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A. ŞİİRLERİN ŞEKİL ÖZELLİKLERİ

2. NAZIM ŞEKİLLERİ VE TÜRLERİ

A leitura da obra infantil de Monteiro Lobato evidencia a preocupação do autor com a formação dos seus leitores. De acordo com Filipouski (1983), as histórias do Sítio do Pica Pau Amarelo apresentam dois focos principais: um deles é o ficcional em que a fantasia e a realidade se unem à resolução de problemas por meio da atuação dos personagens sobre o seu meio ambiente. No outro, há sempre uma preocupação de caráter formativo e informativo, buscando preencher uma lacuna pedagógica por meio da utilização de conteúdos de diversas áreas do conhecimento.

Nas obras publicadas entre 1933 e 1937, a preocupação com a transmissão de conhecimentos escolares é evidente e pode ser notada nos títulos que Lobato deu a suas obras. São as chamadas obras didáticas ou paradidáticas, que tratam de conteúdos específicos do currículo escolar. A história é abordada em História do Mundo para Crianças, lançada em 1933. A Língua Portuguesa, em Emília no País da Gramática, lançada em 1934. Em 1935, Lobato lança História das Invenções, Aritmética da Emília e Geografia da Dona Benta, abordando as Ciências, a Matemática e a Geografia respectivamente. A Geologia e novamente as Ciências (física e química, particularmente) são tratadas nos livros O poço do Visconde e Serões de Dona Benta, lançados em 1937.

A origem desse interesse pedagógico de Monteiro Lobato não é bem determinada. Alguns autores sugerem uma forte influência de Anísio Teixeira, um dos fundadores do movimento Escola Nova. No período em que foi adido comercial, em Nova Iorque, Lobato conheceu Anísio Teixeira, de quem se tornou amigo e admirador. Isso pode ser constatado

pelo teor das diversas correspondências trocadas entre ambos. Tin (2007), por exemplo, revela o tom de saudosismo e admiração presente em diversas cartas que Lobato endereça ao amigo Anísio após o retorno deste ao Brasil.

Cantinari (2006) confirma a relação existente entre os princípios educacionais contidos nas obras de Lobato, chamados por ela de “educação lobatiana” e os ideais do escolanovismo. Entretanto, questiona a influência exercida por Anísio Teixeira no interesse pedagógico de Lobato, como afirmada por muitos estudiosos da sua obra. Segundo a autora, a análise das correspondências de Lobato sugere que as “suas ideias sobre educação e seus projetos de escrita para crianças, encontrados em sua vasta correspondência, sobretudo com o grande amigo Godofredo Rangel, datam de antes desse encontro com a Escola Nova. Assim, cabe pensar sobre quem influenciou quem” (CANTINARI, 2006, p.114). Aprofundando a discussão, Cantinari faz uma comparação entre trechos do livro Mundo da Lua, publicado em 1923, onde Lobato reflete sobre a educação e um texto publicado em 1932 por Anísio Teixeira, onde descreve como deve ser a nova escola. Percebe-se que, embora utilizando de linguagens diferentes, os princípios básicos que norteiam as “duas propostas” são semelhantes. Transcrevemos abaixo o trecho de Lobato, que muito diz a respeito do seu entendimento de educação:

Recordando a minha vida colegial vejo quão pouco os mestres contribuíram para a formação do meu espírito. No entanto a Júlio Verne todo um mundo de coisas eu devo! E a Robinson? Falaram-me à imaginação, despertaram-me a curiosidade – e o resto se fez por si. Júlio Verne levou-me a Humboldt, e depois à Geografia e às demais ciências físicas e sociais. [...] A inteligência só entra a funcionar com prazer, eficientemente, quando a imaginação lhe serve de guia. A bagagem de Júlio Verne, amontoada na memória, faz nascer o desejo de estudo. Suportamos e compreendemos o abstrato só quando existe material concreto na memória. Mas pegar de uma pobre criança e pô-la a decorar nomes de rios, cidades, golfos, mares, como se faz hoje, sem intermédio da imaginação, chega a ser criminoso. É no entanto o que se faz!.. A arte abrindo caminho à ciência: quando compreenderão os professores que o segredo de tudo está aqui! (LOBATO, 1956c, p. 8).

Lajolo (1993), sobre o interesse de Monteiro Lobato em escrever obras didáticas, menciona outra questão. Segundo a autora, Lobato ainda em Nova Iorque já enfrentava problemas financeiros devido à perda do seu dinheiro na bolsa de valores e pela doença de um de seus filhos. Ela conta que em diversas cartas trocadas com amigos ele já mencionava a necessidade de escrever para manter-se financeiramente. Numa dessas cartas ele diz a um amigo: “só me volto para as letras quando o bolso se esvazia e agora, em vez de pegar

milhões de dólares, perdi alguns milhares na bolsa. Resultado: literatura around the corner” (LOBATO, 1956 apud LAJOLO, 1993, p. 96).

Como salienta Lajolo, Lobato detecta a carência, na época, de livros paradidáticos e percebe que escrevê-los o manteriam financeiramente. Em outra carta endereçada a um amigo ele relata o seu sucesso de vendas e seus planos para novos livros.

A minha Emília está realmente um sucesso entre as crianças e os professores. Basta dizer que tirei uma edição inicial de 20.000 [...] Só aí no Rio, 4.000 vendidas num mês. Mas a crítica de fato não percebeu a significação da obra. Vale como significação de que há caminhos novos para o ensino de matérias abstratas [...] A química, a física, a biologia, a geografia prestam-se imensamente, porque lidam com coisas concretas. O mais difícil era a gramática e é a aritmética. Fiz a primeira e vou tentar o segundo. O resto fica canja (NUNES, 1986 apud LAJOLO, 1993, p. 96).

Acreditamos, entretanto, que o objetivo financeiro ao escrever as obras didáticas da literatura infantil, como demonstrado pelo próprio Lobato em algumas de suas cartas, não se sobrepunha ao objetivo educacional, que ele também possuía.

Penteado (1997) fala a respeito de um estudo sobre Monteiro Lobato realizado pela pesquisadora americana Rose Lee Hayden, em 1974. A autora referenda a qualidade didática das obras lobatianas, concluindo que o autor “se utilizava de um método socrático de ensino e valorizava, sobretudo, o aprendizado informal, já que ele próprio assim absorvera a maior e melhor parte do seu conhecimento” (PENTEADO, 1997, p. 221). Segundo Hayden (1974 apud PENTEADO, 1997, p. 221-222), os princípios de educação contidos nas obras infantis de Monteiro Lobato, que coincidem, em muitos aspectos, com as características da “educação lobatiana”, como defendida por Cantinari (2006), são:

 Os conhecimentos a serem transmitidos devem-se relacionar com o campo de experiência do educando, ao que lhe é familiar.

 Sempre que possível, os educandos devem participar ativamente do processo educativo. Isso é conseguido através das interações, fazendo experiências e viajando para examinar diretamente os fenômenos.

 A experiência de aprendizado deve ser agradável e interessante. Em vez de diminuir, pela distração, a eficácia da situação de aprendizado, este clima a aumenta perceptivelmente.

 Os tipos de conhecimentos devem ser transmitidos de forma adequada à idade do educando.

 Para ser efetivo, o conhecimento deve ser transmitido de forma simples e clara, sem embelezamentos pretenciosos ou desnecessários.

 Quando um educando assenhora-se de um fato ou conceito, eles devem ser reforçados positivamente, e isso deve ocorrer imediatamente à resposta correta – o que aumenta a eficácia da experiência de aprendizagem.

Penteado (1997) enfatiza a importância que a obra infantil lobatiana teve na educação de muitas gerações de jovens brasileiros, chamados por ele de “filhos de Lobato”. Lamenta, entretanto, que muitas coisas contidas em seus livros tenham se tornado obsoletas ou “erradas” segundo o entendimento da ciência. A obra Serões de Dona Benta, que também utilizamos neste estudo, retrata bem essa situação. Durante a leitura, encontramos vários erros, principalmente relacionados ao ensino da física. Alguns deles, considerados graves do ponto de vista científico, não estão relacionados a mudanças que ocorrem no conhecimento científico ao longo dos anos. São erros conceituais que já deveriam ser assim considerados na época em que o livro foi publicado. Entretanto, no nosso entendimento, a ocorrência desses erros não inviabiliza a utilização dos Serões no ensino, uma vez que os erros, como estão contidos na obra, podem ser utilizados na problematização dos próprios conceitos.

Benzer Belgeler