RİSKLERİN NİTELİĞİ VE DÜZEYİ
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O Mapeamento Nacional de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto, elaborado pelo Instituto Latino Americano para a Prevenção do Delito (ILANUD), em 2007, mostrou que apenas dezoito dos cento e oitenta e quatro municípios do Estado do Ceará, possuíam a implantação da municipalização de atendimento em meio aberto concluído, sendo que, na ocasião da pesquisa, Fortaleza possuía atendimento municipalizado desde 2002. O mapeamento do ILANUD aponta que:
A mobilização do Estado é fundamental para que se efetive as diretrizes de Municipalização do Sistema de Garantia de Direitos preconizadas no ECA, até mesmo porque é seu papel incentivar, implementar, capacitar, oferecer suporte técnico e financeiro para que os municípios possam assumir a responsabilidade pelas medidas em meio aberto. (ILANUD, 2007, p. 15)
Com base no referido documento, podemos afirmar que o processo de municipalização das Medidas Socioeducativas em Fortaleza, não teve a participação do Estado como ator envolvido, pois, como destaca:
Nem sempre a municipalização da execução das medidas em meio aberto nas capitais fez parte das políticas socioeducativas estadual, sendo que em alguns casos o governo estadual teve ínfima participação neste processo, não sendo sequer citado como ator envolvido. (ILANUD, 2007, p. 17).
Importante salientar que a necessária articulação entre Estado e os Municípios, para a viabilização do Sistema de Garantia de Direito (SGD), deve ir além da execução das Medidas Socioeducativas de Meio Aberto. No mapeamento do ILANUD, o Estado do Ceará aparece com 1.800 adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas de meio aberto. Desses, 251 eram do interior e 1549 cumpriam medida na capital do estado; demonstrando uma desigual distribuição dos adolescentes na amostra entre capitais e interior. Referindo-se a esse fato, o documento alerta:
55 Apesar do fato das varas competentes terem fornecido apenas os dados de adolescentes cumprindo medidas socioeducativas em meio aberto, ainda assim a proporção de medidas em Meio Aberto nas capitais é expressivamente inferior ao patamar das localidades do interior do estado. Essa predominância de execução de medidas socioeducativas em meio fechado nas capitais, pode ser justificada em parte pela concentração dos estabelecimentos de internação na cidade, reunindo, então, uma maior quantidade de adolescentes em cumprimento de medida de internação e semiliberdade. (ILANUD, 2007, p. 26).
De acordo com o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), os serviços, programas, projetos e benefícios são organizados por nível de complexidade, estando os CREAS inseridos na proteção social especial. A Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS) é o órgão responsável pelo assessoramento e monitoramento dos CREAS, mediante a Célula de Atenção à Média Complexidade, conforme estrutura organizacional alterada pelo decreto já mencionado.
A Política de Assistência Social define ainda que um dos serviços dos CREAS é atender ao adolescente em cumprimento de medidas socioeducativas de LA e PSC, por meio de equipe especializada em parceria com a rede socioassistencial.
O acompanhamento dos adolescentes em LA e PSC nos CREAS configura-se como uma ação pedagógica com o adolescente e sua família em suas comunidades. Além disso, os resultados dessas ações deveriam contribuir para a redução do número dos adolescentes encaminhados para a capital e ainda inferir positivamente para a redução do índice de reincidência da prática de atos infracionais.
Entretanto, para que a aplicação das medidas em meio aberto possa ser priorizada nos municípios, faz-se necessário não só a implementação dos Centros de Referencias Especializado de Assistência Social (CREAS), mas também um trabalho de sensibilização e uma gestão mais integrada com a rede de assistência social, outras políticas públicas, o Poder Judiciário, o Ministério Público, os conselhos tutelares, os conselhos de direitos e outros órgãos de defesa que possibilite trabalhar de forma articulada com o adolescente e sua família, numa perspectiva de inclusão social.
Segundo dados fornecidos pela Célula de atenção à Média Complexidade, até agosto de2014, o Estado havia implantado 120 CREAS municipais e dois regionalizados, sendo que 57
56 já se encontram com financiamento do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) para atender às medidas socioeducativas em meio aberto.
Em 2006, implantaram-se os Núcleos de Liberdade Assistida I, II e V, em regionais que apresentavam maior número de adolescentes em conflito com a lei. Em 2007, seguiu-se com a implantação dos Núcleos de Liberdade Assistida III e IV, levando-se em consideração a mesma lógica com relação a demanda do público. No mesmo ano foi garantido a inclusão do Programa de Liberdade Assistida no orçamento Municipal.
Após a municipalização da LA, iniciou-se em 2008 a municipalização da medida de PSC, até então executada exclusivamente pelo Poder Judiciário. Com a implementação da medida de PSC, o município de Fortaleza conseguiu, finalmente municipalizar o atendimento das medidas socioeducativas em Meio Aberto.
Desde a municipalização do atendimento socioeducativo em meio aberto — LA e PSC —, o número de adolescentes acompanhados sofreu considerável crescimento, conforme quadro abaixo:
Quadro 5 — Progressão das Medidas Socioeducativas em Meio Aberto
Medidas Socioeducativas Ano Quantidade
LA 2005 140
LA 2012 1.100
PSC 2008 57
PSC 2012 780
Fonte: Secretaria do Trabalho e Assistência Social (SETRA, 2014)
Sem dúvida, o processo de implementação das medidas socioeducativas em meio aberto vem avançando consideravelmente. No entanto, para que se possa realmente oportunizar a inclusão social dos adolescentes e suas famílias, é condição fundamental que as esferas estadual e municipal estabeleçam articulações nos dois níveis, ou seja, uma rede interna, com o funcionamento articulado dos diversos setores do programa de atendimento e o estabelecimento de canais de comunicação, entre os profissionais envolvidos para que sejam participantes do processo socioeducativo, incluindo uma rede externa, composta pelos múltiplos parceiros
57 externos ao programa socioeducativo envolvidos na promoção dos direitos dos adolescentes e suas famílias. Esta rede facilitará a articulação entre as equipes técnicas multidisciplinar e os agentes de diferentes áreas do conhecimento e especialidades, levando-se em consideração prioritariamente, as diversas interfaces na busca do encaminhamento articulado e adequado de tão complexa problemática.