Nesta seção realiza-se a discussão dos resultados apresentados no item anterior, no intuito de registrar raciocínios pertinentes que fundamentem as conclusões finais da pesquisa.
Verificou-se que determinadas comparações dos percentuais de IMPs nulos, principalmente aquelas realizadas para determinação da Manutenção da Percepção por Filtro Condicionante, foram comprometidas devido aos grupos com números reduzidos de componentes. Certos grupos de alguns filtros de percepção não contaram com um número razoável de participantes – como o grupo de daltônicos no filtro “daltonismo” –, conduzindo a resultados inconsistentes, frequentemente com p.valores acusando insignificância das diferenças entre esses grupos com números de participantes muito discrepantes.
É interessante observar a relação existente entre os percentuais dos gráficos 4.9 e 4.11, onde a melhor performance para a RVI é exatamente a mesma (54%). Ou seja, subjetivamente os participantes consideraram essa tecnologia como sendo a melhor em termos de semelhança com o ambiente físico. Semelhança essa, comprovada pelos cálculos da Performance Objetiva, isto é, por uma análise numérica e mais precisa.
Ainda se comparando estes dois gráficos, é possível notar que dos 43% da amostra que consideraram subjetivamente ambos os ambientes virtuais equivalentemente semelhantes ao ambiente físico, apenas 13% foram confirmados pelos cálculos da Performance Objetiva. Por fim, os 3% que disseram que a RVnI era mais semelhante (apenas um participante), subiram para 33% nos cálculos da Performance Objetiva.
Uma mediana mais distante de zero para a RVI do que para a RVnI (Figura 4.10), indica que essa tecnologia tende a oferecer um benefício à percepção maior do que quando este benefício é atribuído à RVnI (quando a RVnI obtém melhor
performance). Por outro lado, observa-se maior dispersão nos resultados para a RVI, enquanto os índices (de Performance Objetiva) da RVnI foram mais regulares (se mantiveram dentro de um intervalo menor).
Em quase todas as questões (exceto na Questão 1) a diferença de IMPs nulos entre as tecnologias não é significativa, ao se analisar cada questão separadamente (onde o nível de significância limite adotado foi de 5%). Este fator indica que cada questão, individualmente, não é capaz de justificar o resultado significativo da Manutenção da Percepção Global constatado anteriormente. Por outro lado, aplicadas e analisadas em conjunto, as sete questões coletam dados suficientes para o cálculo e constatação de uma significância global (um IMP Global significativo). Isso talvez se deva ao fato de que, mesmo a diferença não sendo significativa em uma determinada questão, frequentemente ela foi bastante notável, com porcentagens de 20 ou 24 por cento como nas questões 3 e 7 respectivamente, contribuindo consideravelmente para o percentual de IMPs nulos na Manutenção da Percepção Global.
Verificou-se a existência de uma relação da idade, do grau de escolaridade e da profissão com a percepção do espaço virtual, onde participantes com 26 anos ou mais, com 3º grau ou pós-graduação, arquitetos e engenheiros têm melhor percepção do modelo 3D, esteja este modelo na RVnI (exceto para grau de escolaridade) ou na RVI. Ademais, o grupo de maior faixa etária tem melhor percepção através da RVI (se comparada com a percepção deste mesmo grupo na RVnI), embora não seja possível afirmar o mesmo para o grupo de menor faixa etária.
Não é possível afirmar que existe relação entre o gênero do participante e a percepção do espaço virtual, tanto na RVnI quanto na RVI (isoladas). Por outro lado, é possível afirmar que usuários do sexo masculino têm sua percepção melhorada com o uso da RVI (em relação à percepção obtida na RVnI). Embora a percepção tenha melhorado também para as mulheres, a diferença não foi significativa.
Também não é possível afirmar que os grupos de grau de escolaridade têm suas percepções melhoradas com o uso da RVI, pois as diferenças para todos os grupos entre as tecnologias não foi significativa. Entretanto, se considerarmos as tecnologias separadamente, na RVI (não a comparando com a RVnI) a percepção dos grupos com 3º grau ou pós-graduação é significativamente melhor do que a percepção do grupo com apenas 2º grau. Isto é, a RVI é especialmente benéfica para estes dois grupos de maior escolaridade pois a diferença entre eles e o grupo de 2° grau é significativa, o que não acontece na RVnI isoladamente.
Sobre a relação entre a profissão do participante e a melhora de sua percepção com o uso da RVI, pode-se afirmar que ela contribui para a percepção de arquitetos e engenheiros, enquanto não é possível afirmar para o grupo dos estudantes e dos profissionais de outras áreas, pois a diferença entre as duas tecnologias para estes dois grupos não foi significativa.
Dentro da RVnI existe uma relação da profissão do participante com a sua percepção sobre o espaço virtual, onde arquitetos e engenheiros compreendem melhor o modelo 3D do que os estudantes de arquitetura. O mesmo não pode ser dito entre os outros profissionais e os estudantes, ou entre arquitetos e engenheiros e outros profissionais. Já na RVI, isoladamente, essa relação permanece verdadeira entre arquitetos e engenheiros e estudantes de arquitetura e também acontece entre os arquitetos e engenheiros e o grupo com outras profissões.
Considerando-se a diferença entre ambas as tecnologias para os grupos com e sem daltonismo, verifica-se que o Ambiente de Imersão não oferece melhor percepção para usuários daltônicos em relação ao ambiente não imersivo, como esperado. Ao mesmo tempo, é possível afirmar que a RVI beneficia a percepção dos participantes sem daltonismo pois a diferença entre as tecnologias para esse grupo foi significativa.
A pesquisa mostrou que não há relação alguma entre a familiaridade com recursos tridimensionais e a percepção dos participantes dentro de uma mesma
tecnologia ou entre elas. A RVI não beneficia, significativamente, a percepção dos grupos com e sem familiaridade. De forma semelhante, não há relação alguma entre o conhecimento prévio do ambiente visitado e a percepção dos usuários (isoladamente ou entre as tecnologias). A RVI não proporciona uma melhora significativa da percepção dos participantes, tanto daqueles que já conheciam o hall quanto daqueles que não o conheciam, embora quase todos os engenheiros, arquitetos e estudantes de arquitetura possuíssem conhecimento prévio do hall enquanto nenhum participante pertencente à categoria “outras profissões” o possuía.