BÖLÜM 2: TARAKLI ĠLÇESĠ’NĠN NÜFUS COĞRAFYASI…
2.1. Nüfusun GeliĢimi…
Chega-se, por fim, à última etapa das considerações metodológicas que norteia a pesquisa aqui descrita. A presente seção apresentará brevemente como serão investigados os conectores oracionais causais da língua alemã sobre as possibilidades de codificação do gradiente de relações causais apresentado no capítulo anterior. O teste de paráfrase que será utilizado no presente trabalho é uma adaptação do teste desenvolvido pelos autores do estudo original Pander Maat & Degand (2001) e reproduz em língua alemã as possibilidades de leitura dos diferente conectores
causais da língua estudada. Abaixo, o quadro contendo o inventário de relações causais e suas respectivas paráfrases:
Causalidade Paráfrases
Involuntária . . . (und) und das zeigt(e) folgende Wirkung:. . .
. . . (e) a consequência disso foi/é que. . .
Voluntária . . . (und) diese Handlungsweise begründet(e) sich dadurch, dass. . .
. . . (e) a razão para realizar este ato foi/é. . .
Epistêmica . . . (und) dies führt(e) zu der Schlussfolgerung, dass. . .
. . . (e) isso leva à seguinte conclusão de que. . .
Atos de fala . . . (und) dieser Sprechakt begründet sich dadurch, dass. . . Tipo I . . . (e) a razão para realizar este ato de fala é. . .
Atos de fala . . . (und) dies kann wie folgt umformuliert werden: . . . Tipo II . . . (e) isso pode ser parafraseado como: . . .
A primeira paráfrase, “das zeigt(e) folgende Wirkung:”, tem por finalidade identificar as relações causais involuntárias, ou seja, aquelas relações de causa e efeito que descrevem eventos no mundo objetivamente real e sem envolvimento de qualquer sujeito de consciência que estabeleça tal relação, sendo que o falante desempenha o papel apenas de relator desses eventos.
A segunda paráfrase, “diese Handlungsweise begründet(e) sich dadurch, dass”, objetiva a identificação de relações causais voluntárias, ou seja, em que há o envolvimento de um sujeito de consciência na relação causal, desempenhando o papel de agente, em terceira pessoa, que desencadeia uma cadeia causal, sendo que o papel do falante é também o de relator, mas este assume a perspectiva dessa terceira pessoa e relata seus atos, porém não tem acesso à sua consciência. Note-se que as relações causais involuntárias e voluntárias são relações completamente externas à situação comunicativa e desvinculadas da cognição do falante ou de outros participantes da interação.
A terceira paráfrase, “dies führt(e) zu der Schlussfolgerung, dass”, serve à identificação das chamadas relações epistêmicas causais ou relações epistêmicas baseadas na causalidade. Neste caso, por defaut, a relação causal não se refere a uma relação de causa e efeito no mundo objetivamente real, mas sim em processos de raciocínio lógico localizados na mente do falante, que assume o papel de avaliador de uma determinada situação ou um conjunto de premissas que o falante avalia a partir de um padrão causal. Há, entretanto, a possibilidade de que a relação epistêmica causal seja perspectivada, e o falante relate os processos de raciocínio localizados na mente de uma terceira pessoa, que deve ser obrigatoriamente identificada. Diferentemente das relações causais voluntárias, as relações epistêmicas causais, quando perspectivadas, implicam que o falante dispõe de acesso à cognição de uma terceira pessoa.
Para diferenciar as relações epistêmicas não causais das relações epistêmicas baseadas em causalidade, realiza-se por meio da aplicação das paráfrases relativas à causalidade no mundo objetivamente real (involuntária ou voluntária). Se a substituição levar a uma sequência coerente, ainda que com significado diferente do original, então, trata-se de uma relação epistêmica causal;
caso contrário, de relação epistêmica não causal.
A terceira paráfrase e suas variações identificam relações em que a causalidade é transposta para o âmbito da cognição e procura capturar processos de raciocínio que tomam como base as relações de causa e efeito no mundo objetivamente real, mas as transpõem como forma de organizar objetos mentais e estabelecer nexos entre eles. No caso das relações epistêmicas causais, essa organização ainda apresenta semelhanças com a causalidade externa, enquanto as relações epistêmicas não causais utilizam-se da estrutura de codificação linguística da causalidade para expressar outras formas de raciocínio.
A quarta paráfrase, “dieser Sprechakt begründet sich dadurch, dass”, tem por finalidade identificar as relações entre atos de fala, de forma que o falante utiliza-se da causalidade para motivar e explicar suas atitudes locucionais no momento da interação linguística. Nesses casos, o falante baseia-se em suposições que precisam ser compartilhadas entre falante e ouvinte. Sendo assim, trata-se de o falante buscando justificativas para alicerçar seu ato de fala e torná-los aceitáveis em um determinado contexto discursivo.
A quinta paráfrase, “dies kann wie folgt umformuliert werden:”, serve à identificação de relações entre dois atos de fala em que o contexto discursivo licencia que o primeiro seja re-expresso pelo segundo, uma vez que sugerem inferências idênticas, mas que do ponto de vista do ouvinte são desconhecidas. Dessa forma, a paráfrase tem a função de elucidar referências que possivelmente não sejam compreendidas pelo ouvinte.
Havendo descrito os procedimentos de seleção das ocorrências e os meios que serão utiliza- dos para analisá-las, passa-se, no próximo capítulo à descrição da análise, de seus procedimentos básicos e de seus resultados.
4 Análise dos dados
4.1 Aspectos gerais
Ao considerar o trajeto realizado ao longo dos dois primeiros capítulos deste trabalho, torna-se evidente a necessidade de estabelecer um vínculo entre a teoria e o uso de fato da linguagem. O presente capítulo tem por objetivo apresentar a implementação do teste de paráfrase introduzido no capítulo anterior e verificar de que maneira os conectores causais da língua alemã podem ser classificados em relação ao seu uso a partir de um corpus formado por textos jornalísticos. O teste de paráfrase foi proposto por Pander Maat & Degand (2001) como meio de averiguar as possibilidades de conexão causal dentro do gradiente por eles postulado. No estudo original, as paráfrases foram mencionadas em inglês, e foi necessário que elas fossem adaptadas à língua alemã. Replicar esse estudo tem, em primeira linha, o objetivo de trazer para o contexto de outro sistema linguístico o aparato teórico proposto pelos autores e averiguar se este é um instrumento adequado à descrição das relações introduzidas pelos conectores causais do alemão.
No contexto da Linguística Cognitiva, ainda são poucas as abordagens que tratam da questão da causalidade via conectores oracionais; e testar a proposta de Pander Maat & Degand (2001) é uma maneira de avaliar não apenas como o uso dos conectores oracionais da língua analisada se comportam quando expostos a esse aparato teórico, mas também avaliar se o próprio método é adequado a seus fins. O gradiente de relações causais tem a vantagem de interligar diferentes usos da causalidade e estabelecer entre eles uma progressão: do uso mais básico, a causalidade como relação involuntária e desvinculada de um sujeito de consciência, passando por usos em que a causalidade é a relação-base para codificar linguisticamente os processos mentais de um escritor, até os casos em que a causalidade fornece o material linguístico necessário para codificar relações que se estabelecem diretamente no evento de uso, integrando aspectos da interação do escritor com o leitor, ainda que de maneira sutil.
É preciso também considerar que o objeto de estudo escolhido para o presente trabalho é, em certa medida, conservador. Entretanto, ao selecionar apenas os conectores oracionais causais mais centrais da língua alemã, tem-se diante dos olhos a necessidade de começar a categorização das relações introduzidas por eles a partir de solo seguro. São conectores já estudados por outras vertentes e abordagens, o que permite comparar resultados. O principal contraponto para a presente análise é a pesquisa de Blühdorn (2008b). Seus fundamentos já foram apresentados no primeiro capítulo e seus resultados ajudaram a nortear as expectativas da presente análise. Não há pretensão, entretanto, se realizar uma comparação exaustiva entre as duas abordagens; prefere-se
dar destaque aos resultados obtidos por meio do teste de paráfrase de Pander Maat & Degand (2001) e, sempre que possível, mostrar os pontos de convergência ou divergência entre ambas as propostas, de forma que ficará claro ao final do capítulo que o gradiente de relações causais pode ser considerado uma expansão da proposta de Blühdorn (2008b) em que são refinadas subcategorias da causalidade em sentido estrito. Os mecanismos que geram cada abordagem não diferentes, mas tomam como princípios semelhantes da Gramática Cognitiva. Enquanto Pander Maat & Degand (2001) apoia-se diretamente na relação entre uma base conceitual e diferentes operações de perspectivação conceitual para caracterizar a causalidade, Blühdorn (2008b) desenvolve seu próprio aparato relacional a partir de traços semânticos cuja marcação como positiva ou negativa determina qual tipo de relação está em jogo (comparação, situamento, condicional e causal) e qual domínio relacional (espacial, temporal, epistêmico ou deôntico); trata-se de uma abordagem mais ampla, mas que deixa de lado aspectos específicos da própria causalidade e não especifica critérios bem definidos a partir dos quais se diferenciam cada tipo de relação causal. Por isso, a contraposição de ambas torna-se interessante e até mesmo necessária.
O presente capítulo de análise procede da seguinte maneira para expor os resultados obtidos por meio do teste de paráfrase: após estas considerações gerais, descreve-se em 4.2 os resultados gerais de Blühdorn (2008a) e Blühdorn & Ravetto (2008), tomando-os como base para estabelecer uma expectativa para os resultados obtidos para o gradiente causal. Em 4.3, exemplifica-se o procedimento de análise por paráfrase, apresentando como os casos ambíguos e não ambíguos se comportam ao serem testados. Adiante, em 4.4, são apresentados os resultados gerais do teste e as frequências de cada relação causal no corpus analisado; ainda nessa seção, serão exemplificados as relações específicas introduzidas por cada um dos conectores. Por fim, em 4.5, serão tecidas considerações sobre o processo de análise, sua eficiência a partir dos pontos de vista teórico e metodológico, de forma que se pretende brevemente avaliar quais as vantagens e as desvantagens da proposta desenvolvida por Pander Maat & Degand (2001).