5. BULGULAR ve YORUM
5.1. Nicel Değerlendirme
A criação de Unidades de Conservação nem sempre resulta na conservação da natureza e/ou no uso sustentável dos recursos naturais. Segundo IBAMA5WWF (2007) o grande desafio para implementação das UCs é assegurar a efetividade de seu manejo.
Para Lima et al. (2005) a avaliação da efetividade de manejo se relaciona à forma como as Unidades de Conservação estão protegendo determinados valores e atingindo as metas e objetivos para as quais foram criadas. Segundo Pavese et al. (2007) esse tipo de avaliação tem sido usado para diferentes finalidades, como adaptação do manejo; auxílio na distribuição de recursos entre as UCs e dentro delas; promoção da responsabilidade e transparência de gestão, divulgando a efetividade de manejo as partes interessadas; mobilização da comunidade para promover e valorizar as UCs.
Nas ultimas décadas, foram propostas algumas metodologias, em contexto nacional e internacional, para avaliar a efetividade de manejo das Unidades de Conservação. No Brasil, destacam5se os trabalhos de Ferreira et al. (1999), que avaliou a efetividade de 86 UCs em diferentes regiões do Brasil; Padovan (2002), que avaliou 12 UCs no Espírito Santo; Mesquita (2002), que avaliou diferentes RPPNs; Faria (2004), que avaliou 59 UCs no estado de São Paulo; Lima et al. (2005), que avaliou as UCs de proteção integral em Minas Gerais; IBAMA5 WWF (2007) que avaliou 245 UCs federais, o que corresponde a 84,48% do total de UCs federais existentes. Pavese et al. (2007) mostra que as metodologias de avaliação de
efetividade de UCs mais utilizadas10 no Brasil são a “Matriz de Cenários”, a metodologia de Ferreira et al. (1999), a “Ferramenta de Monitoramento” ou “Traking Tool” e o RAPPAM 5 Metodologia para Avaliação Rápida e a Priorização do Manejo de Unidades de Conservação. Pavese (2002) ressalta que apesar das diversas metodologias existentes para avaliação do manejo das unidades de conservação, ainda não existe um instrumento amplamente aceito.
As metodologias de avaliação de efetividade mais usadas no Brasil se aplicam melhor a comparação entre um conjunto de Unidades de Conservação, não proporcionando o aprofundamento e detalhamento que se julga necessário para a avaliação da efetividade e conseqüente manejo adequado de uma única UC, que pode possuir problemas específicos a serem identificados. Por isso optou5se, nesta dissertação, por não aplicar diretamente nenhuma destas metodologias citadas para avaliação da efetividade na APA Carste de Lagoa Santa, sendo usados métodos específicos de avaliação, detalhadamente descritos no capítulo 3. O método RAPPAM serviu como inspiração para as metodologias aplicadas nesta dissertação, por isso optou5se por descrevê5lo aqui em detrimento das outras metodologias citadas.
Segundo IBAMA5WWF (2007), no ano de 1995, a IUCN5WCPA (Comissão Mundial de Áreas Protegidas da IUCN) estabeleceu um grupo de trabalho para examinar as questões referentes à efetividade de manejo de áreas protegidas, reunindo e avaliando todos os estudos de efetividade de manejo existentes a nível global11. Com esse estudo, a IUCN5WCPA percebeu que os sistemas de manejo são freqüentemente descritos como um ciclo de planejamento, implementação e avaliação (Figura 1.3), que conta com elementos principais de avaliação focados nos objetivos e metas definidos para a UC .
Reconhecendo o desafio em relação ao manejo efetivo de Unidades de Conservação em todo o mundo, a Convenção de Diversidade Biológica 5 CBD, no encontro da Conferencia das Partes 5 COP57, realizado em 2004, determinou que todos os países signatários deveriam implementar a avaliação da efetividade de gestão de seus sistemas de áreas protegidas até 10Segundo dados extraídos de Pavese et al. (2007), do total de 273 UCs brasileiras que tiveram a efetividade
avaliadas e cuja avaliação consta no cadastro da IUCN5WCPA, 90 utilizaram o método “Matriz de Cenários”, 86 a metodologia de Ferreira et al. (1999), 47 a “Ferramenta de Monitoramento” ou “Traking Tool” e 32 o RAPPAM. Os dados de Pavese et al. (2007) estão desatualizados em relação à aplicação da metodologia RAPPAM, uma vez que o trabalho do IBAMA5WWF (2007) aplicou esta metodologia na avaliação de 245 UCs
2010 (PAVESE ET AL. 2007). No Brasil, para atender a demanda estabelecida por essa convenção, foi largamente aplicado a Metodologia para Avaliação Rápida e Priorização do Manejo de Unidades de Conservação 5 RAPPAM.
Figura 1.3– Ciclo de gestão e avaliação proposto pela Comissão Mundial de Áreas Protegidas da União Mundial pela Natureza. Fonte: Hockings et al. (2000) apud IBAMA5WWF (2007).
O RAPPAM é uma metodologia desenvolvida com base no Ciclo de Gestão proposto pela IUCN5WCPA. Segundo Simões e Oliveira (2007) essa metodologia teve ampla aceitação em todo o mundo, sendo aplicada em mais de 23 países. Para o IBAMA5WWF (2007), o RAPPAM identifica os pontos fortes e fracos do manejo, as áreas de alta importância ecológica e social e os pontos de maior vulnerabilidade da UC; analisa características e distribuição das diversas ameaças e pressões; indica a urgência e as prioridades de conservação; ajuda no desenvolvimento e priorização de intervenções políticas adequadas para melhorar a efetividade de manejo de UCs.
A metodologia RAPPAM é aplicada através de cinco passos, definidos por Irvin (2003): determinação do escopo de avaliação; avaliação das informações existentes sobre as unidades de conservação; aplicação do questionário para uma Avaliação Rápida; análise dos dados; identificação dos próximos passos e recomendações. Segundo IBAMA5WWF (2007), para implementação do RAPPAM são feitas oficinas participativas, incluindo os gerentes das UCs, os formuladores de políticas e outras partes interessadas na avaliação dessas unidades. Nas oficinas são aplicados extensos questionários, onde é negociada uma interpretação comum para cada questão, gerando respostas consistentes. A
qualidade e confiabilidade dos dados dependem da participação e disposição de pessoas, que devem entender que não estão passando por auditoria ou por julgamento de seu desempenho.
Para Irvin (2003), o objetivo principal do RAPPAM é fazer comparações em ampla escala entre várias UCs, a fim de promover a melhoria de manejo do sistema de Unidades de Conservação. O método pode ser aplicado em apenas uma UC, embora não responda a questões específicas, ele pode ser usado como um quadro referencial para que seja desenvolvida uma ferramenta de monitoramento local. O autor ressalta que embora a metodologia seja aplicável nas seis categorias de UC da IUCN, ela é adaptada às categorias de I a IV, de forma que a categoria V, onde se inclui a APA, requer uma abordagem mais abrangente, com foco em comunidades e indicadores para medir a integridade da paisagem.
O documento produzido pelo IBAMA5WWF (2007) apresenta o resultado de avaliação da efetividade de gestão das UCs Federais do Brasil usando a metodologia RAPPAM. Dentre as 246 UCs avaliadas, 116 pertencem ao grupo de proteção integral e 130 ao grupo de uso sustentável. Para fornecer os resultados, algumas categorias de UC foram agrupadas, segundo similaridades em seu objetivo principal. Assim o documento apresenta a avaliação conjunta de 28 APAs Federais e de 4 Áreas de Relevante Interesse Ecológico – ARIEs, dentre as quais está a APA Carste de Lagoa Santa. O estudo concluiu que aproximadamente 97% das APAs e ARIEs apresentam alta importância biológica e 64,7% possuem alta importância socioeconômica. No entanto, 63% possuem alta vulnerabilidade, devido principalmente a facilidade de acesso às áreas – que propicia o desenvolvimento de atividades ilegais, à grande demanda por recursos naturais – e à dificuldade de monitoramento de atividades ilegais, dentre outras. Apenas 41% das APAs e ARIEs avaliadas são efetivas na gestão, sendo os maiores problemas de gestão encontrados relativos a carência de recursos humanos e financeiros. O estudo identifica que as maiores pressões e ameaças às APAs e ARIEs são a construção de infra5estruturas, a conversão do uso do solo, a disposição de resíduos, a expansão urbana e a presença de populações humanas.
1.6 Noções básicas sobre o carste e os impactos da atividade humana neste ambiente