estudo da maneira “pela qual a influência sobre a consciên- cia humana é exercida pela transferência (ou comunicação) de informação de um local – como um discurso, pronunciamento, notícias, ou um livro – àquela consciência” (ENTMAN, 1993, p. 51). Alguns autores a consideram um método de análise do processo cognitivo em diversas áreas como sociologia, psicologia e comunicação (VAN GORP, 2007, p. 60).
Nos estudos em comunicação, Soares argumenta que a análise de enquadramento desvenda faces subentendidas em um texto jornalístico. “Trata-se de uma abordagem que salienta o caráter construído da mensagem, revelando a sua retórica implícita, entranhada em textos supostamente objetivos, imparciais e com função meramente referencial” (SOARES, 2006, p.450). Entman classi- fica a análise de enquadramento como uma maneira “consistente” de entender o poder de um texto comunicativo, o poder de influenciar a consciência humana (1993, p.51)
Segundo este autor (1993, p.52), enquadrar seria “selecionar alguns aspectos de uma reali- dade percebida e salientá-los num texto de comunicação, de maneira a promover uma definição particular de um problema, uma interpretação causal, avaliação moral e/ou recomendação de um tratamento” para o caso. Desta maneira, a mídia “provê o público não apenas com informação sobre o evento, mas também sobre como ele deve ser interpretado (VAN GORP, 2007, p.65).
Enquadramentos podem ser percebidos pela “presença ou ausência de certas palavras-chave, frases de lugar-comum, imagens estereotipadas, fontes de informação e frases que provêem temati- camente reforçando grupos de fatos ou julgamentos” (ENTMAN, 1993, p. 52). De acordo com Soa- res, os “enquadramentos de notícias são construídos por palavras, metáforas, conceitos, símbolos, ironias, imagens visuais, insinuações e sugestões da narrativa noticiosa” (2006, p. 451). A presença
82 reforçada de algumas idéias em detrimento de outras faz com que partes de uma história ganhem mais destaque e outras desapareçam. Esta é a dinâmica dos enquadramentos, que constroem os ca- minhos de leitura do receptor:
Na prática jornalística, um enquadramento (framing) é construído através de procedimentos como seleção, exclusão ou ênfase de determinados aspectos e informações, de forma a compor perspectivas gerais através das quais os acontecimentos e situações do dia são da- dos a conhecer. Trata-se de uma idéia central que organiza a realidade dentro de determina- dos eixos de apreciação e entendimento, que envolvem inclusive o uso de expressões, este- reótipos, sintagmas etc (ROTHBERG, 2007, p.3).
Em alguns casos, o destaque pode ser substituído pela exclusão de certos aspectos. “A maio- ria dos quadros são definidos pelo que eles omitem tanto quanto pelo que incluem, e a omissão de definições de problemas em potencial, avaliações e recomendações, pode ser tão crítico quanto in- clusões na orientação da audiência” (ENTMAN, 1993, p. 54).
Soares (2006, p.452) adverte que “as orientações dos enquadramentos são difíceis de se de- tectarem, porque muitos artifícios podem parecer ‘naturais’, simples escolhas de palavras ou ima- gens”. Este autor discute que os vieses implícitos nos enquadramentos podem ser tão discretos que “dominam o discurso” e são percebidos como senso comum ou mesmo como a alegada neutralidade jornalística, nada é visto como interpretação (p. 454).
Algumas das ferramentas para a montagem de um quadro são: posicionamento da informa- ção no texto, repetição, escolha de palavras, metáforas, exemplos, descrições, argumentos, imagens ou “associação com símbolos culturais familiares” para a audiência (ENTMAN, 1993, p. 53).
“Enquadramentos selecionam e chamam a atenção para um aspecto particular de uma reali- dade descrita, e, pela lógica, significa que outros enquadramentos desviam a atenção de outros as- pectos simultaneamente” (ENTMAN, 1993, p.54).
Quando o receptor possui pouca informação sobre o assunto debatido, ou ainda, desconhece a realidade descrita, os efeitos do enquadramento são ainda maiores. “A resposta do receptor é cla- ramente afetada se eles percebem e processam informações sobre uma interpretação e possuem pouco ou nenhum dado alternativo” (ENTMAN, 1993, p. 54).
83 Scheufele (1999) divide os enquadramentos em dois conceitos: os media frames e os indivi-
dual frames. A primeira categoria envolve os enquadramentos produzidos pela mídia embutidos nos
textos noticiosos. Eles são as ferramentas usadas pelos jornalistas para dar sentido ou tornar reco- nhecível um evento que antes era indiscernível (p.106). Os enquadramentos individuais são aqueles construídos nas “estruturas internas da mente” do receptor, que o faz aceitar ou recusar um determi- nado enquadramento imposto por um meio de comunicação. O autor descreve estes enquadramen- tos como “aglomerados” de idéias que ajudam o receptor a processar rápida e organizadamente as informações com as quais entra em contato (p.107).
Apesar da aparente influência no processo cognitivo, Entman salienta, porém, que os efeitos dos enquadramentos não são unânimes em todas as audiências. “A noção de enquadramento implica que um quadro tem um efeito comum em largas parcelas da audiência, contudo, seu efeito não é universal” (ENTAMN, 1993, p.54).
Isto ocorre porque cada pessoa possui um conjunto prévio de experiências e conhecimentos que participam e influenciam este processo. Esta trama psicológica, também chamada de schemata, age na interpretação e na construção de sentido da audiência, o público receptor passa a ser ator do processo.
Nesta visão construtivista, Van Gorp (2007), afirma que a cultura tem papel atuante na ma- neira em que cada pessoa é afetada por um frame (quadro). “Se os quadros têm ou não efeito no indivíduo, depende de vários fatores como: o grau de atenção do receptor, seus interesses, crenças, experiências, desejos e atitudes” (VAN GORP, 2007, p.63). Segundo o autor, desta maneira, o en- quadramento funciona como um convite para ler uma mensagem de um jeito particular. “Os enqua- dramentos possibilitam aos jornalistas e à audiência perceber que um mesmo evento pode fazer di- ferentes sentidos dependendo do quadro aplicado” (p.63).
Van Gorp (2007) defende uma função especial para a cultura dentro da dinâmica de constru- ção dos enquadramentos. “Porque a cultura é vista como uma base primária na construção de co- nhecimento, significado e compreensão do mundo externo (...), pode-se argumentar que um repertó-
84 rio de enquadramentos compartilhados numa cultura causa uma ligação entre a produção e o con- sumo de notícias” (VAN GORP, 2007, p. 61). Para este autor, o enquadramento não depende só da maneira como o jornalista irá construí-lo; a audiência irá aceitá-lo e adotá-lo à medida que compar- tilha sua visão de mundo.
A influência da cultura está também na produção de enquadramentos. O autor descreve que as rotinas jornalísticas fazem com que alguns enquadramentos sejam utilizados com mais frequên- cia que outros. A linha editorial do veículo de comunicação e a lógica de mercado também podem moldar a autonomia e as interpretações dos jornalistas. “Mesmo que repórteres sejam testemunhas pessoais de um evento, eles apenas percebem parte desta realidade. A inabilidade de perceber a rea- lidade objetiva e o fluxo caótico de impressões desarticuladas explica porque a seleção e ordenação pela mídia são inevitáveis” (VAN GORP, 2007, p.67).
Com isto, o autor conclui que o processo de formação dos enquadramentos não é estático.
Profissionais da mídia interagem com suas fontes e outros atores da arena pública, e os receptores interagem com a mídia e entre si. Assim, a construção de enquadramentos envolve a interação entre o nível textual (frames aplicados pela mídia), o cognitivo (há- bitos de pensamento do público e dos profissionais da mídia) e o nível externo à mídia (o discurso de construtores de enquadramento), e, finalmente, a pilha de quadros dispo- níveis numa certa cultura (VAN GORP, 2007, p. 64).
Outra visão sobre o dinamismo dos frames vem da vertente psicológica, como afirmam Nel- son, Oxley e Clawson (1997). Para estes autores, “frames funcionam ativando informações que já estão ao dispor do receptor, alojadas na memória de longo prazo” (NELSON, OXLEY e CLAW- SON, 1997, p. 225). Eles levam em conta que a comunicação sobre assuntos de interesse público ou político é, em sua maioria, midiatizada. A população dificilmente recorreria às fontes primárias para se informar, por isso, os assuntos poderiam ser moldados pela seleção e apresentação.
Nelson, Oxley e Clawson (1997) fazem uma comparação entre o modo como os enquadra- mentos funcionam em oposição a outras estratégias de comunicação baseadas em persuasão. “En- quadramentos dizem às pessoas que relevância devem dar a aspectos conflituosos do cotidiano das decisões políticas. Eles podem não acrescentar nenhuma nova informação, mesmo assim, a influên-
85 cia em nossas opiniões podem ser decisivas” (NELSON, OXLEY e CLAWSON, 1997, p. 226). Já a modalidade persuasiva tem como fim a mudança de opinião.
Em resumo, as escolhas feitas pelos profissionais da mídia na construção da mensagem po- dem gerar, de modo imperceptível, interpretações iguais e em massa no recorte de um fato muitas vezes diverso da realidade.
A mídia de massa, e outras instituições políticas ou de comunicação, podem influenciar profundamente a opinião pública sem mesmo tentar persuadi-la ou a manipular. A mídia pode, sinceramente, seguir normas institucionais de imparcialidade e neutralidade, mesmo assim, ela não pode escapar o fato de sua aproximação a uma história implicitamente ensi- nar o público como entender os assuntos centrais. Estes efeitos podem ser não intencio- nais, mas eles são, todavia, reais (NELSON, OXLEY e CLAWSON, 1997 236).
Rothberg (2007, p.8) afirma que “os diversos traços que vão figurar como característicos de um dado enquadramento surgem do exame atento de uma cobertura específica, em processo de es- tudo e aproximação no qual eles vão se revelar como atributos inseparáveis do foco adotado pelo veículo”. Soares (2006, p.462) define quatro etapas metodológicas para a análise de enquadramento. São elas: 1 – definição do objeto; 2 – observação; 3 – descrição; 4 – interpretação.
A escolha do tema de investigação é feita na primeira etapa, assim como a investigação de seu contexto e antecedente histórico. É nesta fase que, paralelamente, se reúne o referencial teórico sobre enquadramento. Com o material em mãos, o pesquisador começa a segunda etapa, fazendo nele uma leitura flutuante para “reconhecê-lo e identificar os aspectos mais relevantes, a partir dos quais serão pensadas as categorias de análise” (SOARES, 2006, p.462). As categorias devem repre- sentar os contrastes e as inclinações do material estudado.
Na fase da descrição produz-se uma “visão de conjunto do material” (p.463).
As observações pontuais realizadas na fase anterior, anotadas como listas de palavras, rela- tivas às categorias de análise, são discriminadas e agrupadas, podendo ser dispostas como tabelas. (...) Cada uma das tabelas deve ser lida e analisada descritivamente, resultando num texto, no qual se caracterizam as tendências, evidenciam orientações das matérias, de modo a ir revelando os enquadramentos noticiosos latentes nas matérias. Assim, o pesquisador vai produzir visões de conjunto das reportagens, segundo as categorias de análise propostas (SOARES, 2006, p.463).
86 Por último, a fase de interpretação é a análise mais profunda, quando os resultados da fase anterior são comparados com o referencial teórico levantado sobre enquadramento. “É a ultima eta- pa da investigação, momento em que se busca teorizar os dados descritos, visando a explicação ou a compreensão do enquadramento, com base em teorias e conceitos examinados na fase um” (p.463). O passo final é sintetizar as etapas para redigir uma conclusão com os principais resultados obtidos.
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