3. ŞEKİL HAFIZALI ALAŞIMLAR
3.1 NiTi Şekil Hafızalı Alaşımlar
3.1.2 NiTi alaşımlarda martenzitik dönüşüm
Salvador (1982:279) chama atenção para certo ―senso de urgência‖ que tomou conta dos metodistas brasileiros com o advento da proclamação da república, em 1889: ―todos os nossos oito missionários reúnem-se logo após o 15 de novembro. Examinam a situação e juntos subscrevem um apelo urgentíssimo e convincente à Igreja-mãe‖. Precisavam regularizar os imóveis e oficializar juridicamente a missão metodista no Brasil.
Durante 22 anos a relação entre a missão metodista brasileira e a junta de missões da Igreja Metodista Episcopal do Sul foi de fato de ―mãe e filha‖. Agora, a ―filha‖ dava os primeiros sinais para o seu processo de emancipação. Reily (1981:22-24) considera que além da filosofia eclesiológica e da maturidade missionária da Missão, houve alguns ―passos específicos‖ dados sob não poucas tensões entre os metodistas nacionais e os secretários da ―General Board‖ da Igreja Episcopal do Sul, ―portanto nem sempre havia compreensão mútua, identidade de posicionamento e perfeita harmonia entre as partes interessadas (―Board‖, missionários e nacionais) sobre o ―como‖ e o ―quando‖ da autonomia. Reily (1984:188) citando o incidente envolvendo o Colégio ―Granbery‖, quando da intromissão da junta de missões em sua administração, ilustra não apenas como os americanos foram unilaterais tantas vezes, como também demonstra o seu controle e os conflitos experimentados por eles e os missionários nacionais.
Enfim, nesse aspecto, está configurada certa tensão durante o processo de emancipação da Missão metodista brasileira e Igreja Metodista Episcopal do Sul. Ainda segundo Reily, ―a autonomia não foi consumada, então, sem desentendimento ou rixa‖. Não se sabe o motivo pelo qual o autor deliberadamente não se detém a esclarecer profundamente os motivos desse tensionamento. Todavia, o fato dele mesmo ter sido um missionário americano no Brasil, possibilita a hipótese de que procurou isentar-se de provocar mais tensões. Josgrilberg (2005:44-48) ao relacionar o evento da autonomia ao contexto cultural do Brasil do século
XIX, amplia a discussão em termos da América Latina, chamando a atenção para um tempo em que tanto a doutrina Monroe era vista pelo nacionalismo ―crioullo‖ com muita desconfiança. O autor entende que essa desconfiança era visível nas discussões das ―grandes reuniões missionárias‖. Josgrilberg (2005:49-51) considera que os missionários americanos eram constrangidos nessas reuniões, por conta de um acentuado anti-ianquismo. Curiosamente, apesar do autor achar que o nacionalismo latino emergente tenha contribuído para a idéia de autonomia do metodismo brasileiro, sugere que isso não significou a construção de um projeto missionário e eclesiástico com nítida fisionomia nacional. Ou seja, a doutrina de Monroe prevaleceu na estrutura, organização, teologia e missão da Igreja Metodista Brasileira. Para Josgrilberg, o projeto de autonomia para uma igreja brasileira falhou. Ela não se ―abrasileirou‖. ―O perfil da Igreja continuou, depois da autonomia, uma derivação do metodismo americano do sul‖.
Se consideradas as avaliação de Josgrilberg e Reily (1981:34-41) fazem da década de vinte, mais especificamente quando Reily, destaca inclusive, o contexto da eleição do primeiro bispo para atender a recém organizada Igreja Metodista brasileira, pode se inferir que tais perspectivas e tensões mencionadas anteriormente pelos autores, ajudaram provavelmente a definir o resultado das eleições episcopais. A propósito, o autor indica que apesar dos dois candidatos brasileiros, Guaracy Silveira, César Darcoso Filho, parecerem os ―candidatos prediletos‖, H.C.Tucker e J.W.Tarboux ambos não-nacionais, foram os bispos eleitos para a Igreja Metodista brasileira.
Se Guaracy Silveira e César Darcoso foram considerados ―prediletos‖ e o processo eleitoral foi ―disputadíssimo‖ conforme pontua Reily, pelo menos um desejo latente de reafirmação da identidade nacional pulsava nos corações dos conciliares brasileiros do primeiro Concílio Geral, realizado de dois a nove de setembro de 1930. Prevalceu o pensamento hegemônico americano mais uma vez sobre os nacionais? Essa hipótese parece passar no teste. Todavia, não sem a resistência dos brasileiros. A propósito, Reily (1981:43) admite ter havido ―desavenças e conflitos pessoais entre nacionais e missionários‖, ―arrogância de certos missionários‖ e ―inépcia de secretários da Board‖. Dentre as indagações feitas pelo autor sobre o processo de autonomia, as questões, por que a Igreja Metodista Episcopal do Sul, ―... mandou Mouzon e não Cannon como o bispo da Comissão sobre a Igreja Metodista? Por que Cannon não participou da sagração de Tarboux?‖, parece que
foram respondidas por Josgrilberg (2005:14), quando afirma que Cannon era contra a autonomia da Igreja Metodista Brasileira.
Na verdade, a autonomia não pressupunha independência total e imediata. Teria um período probatório de 3 anos conforme assinala Oliveira (2005:61). ―A maioria das igrejas optou pela autonomia, planejando alcançar o sustento próprio dentro de três anos. Elas optaram pela forma de governo episcopal e por um bispo estrangeiro [...] Para as escolas e colégios, optaram pelo status quo‖. Segundo o autor, Guaracy Silveira e César Darcoso Filho não queriam uma independência radical da Igreja Metodista Episcopal do Sul, como queriam principalmente. Autonomia para eles seria num controle financeiro pela conferência nacional, todavia, mantendo uma certa dependência de recursos financeiros e humanos da IMES. Ferraz avalia que desde 1896, muitos clérigos desejavam uma igreja nacional. Todavia, uns foram mais enfáticos. Por exemplo, Oliveira (2005:66) registra que ―Em 1918 organizou-se um grupo – denominado por Otilia Chaves de ―Ala da resistência‖ — constituído principalmente pela primeira turma de diáconos formados no Granbery‖.
Com efeito, parece que na época essas questões eram mais urgentes que a questão da inserção ou mesmo a evangelização dos afro-brasileiros. Pode se inferir que a questão econômica e política está sempre determinando as pautas de discussão do metodismo brasileiro não apenas no século XIX. Portanto, conforme se observa nas fotos (Anexo 36)39 desde a quinta Conferência anual brasileira em 1890, até a Comissão Constituinte da Igreja Metodista do Brasil e finalmente entre os participantes do 1º Concílio Geral em São Paulo, é peremptória a invisibilidade de afro-brasileiros(as) no contexto de consolidação da autonomia da Igreja Metodista Brasileira.
Para Reily (1984:195), a eleição em 1934 do Rev. César Darcoso Filho, como o primeiro bispo brasileiro, ―marcou um passo importante na nacionalização da Igreja Metodista do Brasil‖. Contudo, o bispo J.W.Tarboux ainda foi eleito nesse mesmo Concílio, em primeiro lugar. De fato, a Política missionária e eclesiástica desde 1867 esteve definitivamente sob a direção dos missionários americanos. A possibilidade da eleição do bispo César Darcoso Filho marcaria um momento de transição na política institucional, que precisaria de muito mais tempo para incluir a possibilidade de um bispo afro-brasileiro.
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Foto In: SOUZA, José Carlos. Caminhos do metodismo no Brasil: 75 anos de autonomia. São Bernardo do Campo, Editeo, 2005.20.