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Nelson Ledsky’ın Arabuluculuk Çabaları

Post Cold War Period, American Policy Toward Cyprus

1. SOĞUK SAVAŞ SONRASI DÖNEMİN ANALİZİ

1.2 Amerikan Yönetimlerinin Soğuk Savaş Sonrası Değişen Kıbrıs Politikaları

1.2.1. Nelson Ledsky’ın Arabuluculuk Çabaları

Na época em que o Proprietário era o Rei da Firma, vivia em seu reino um barão chamado Gestor, um bravo e hábil administrador, muito estimado por sua capacidade de geração de retornos aos investimentos feitos nas firmas, e para o Rei.

Um certo dia, ao voltar de uma expedição de aumentos de dividendos para o Rei, Gestor encontrou três feiticeiras que lhe dirigiram a palavra.

A primeira bruxa saudou gestor:

_ Salve Gestor, hábil tomador de decisões corporativas.

Gestor ficou impressionado, sem saber de onde aquela criatura tão misteriosa o conhecia. E maior foi seu assombro quando a segunda maga complementou a saudação, dando-lhe o título de Barão da Firma. Gestor não o era, e nunca tinha pretendido ser.

Saudou-o, por fim, a terceira bruxa, com guinchos proféticos: _ Salve, Gestor, que será rei!

A saudação parecia para Gestor um absurdo, deixando assombrado o herói da firma. Erguendo-se ao ar, as três magas desapareceram.

Ainda estava imóvel, meditando sobre essa aventura inacreditável, quando chegaram dois mensageiros do rei, eram Berle e Means (1932), encarregados de conceber a Gestor, ator emergente da dissociação entre posse e gestão da firma, poder e direito de controle sobre a firma, e, ao mesmo tempo, a incumbência de representar os interesses do rei, i.e., maximizar as riquezas da firma, e do reino. Para tanto, Gestor foi nomeado, a mando do rei, com o título de Barão da Firma. A notícia confirmava de maneira tão espantosa a predição das bruxas. Gestor, atônito, nem conseguiu pronunciar seus agradecimentos. Seu espírito começou a alimentar a esperança de que também se tornasse real a profecia da terceira bruxa.

* * *

A possibilidade de controle da firma alimentou o oportunismo de Gestor, que, tão logo soube da predição das bruxas, passou a procurar soluções práticas para lograr benefício em detrimento de outros atores econômicos (WILLIAMSON, 1975). De posse da tomada de decisões, o nobre dirigente chegou à conclusão de que era possível cumprir seus interesses pessoais, em detrimento dos interesses dos proprietários.

O oportunismo fazia de Gestor um mestre na dissimulação, que sabia como ninguém ocultar seus verdadeiros sentimentos, sob uma máscara de promessas simpáticas e amáveis, mas, de fato, falsas e vazias (WILLIAMSON, 1975).

Tomado por ambições e sedento de poder, Gestor inicia seus atos discricionários contra o rei da firma. Temeroso pela descoberta de seu comportamento hediondo, Gestor trata de preparar o assassínio de todo o legado Proprietário, utilizando, pois, fraudes contábeis [, gerenciamento de resultados, decisões não consensadas] e charlatanismo para com os acionistas. Assim, o Rei é exterminado. Depois da morte do Rei, seus filhos – sucessores – fogem. Desta forma, Gestor extermina a ação acionária, subindo, então, ao trono de Rei da Firma, satisfazendo, pois, a todas as suas vontades.

O amanhecer da década de 1990, contudo, denuncia os crimes de Gestor. Atormentado pelas possíveis conseqüências dos seus comportamentos destoantes, ele decidiu procurar ainda uma vez as bruxas: queria que lhe antecipassem o próprio destino, por pior que fosse.

Encontrou-se numa caverna da região complexa do ambiente corporativo, onde as criaturas, por artes de magia, já sabiam de sua vinda e o aguardavam. Preparavam-se no momento para convocar os espíritos ocupando-se na execução do feitiço correspondente. Na medonha receita entravam olhos de gurus, cérebros de consultores, língua de manual, mão-invisível do mercado, estórias de sucesso, escama de lendas organizacionais, galhos de arbusto nascido num tumulo de CEO, um dente de conselheiro, bexiga de presidente de CAD, dedo de fornecedor e a raiz da venenosa responsabilidade social. Todos esses ingredientes foram postos a ferver numa enorme caldeira, resfriada a sangue da sociedade. Por meio desses feitiços, as magas obrigaram os espíritos “celestes” a responderem às suas perguntas. As bruxas, antes de tudo, perguntaram a Gestor se preferia saber a verdade por seu intermédio ou diretamente dos espíritos. Ele, temerário, respondeu que gostaria de falar com os espíritos. Foram então invocados três espíritos. O primeiro, que se apresentou sob a forma do ativismo pioneiro de um acionista individual (Robert Monks, 1991), dirigiu-se a Gestor:

_O destino das companhias não é traçado pelo Proprietário. Aqueles que monitoram eficazmente a gestão podem proteger a posse da firma. Suas principais armas são fairness (senso de justiça) e compliance (conformidade legal, especialmente a relacionada aos direitos dos minoritários passivos).

O segundo espírito surgiu sob a forma de um relatório (o Relatório de Cadbury, 1998); chamou o rei pelo nome, dizendo-lhe que não tivesse medo da força do homem só, pois a criatura que o controlasse adviria de um comitê (o conselho de administração). Aconselhou-o ainda a continuar ousado, mas para tomar cuidado com valores como accountability (prestação responsável de contas) e disclosure (transparência).

O terceiro espírito surgiu sob a forma duma organização multilateral (a OCDE, 2002). Afirmou a Gestor que ele nunca seria controlado enquanto não possuísse princípios.

_Que agradáveis profecias! Tranqüilidade no futuro! – exclamou Gestor – Basta não adotar princípios, e, já que a firma está em minhas mãos, devo, apenas, cuidar de acabar com a descrença em relação aos investimentos na firma que minhas atitudes causaram (ANDRADE; ROSSETTI, 2007).

* * *

As constantes atrocidades fizeram com que os nobres acionistas perdessem por Gestor a simpatia, a confiança e o respeito. Ele agora era odiado por todos, e encontrava dificuldades em reforçar seu próprio comando.

* * *

Um belo dia, um mensageiro se apresentou pálido, trêmulo de medo: estando de sentinela no morro tivera a impressão de que percebera o movimento de Príncipes-de-princípios no vale. Relembrando as complicadas declarações do espírito, Gestor sentiu seu ânimo vacilar. Mas ordenou que os soldados se armassem e enfrentassem o inimigo.

O movimento dos Príncipes-de-princípios tinha, contudo, uma explicação bem simples: a Governança Corporativa articulava, por meio do conselho de administração, um conjunto de princípios a serem impostos a Gestor, para controle de seu comportamento. Os princípios deveriam ser, segundo Andrade e Rossetti (2007): (i) Equidade (fairness), que se refere ao senso de justiça e igualdade no tratamento dos stakeholders; mas principalmente acionistas minoritários e suas respectivas relações com a presença em assembléias, com o aumento da

riqueza corporativa e com o resultado das operações. (ii) Transparência (disclosure), que tange à honestidade na prestação de informações, especialmente as de alta relevância que impactam os negócios e que envolvem riscos. (iii) Prestação responsável de contas (accountabillity), pautada nas melhores práticas contábeis e de auditoria. (iv) Conformidade

no cumprimento de normas reguladoras (compliace), expressas nos estatutos sociais, nos

regimentos internos e nas instituições legais do país.

Gestor lutou com raiva e coragem, levando o inimigo de roldão, até aproximar-se do local em que a Governança Corporativa combatia. Lembrou-se então das palavras do espírito: cuidado com o comitê! A Governança Corporativa, ao perceber a presença do rei, passou a gritar palavras contra seu controle.

Sentindo que todo o seu ânimo o abandonava, Gestor amaldiçoou as bruxas e os espíritos perversos que iludem os homens com palavras ambíguas. E declarou à Governança que não lutaria mais.

_Vire-se, então! – bradou a outra, desdenhosa. _Nós te exibiremos nas ruas como um monstro, conduzindo uma tabuleta, na qual será escrito: assim acabam os oportunistas.

_Nunca! – bradou Gestor, lançando-se, desesperado, na direção do inimigo.

Depois de duro combate, Governança Corporativa cortou a cabeça de Gestor, entregando-a, como presente ao Acionista. Este subiu ao trono de Proprietário, aclamado pelos nobres e pelo povo.

E Governança Corporativa, segundo a descrição dos nobres do ENANPAD, passou a ser conhecida como um conjunto de mecanismos de incentivo e controle, interno e externos, para minimização dos custos decorrentes do problema de agência (i.e., problema de comportamento discricionário de gestores).