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2. GENEL BİLGİLER

2.20. Natriüretik Peptidlerin Tanıdaki Kullanım Alanları

A análise do Direito do Trabalho, em tempos de mundialização dos fatores de produção e das recíprocas influências dos motivos que o determinam, toca dois fenômenos legais presentes na juridicidade: a transversalidade econômica das regras trabalhistas e sociais da normatividade econômica e a internacionalização do direito interno laboral.

A perspectiva da multijuridicidade é incita ao próprio momento histórico atravessado pela sociedade global. O conceito remete à noção de entrelaçamentos entre constituições delineando a construção de uma racionalidade específica. Mas essa Constituição não é aquela dita no sentido clássico, ordenadora do poder político, limitada frente aos direitos individuais. Vai além. Sublima a simples definição de texto constitucional hierarquicamente superior para uma constituição cêntrica (no sentido de diálogo), porém transversal em relação a outras ordens jurídicas peculiares da modernidade, seja “como ordens jurídicas que prescindem do Estado, seja como ordens jurídicas que prevalecem contra os Estados, pondo em cheque o

próprio princípio da soberania estatal, viga mestra do direito internacional público”218 .

No novo contexto, as formas de administração e de exercício de poder estão dispostas em uma rede, podendo ser ponderada por perspectiva política tanto como por perspectiva comunicativa e jurídica. A dimensão dessa afirmação denota que o poder é construído nas multidimensionais redes programadas em cada área de atuação da vida humana, que também

se enlaçam como estratégia de cooperação e de competição a depender dos projetos que desenvolvam219.

A transjuridicidade, portanto, não se resume aos já consolidados contatos entre o direito nacional e o internacional público ou privado. É uma noviça modalidade de compreensão do mundo jurídico que deve acompanhar a dinâmica humana, modulada pelo sistema de pontes de transição entre ordens jurídicas em um contexto cosmopolita com incursões no universo do Direito. O quadro apresentado destaca um problema de referência, segundo o qual se abandona o papel dos atores sociais coletivos e das corporações aliado a contratempo de natureza universalizante, dado que o Estado sofre concorrência de outras universalidades, reforçada pela relativização do direito de fronteira que promove a transnacionalização da produção220.

Uma ressalva, todavia, imprescindível: a proposta de análise da transjuridicidade ou do constitucionalismo transnacional não revela uma nova ordem jurídica epicêntrica e situada no seio da normatividade nacional. Tampouco deve ser apreendida como um espaço de governança que não tangencia Estados Nacionais ou organismos internacionais, e sim

“expressa a constante evolução dos princípios constitucionais, instrumentos e doutrinas como uma forma particular de desenvolvimento jurídico na atualidade”221

. Englobam as pontes de transição entre sistemas jurídicos, operacionalizadas por decisões das Cortes com recurso ao direito alienígena (inferido, aqui, como todo aquele proveniente da ordem não estatal interna) como verdadeiro obter dictum na fundamentação jurídica, de forma a complementar a construção do convencimento do magistrado e a consolidar os entendimentos jurisprudenciais formatados pelos Tribunais.

Para efeito do temário em apreço, vislumbram-se duas alternativas distintas de proteção aos direitos laborais, mesmo sob efeitos indiretos, na perspectiva da transjuridicidade. A primeira, de status normativo, reside na controversa, por ora não aplicada, cláusula social nos tratados regulados pela OMC e a segunda finca-se no fortalecimento do Direito Comunitário, especificamente na regulamentação de situações fáticas que circunscrevam a temática laboral. A plausibilidade para essa saída hospeda-se nos efeitos que a livre circulação de trabalhadores no âmbito dos blocos regionais – Mercosul e

219

CASTELLS, Manuel. A Network Theory of Power. International Journal of Communication, Vol. 5, 2011, pp. 773–787, p.785. Disponível em: <http://ijoc.org/index.php/ijoc/article/viewFile/1136/553>. Acesso em 27 de junho de 2015.

220MENDES, Gilmar. A Justiça Constitucional nos Contextos Supranacionais. In: NEVES, Marcelo (coord.).

Transnacionalidade do Direito. São Paulo: DAAD/Quartier Latin, 2010 , p.243-286, p.243-244.

221ZUMBANSEN, Peeer. Comparative, Global and Transnational Constitutionalism: The emergence of a

Comunidade Europeia, principalmente – têm ocasionado a alguns países e trabalhadores de regiões específicas222.

A regulamentação da livre circulação e o destacamento de trabalhadores é um direito fundamental a ser perseguido (por se tratar da possibilidade de efetivação do direito humano a ir, a vir e a ficar) circundado por variadas complexidades e antinomias na normatividade nacional e supranacional. Em relação à Comunidade Europeia, a livre circulação de pessoas, um dos quatro pilares inspiradores do Tratado de Roma, é iniciativa facilitadora para a criação de um mercado comum europeu e se dá de forma variada, a depender da existência de subordinação. Assim, para os trabalhadores autônomos, a regulação se materializa pela Diretiva 143/78, dentre outras que tratam de profissões específicas (a exemplo dos advogados sem fronteiras, Diretiva 05/98), enquanto que os trabalhadores subordinados encontram a proteção, no art. 39, § 3º223, do Tratado da Comunidade Econômico Europeia, que prevê a livre circulação de trabalhadores e deve ter interpretação sistemática integrada ao art. 133, da versão consolidada do Tratado da União Europeia, cujo texto alude à prevenção ao dumping224, e ao art. 40 do mesmo documento que congrega os objetivos atinentes à livre circulação de trabalhadores, prestigiando os princípio da colaboração estreita entre os serviços nacionais de emprego, a eliminação dos prazos de acesso aos empregos que obstaculizem a liberalização do movimentos de trabalhadores e o banimento das restrições que imponham tratamento diferenciado entre trabalhadores nacionais e estrangeiros.

As sucessivas crises europeias afloram uma realidade de tensão existente no seio do espaço social do velho continente. A convivência das quádruplas liberdades fundamentais consignadas no Tratado de Roma (liberdade de circulação de trabalhadores, liberdade de estabelecimento, liberdade de prestação de serviços e liberdade de circulação de capitais) foi inserida em um contexto de extremas disparidades entre legislações que visam à tutela jurídica do trabalho e à segurança social, entre as variações cambiais de cada país, mas, em

222Note-se que, embora as legislações dos países membros da Comunidade Europeia e do Mercosul possuam

similitudes de institutos – o que não englobaria essa hipótese no campo dos Paraísos Normativos –, a particularidade do assunto merece destaque por introduzir um tema digno de menção: o surgimento do dumping social , em contextos de supranacionalidade, aplicado a Estados de desenvolvimento econômico semelhante.

223A livre circulação dos trabalhadores compreende, sem prejuízo das limitações justificadas por razões de ordem

pública, segurança pública e saúde pública, o direito de: a) Responder a ofertas de emprego efetivamente feitas; b) Deslocar-se livremente, para o efeito, no território dos Estados-membros; c) Residir num dos Estados- membros, a fim de nele exercer uma atividade laboral, em conformidade com as disposições legislativas, regulamentares e administrativas que regem o emprego dos trabalhadores nacionais; d) Permanecer no território de um Estado-membro depois de nele ter exercido uma atividade laboral, nas condições que serão objeto de regulamentos de execução a serem elaborados pela Comissão.

224Art. 133 - 1. A política comercial comum assenta em princípios uniformes, designadamente no que diz

respeito às modificações de pautas, à celebração de acordos de pauta e comerciais, à uniformização das medidas de liberalização, à política de exportação, bem como às medidas de proteção do comércio, tais como as medidas a tomar em caso de dumping e de subvenções.

especial, de desproporção jurídica tencionando a harmonização das variadas legislações de direitos sociais trabalhistas (que se estendem, desde modelos mais liberais, sociais-democratas e estatistas, aos modelos com influência do regime soviético) com as diretivas e as demais regras do direito comunitário. O efeito objetivo dessa aplicação normativa foi o surgimento de uma jurisprudência, no âmbito do Tribunal de Justiça da União Europeia, acerca da aplicabilidade da legislação nacional aos trabalhadores destacados. As tensões se arrefecem ainda mais pela formação de uma política social comunitária no espaço europeu, a exemplo do reconhecimento das convenções coletivas de trabalho comunitárias, aliada a esforços normativos de ampliação de um conjunto mínimo de direitos trabalhistas europeus que impeçam o rebaixamento das condições de trabalho em face das pressões realizadas pelos atores econômicos submetidos às vicissitudes de mercado. A sínteses dos programas e das legislações resultou em um bloco de direito comunitário do trabalho que tem como fontes principais: o Tratado da União Europeia, o Tratado do Funcionamento da União Europeia, a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, a Carta dos Direitos Sociais Fundamentais dos Trabalhadores, as diretivas e os regulamentos a respeito de matéria social, juntamente com a jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia225.

O direito comunitário, concomitantemente à promoção de uma série de facilidades de trocas econômicas, permitiu o surgimento de figuras antes raras, a exemplo do destacamento transnacional de trabalhadores. Nessa nova modalidade, as companhias enviam seus trabalhadores para prestar serviços em países distintos daqueles onde estão estabelecidos os empregadores, no âmbito da União Europeia, e, tão logo esteja finalizada a execução do serviço, esses trabalhadores retornam ao país de origem. A discussão entre a aplicação da lei trabalhista no espaço e a (possível) dupla incidência do direito interno do país de origem, do direito interno do local da prestação do serviço e do direito comunitário primário do tratados e secundários dos ato unilaterais – ou seja, uma espécie de aplicação de direito intergovernamental no intuito de conferir a máxime proteção trabalhista possível - suscitou a defesa da ocorrência de dumping social no âmbito comercial da União Europeia.

As normas referentes ao Tratado de Roma e as posteriores Diretivas da Comunidade Econômica Europeia aplicam-se supranacionalmente aos países membros do Bloco Europeu. Ocorre que, segundo a Diretiva 96/71/CE, é viável o destacamento provisório de trabalhadores para laborar em países distintos da contratação. Em alguns casos, é autorizada a contraprestação por valor inferior ao salário mínimo para trabalhadores de setores específicos.

225LAURINO, Salvador. Destacamento de trabalhadores - Dumping social e os desafios à afirmação do espaço

Isso tem provocado um race to the bottom em solo europeu, perante os olhos dos órgãos de Justiça e de toda a comunidade do velho continente. Em março de 2013, a Bélgica apresentou queixa contra a República Federal da Alemanha à Comissão Europeia por considerar concorrência desleal os valores pagos, a título de remuneração, aos trabalhadores do setor de abate de animais (em torno de três euros por hora, enquanto, na Bélgica, recebe-se, aproximadamente, 11 euros). Os referidos empregados, enquadrados na categoria de destacamento provisório, são, em sua maioria, de nacionalidade romena e búlgara e, devido à irrisória remuneração, sujeitam-se a jornadas de dez horas diárias. De acordo com a legislação laboral alemã, não são abrangidos pelo regime de proteção previdenciária, de saúde e de segurança do trabalho, pois, em função da diminuta contraprestação, não pagam impostos – os chamados mini-empregos. As empresas belgas do mesmo setor não conseguem concorrer com os preços alemães, o que tem levado o corte de carnes, inclusive de empresas belgas, para solo alemão e causado uma verdadeira erosão salarial em ambos os países.

Para o combate de situações desse tipo, a atuação das Cortes Supranacionais possui papel relevante e fundamental, seja pela compatibilização legislativa do ordenamento jurídico nacional com os tratados constitutivos e as diretivas da comunidade europeia ou pela promoção de um diálogo das próprias autoridades judiciais alemãs na invocação das normas europeias a que deve se submeter o Estado Alemão. Dentro do mesmo raciocínio, não há de olvidar o papel exercido pelos direitos fundamentais nos processos de integração, ainda que se refira ao tema tomando por base a distribuição de competências e o controle exercido pelo Tribunal de Justiça da União Europeia, uma via judicial supranacional, por conseguinte226. A livre circulação de pessoas e de trabalhadores, por consequência, tem o fito de potencializar uma liberdade de locomoção e de efetivar os processos de integração regionais, e não de utilizá-la como meio de retomada da escravidão contemporânea ou de logística laboral em desfavor de postos de trabalho qualitativos.

Ocorre que o alargamento dessa atuação, em nome de um ativismo judicial sem limites definidos, pode interferir nas liberdades econômicas com absoluta desconsideração dos desígnios do legislador. É sob o espectro do ativismo que o Judiciário intenta implantar resultado aos comandos constitucionalmente instituídos, "(...) reaproximar e filtrar o comando legal através de valores morais (devidamente fundamentados, com eficácia e eficiência, e

226

SILVEIRA, Alessandra. União Europeia: Da Unidade Jurídico-Política do Ordenamento Composto (ou da Estaca em Brasa no Olho do Cíclope Polifemo). In: SILVEIRA, Alessandra (Coord.). Direito da União

inseridos na constituição) [...]"227 e essa base conceitual proposta do seu surgimento só foi possível em razão do pós-positivismo e de toda a carga valorativa encetada ao ordenamento consequencialmente. Nesse contexto, a decisão judicial perdeu seu aspecto meramente processual e incorporou a figura de instrumento de reconhecimento de uma situação do indivíduo, na sociedade, por meio da reposição efetiva dos direitos e das garantias, em um cenário de incompletude legal, que alarga os limites da interpretação legislativa e, por via reflexa, o contexto social nele inscrito. O Tribunal de Justiça da União Europeia teve a oportunidade de enfrentar o tema dos direitos trabalhistas frente ao ativismo judicial, nos casos Viking228, Laval229 e Rüffert230, ocasião em que procedeu em leitura equivocada, segundo a doutrina trabalhista comunitária especializada, da Diretiva n. 96/71, em uma nítida infiltração do direito comunitário naquilo que seria de competência exclusiva do direito nacional231.

No caso Viking, uma empresa de transporte finlandês tentou alterar a bandeira de pavilhão de um dos seus ferry-boats, que fazia a rota Helsinque – Tallinn para a bandeira estoniana-, no intuito de reduzir os custos trabalhistas, não ser compelido a aplicar uma convenção coletiva finlandesa. O resultado foi uma ação promovida pelo Sindicato dos

227LEHMKUHL, Milard Zhaf Alves. O exercício legítimo do ativismo judicial. Revista Bonijuris, Paraná, v. 27,

n. 2, p. 13-32, 2015, p. 13.

228Cf. Court of Justice. Judgment of the Court (Grand Chamber) of 11 December 2007 (reference for a

preliminary ruling from the Court of Appeal (Civil Division) — United Kingdom) International Transport Workers' Federation, Finnish Seamen's Union v Viking Line ABP, OÜ Viking Line Eesti. (Maritime transport — Right of establishment — Fundamental rights — Objectives of Community social policy — Collective action taken by a trade union organisation against a private undertaking — Collective agreement liable to deter an undertaking from registering a vessel under the flag of another Member State). (Case C-438/05). (2008/C 51/17). Disponível em: < http://curia.europa.eu/juris/liste.jsf?language=en&num=C-438/05>. Acesso em 04 de janeiro de 2015.

229Cf. Court of Justice. Judgment of the Court (Grand Chamber) of 18 December 2007 (reference for a

preliminary ruling from the Arbetsdomstolen — Sweden) — Laval un Partneri Ltd v Svenska Byggnadsarbetareförbundet, Svenska Byggnadsarbetareförbundets avd. 1, Byggettan, Svenska Elektrikerförbundet. (Case C-341/05). (Freedom to provide services — Directive 96/71/EC — Posting of workers in the construction industry — National legislation laying down terms and conditions of employment covering the matters referred to in Article 3(1), first subparagraph, (a) to (g), save for minimum rates of pay — Collective agreement for the building sector the terms of which lay down more favourable conditions or relate to other matters — Possibility for trade unions to attempt, by way of collective action, to force undertakings established in other Member States to negotiate on a case by case basis in order to determine the rates of pay for workers and to sign the collective agreement for the building sector). (2008/C 51/15). Disponível em: < http://curia.europa.eu/juris/liste.jsf?language=en&num=C-341/05>. Acesso em 04 de janeiro de 2015.

230Cf. Court of Justice. Judgment of the Court (Second Chamber) of 3 April 2008 (reference for a preliminary

ruling from the Oberlandesgericht Celle (Germany)) — Dirk Rüffert, in his capacity as liquidator of the assets of Objekt und Bauregie GmbH & Co. KG v Land Niedersachsen. (Case C-346/06). (Article 49 EC — Freedom to provide services — Restrictions — Directive 96/71/EC — Posting of workers in the context of the provision of services — Procedures for the award of public works contracts — Social protection of workers). (2008/C 128/13). Disponível em: < http://curia.europa.eu/juris/liste.jsf?language=en&num=C-346/06>. Acesso em 04 de janeiro de 2015.

231LAURINO, Salvador. Destacamento de trabalhadores - Dumping social e os desafios à afirmação do espaço

Marinheiros Finlandeses e pela Federação Internacional dos Trabalhadores dos Transportes tencionando impulsionar um boicote ao transporte marítimo nos portos europeus que pressionasse a companhia pela manutenção da bandeira da embarcação vinculada ao direito finlandês. Em resposta a esse ato, a empresa Viking Line ABP demandou o sindicato e a federação perante um tribunal londrino afirmando-se prejudicada, na sua liberdade de estabelecimento, assegurada no art. 43 do Tratado de Roma. No juízo de reenvio, o Tribunal de Justiça Europeu reconheceu o direito fundamental dos sindicatos de tomar medidas, incluindo o apelo a greves. No entanto, afirmou que, nesse caso, a ação coletiva não pode envolver restrições ao direito de estabelecimento quando se revelarem desproporcionais.

A disputa conhecida como o caso Laval dispôs controvérsia sobre o destacamento de trabalhadores frente à ação do direito sindical na promoção das regras da concorrência na negociação coletiva. A empresa Laval un Partner Ltd, de origem letonesa, foi vencedora em um concurso para a construção de uma escola no município sueco de Vaxholm, ocasião em que celebrou contrato com uma empresa sueca, sendo pressionada pelo sindicato da construção civil a celebrar convenção coletiva no setor. A recusa de negociação da companhia letonesa desencadeou ações coletivas que impediam o acesso dos 35 trabalhadores e das mercadorias ao canteiro de obra. Após vários impasses que culminaram com a rescisão do contrato de prestação de serviço e a falência da empresa letonesa, o caso foi submetido a um tribunal sueco que, por ocasião do reenvio prejudicial ao Tribunal de Justiça, analisou os artigos 3º, 1º e 8º da Diretiva 96/71. Tais dispositivos asseguram aos trabalhadores destacados o salário mínimo do país de acolhimento, desde que garantido por dispositivo de aplicação geral (inexistente nessa situação).

Por fim, o caso Rüffert evidenciou a análise do conceito de convenção coletiva de aplicação geral e tratou de examinar, até mesmo, a legalidade de cláusulas trabalhistas de norma estadual. Na disputa, Rüffert, uma empresa alemã foi vencedora em um contrato público de obra, no Estado da Baixa Saxônia, e subempreitou parte da obra para uma companhia polonesa. Porém, a legislação daquele estado determinava que, nas contratações acima de 10.000 euros, as contratantes e as subcontratadas deveriam pagar o salário previsto na convenção coletiva para o setor da construção civil. A empresa polonesa, por não observar o instrumento negocial, causou a rescisão do contrato administrativo da contratada principal junto ao Estado da Baixa Saxônia, e resultou no acionamento judicial do Länder, na corte nacional alemã. Esse solicitou o reenvio prejudicial ao Tribunal de Justiça europeu, que entendeu ser a convenção coletiva de aplicabilidade, apenas, aos trabalhadores da construção civil que prestassem serviço em obras públicas. Dessa forma, a rescisão contratual efetuada

pela Baixa Saxônia, ainda que no intuito de proteger direitos trabalhistas, acabou sendo considerada desproporcional, visto que a empresa teve violada a sua liberdade de prestação de serviços e de vantagem competitiva, afastada somente pela existência de uma disposição de aplicação geral232.

Os três casos paradigmáticos revelam uma mudança de tendência do Tribunal de Justiça, no tratamento do destacamento de trabalhadores e na funcionalidade dos direitos fundamentais trabalhistas. Observa-se a prevalência da liberdade de estabelecimento, que deve ser lida – nesse caso - como liberdade econômica de otimização de eficiência, sobreposta ao direito de greve, representando uma nova toada hermenêutica que premia as liberdades fundamentais, nas quais se situam as colunas existenciais da comunidade europeia. Alguns mais apaixonados pelo discurso protecionista, em uma visão dissociada da realidade, afirmariam que deve haver um conjunto unitário de direitos em todo o continente europeu para que conflitos coletivos, tais quais os demonstrados, nao se repetissem e se imprimisse um core labor standards naquele bloco comunitário. A intenção é boa, contudo os resultados sistemicamente indesejados. Se o patamar de direitos deve ser isonômico para todos os países,

Benzer Belgeler