A- PROBLEM
4.1 Mahalli İdarelerde Norm Kadro Uygulamasına Bakış:
4.1.2 Norm Kadronun Yerel Yönetimlere Getirdikleri:
Um momento de bastante debate do grêmio com os demais estudantes da escola girou em torno de um protesto organizado contra a falta de qualidade do xerox e um boicote ao bar, entre outras reivindicações. Os estudantes organizaram reuniões com os líderes de turma para que eles levantassem junto a seus colegas questões que os incomodavam na escola.
Para divulgar essas atividades passaram de sala em sala e, antes disso, deveriam comunicar seus objetivos à direção da escola. Segundo Tadeu, o diretor reclamou que são muitas “passadas”, mas se contrapõe a ele dizendo que o grêmio não precisaria de autorização para passar nas turmas. O diretor da escola disse que está no estatuto do grêmio estudantil que os dirigentes devem pedir autorização, apresentar por escrito o que irão falar, ser acompanhados por um monitor, falar durante dois minutos. Os dirigentes do grêmio contra-argumentam dizendo que no estatuto do grêmio não consta nenhum item a esse respeito.
Driblando os empecilhos, conseguiram fazer mais de uma reunião, sendo uma em cada turno, com objetivo de organizar um protesto. Na reunião da qual participei um estudante do curso técnico em Mecânica falou que não adiantaria só
ficarem discutindo, mas deveriam elaborar um documento e levar à Secretaria Estadual de Educação. Stuart comentou que o diretor tinha dito que o grêmio teria de elaborar um documento sobre o xerox, colocando quais são os problemas. Assim, ele poderia intervir e levar o caso à Secretaria de Educação.
Outro participante do ensino médio, depois que Stuart e Tadeu falaram, perguntou: “tá, mas o que vamos fazer?”. Tadeu respondeu: “é isso que a gente quer, discutir, é pra isso a reunião”. Outra participante argumentou que ela não tira tanto xerox assim; o problema não é o gasto com o xerox, a qualidade é o ponto crítico. Segundo a estudante, as letras saem borradas e a folha amassada. Tadeu esclareceu que a proprietária do xerox o chamou para uma conversa, dizendo que, antes de qualquer coisa, ele deveria conversar com ela. Ele teria argumentado que não é pessoal, mas um problema político. Explicou o modo como acontece a licitação e disse também que em uma escola pública os estudantes não deveriam gastar para estudar.
No dia do protesto passei logo cedo em frente à escola e lá estavam eles, Stuart com megafone convocando os estudantes a participarem do protesto e permanecerem ali na mobilização. Dias antes produziram os cartazes e panfletos. Para a segunda etapa do evento, horário do intervalo, compraram refrigerantes e pastéis para vender durante o piquenique. Disseram que depois do protesto em frente às catracas foram até o bar e lá ficaram vendendo salgados a um real, com um copo de refrigerante no mesmo valor. Contaram-me com satisfação sobre a venda de todos os produtos. No período do intervalo os estudantes estavam proibidos de sair da escola.
Segundo os dirigentes do grêmio, essa medida foi tomada porque o dono do bar estava perdendo lucro e acertou com o diretor de fechar as catracas. Esse é o ponto de vista do grupo em relação ao diretor.
O protesto não teve boa repercussão diante de funcionários e direção da escola. Ouvi um dos funcionários que trabalha na portaria falar, referindo-se a Stuart: “isso é coisa dele, protesto!”, comentando com outro funcionário enquanto ria. Os dirigentes do grêmio têm uma visão de desconfiança com relação aos
funcionários da portaria. Dizem que fazem “corpo mole” porque deixam entrar muitas pessoas que não são da escola. Atribuem a isto o fato de ter ocorrido uma briga de gangues dentro da escola.
O diretor teria dito que poderia fazer com que eles respondessem a três processos em consequência desses atos organizados pelo grêmio. Poderia acusá- los por aliciamento de menores, perturbação da ordem em espaço público e a última acusação eles não lembraram para me contar. Stuart os defendeu dizendo que o ato foi organizado pelos estudantes da escola. Segundo o garoto, o diretor teria rebatido dizendo que a direção do grêmio não representa a vontade dos demais estudantes do Parobé, e acrescentou que se ele quisesse poderia fechar o grêmio.
Outro ponto de divergência entre a administração da escola e o grêmio estudantil é a proibição do skate na escola. Numa tarde de observação, Stuart falou sobre uma reunião com o diretor cuja pauta era o uso do skate no Parobé. Ficou combinado entre os estudantes que fazem parte da direção do grêmio de comparecer à reunião, inclusive uma estudante que se dizia skatista. No entanto, o único representante do grêmio na reunião foi Márcio. Stuart defendeu-se dizendo que sábado é um dos poucos dias que pode dormir até mais tarde. São marcadas duas reuniões para esse dia, primeiro com o diretor e à tarde seria a reunião do grêmio. Uma das meninas que “é do grêmio”, como Stuart se referiu a Laura, sinalizando aspas. Continuou dizendo que ela anda de skate “é skatista”, “mas esses skatistas de hoje não são como no meu tempo, transgressor e pá, é uma ‘playboyzada’ nem sabem andar nas ruas”.
Enquanto Stuart falava-me sobre esse dia, Laura entrou no grêmio, mas não permaneceu. Ele saiu atrás da garota para saber por que não tinha comparecido à reunião. Segundo a garota, no horário em que ela passou ali, não havia ninguém no sábado, então foi embora. “É assim viu... ela entra, olha e sai”, comentou Stuart: “ela que é a mais interessada é skatista e pá, essa playboyzada é assim, tudo de Nike Shox e o caramba, tudo pouser”.
Expressou sua indignação com aqueles jovens que, em seu ponto de vista, não são engajados, não usam os instrumentos juvenis no sentido de transgredir uma
regra, de impor um ideal. Demonstrou sua indignação, também, em relação àqueles colegas de agremiação que “não chegam junto”, não contribuem com as atividades cotidianas do grêmio.
Nessa tarde, um garoto andou de skate no saguão da escola. Pelo que pude constatar a tentativa de proibição do diretor não se concretiza. Os dirigentes do grêmio procuram colocar-se como autônomos em relação à administração da escola. De certa forma, eles mantêm suas atividades cotidianas desvinculadas da direção; entretanto, nesses momentos de reivindicações ela interfere.
Tendo como referência os relatos dos dirigentes do grêmio, a ideia que o diretor da escola faz desses jovens dirigentes está ligada a uma rebeldia que contrasta com a imagem dos demais estudantes de sua escola. Se o que os dirigentes pensam não representa os estudantes do Parobé, a concepção de juventude presente no imaginário deste diretor desvincula os jovens de uma postura politizada. Contudo, faz com que os dirigentes e voluntários do GEPA reforcem sua posição diante do mundo adulto que os vê como pessoas despolitizadas que não valorizam a participação política. Ao contrário da imagem associada aos jovens, eles querem mostrar através de suas práticas que são politizados e organizados protagonizando um projeto político para a escola.
Segundo Martins e Dayrell (2010), a lógica da administração escolar é diferente da lógica do grêmio e seus membros possuem anseios urgentes, sendo que o tempo interno do jovem é diferente do tempo social da escola, cujos dirigentes, sempre envolvidos com trâmites burocráticos, vivem em conflito com a dinâmica imediatista dos jovens. Esses conflitos podem servir de parâmetro para a percepção de fronteiras e contribuir para que os jovens aprendam a lidar com as negociações inerentes ao processo e a perceber as instâncias de atuação (MARTINS, 2010).
O grêmio é um espaço para o jovem no qual ele aprende a viver situações de negociação diante de seus pares e do mundo adulto, quando lidam com professores, direção e funcionários. O protesto contra o bar da escola foi um momento importante no qual se sentiram “heróis revolucionários” porque o diretor da escola chamou-os
para conversar dizendo que poderia processá-los pelo ocorrido. Este desfecho foi vivido como “missão cumprida”. Apesar de o bar estar sob a administração do mesmo dono, as catracas foram liberadas para que os estudantes pudessem sair para comprar lanches fora da escola.
Mesmo que o ambiente escolar não incentive a participação, isso não impede que os jovens elaborem, a seu modo, formas de engajamento e contestação que contribuem para suas formações como cidadãos. A partir da realização das atividades cotidianas, dos protestos, da produção de textos, panfletos, a participação torna-se uma narrativa da autoimagem que buscam para si. O trabalho junto ao grêmio significa, também, um reconhecimento no espaço da escola; passam a se colocar como sujeitos políticos assumindo uma autoidentidade positiva e distintiva em relação à tendência social de massificação e homogeneização da juventude. Para eles, é na concretização do processo de participação nas questões da escola, da problematização da realidade social e política do Brasil que se identificam como conscientes, politizados.