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Mantendo nossa coerência com o método de Sistematização de Experiências, chegamos ao “3º Tempo” da pesquisa. Neste momento, Jara-Holliday (2006, p.84) nos orienta a realizar a “reconstrução da história”, bem como à “ordenar e classificar a informação”. O autor ainda nos atenta:

Em muitas situações, será fundamental incorporar, na reconstrução da experiência particular, os acontecimentos do contexto (local, nacional ou internacional) que se associam a ela. Inclusive, mostrou-se a utilidade de fazer uma cronologia paralela: numa coluna os acontecimentos da experiência; em outra os do contexto. Fazê-lo ou não, e o nível de detalhe que terá, vai depender da utilidade de cada sistematização (p. 85).

Iniciaremos, logo adiante, a contextualização espaço-temporal de nossa inserção, a saber: O Jardim Gonzaga e o projeto de extensão universitária VADL.

Contextualizando a pesquisa: o Jardim Gonzaga

A cidade de São Carlos é considerada polo tecnológico devido à implantação de duas grandes universidades públicas, ocorridas nos anos de 1950 e 1960 (CAMPOS et. al, 2003). São elas a Universidade de São Paulo (USP/campus São Carlos) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), respectivamente.

Na segunda metade da década de 1970 e início da década de 1980 ocorreu um crescente processo de industrialização. A instalação das duas grandes instituições de ensino superior desencadeou um grande deslocamento de pessoas advindas de diversos estados do país para o município de São Carlos. Todavia, a dinâmica do sistema econômico vigente tem gerado processos de marginalização, empobrecimento e desumanização e, São Carlos por sua, vez, situada no interior do estado de São Paulo, região sudeste do Brasil, portanto também América Latina, não escapa à condicionalidade histórica na qual toda nação latino-americana se encontra subjugada pelas nações do centro, sob a égide do “mito da modernidade” (DUSSEL, 2005).

Ao analisar o processo de industrialização que ocorreu no município de São Carlos é possível notar o concomitante crescimento populacional, indicando um

grande deslocamento de pessoas que antes viviam no campo, ou em outras cidades do estado de São Paulo, que vieram para o citado município buscando “melhoria de vida”. Nas palavras de Rosa (2008):

A São Carlos de meados da década de 1970, então uma promissora cidade em razão da crescente industrialização do estado, atraía tanto famílias excluídas do campo pelo processo de mecanização da agricultura, como outras vindas da metrópole, de diversas cidades do próprio estado e do país. Vilas operárias, bairros de trabalhadores, loteamentos populares: esse era o destino daqueles que conseguiam se inserir nos postos de trabalho do crescente polo industrial local [...] No entanto, nem todos tinham a mesma sorte. Muitos daqueles que vieram para São Carlos ainda na década de 1970, apostando na “melhoria de vida”, não conseguiram trabalho na cidade, obtendo, quando muito, trabalhos agrícolas temporários (p.48).

As famílias que vinham para o munícipio e não conseguiam estabelecer emprego nas indústrias acabavam por assumir postos de trabalhos sazonais em meio às atividades de trabalho agrícola. Essas pessoas, com empregos temporários, não conseguiam arcar com as despesas de aluguel e moradia. Foi quando começou a ocupação irregular onde hoje chamamos de Jardim Gonzaga.

FIGURA 1 – Primeiras moradias decorrentes do início da ocupação

Fonte: Rosa (2008, p. 93).

Ancorando a percepção apontada anteriormente estão as irmãs Doraci e Sueli. Ambas são moradoras do Jardim Gonzaga e foram colaboradoras do estudo realizado por Rosa (2008), cedendo entrevista na qual apresentaram um rico depoimento

acerca da constituição do Jardim Gonzaga. Assim, de acordo com as irmãs citadas por Rosa (2008):

A gente foi morar ali na Vila Prado, porque minha tia conseguiu vir primeiro, conseguiu uma casa, e meus pais vieram e moraram junto. Mas aí, depois da Vila Prado a gente foi morar no Jardim Beatriz.6 Só que meus pais não arrumavam serviço, eles eram de idade, doentes, não tinham estudo. [...] nós fomos morar em uma casinha lá no Jardim Beatriz, só que eles não arrumavam serviço, e o aluguel pra pagar, estava acabando o dinheiro... aí a gente ouviu falar do Gonzaga. [Doraci, irmã de Sueli] [...] Eu fui... a terceira ou a quarta pessoa que morou no ‘Gonzaga’, eu vim parar no ‘Gonzaga’ através do próprio Gonzaga. [...] Como ele, a mulher dele trabalhavam na roça todos juntos, pegaram amizade com meu pai, com minha mãe [...] Então ele trabalhava na roça, a gente trabalhava na roça junto, aí nós fizemos um barraco lá, no ‘Gonzaga’. [...] Meu pai falou 'ah não, vamos mudar hoje mesmo. '...o próprio caminhão da roça trouxe a gente para cá. [Sueli] (p.49-50)

Salientamos que o Jardim Gonzaga começou a ser ocupado em 1977 e possui tal nome em decorrência de um dos primeiros moradores, Gervásio Gonçalves, ser conhecido como “Seu Gonzaga”. Nos primeiros anos de ocupação havia apenas algumas poucas famílias que chegaram até lá através de contato com o próprio “Seu Gonzaga”.

O espaço era um grande matagal, não havia nenhum tipo de infraestrutura para formação de um bairro, ou, até mesmo construção de casas. Todavia, com o passar dos anos a ocupação foi aumentando e em aproximadamente dois anos, já somavam um número próximo a quarenta famílias habitando o local. Esclarece Rosa (2008):

Pouco mais de três anos depois de iniciada a ocupação, os barracos já haviam se espalhado pela área, unindo as partes de cima e de baixo através de “trios” e becos, e a mesma começava a se “conectar” física e socialmente ao entorno. Em 1979, cerca de quarenta famílias já viviam no local, e não havia mais como “a cidade” ignorar a ocupação que ali se adensava: esse ano será o primeiro a ver emergir nas atas da Câmara Municipal e nos jornais “as favelas existentes nos Jardins Cruzeiro do Sul, Monte Carlo e Pacaembu” ou “as favelas do bairro de ‘Luís Gonzaga’”, numa primeira referência – ainda confusa - àquele que viria a ser o codinome do local (p.67).

Na década de 1980 os problemas se agravaram. O número de famílias havia crescido vertiginosamente. No Jardim Gonzaga ainda não havia sido instalada redes de distribuição de água. Esta, que era um problema individual dos poucos

moradores que iniciaram a ocupação, naquela década passava a ser um problema coletivo. Naquele contexto, ter água potável disponível para toda gente era uma das maiores lutas da população.

As famílias utilizavam fontes naturais para conseguir água. Para tanto, era necessário caminhar uma grande distância para baixo do “vale” para conseguir água de um riacho. O governo buscou se mobilizar, mas apropriando-se de medidas paliativas, com recursos normalmente utilizados em situações de calamidade pública. Assim, Rosa (2008) nos apresenta:

Em um primeiro momento, o poder público tentou minimizar possíveis conflitos, recorrendo a um recurso normalmente associado a situações de calamidade pública: a utilização de caminhões-pipa para abastecer de água a Favela [...] Em seguida, viriam as “torneiras públicas”, que aparecem frequentemente nas memórias dos moradores mais antigos como uma referência marcante do processo de consolidação do espaço da Favela. Em suas falas, as torneiras quase sempre são acionadas como marcos espaciais e temporais de uma determinada época e vivência, signos simultaneamente de conquista e precariedade (p.72).

A constante luta empregada pelos moradores e moradoras começou a dar visibilidade ao território. No ano de 1985 o bairro já somava um total de duzentos e cinquenta habitações, proporcionando um expressivo “adensamento da favela” (ROSA, 2008).

FIGURA 2 – Aumento exponencial do número de moradias

A formação do bairro é marcada por conflitos e gestos de solidariedade de sua comunidade. Nesse sentido Rosa (2008) aponta:

Se, individualmente, a precariedade dos banheiros adquiria tais conotações, de forma mais ampla, com o crescimento da Favela a todo vapor, os banheiros aumentavam em número, com suas fossas e valas que, associadas ao esgoto que descia das redes recém-instaladas dos bairros vizinhos, geravam ainda mais problemas para os moradores como um todo. São frequentes as menções ao esgoto que corria a céu aberto, entre os barracos, pelos “trios” por onde os moradores circulavam, até chegar na “barroca”. A essa altura, o riacho e as minas onde os primeiros moradores costumavam buscar água já se encontravam contaminados, mas ainda era nesses espaços que cada vez mais homens, mulheres e crianças circulavam, lavavam e estendiam suas roupas, brincavam, ou seja, conviviam diariamente (p.88).

A necessidade de compartilhar a água, os trabalhos cooperativos para a limpeza dos matos e para a construção das habitações marcaram a caminhada compartilhada pela superação das adversidades que surgiam durante a convivência. A cada ano que passava a população crescia. Este crescimento desenfreado ocasionava novas situações limites.

FIGURA 3 – Convívio entre as pessoas em meio à ausência de saneamento básico.

Com a crescente exposição da “favela do Gonzaga” os gestores municipais começaram a discutir possíveis soluções para esta problemática. Todavia, de acordo com Rosa (2008) a gestão pública, naquele contexto, não deixou de fazer “uso político da pobreza”. Assim, o processo de intervenção no bairro com vistas a solucionar os problemas do território não eram postos em pauta nas reuniões dos gestores municipais.

Somente no ano de 1986, após muitos imbróglios políticos, foi realizado o primeiro mutirão para a construção de casas de alvenarias, as chamadas “casinhas” pela população. Todavia, este processo também foi marcado por conflitos, dado que das duzentos e oitenta famílias que habitavam o território, apenas oitenta participariam deste primeiro mutirão (ROSA, 2008).

FIGURA 4 – Primeiro mutirão popular para construção de casas de alvenaria.

Fonte: Rosa (2008, p. 163-164).

A dinâmica de crescimento e ocupação ainda não havia encerrado seu ciclo. Mediante a desocupação das habitações que seriam substituídas por casas de alvenarias, ocorriam novas ocupações. Em algumas ocasiões as habitações irregulares

eram desmanchadas, destruídas. Ainda assim, eram construídas outras sobre os escombros da primeira.

No ano de 1990 foi realizada nova intervenção no bairro. Desta vez, sob o nome de “Urbanização” (ROSA, 2008). Foram realizadas obras de pavimentação das ruas, levando água encanada e energia elétrica para o bairro. Todavia, não foram realizadas obras de novas habitações. Mediante a esta situação, Rosa (2008) denuncia:

Executada como foi, “em tempo recorde”, não causa espanto que a urbanização tenha sido, como já dito, uma intervenção focada muito mais no que as obras representariam politicamente frente ao restante da “cidade”, do que em seus alcances efetivos e nos direitos dos moradores, acarretando, já em curto prazo, novas dificuldades para os mesmos, algumas das quais persistem até os dias de hoje (p.140).

FIGURA 5 – Obras de urbanização (1990). Ao fundo o “campinho de terra batida”.

Fonte: Rosa (2008, p. 168)

Entre 2004 e 2006 o citado bairro passou por transformações através do Projeto de Urbanização Integrado – Gonzaga e Monte Carlo, possibilitado a partir de financiamento viabilizado pela PMSC junto ao Programa Habitar Brasil do Banco Interamericano de Desenvolvimento (HBB-BID), cujo objetivo principal foi o de revitalizar áreas degradadas econômica e socialmente, como foi o caso do Jardim Gonzaga (SANTOS, 2008).

Destacaram-se nesta feita obras de infraestrutura (drenagem, rede de água e esgoto, pavimentação, iluminação e contenção de encostas), as de reestruturação

das casas e legalização daquelas em que os moradores já habitavam há mais de cinco anos (portanto, com direito de “usucapião”), a edificação de dois conjuntos habitacionais (pois várias construções se localizavam próximas de uma grande área de risco e de preservação ambiental, a saber: a bacia hidrográfica do Córrego da Água Quente, chamada pelos moradores locais de “buracão”) e da Estação Comunitária (ECO).

FIGURA 6 – Entrega de Estação Comunitária do Jardim Gonzaga (ECO) no final de 2005.

Fonte: Acervo de imagens do VADL.

Contudo, mesmo frente às transformações do bairro, a população daquele bairro continuou estigmatizada e, não raro, por exemplo, ouvimos depoimentos de pessoas que declaram morar em outros bairros, principalmente quando estão em situação de entrevista de emprego.

Ademais também observamos a luta na busca de melhoria das condições de vida que aquela população tem encampado. Algumas, inclusive, marcadas por grandes embates políticos e repletos de interesses que são, muitas vezes, alheios aos da população. Aponta Rosa (2008) que:

A proposta de urbanização esboçada na gestão anterior21– a partir de

demandas dos moradores da Favela – será modificada de acordo com

21 A referida gestão anterior, realizada entre os anos de 1985 à 1988, foi gerida pelo Senhor Prefeito Dagnone de Mello (o “Mello”, como era conhecido). No caso dos apontamentos feitos por Rosa (2008) a

as novas condições e interesses políticos do atual momento, determinadas significativamente pelas regras que regeriam tal convênio, que, afinal, nunca se concretizou. A começar pelo prazo estipulado para a urbanização: os seis meses anunciados inicialmente pela Prefeitura e os nove meses nos quais a intervenção foi efetivamente realizada correspondem exatamente aos cento e oitenta dias, prorrogáveis por mais sessenta, determinados pelas regras do convênio que se esperava firmar com a SEHAC. Inclusive a própria opção pela “urbanização” parece ter sido decorrente de tal perspectiva de convênio, o qual previa o financiamento de “lotes urbanizados” associados à construção de “embriões habitacionais” (ou “unidades sanitárias básicas”), determinando, de antemão, também os moldes e limites da intervenção (p.126).

Como podemos observar, a trajetória histórica do processo de formação do Jardim Gonzaga, local onde o projeto VADL é desenvolve atualmente, também denuncia os reflexos da condicionalidade histórica encontradas, principalmente, onde há concentração da riqueza por pequenos grupos, sendo fator de geração de pobreza e marginalização.

Neste momento da pesquisa, o “3ºTempo”, continuaremos o processo de reconstrução da história para compreensão do contexto da pesquisa. Vamos agora proceder a um olhar mais detido acerca do VADL, buscando, inclusive detalhar o trabalho de levantamento do Tema Gerador realizado no ano de 2012.

Vivências em Atividades Diversificadas em Lazer (VADL).

O projeto de extensão Vivências em Atividades Diversificadas em Lazer (VADL) foi iniciado em 1999, como uma das ações do programa “Esporte para Cidadania”, do DEFMH da UFSCar. Os encontros eram semanais e as ações eram desenvolvidas dentro do próprio campus da citada instituição, com atenção voltada para crianças e adolescentes da comunidade sancarlense. Contemplando, também, a atuação junto aos filhos e filhas dos trabalhadores e trabalhadoras da própria Universidade.

Em sua trajetória histórica esse projeto de extensão tem desenvolvido ações junto a grupos empobrecidos ou socialmente marginalizados/ desqualificados. No ano 2000, o projeto de extensão extrapolou os limites geográficos do campus da UFSCar, iniciando atuação dentro da “Escola Estadual de Primeiro Grau Esterina

referida “atual gestão” era realizada pelo Senhor Prefeito Neurivaldo José de Guzzi (o “Vadinho”, como

era chamado), cuja gestão iniciou no ano de 1989. Ademais, o citado convênio foi firmado com o Governo Federal através do Programa Mutirão Habitacional Comunitário – Subprograma Lotes Beneficiados da Secretaria Especial de Habitação e Ação Comunitária (SEHAC).

Placco”. Na ocasião atendendo a convite feito pela coordenadora pedagógica da citada unidade escolar.

No ano seguinte, em 2001, foi iniciada atuação junto à equipe de educadores e educadoras da “Casa Aberta” de São Carlos. Neste local eram atendidos/a adolescentes em situação de risco social. Neste mesmo ano a equipe do VADL recebeu convite, da então Chefe de Divisão de Esportes22 da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SMEL/PMSC), para desenvolver atividades junto a crianças e adolescentes com idade compreendida entre 7 e 14 anos que atuavam como “guardadores de carro” na região do centro comercial do Município de São Carlos. Para tanto, suas atividades passaram a ser desenvolvidas no Centro Integrado da Criança e do Adolescente (CICA) “Dário Placeres Cardoso Júnior”, instalado na região central.

A chegada do projeto de extensão VADL ao Jardim Gonzaga ocorreu em 2002, reafirmando a parceria com a SMEL e marcando uma nova, com a Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social (SMCAS). A mediação para essa nova parceria foi realizada pela Diretora Municipal23 da SMCAS.

Com a chegada do projeto de extensão no bairro, ocorrida em 2002, as atividades passaram a ser desenvolvidas no “campo de terra batida”, bem como nas calçadas e ruas do bairro, que em sua maioria não eram pavimentadas. Nesta época, idos do ano de 2002/2003 o bairro periférico, com população marginalizada e empobrecida, ainda era conhecido como “Favela do Gonzaga”.

Em sua jornada, agora no Jardim Gonzaga, foi proposta uma perspectiva de trabalho colaborativo com a equipe de trabalho do projeto “Campeões na Rua”24. Com esta inserção no Jardim Gonzaga o VADL passou a contar com a parceria dos profissionais de Educação Física que trabalhavam no projeto da SMCAS, qual compartilhavam a responsabilidade pelo desenvolvimento das atividades semanais com crianças e adolescentes participantes do VADL.

22 No ano de 2001, Valéria de Oliveira Vasconcelos era quem ocupava o cargo de Chefe de Divisão de Esportes.

23 No ano de 2002, a equipe do VADL iniciou atuação no Jardim Gonzaga. Para tanto, Valéria Oliveira Vasconcelos, que havia transferido da SMEL para SMCAS, intermediou esta mudança de território do VADL, concretizando o convite para atuação naquele bairro.

24 O projeto “Campeões na Rua” estava iniciando suas ações naquele mesmo ano, em 2002. Suas ações eram desenvolvidas junto às crianças e adolescentes moradoras no Jardim Gonzaga e buscavam realizar o resgate de jogos e brincadeiras da cultura popular, bem como, a iniciação esportiva. As vivências eram desenvolvidas nas ruas, calçadas e campinho de terra batida através da ação de profissionais de Educação Física. A saber: Maria Aparecida Maia, José Adônis da Silva Junior e pela própria diretora da SMCAS Valéria de Oliveira Vasconcelos.

FIGURA 7 - Realização de vivências no “campinho” e nas calçadas de ruas do Jardim Gonzaga.

Fonte: Acervo de imagens do VADL

Dois anos depois do início das ações no bairro foram realizadas obras de infraestrutura que compreenderam desde pavimentação das vias, substituição de moradias precárias por casas de alvearia e, até mesmo, a desocupação de moradias em área de risco. Possibilitando processos de ressignificação identitária da população mudando o modo de se referir àquele território, chamando-o de “Jardim Gonzaga” e não mais de favela.

Com o início das obras de (re)urbanização também foi iniciada a construção da Estação Comunitária do Jardim Gonzaga (ECO) no espaço do “campo de terra batida”. As atividades do VADL tiveram que ser deslocadas para o bairro Monte Carlo, no espaço da “Chacrinha”. Esta era assim chamada pelas crianças e moradores/as do Jardim Gonzaga. Tal espaço foi uma área de recreio particular, com o nome de São Jorge e que foi comprada pela prefeitura. Posteriormente, a área foi considerada de utilidade pública.

No ano de 2005, ainda com as obras da ECO por concluir, foram iniciadas as obras de construção do “Centro da Juventude Elaine Viviane” no espaço da

“chacrinha”. Mais uma vez foi necessário transferir o espaço onde eram realizadas as vivências do projeto de extensão. Passando a ser desenvolvidas no Centro Comunitário do Pacaembu, onde hoje temos instalado o Centro de Referência da Assistência Social (CRAS-Pacaembu).

Para a realização das atividades no Centro Comunitário do Jardim Pacaembu o grupo de crianças e adolescentes participantes foram divididos de acordo com suas faixas etárias, pois o novo espaço se mostrava pequeno para o número de participantes.

FIGURA 8 – Vivências na Chacrinha (fotos superiores) e no Centro Comunitário (fotos inferiores).

Fonte: Acervo de Imagens do VADL.

As obras de (re)urbanização do bairro seguiram seu curso. No início de 2006 foi concluída a construção da ECO. Este espaço é composto por uma quadra poliesportiva coberta, um minicampo de futebol, uma área de recreação infantil, três salas multiuso, uma área de convivência e uma Unidade de Saúde da Família (USF),

cozinha e banheiros masculino e feminino. Com efeito, foi possível concentrar as atividades do VADL neste local de maneira a desenvolver as atividades com todas as crianças e adolescentes juntas, não necessitando mais dividir as turmas.

FIGURA 9 – Vivências no “Minicampo” (esquerda) e na “quadra coberta” (direita) da ECO.

Fonte: Acervo de imagens do VADL.

Como podemos apresentar, as intervenções realizadas pelo VADL acompanharam a dinâmica de mudanças de espaço para intervenção (1999 - UFSCar; 2000 - EEPG Esterina Placo; 2001 - Casa Aberta; 2002-2012 - Estação Comunitária do Jardim Gonzaga) influindo assim, em sua atuação.

Salientamos que desde sua inserção no Jardim Gonzaga, ocorrida em 2002, a equipe do projeto de extensão tem orientado sua prática a partir da perspectiva da Educação Popular (EP). Sendo as ações decorrentes objeto de estudo em diversos estudos e pesquisas de pós-graduação.

Em pesquisa realizada por Campos et. al. (2003) foram realizados importantes apontamentos no que tange as características socioeconômicas da população daquele território. Assim, questões como desemprego, exploração sexual