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Nefsin Đnsanları Aldatma Şekilleri

BÖLÜM 1: RÛHÎ HASTALIKLAR ĐLE ĐLGĐLĐ KAVRAMLAR

1.1. Rûhî Hastalıklar Đle Đlgili Kavramlara Genel Bakış

1.1.3. Nefis

1.1.3.2. Nefsin Đnsanları Aldatma Şekilleri

Inicio a descrição dos procedimentos metodológicos a partir daqueles utilizados para a caracterização do YouTube e para a investigação das possibilidades educacionais que as videoaulas oferecem. Para alcançar este fim, realizei uma observação de inspiração netnográfica no YouTube atentando sobre as principais características de vídeos e canais educacionais. Esta etapa da pesquisa ocorreu entre abril de 2014 e julho de 2015. Neste período caracterizei os comentários dos/das usuários/as inscritos/as no YouTube sobre tais vídeos ou canais, analisando a ciborguização da aprendizagem de quem faz uso dos vídeos educacionais durante os estudos.

Para iniciar a observação netnográfica, selecionei os canais educacionais mais assistidos, por meio de busca no YouTube, que disponibiliza as ferramentas necessárias para classificar os canais por número de visualizações. A partir do compilado de canais ‘YouTube Educação’17, foram selecionados os seis canais com mais vídeos postados e maior número de visualizações dentro da plataforma gerenciada pelo YouTube18. Nos canais observei e registrei características como data de criação do canal, frequência de postagem das videoaulas, número de usuários/as inscritos, quantidade de visualizações e número de vídeos postados.

Também foram analisadas algumas características relacionadas com as origens dos canais, as motivações de seus/suas criadores/as (quando possível) e o público alvo das videoaulas. Em todos os canais selecionados, o principal público alvo eram estudantes do Ensino Médio ou pessoas, em sua maioria jovens, que iriam realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).

Para analisar as videoaulas, a partir de ferramentas de busca e classificação do YouTube, em cada canal foram selecionados, dentro da categoria ‘vídeos mais

17

Disponível em: <https://www.youtube.com/educacao> Acesso em: 12 de Abril de 2015.

18

Os canais selecionados para integrarem o corpus da pesquisa foram ‘Me Salva!’, ‘Descomplica’, ‘o kuadro’, ‘Khan Academy em Português’, ‘oficinadoestudante’ e ‘Matusalém Vieira Martins’. Os links dos canais encontram-se no Apêndice A.

populares’, que são aqueles com maior número de visualizações, os cinco vídeos mais assistidos de cada canal. Uma vez por semana, durante o período investigado, de abril de 2014 a julho de 2015, acompanhei e observei os comentários em cada um dos vídeos investigados. Junto com cada vídeo foram arquivados em forma de texto e imagem, dentro da categoria ‘principais comentários’, pelo menos 20% dos comentários dos/as usuários/as.

Para realizar o arquivamento como imagem, utilizei a ferramenta de captura de tela, disponível em todos os computadores e sistemas operacionais. Esta ferramenta permite transformar em imagem toda a informação contida na tela do computador. Por meio deste recurso fui capaz de apreender as especificidades léxicas e gráficas contidas nos comentários que acompanham as videoaulas. Além de uma forma de escrita específica da cibercultura, o internetês (SALES, 2012), nos comentários há a presença de imagens, que em um armazenamento apenas textual não poderiam ser capturadas.

Além dos procedimentos netnográficos apresentados até aqui, para caracterizar o perfil do/a jovem ciborgue que utiliza o YouTube para estudar, analisar as principais características associadas ao uso do YouTube pelos/as jovens no estudo dos conteúdos curriculares do Ensino Médio e compreender o processo de ciborguização da aprendizagem, realizei observações e entrevistas em uma escola pública do Estado de Minas Gerais, localizada na cidade de Belo Horizonte que atua exclusivamente com o Ensino Médio. Para selecionar a escola, utilizei uma lista fornecida pela Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais que continha escolas em que se desenvolve alguma prática de ensino associada às tecnologias digitais.

Na escola pesquisada, havia no turno da manhã cinco turmas de primeira e segunda séries do Ensino Médio e seis turmas da terceira série. Em cada sala de aula estão matriculados/as uma média de quarenta alunos/as. No que diz respeito ao corpo docente, cerca de metade dos/as professores/as da escola são concursados/as, segundo um levantamento fornecido pela secretaria da escola. Os/As outros/as professores/as são designados/as ou atuam como substitutos/as de docentes que estão afastados por questões médicas ou por licença maternidade.

No que diz respeito ao espaço físico, a escola também possui uma biblioteca, que é utilizada eventualmente por alunos/as que realizam avaliações fora das datas programadas por professores/as. Ela também é utilizada por professores/as que

estão corrigindo avaliações ou utilizando seus computadores pessoais durante os períodos em que devem permanecer na escola, mas não estão em sala de aula. A escola também conta com uma sala de vídeo, muito utilizada por dois professores: um de história e outro de sociologia. Ela é equipada com um vídeo cassete e uma televisão.

Além destes espaços, a escola também conta com uma sala de informática. Durante o período em que estive no espaço escolar, esta sala nunca foi utilizada. Conversando com a direção da escola, fui informado que ela é equipada com vinte computadores com acesso à internet, mas que, por não existir nenhum projeto de utilização da sala por parte dos professores, ela fica constantemente fechada.

Para investigar as práticas ciborgues em sala de aula, realizei a observação em três turmas, uma de cada ano do Ensino Médio no período de maio a outubro de 2015. Tal escolha foi realizada para que a pesquisa pudesse abranger todos os anos de escolarização do Ensino Médio. As observações ocorreram no turno da manhã e acompanhei diariamente cada turma durante aproximadamente três semanas. A seleção das turmas deu-se mediante a indicação da direção e da coordenação pedagógica da escola. Fui informado que as turmas foram escolhidas a partir dos perfis e comportamentos dos/as alunos/as, de forma que eu observasse apenas turmas em que, de acordo com a avaliação dos/as gestores/as da escola, a minha presença interferisse pouco no andamento das aulas e nas atividades programadas pelos/as professores/as. Durante o período em que estive na escola, também fiquei atento a outros locais além das salas de aula, como o pátio, laboratório de informática, biblioteca e sala dos professores, com o intuito de captar as relações que ocorrem nestes variados espaços.

Para complementar as informações produzidas pela observação na escola e caracterizar o perfil do/a jovem ciborgue que utiliza o YouTube no estudo dos conteúdos curriculares, também foram aplicados questionários a 91 alunos/as das três turmas da escola investigada19. Por meio deste questionário foi possível identificar os/as jovens que utilizam os vídeos do YouTube em seus estudos, bem como características gerais sobre a utilização dos vídeos on-line nos percursos educacionais.

Posteriormente, realizei entrevistas semiestruturadas com seis jovens, dois/duas de cada sala de aula observada, que utilizam vídeos do YouTube para estudar. Estes/as jovens, três meninos e três meninas, foram selecionados/as para entrevista a partir do questionário aplicado previamente. No questionário eles/as foram perguntados/as se teriam interesse em ser entrevistados/as por mim. A partir desta pergunta identifiquei dezesseis alunos/as que gostariam de ser entrevistados/as e os/as seis selecionados/as para a entrevista tinham o perfil que mais se aproximava dos/as jovens que utilizavam o YouTube para estudar os conteúdos curriculares na escola investigada.

Também foram entrevistados/as três professores/as, um de cada sala de aula observada. Os/as professores/as foram selecionados/as por meio do interesse prévio em participar da pesquisa e da disponibilidade para fazê-lo. Além destes/as, a coordenadora pedagógica do turno da manhã também foi entrevistada. Ela, além de demonstrar grande interesse em participar da pesquisa, atuou em diferentes funções na escola por dezoito anos e tem um contato muito próximo com os/as alunos/as. Tais entrevistas permitiram caracterizar mais a fundo seus perfis, os posicionamentos no que diz respeito ao uso do YouTube no processo educacional e as relações entre a escola e a juventude ciborgue.

Todas as entrevistas foram realizadas individualmente em ambientes disponíveis na própria escola. Os/as educadores/as foram informados/as que as entrevistas poderiam ser realizadas nos locais e horários de sua preferência, mas todos/as preferiram que ela ocorresse na escola. Para registrar as entrevistas foram utilizados smartphones que possuem um aplicativo para a gravação de voz. Todas as gravações foram previamente autorizadas pelos/as entrevistados/as. De posse de todos os dados, anotações e impressões produzidas ao longo da pesquisa, pude construir as informações necessárias para atender aos objetivos desta investigação.