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O trabalho com o Patrimônio Cultural dentro das escolas é extremamente necessário para o fortalecimento das relações dos cidadãos com suas heranças culturais, e assim estabelecer um vínculo com estes bens, com a responsabilidade pela valorização e preservação do Patrimônio, e desta forma também fortalecer sua prática para a cidadania.

Desta forma, fica a pergunta principal desse trabalho: como a Educação Patrimonial pode aproximar a população dos seus espaços e se fazer pertencente a esses bens? O espírito crítico é trabalhado na Educação Patrimonial a partir do momento que começa a investigar o Patrimônio Cultural?

No Brasil é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) que cuida do Patrimônio Cultural, tendo ele surgido como secretaria durante o governo Vargas, é um órgão que tem uma atuação em concretizar o reconhecimento pela sociedade de seu Patrimônio Cultural e tem como instrumento para esse fim as ações educacionais. Desta forma, elaboraram um Guia Básico de Educação Patrimonial, contendo diversas propostas para o desenvolvimento de ações que auxiliem e contribuam para o reconhecimento das pessoas referente às questões do Patrimônio Cultural.

Assim, é necessário discutir o conceito de Educação Patrimonial e observar subsídios para a implementação de ações de reconhecimento do Patrimônio Cultural nos anos iniciais da Educação Básica. Só em 1983 que se iniciam de forma concreta ações de Educação Patrimonial, no qual podemos citar, como uma das primeiras ações no Brasil, o I Seminário de Educação Patrimonial, em que se desenvolveu uma metodologia para o trabalho educacional em museus e monumentos históricos, podendo ser encontrada no “Guia Básico de Educação Patrimonial”. (HORTA; GRUNBERG; MONTEIRO, 2006). A Educação Patrimonial é:

(...) um processo permanente e sistemático de trabalho educacional centrado no Patrimônio Cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo. A partir da experiência e do contato com as evidências e manifestações da cultura, em todos os seus múltiplos aspectos, sentidos e significados, o trabalho da Educação Patrimonial busca levar crianças e adultos a um processo ativo de conhecimento, apropriação e valorização de sua herança cultural, capacitando-os para um melhor usufruto destes bens, e propiciando a geração e a produção de novos conhecimentos, num processo contínuo de criação cultural. (HORTA; GRUNBERG; MONTEIRO,2006, p. 6).

Desta forma, a Educação Patrimonial sendo um elemento mediador, possibilita a interpretação dos bens culturais, tornando-se um instrumento importante de promoção e vivência para a cidadania e como consequência a ideia pautada na busca, na valorização e preservação do Patrimônio. A importância da ação educativa que envolve a Educação Patrimonial como instrumento fundamental, que faz estabelecer entre os lugares de trabalho, a memória do trabalhador, a educação e o processo de patrimonialização, seja articulada para que não se perca o objetivo para São Bernardo do Campo, a função e seus interesses de serem preservados e como devem ser preservados, devendo se refletir a cidade como um todo e todo o processo histórico que é representado por sua formação, seu processo de industrialização e sua transformação para a realidade atual.

A metodologia observada sobre Educação Patrimonial aplica-se nos mais diversos âmbitos, mas neste trabalho o enfoque será em escolas, já que este tema tem como característica a interdisciplinaridade, com o objetivo de dar o valor à inserção deste nos Currículos escolares como um tema transversal.

Com base nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs)8, podem-se analisar suas propostas para o trabalho com os temas transversais e as variadas formas de se desenvolver a interdisciplinaridade.

8 Os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN - são as referências de qualidade para os Ensinos Fundamental e

Médio do Brasil, sendo eles elaborados pela Federação e instituídos no parecer da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação número 04/98 de 29 de janeiro de 1998. Serve como subsídios para a elaboração dos Currículos, com base em um projeto pedagógico na busca da cidadania dos educandos em uma escola em que se aprende mais e melhor. São eles que criam novos laços entre ensino e sociedade e apresentam ideias do "que se quer ensinar", "como se quer ensinar" e "para que ensinar". Não são regras, mas referências para a transformação de objetivos, conteúdo e didática do ensino.

O processo educativo, em qualquer área de ensino/aprendizagem, tem como objetivo levar os alunos a utilizarem suas capacidades intelectuais para a aquisição e o uso de conceitos e habilidades, na prática, em sua vida diária e no próprio processo educacional. Esse instrumento de educação se utiliza de processos de cultura para causar uma provocação no educando no que permeia sua realidade e situações limites, tanto individual como coletivamente. Em seu entorno, e por meio de um olhar mais crítico de seu espaço em que se trabalha um olhar de descobertas e de questionamentos como forma de ele se refletir nessas questões como um agente ativo de sua realidade.

Desta forma, a Educação Patrimonial em suas formas de mediação, possibilita a interpretação dos bens culturais, tornando-se um instrumento importante de que a participação popular diante do patrimônio cultural se efetive, promovendo a cidadania.

A Educação Patrimonial possui grande importância na aproximação das camadas populares do debate sobre patrimônio e identidade, ao propor ações de aprendizado para o tema, gerando um maior interesse no debate de questões significativas tanto para o indivíduo como para sua comunidade. O patrimônio artístico, histórico e ambiental, material ou imaterial são fontes de observação e debate em que o aluno começa a identificar nesses elementos seus significados.

Deve-se, desta forma, utilizar a educação patrimonial como forma de construir os significados dos bens diante do que eles representam para a sociedade. Mais do que algo imposto por uma elite, é no patrimônio observado que se deve investir um novo trabalho cultural, pelo qual esse bem adquire novo uso e novas significações.

Ao se pensar em preservação do patrimônio cultural é necessário, primeiramente, conhecer e se identificar com esse patrimônio, sendo importantes as ações educativas para esse fim. Serão os alunos criando e recriando esses significados e será o educador um elemento de grande importância no debate da importância da preservação, tentando aproximar a população dessa questão e sendo uma forma de rever a atuação social dos que sempre estiveram distante do tema.

Em busca dessa educação, com o objetivo de se repensar a participação na sociedade, que Duarte escreve:

Repensar as formas de obtenção do conhecimento sensível e mesmo o entendimento do que seja ele, constitui um desafio da contemporaneidade, imersa nessa crise e cujo substrato parece ser mesmo o ato humano de conhecer o mundo e, a partir daí nele atuar. (DUARTE, 2001, p57).

As escolas podem e devem participar deste processo de apropriação, através de visitas a museus, arquivos e bibliotecas públicas. Em muitos casos, estas práticas podem se tornar difíceis, mesmo que a cidade possua importância histórica, pela existência de um rico acervo, mas conta com um precário estado de conservação. Isso decorrente a falta de políticas públicas efetivas de preservação. Além disso, também ocorrem situações de cidades que não contam com nenhum museu, um arquivo público ou uma biblioteca.

Ou então, Secretarias de Educação que não desenvolvem ações efetivas educacionais que envolvam toda a comunidade escolar. Mas existem, no caso da falta de ferramentas para esse fim, outras possibilidades importantes que podem ser trabalhadas, como, por exemplo, utilizar objetos que potencialmente contribuam para o debate sobre patrimônio em sala de aula, ou nos locais onde estão localizados, como forma de debate ou desenvolvimento dos Currículos, muito além de uma simples ilustração das aulas. Na maioria das ações, são trabalhados com objetos culturais da própria comunidade com o objetivo do patrimônio continuar vivo, tanto na criação de identidade como nas transformações mentais e expressivas. Mas também até mesmo dentro da própria casa que carrega toda uma história familiar. Ou seja, pretende-se trabalhar com os legados deixados no presente, que se referem a uma história, costumes e culturas de uma região.

A partir da identificação desses bens que compõem esse patrimônio, tanto individual como coletivo dos cidadãos envolvidos e ligados à comunidade escolar, ainda de importância local, tombados ou em estudo de tombamento, muitas atividades deverão ser empreendidas, com o objetivo de descrever, registrar, difundir os valores, tomar medidas para manter, conservar e restaurar esses tais bens culturais.

Para a consecução desses objetivos, adota-se a metodologia apresentada pelo Guia de Educação Patrimonial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), prevendo quatro etapas:

1. Observação: Identificação do objeto, sua função e significado; desenvolvimento da percepção visual e simbólica. Exercícios de percepção visual e sensorial por meio de perguntas, experimentações, medições, anotações, jogos, etc.

2. Registro: Fixação do conhecimento percebido, aprofundamento da observação e análise crítica; desenvolvimento da memória e do pensamento lógico, intuitivo e operacional. Desenhos; descrição verbal ou escrita; gráfico; fotografias; maquetes; mapas e plantas baixas.

3. Exploração: Desenvolvimento da capacidade de análise e julgamento crítico; interpretação das evidências e significados. Análise do problema; levantamento de hipóteses; discussão; avaliação; pesquisa em outras fontes como bibliotecas, arquivos, cartórios, jornais e revistas.

4. Apropriação: Envolvimento afetivo; internalização; desenvolvimento da capacidade de auto expressão; apropriação; participação criativa; valorização do bem cultural. Recriação, releitura, dramatização; interpretação por meio de diferentes formas de expressão como pintura, escultura, drama, dança, música, poesia, texto, filme e vídeo.

Esse trabalho é algo complexo numa ação educativa, pois envolve diagnóstico de perfil dos sujeitos, observando suas relações com as memórias locais, seu reconhecimento e pertencimento às memórias e territórios e a relação dos patrimônios, observados como objetos concretos com essa comunidade educativa. Com esse levantamento que marca sentido e o significado do estudo, tem-se a relação de

reaproximação do educando com o patrimônio e isso não se faz sem pesquisa, análise e tratamento de informação em contextualização.

A contextualização em ação de construção favorecerá a aproximação em novas releituras de vida e significado. Como o processo é educativo as estratégias devem ser pensadas em diferentes linguagens de leitura e releitura.

Entretanto o trabalho com o Patrimônio Histórico é mais facilmente compreendido no âmbito da disciplina que mais tem relação com o tema, que é a História. Trabalhar o Patrimônio, por meio de qualquer outra área do conhecimento, muitas vezes não é percebido, pelos professores:

A educação patrimonial nada mais é do que uma proposta interdisciplinar de ensino voltada para questões atinentes ao patrimônio cultural. Compreende desde a inclusão, nos Currículos escolares de todos os níveis de ensino, de temáticas ou de conteúdos programáticos que versem sobre o conhecimento e a conservação do patrimônio histórico, até a realização de cursos de aperfeiçoamento e extensão para os educadores e a comunidade em geral, a fim de lhes propiciar informações acerca do acervo cultural, de forma a habilitá-los a despertar, nos educandos e na sociedade, o senso de preservação da memória histórica e o consequente interesse pelo tema. (ORIÁ, 2005).

Outra dificuldade encontrada frequentemente pelos professores é a de pensar interdisciplinarmente, porque sua aprendizagem ocorreu por meio de um Currículo extremamente fragmentado. Eles não se sentem aptos ou não tem o hábito de desenvolverem projetos temáticos, que demandam um complexo trabalho coletivo e que podem levar a perda da predominância de tarefas e avaliações individualizadas.

Também se deve destacar que os Currículos escolares são consideravelmente sobrecarregados, com disciplinas que sofrem pela limitação do tempo em sala de aula e pelas normas oficiais estabelecidas. Os objetos patrimoniais, os monumentos, sítios e centros históricos, ou o Patrimônio imaterial e natural, devem ser considerados como recursos educacionais importantes, pois permitem a ultrapassagem dos limites de cada área do conhecimento, e o aprendizado de habilidades e temas que constantemente serão tratados na vida dos educandos. Desta forma, podem ser usados

como motivadores para qualquer área do Currículo ou para reunir áreas aparentemente distantes no processo ensino/aprendizagem (HORTA, 2004, p. 3).

Maneiras de se trabalhar o conhecimento buscando uma reintegração de aspectos que ficaram isolados uns dos outros pelo tratamento disciplinar, em uma relação mantida e importante entre a transversalidade e a interdisciplinaridade. “Com isso, busca-se conseguir uma visão mais ampla e adequada da realidade, que tantas vezes aparece fragmentada pelos meios de que dispomos para conhecê-la e não porque o seja em si mesma” (GARCIA, 2001).

Segundo os PCNs, interdisciplinaridade e transversalidade são:

A interdisciplinaridade questiona a segmentação entre os diferentes campos de conhecimento produzido por uma abordagem que não leva em conta a inter- relação e a influência entre eles – questiona a visão compartimentada (disciplinar) da realidade sobre qual a escola, tal como é conhecida, historicamente se constitui. Refere-se, portanto, a uma relação entre disciplinas. A transversalidade diz respeito à possibilidade de se estabelecer, na prática educativa, uma relação entre aprender na realidade e da realidade de conhecimentos teoricamente sistematizados (aprender sobre a realidade) e as questões da vida real (aprender na realidade e da realidade). (MEC/SEF, 1998, p. 40).

Uma relação importante na prática pedagógica, pois os temas transversais promovem diante dos vários objetos de conhecimento um modo mais abrangente de compreensão, como também a percepção na produção de um sujeito e de seu envolvimento significativo em sua ação. “Por essa mesma via, a transversalidade abre o espaço para a inclusão de saberes extraescolares, possibilitando a referência a sistemas de significado construídos na realidade dos alunos” (MEC/SEF, 1998, p. 40).

Acreditamos que alguns assuntos são transversais às diversas disciplinas e o debate em torno do patrimônio histórico-cultural constitui um deles. Interessa tanto aos profissionais da educação, das áreas de história, e de geografia e por que não, da literatura. A química e a biologia não podem ficar de fora. (FIGUEIREDO, 2002, p. 52).

É importante salientar que os PCNs inovaram ao trazer modos de trabalhar a transversalidade e a interdisciplinaridade nos Currículos escolares, ressaltando que a temática da Educação Patrimonial está prevista nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino de História.

Com o estabelecimento dos Parâmetros Curriculares Nacionais, por meio da Lei Federal número 9394/96, os professores tiveram que repensar suas práticas pedagógicas. Por isto ressalta-se a importância deste trabalho nas escolas, propondo a todos os educadores grande importância da temática Educação Patrimonial nos Currículos escolares como forma de motivação da comunidade escolar nas práticas de valorização e preservação do Patrimônio Cultural. E deste modo, faz surgir uma reflexão no que refere à escola, sobre modos e utilidades sobre como e para que ensinar e aprender.

E deve-se considerar que tão importante quanto às medidas a serem tomas para a inserção desta temática nos Currículos, prestar atenção na formação dos futuros educadores, para todas as áreas do conhecimento. Reconhece-se que os professores formados nas universidades sejam elas públicas ou particulares, têm um preparo limitado e, em muitos casos, nenhuma formação específica sobre as temáticas referentes às discussões e reflexões relativas ao Patrimônio (FIGUEIREDO, 2002, p. 52). Desta forma todo um esquema de ações necessita ser posto em prática. Uma delas é fornecida por Paulo Freire:

(...) a educação ou ação cultural para a libertação, em lugar de ser aquela alienante transferência de conhecimento, é autentico ato de conhecer, em que os educandos – também educadores – como consciências ‘intencionadas’ ao mundo, ou como corpos conscientes, se inserem com os educadores – educandos também – na busca de novos conhecimentos, como consequência do ato de reconhecer o conhecimento existente. (FREIRE , 1984, p. 99).

Nesse sentido, o trabalho transversal e interdisciplinar deve ser muito mais difundido nas práticas pedagógicas. Para se desenvolver um trabalho referente à Educação Patrimonial é imprescindível que estes dois temas sejam aproveitados, resultando assim em um debate enriquecedor, numa ação integradora das mais diversas

áreas do conhecimento, e também de permitir o desenvolvimento de ações tanto na escola como na comunidade em que se insere. A Educação Patrimonial pode ser explorada pelo seu potencial em diversas áreas possibilitando aliar a História, as Artes, a Matemática, a Geografia, a Educação Física, as Ciências, enfim, as mais diversas áreas do conhecimento. Os professores podem utilizar como peças-chave nas suas aulas os objetos culturais da comunidade e dos seus vizinhos: as próprias edificações da escola, as celebrações, as criações artísticas, as crenças, as músicas entre outras formas de expressão. É fundamental em todas as áreas do ensino a utilização dos objetos culturais, podendo cada qual explorar e investigar conforme a especificidade de cada área.

Os professores do século XXI, diferente das gerações anteriores, não podem mais repetir um programa já pré-estabelecido, reproduzir um Currículo oficial para todas as escolas do país, sem se preocupar com a realidade de cada lugar. Os professores desses novos tempos devem selecionar saberes e fazeres que sejam significativos para suas comunidades.

Desta forma, cada planejamento de ensino é particular, uma reflexão e prática que deve articular especificidades de um grupo de educandos aos objetivos traçados pelo professor. E essa prática pode se utilizar de algumas metodologias. José Carlos Libâneo diz que “em resumo, podemos dizer que os métodos de ensino são as ações do professor pelas quais se organizam as atividades de ensino e dos alunos para atingir objetivos do trabalho docente em relação a um conteúdo específico”. (LIBÂNEO, 1990, p.152).

As metodologias de ensino são esquemas de ações que propõem a sequência de determinadas etapas na execução de uma determinada tarefa. Utilizar uma metodologia para o planejamento e execução de uma atividade pedagógica não pode ser entendido como a anulação da criatividade do professor. Antes, significa traduzir para o campo prático uma sequência lógica de ações previamente pensada e testada. Desta forma, a Didática também tem seus métodos para atingir seus objetivos, como qualquer outra ciência.

Já quando tratado a metodologia para o ensino de História, pode-se discutir a Educação Patrimonial como possibilidade para esse fim, servindo como proposta de ensino, enfatizando aspectos que privilegiam a história local. A Educação Patrimonial pode ser como propõe Paulo Freire, um instrumento-chave para a leitura do mundo e para a comunicação com o outro.

O ensino de História baseado simplesmente no livro didático serve para contribuir com o empobrecimento, limitação dessa área do conhecimento e restrição do conhecimento. Os conteúdos apresentados pelos manuais didáticos não levando em consideração as particularidades regionais e as especificidades locais. Bittencourt (2008) adverte que o livro didático é:

(...) um importante veículo portador de um sistema de valores, de uma ideologia, de uma cultura. Várias pesquisas demonstram como textos e ilustrações de obras didáticas transmitem estereótipos e valores dos grupos dominantes, generalizando temas, como família, criança, etnia, de acordo com os preceitos da sociedade branca burguesa. (BITTENCOURT, 2008, p 72).

A Educação Patrimonial surge como um complemento ou até uma alternativa ao uso do livro didático, no qual nos permite aprofundar questões da prática do ensino de história nas salas de aula da Educação Básica.

O educador passa a se utilizar desta prática como forma de fazer, não somente o reconhecimento do patrimônio cultural local, mas também sua transmissão, além de uma ação que envolve uma atitude crítica diante da história e da realidade atual da cidade. A Educação Patrimonial sendo um instrumento que desperta o senso crítico e a tomada de consciência para a importância da valorização do patrimônio cultural pela sociedade, como também possibilita contribuir para a construção de uma identidade e da cidadania. Ao trabalhar com os bens culturais tangíveis aos educandos possibilita a ampliação das noções de valorização, resgate e preservação dos patrimônios histórico/culturais locais, de toda comunidade envolvida. (MACHADO; HAIGERT; POSSEL, 2003, p. 48). Uma educação libertadora que forma para a consciência histórica, em um processo de apropriação e identificação de sua cultura local servindo,

fundamentalmente, para que se possa também compreender e transformar a sua realidade comunitária.

Conforme Machado; Haigert; Possel (ibid., p. 52) é “por meio da valorização e promoção da cultura local e regional” que a história se torna mais próxima da realidade dos alunos e nesse contexto o professor deve fazer a ligação entre o saber escolar e o saber da comunidade. Dessa forma é fundamental que os professores se

Benzer Belgeler