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4. OLUŞTURULAN GÜVENLİK DUVARI İÇİN ÇEKİRDEK UYGULAMASI

4.3. Netfilter Modülleri ve Reject Modülünde Yapılan Değişiklik

Para o estudo de como o direito à recreação e lazer é efetivado na escola, foram elaboradas quatro questões. A primeira questão refere-se à interpretação do artigo 7º da Declaração dos Direitos da Criança, já citado no início deste trabalho, que assim está expressa: ―A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo desse direito‖.(ONU, 1959, on-line)

O objetivo ao propor esta questão foi avaliar se as professoras compreendem que o ato de brincar ultrapassa os limites pedagógicos, constituindo- se como ato político, já que constrói um sujeito social e, portanto, questão de cidadania. Esta reflexão apresenta relevância tal que consideramos pertinente reservar um item para sua análise e compreensão.

As respostas dadas foram variadas e percebemos que as professoras colocaram o que sabiam sobre os benefícios que o ato de brincar traz à criança. Entretanto, somente duas respondentes ultrapassaram à compreensão dos limites emocionais e pedagógicos e conseguiram perceber a brincadeira enquanto ato político e direito que necessita ser efetivado.

Pode-se classificar as respostas em três categorias, de acordo com a abrangência, sendo: questões relativas ao desenvolvimento, questões políticas e ações que precisam ser efetivadas.

As professoras que se referiram à importância da brincadeira para o desenvolvimento abordaram questões como: essencialidade do brincar na vida infantil, espontaneidade da criança para a prática de tal ação, o fato de serem mães,

facilitador do crescimento físico, beneficiador da saúde e auxiliar no desenvolvimento cognitivo.

Os depoimentos que apontam a importância do brincar para o desenvolvimento, nos dão a entender que a criança brinca espontaneamente, sendo permitido ou não, de maneira que brincar é como respirar, que se faz sem perceber, independente de ordens, comandos ou regras, como atributo do ser, o que é claro na fala de Adélia:

Para que a criança se desenvolva, deve haver mais oportunidades. Independente de deixarmos ou não, a criança brinca. Ela brinca mesmo! (ênfase)

Coloca-se o brincar como uma prática que conduz ao desenvolvimento da boa saúde infantil, da mesma forma que se recomendam exercícios físicos e alimentação balanceada para adultos. Esse posicionamento faz sentido à medida que compreendemos o ser humano como complexo, que necessita de atividade física e mental, de modo que se o brincar é a atividade física da criança e ela não pratica, deverá haver algum prejuízo para sua saúde física e/ou emocional. Quando citamos as emoções, entendemos que a ausência de interação com outras crianças, o que se dá no exercício lúdico, traz frustrações e dificuldades de relacionamentos, que são prejudiciais ao desenvolvimento emocional.

A maternidade foi uma questão que teve influência no momento de dar as respostas. Duas professoras tem filhos e outra tem neta com idades próximas à dos alunos com quem trabalham. Vimos que suas respostas apresentavam uma emoção diferenciada, posto que se misturavam os sentimentos: quando falavam das atitudes tomadas para com os alunos, ao mesmo tempo remetiam-se à postura perante os familiares, sendo difícil dissociar as figuras de mãe e professora. Essa postura se mostra no depoimento de Adélia, mãe de um menino de 3 anos:

Brincar é o essencial na vida da criança. Depois que tive filhos, invisto muito em brinquedos porque vi que era necessário...Oriento os pais nas reuniões a tirar um tempo para sentar e brincar com a criança.

O depoimento demonstra que a maternidade foi crucial para que percebesse o quanto o brincar e o brinquedo eram importantes para o seu filho e por conseguinte para as outras crianças. Essa descoberta foi tão relevante, que foi

inserida na pauta da reunião de pais, como uma orientação favorecedora do estreitamento de laços entre pais e filhos.

A influência da maternidade pode ser verificada no conteúdo das respostas, visto que dentre as duas professoras que deram respostas de cunho político, uma não tem filhos e outra, já tem filhos adolescentes, de modo que seu envolvimento com a criança, seja uma relação de afeto e respeito mas, de cunho profissional, sem a mistura de sentimentos que envolve o ser mãe e o ser professora.

Ainda no que se refere à relação feita entre brincar e desenvolvimento, as professoras avaliam que o brincar é importante para o desenvolvimento cognitivo, ou seja, compreendem que a criança que brinca tem mais possibilidades de aprender e ter sucesso escolar, como Margot nos explica:

O brincar faz parte da infância e através do brincar, que é prazeroso, fica mais viável o aprendizado com sucesso.

O ato lúdico proporciona o aprender com prazer, de modo que nem se se dê conta que se está aprendendo.

Outro ponto que se coloca nos depoimentos das entrevistadas refere- se à importância política do ato de brincar. Sobre esse aspecto, foram levantadas questões acerca da importância do brincar para a formação do alunos enquanto cidadão e falta de informação das autoridades e das famílias sobre o direito de brincar.

O depoimento da professora Gabriela, de certa forma, resume o que objetivamos tratar nessa dissertação:

Compreendo que é um direito de toda criança viver e usufruir de sua infância, fazendo coisas que condizem com suas necessidades e com sua faixa etária...Ou seja, toda criança precisa e tem o direito de brincar e se divertir, de modo a contribuir com o seu desenvolvimento enquanto ser humano e enquanto cidadão.

Por razões relativas ao desenvolvimento como um todo, compreende- se que brincar é necessário, como beber, comer e dormir e por isso essa

necessidade constituiu-se em um direito, que devido à incompreensão encontra entraves para ser efetivado.

Essa linha de raciocínio pode ser completada pela reflexão de Luciana:

Vejo que muitas vezes as autoridades públicas não demonstram tanto interesse em promover esse direito; às vezes as próprias famílias, talvez por falta de tempo ou até mesmo falta de informação de como o brincar ajuda no desenvolvimento da criança.

Estudo mais aprofundado poderá revelar se devido ao fato de a maioria das famílias desconhecer a importância do brincar para o desenvolvimento infantil e o respaldo legal oferecido, não exijam das autoridades providências relativas à efetivação desse direito.

Dentre as prioridades estabelecidas para o setor educacional, encontramos a construção de escolas, distribuição de livros didáticos, mas não há plataforma política que tome como propaganda a construção de parques ou brinquedotecas, posto que não se compreende o valor disso para a formação da pessoa humana. Para uma sociedade que ainda não tem garantidas necessidades como alimentação, saúde e educação, o lúdico se torna supérfluo. Pressupõe-se que sem as necessidades básicas satisfeitas, não é possível brincar. Entretanto, os estudos nos levam a crer que o brincar é uma necessidade básica.

Por fim, em todos os depoimentos, as professoras citam ações que devem ser realizadas para a efetivação desse direito, sendo criadas condições para que os alunos brinquem.

Os depoimentos mostram que as professoras estão cientes de que o brincar deve estar previsto em planejamento anual e no momento de planejar as atividades diárias, elas devem reservar um espaço para as brincadeiras em sua rotina, como Regina ressalta:

Brincar é muito importante para a criança, facilita o crescimento e a saúde dela. Deve estar presente no planejamento dos professores e no cotidiano das crianças.

Ao analisar as respostas sobre a compreensão do artigo 7º da Declaração dos Direitos da Criança, foi constatado que as profissionais ainda não

haviam pensado no brincar enquanto um ato respaldado em lei, com dimensão social a ser respeitada. Todavia, buscam efetivar esse direito embasadas em seus saberes pedagógicos, que enfatizam o brincar enquanto relevante para o desenvolvimento e importante recurso pedagógico.

Benzer Belgeler