• Sonuç bulunamadı

NiTi Şekil Bellekli Alaşımların Endüstriyel Alandaki Uygulamaları

2 ŞEKİL BELLEKLİ ALAŞIMLAR VE ŞEKİL BELLEK ÖZELLİĞİ

3.8 Nikel-Titanyum Şekil Bellekli Alaşımların Kullanım Alanları

3.8.1 NiTi Şekil Bellekli Alaşımların Endüstriyel Alandaki Uygulamaları

Um dos processos mais intrigantes estudados na Semântica é o processo por meio do qual o ser humano constrói o alvo de uma referenciação. A linguagem humana possibilita o rompimento com os limites espaço-temporais, impostos pelo ambiente discursivo imediato, bem como a construção de novos paradigmas balizadores da formação de um novo campo discursivo distinto daquele imediato.

O que nos leva a eleger um determinado alvo para uma determinada dêixis não está necessariamente explicitado no texto (seja ele escrito ou falado), nem mesmo na própria situação discursiva. A visão epistêmica proposta pela Gramática Cognitiva dá relevo ao sistema de conhecimento dos participantes envolvidos numa interação. São esses participantes que têm a responsabilidade de construir as âncoras que permitirão a cunhagem do chamado caminho epistêmico refletido pelas expressões dêiticas.

O uso da dêixis você nos faz refletir sobre os diversos enquadramentos que possam surgir de forma situada, no momento da interação. É por meio do seu uso que é possível verificar a existência de um escopo referenciativo amplo. O espectro da referenciação só é possível ser compreendido pelo conceptualizador, por meio de mudanças perspécticas diversas, que promovem enquadramentos distintos. Um

31 falante nativo da língua Portuguesa Brasileira compreende com naturalidade, ao

assistir ao comercial veiculado por um banco, que a dêixis você pode se referir a diversas pessoas. O texto que acompanha as imagens é:

“Você é diferente de você, que é o oposto de você. Que não tem nada a ver com você. Você nem lembra você.

E definitivamente não é você. Você é diferente.”

Neste comercial, a cada vez que a palavra você é proferida, a imagem de uma pessoa apare na tela da televisão. As imagens são de pessoas diversas, como mostra a Figura 1, e, indubitavelmente, ajudam na conceptualização da referenciação desta dêixis.

Figura 1: Seqüência de imagens.

Estas imagens fizeram parte de um comercial de um banco e eram exibidas na medida em que a palavra você era proferida na mensagem.

Rubba (1996:229) aponta três fatores importantes na interpretação de elementos dêiticos. O primeiro deles seria o domínio no qual o discurso está inserido. O tema discursivo fornece, segundo a autora, os limites necessários para a que o alvo seja construído. O segundo fator seria os candidatos a alvo. O conceptualizador tem condições de formar um elenco limitado, factível de ser o alvo dêitico. O terceiro fator seria o próprio uso convencional que ajudaria na determinação do alvo que é comumente e culturalmente aceito numa determinada língua.

Levando as colocações acima em consideração, proponho que as duas acepções do você (apontamento canônico, referenciando o ouvinte e o chamado de genérico) amplamente aceitas sejam apenas alguns dos apontamentos desse dêitico. Há outros

32 alvos que os falantes do Português Brasileiro aceitam, fazem uso e que ainda não

foram exploradas à luz da Gramática Cognitiva.

É comum o uso do você na auto-referenciação. O falante pode deixar claro no co-texto, nos seus movimentos gestuais, na sua entonação, no enquadramento semântico que está fazendo uma referência si próprio, ao se utilizar do você. Ele também pode fazer o uso deste mesmo dêitico para se referir a uma terceira pessoa (plural ou singular), também presente na esfera textual. Há casos em que o dêitico em questão é utilizado na sua forma singular, em discursos dirigidos a grandes platéias, fazendo referência aos ouvintes.

Enfim, se pensarmos na proposta de um continuum entre o apontamento único e exclusivo para o falante e o apontamento genérico, outras nuances desse continuum nos revelarão as facetas semântico-cognitivas do dêitico você, objetos de apreciação desta tese. As facetas mapeadas por mim, neste estudo, são a faceta egocêntrica, a faceta projetada e a faceta interlocutória de natureza inclusiva e exclusiva.

Partindo-se do princípio de que o dêitico você é multifacetado, apresento uma proposta de apreciação do seu escopo de referenciação. Como abordado anteriormente, essa dêixis apresenta alvos além do considerado genérico e o da segunda pessoa do singular. Esta característica da dêixis reflete a capacidade do ser humano de enxergar novas formas e sentidos para diversos itens lexicais. Expressões lingüísticas que fazem referência a entidades podem implicar na construção de situações e cenas imagéticas e criar elementos que estejam nessas cenas.

33 É por isso que o processo de referenciação promove um contado mental, o

direcionamento da atenção do conceptualizador para determinado alvo. Esse alvo, por sua vez, pode ser construído a partir da emergência de um enquadramento semântico3 que permitirá a saliência de um domínio. O diagrama da Figura 2 ilustra este processo. Nele, o conceptualizador (C) faz referência a uma determinada entidade. Ele escolhe uma unidade lexical (R) para que a referenciação aconteça. O alvo escolhido (A) vai depender do contexto, do co-texto, do conhecimento prévio do conceptualizador e da situação na qual a interação acontece. Esse alvo está dentro de um determinado domínio (D) construído pelo conceptualizador. Não há como se definir, de forma a priori o alvo a ser eleito, no processo de referenciação. No caso do objeto deste estudo, não há como predeterminar que o você faz referência somente ao ouvinte, ou à pessoas em geral.

3 Evans & Green (2006) explicam que os enquadramentos são estruturas ou esquemas de conhecimento que emergem das nossas experiências diárias. Este conceito será abordado nas próximas seções de forma mais detalhada.

O PROCESSO DE REFERENCIAÇÃO

Figura 2: O processo de referenciação.

Nesse processo o conceptualizador (C), por meio de uma entidade referenciativa (R), elege o alvo (A). Fonte: Langacker (manuscrito)

D

R A

34 Considere os exemplos abaixo:

Minha casa é muito velha. O telhado está em ruínas.

Este computador não dá trabalho. O processador é muito moderno.

O item lexical casa evoca um enquadramento que inclui a noção de que casa tem paredes, portas, janelas e um telhado. Minha casa direciona a atenção para uma casa específica. Não é a casa do João, de alguém, de todos, mas da casa do falante. O item telhado faz referência à minha casa. Trata-se evidentemente do telhado da casa do falante.

Da mesma forma, no exemplo seguinte. O processador faz referência ao computador. Não se trata de um processador de frutas, de alimentos, mas sim, de um processador de dados. A seleção desta acepção foi possível por meio da construção de um enquadramento que possibilitou a ativação de um domínio específico: o da informática.

Langacker faz uso da expressão ground para explicar que a noção de contexto discursivo, ou plataforma discursiva é a base para a formação de um processo de referenciação. Rubba (1996:230) estende esta noção, propondo que há plataformas alternativas4 para a conceptualização dêitica. Isto implica na existência de planos conceptuais sub-rogados, que exercem a função do plano contextual “real” e que têm características imagéticas, conceituais.

Para melhor compreendermos a noção de facetas conceptuais, cunhadas por esta pesquisa, faz-se necessária a contemplação da noção de ajustes focais, proposta por Langacker (1987). Entretanto, antes de apresentá-las, exponho, na próxima seção, algumas reflexões feitas em estudos prévios acerca da dêixis. Veremos que uma

35 abordagem minimalista não contemplaria as nuanças do apontamento via você, que os

estudos feitos pela Pragmática privilegiam o contexto, mas não explicam como o você multifacetado é compreendido pelos falantes nativos do PB sem nenhuma dificuldade. Somente uma teoria que coloca as questões conceptuais em pauta pode delinear de forma mais abrangente a complexidade da referenciação dêitica.

Benzer Belgeler