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Karaciğer Yağlanması

2. Non Alkolik Steatohepatit (NASH): Karaciğerde yağlanma ile birlikte alkolik

Herschmann ressalta a importância que os grupos urbanos associados a estilos musicais como o hip-hop têm desempenhado junto aos jovens. Isso porque, através das representações associadas a estes universos musicais e à sociabilidade que eles promovem, os jovens têm encontrado a possibilidade de estabelecer novas formas de representações sociais que lhes permitem expressar seu descontentamento.152 Nessa perspectiva, os grupos assumem um significado importante na constituição dessas jovens enquanto sujeitos. Expressões do tipo o “grupo é minha vida” ou “o grupo é tudo pra mim”, mesmo que em graus variados, são emblemáticas e recorrentes nesta pesquisa.

Nos depoimentos coletados, também chama a atenção a centralidade atribuída pelas jovens às relações estabelecidas com seus pares. Elas ressaltam a compreensão do grupo como um espaço de estabelecer laços de amizade, de processar e vivenciar experiências, o que possibilita observar a apreensão do grupo como um espaço produtor de sociabilidade. A noção de sociabilidade que adoto é inspirada na formulação de Simmel (2006). O autor

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Joana (entrevista, informação verbal).

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compreende a sociabilidade como uma das formas possíveis de sociação, isto é, a forma através da qual os indivíduos, em função de seus interesses, que podem ser conscientes, inconscientes, sensoriais, ideais, casuais ou momentâneos, desenvolvem-se conjuntamente em busca de uma unidade no seio da qual esses interesses se realizam. Ele observa que todas as formas de sociação são acompanhadas por um sentimento e por uma satisfação de sentir-se justamente socializado, pelo valor da formação da sociedade enquanto tal.

Tomando por base as categorias sociológicas, Simmel define a sociabilidade como a forma lúdica e autônoma de sociação, cuja manifestação não tem propósitos objetivos. Nessa direção, ele explica que a sociabilidade se dá quando o prazer da interação não advém de um motivo ou de um interesse já pré-estabelecido, mas no próprio fato da reunião em si. O autor ressalta que a sociabilidade seria uma espécie de jogo, em que o prazer de cada um depende do outro na interação. Para tanto, certas características pessoais, tais como amabilidade, refinamento e cordialidade são necessárias para as condições e os resultados desse processo. Já outros aspectos relacionados às significações objetivas das personalidades como riqueza; posição social; erudição; méritos individuais e outros não devem desempenhar nenhum papel. Isso porque, é preciso existir uma certa equivalência entre as partes como, por exemplo, igualdade em termos de classe, de modo a se evitar atritos e permitir que cada um atue como se o outro fosse um igual.

De fato, os grupos de rap apresentam-se como uma referência decisiva. As jovens do As Revolucionárias do Rap destacam que o grupo é um espaço de amizade, de cumplicidade, de solidariedade e de acolhida de jovens mulheres negras pobres que vivenciam em seu cotidiano situações de preconceito, de discriminação racial, de gênero e social. Em um dos relatos, é pontuada a importância do grupo na elaboração e no resgate de

uma identidade negra, vista de uma forma positiva. É o que se pode notar no depoimento de Núbia que, ao ser questionada sobre a importância do grupo para a sua vida, explica:

A questão do meu papel enquanto mulher negra dentro da sociedade, acho que não teria isso se eu não fosse do rap. Se eu não tivesse conhecimento como As

Revolucionárias do Rap, eu acho que eu seria mais uma negra a alisar o cabelo, a

me enquadrar nos padrões de beleza que a mídia e que a sociedade impõem. Eu seria mais uma dessas assim que não, que gostaria de ser branca ao invés de ser, adorar a minha cor. Então, eu vejo que ser do hip-hop é pra mim, é não se enquadrar nos padrões que a mídia impõem, que a sociedade impõem. (sic) 153.

Elas entendem que o grupo é um espaço de diálogo sobre as questões raciais e de gênero, oferecendo-lhes subsídios para compreender o que vivenciam e para se sentirem reconhecidas nesse espaço. O grupo as torna mais fortes na medida em que amplia suas perspectivas e potencializa suas ações:

(...) é um espaço que a gente tem acolhida, de empoderamento, né. Um espaço de reeditar as coisas, sabe, de entender o quê que aconteceu lá na faculdade mesmo? Por que eu levantei a mão cinco vezes e o professor escutou a minha colega lá da frente loira que levantou a mão uma vez? Por que aconteceu assim? Por que o que eu falei o pessoal virou a cara? Então, assim, alguns processos que a gente vive em outros espaços, que a gente cansa em outros espaços e que a gente não consegue entender muito, a gente leva para digerir no As Revolucionárias do Rap assim. (...) acho que essa coisa do grupo dos iguais, ele é muito importante porque ele dá força para a gente entender essas desigualdades e agir com relação à ela. (sic) 154.

No entanto, é importante ressaltar que essa problematização das questões raciais e de gênero é uma especificidade do grupo As Revolucionárias do Rap e não do movimento hip-hop. O fato de o grupo possibilitar essa discussão não implica que isso seja comum a

outros grupos. Para essas jovens, o grupo é o espaço no qual elas podem falar de si mesmas e saber com quem elas podem contar. As jovens pontuam que o hip-hop significa a possibilidade de ter um conhecimento sobre as questões raciais e de gênero, a possibilidade de intervir politicamente por meio da cultura e de construir uma identidade positiva

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Núbia (entrevista, informação verbal).

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enquanto jovem negra e pobre: “(...) é onde eu consigo ter esse resgate da nossa cultura. É onde eu consigo me identificar a minha vida com a vida de outras, onde eu esbarro muita das vezes com coisas muito parecidas que eu vivi com o que elas viveram e a gente

consegue refletir sobre aquilo.” (sic) 155 As jovens destacam também as relações de

confiança e de solidariedade existentes entre elas, o que faz com que elas se sintam à vontade e criem laços familiares no grupo.

Rose explica que a identidade do hip-hop está profundamente relacionada à experiência local e específica e ao apego a uma posição em um grupo local ou família

alternativa.156 Dayrell, por sua vez, destaca ser comum aos grupos de rap se

autodenominarem família, evidenciando uma reconstrução simbólica dos laços familiares sob outras perspectivas.157 O que aí predomina é o princípio da escolha e o estabelecimento de relações não hierárquicas, propiciando a compreensão do grupo como espaço privilegiado de investimento emocional e construção de relações de confiança. É o que se pode observar no depoimento de Núbia:

As Revolucionárias do Rap pra mim é meu refúgio assim. É onde eu consigo ser

eu, poder falar o que eu penso, o que eu quero. Não que fora dele eu não seja, mas dentro do As Revolucionárias do Rap acho que tem muito essa cumplicidade uma com as outras assim. Esse carinho que muita das vezes a gente não encontra em outros grupos assim e As Revolucionárias do Rap tem demais isso mesmo; essa compaixão uma com a outras, é... de estar sempre uma buscando ajudar a outra, mesmo que não dê, mesmo que a outra esteja passando mais dificuldades que a outra, a outra procura ajudar dentro das suas condições. (sic) 158.

Para os jovens do Os Mensageiros, o grupo também é uma referência importante para a vida. Os relatos revelam que os irmãos consideram o grupo como um meio de

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Núbia (entrevista, informação verbal).

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Cf. ROSE, 1997.

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Cf. DAYRELL, 2004.

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realizar a missão que lhes foi confiada, segundo suas crenças religiosas. O que mais se nota é que os jovens consideram o grupo como uma missão religiosa:

(...) nosso Deus, tem um significado muito grande para mim. Acho que é minha vida, depois de Deus e minha família, é a minha vida. O grupo é a minha vida, meu ministério. Já é meu prazer, já virou assim minha vida, já virou uma parte, uma coisa que eu tenho que fazer, entendeu?! Já virou... Eu coloco isso como uma obrigação porque já virou minha vida, uma rotina. Não só por costume, mas por eu gostar mesmo. Eu faço por amor, entendeu?! (sic) 159.

Uma missão que tem como objetivo revelar aquilo que eles consideram como a mensagem de Deus, como nos mostra, em seu depoimento, o jovem João:

Então, tipo, porque a gente um dia, a gente conheceu a verdade. A Bíblia fala: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, entendeu?! A gente não conhecia essa verdade então a gente vivia num mundo de podridão. Hoje, a gente conhece a verdade e a gente quer passar essa verdade pra essas pessoas, ta ligado?! Então, o motivo de Os Mensageiros existir hoje é o motivo de ganhar almas, entende?!160

Nesses termos, eles se consideram formadores de opiniões:

(...) ser do hip-hop pra mim é poder ajudar as pessoas assim, sacou?! Porque através do hip-hop, a gente consegue ajudar um monte de gente assim a ter auto- estima, a ter uma mudança de mente já que somos formadores de opiniões, né. Então, já que somos formadores de opiniões, é muito significante pra gente, a gente poder formar uma opinião correta e aquelas pessoas acatar aquela opinião que a gente formou, sacou?! A gente tem que tomar muito cuidado com isso, porque é muita responsabilidade a gente ta no hip-hop. Não só no hip-hop, na vida assim, mas o hip-hop é uma coisa que muitos jovens têm como meta assim, tem como é ... estilo de vida.(sic) 161.

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Joana (entrevista, informação verbal).

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João (entrevista, informação verbal).

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Benzer Belgeler