3. BEŞERİ COĞRAFYA ÖZELLİKLERİ
3.1. Nüfus
3.1.2. Nüfusun Özellikleri
3.1.2.2. Nüfusun Cinsiyet ve Yaş Gruplarına Göre Dağılımı
Em seguida, será apresentada a teoria/prática de alguns médicos psiquiatras brasileiros:
Ulysses Pernambucano de Melo Sobrinho - foi protagonista de mudanças
significativas no modelo hospitalocêntrico, no âmbito do Serviço Público, no estado de Pernambuco, à medida que, enquanto Diretor, implementou melhorias nos serviços e ampliação das atividades do então Hospital da Tamarineira, em 1924 (hoje, denominado de Complexo “Ulisses Pernambucano”).
Ulysses criou serviços abertos; estimulou o trabalho em equipe multiprofissional; criou o serviço de visitadores; dinamizou o atendimento ambulatorial; estimulou as sistematizações de práticas cientificamente fundamentadas, veiculadas através de revistas específicas em Recife; criou a Divisão de Assistência a Psicopatas, da qual foi também Diretor; e criou o Serviço de Higiene Mental.
ROSA (2006) ressalta suas experiências inovadoras no Serviço Público e Rocha (1979), ao destacar os autores brasileiros que fundaram a Psiquiatria Social, lembra Ulysses Pernambucano como o precursor. Cerqueira (1984, p.29), por sua vez, enfatiza que Ulysses Pernambucano implantou, em 1931, o Serviço Aberto - uma forma de evitar a internação psiquiátrica, que retirava os direitos civis das pessoas -, abriu o primeiro Ambulatório de Psiquiatria do Brasil e organizou a primeira equipe multiprofissional e uma “(...) ação comunitária extra-hospitalar”.
Luiz da Rocha Cerqueira - considerado como um dos pioneiros na luta
antimanicomial, dentre outras contribuições, teve destaque nas orientações para os programas de Psiquiatria Comunitária e na co-autoria do Manual de Assistência Psiquiátrica do antigo INPS, em 1973 (AMARANTE, 1998). Psiquiatra alagoano teve sua formação médica e psiquiátrica no Recife, na década de 30. Inconformado com o que via, lutou em períodos de grande dificuldade política e produziu textos que abriram caminho para o atual pensamento a respeito da Saúde Mental. Ao mesmo tempo que criticava o mercantilismo na área da Saúde, com textos políticos, mostrava, com minuciosas pesquisas, por exemplo, os dados relativos a gastos com internações psiquiátricas, com o sistema ambulatorial e com o auxílio doença.
Cerqueira pensou a formação de profissionais de saúde mental, as prioridades do atendimento, a Terapia Ocupacional, as Emergências Psiquiátricas, a Psiquiatria no Hospital Geral, dentre muitos outros temas. Pinto (2004) destaca que Luiz Cerqueira foi um dos primeiros profissionais de Saúde Mental que conceituou, propôs e tentou colocar em prática algo diverso da Psiquiatria Organicista: uma prática social em saúde mental. Destaca ainda, seus escritos no artigo “Raízes e Tendências da Psiquiatria Social no Brasil”, de 1978, republicado no seu livro de coletânea “Psiquiatria Social – Problemas Brasileiros de Saúde Mental”, de 1984, onde seu mestre Ulysses Pernambucano é citado como “(...) um psiquiatra com alma de sanitarista, descompromissado com o modelo médico-privado-curativo exclusivo”.
Em termos de análise do que estava ocorrendo na organização da assistência à Saúde Mental no País, Pinto (2004) apresenta registros no texto de 1978, onde Cerqueira apontou que os poderes dominantes ainda tentavam esconder a privatização da assistência, isto é, o que chamou de “indústria da loucura”, fazendo referência, inclusive, ao gasto com internações psiquiátricas, quando “(...) já podíamos ter um funcionamento harmonioso, em moldes de vasos comunicantes, todo um sistema hospitalar conjugado com um extra- hospitalar” (CERQUEIRA, 1984, p. 32).
Assim como em outro artigo - Resistências às Práticas Comunitárias - apresentado no V Congresso Mundial de Psiquiatria, no México, em 1971, Luiz Cerqueira destacou “(...) o caráter individualista da profissão médica ainda hoje é ensinado aos psiquiatras, ensejando uma série de racionalizações, para postergar o advento das socioterapias” (CERQUEIRA, 1984, p. 106). Analisou ele ainda outras resistências, “(...) como a de certos sanitaristas, esmagados com as endemias, a se recusarem, de modo geral, a admitir saúde mental em suas preocupações” e, “(...) a mais grave das resistências “(...) a generalizada dificuldade dos psiquiatras em considerar saúde mental como um problema de saúde pública” (CERQUEIRA, 1984, p. 107)”.
Nise Magalhães da Silveira psiquiatra, alagoana de Maceió (AL), nascida em
15.02.1906, era filha única de um professor de Matemática e uma pianista, ligados à elite intelectual e política do Estado. Em 1921, em Salvador (BA), iniciou o curso de Medicina. Ao formar-se, apresentou como tese de conclusão um ensaio sobre a criminalidade da Mulher no Brasil, publicado em 1926, na Imprensa Oficial sob o título “Ensaio sobre a criminalidade das mulheres na Bahia”.
Nise foi aprovada no concurso público, no Rio de Janeiro, em 1933, para médica psiquiatra da antiga Assistência a Psicopatas e Profilaxia. Sua vivência como psiquiatra e moradora do hospital para alienados na Praia Vermelha, segundo Bezerra (1995), demarcou o início da luta contra a Psiquiatria. Após a Intentona Comunista de 1935, foi presa pela ditadura de Getúlio Vargas, tendo sido libertada em 1937. Nos sete anos seguintes, ela passou em exílio em terras brasileiras. Em 1944, retomou suas atividades como psiquiatra no Centro Psiquiátrico Nacional (CPN), em Engenho de Dentro/RJ, onde constatou que a Psiquiatria que praticava nos anos 30 não mais existia em meados dos anos 40, assustando- se, inclusive, com a onda de violência associada a alguns métodos de tratamento das doenças mentais (eletrochoque, o coma insulínico e a lobotomia).
Segundo Dias (2003), ela resolveu não seguir nessa mesma direção, tendo optado pelo tratamento ocupacional como um método terapêutico não agressivo. A introdução da terapêutica ocupacional no CPN deu-se em 1944, no então Hospital “Pedro II” (HP).
De acordo com Bezerra (1995), os trabalhos que reconstroem a trajetória de vida de Nise da Silveira apontam para a importância desse momento, que demarcou o início da sua querela com a Psiquiatria Tradicional, ao colocar-se contra os métodos de tratamento mais utilizados pela Psiquiatria Brasileira naquele momento, que, segundo sua visão, eram de ênfase extremamente organicista, em que as explicações acerca das causas dos transtornos mentais e de comportamentos resultariam de distúrbios biológicos e endócrinos, desconsiderando as explicações psicogênicas ou deixando-as em um lugar secundário. Essas explicações, de base cartesiana, é que justificariam o uso do eletrochoque, do coma insulínico, das psicocirurgias e das quimioterapias.
Segundo Dias (2003), ao assumir a direção da STO do CPN, Nise introduziu um novo método de tratamento e compreensão da esquizofrenia, através das atividades de expressão livre. A inovação terapêutica ali introduzida foi destacada por Bezerra (1995, p. 158) como um mundo totalmente ignorado pelos médicos.
A originalidade de Nise da Silveira foi justamente propor uma nova visão sobre a atividade artística dos alienados, por meio de uma síntese das concepções psicanalíticas, das idéias junguianas e da ocupação terapêutica. No entanto, a terapêutica ocupacional, naquele momento, pouco interessava à Psiquiatria Brasileira, sendo considerada uma prática periférica aos métodos mais disseminados e utilizados. O mesmo acontecia com a arte dos alienados, chamada de “arte psicopatológica”, pela Psiquiatria (DIAS, 2003). Segundo Dias (2003), Nise encontrou o apoio que precisava junto ao meio artístico, especificamente nas artes plásticas, o que entusiasmou mediante a constatação de que louco podia fazer arte. A repercussão das primeiras exposições da STO fomentou o interesse de artistas e críticos de arte pela arte dos alienados de Engenho de Dentro.
A Arte ocupou o lugar, primeiramente destinado à Ciência, de incentivar e respaldar a expressão artística dos alienados de Engenho de Dentro, o que foi decisivo para que os ateliês de pintura e modelagem da STO se transformassem no Museu de Imagens do Inconsciente, em 1952. Tal foi à contribuição de Nise da Silveira na construção da proposta reformista na Psiquiatria Brasileira.
Oswaldo Santos, psiquiatra e psicanalista, pioneiro da Comunidade Terapêutica no
em vez de mantê-lo sedado - fez uma revolução em sua seção no Pedro II, quando lá chegou, em 1967: resolveu cumprir um horário fixo, em vez de medicar os pacientes e ir embora; tirou os doentes da medicação pesada; e os fez participar de reuniões em que se falava de tudo, em que se pintava e cantava, e em que se distribuíam tarefas para cuidar da Enfermaria.
Osvaldo encontrou muita resistência para implantar suas idéias, baseadas na comunidade terapêutica que conhecera em Londres, mas conseguiu e foi um pioneiro da luta contra a chamada Psiquiatria Carcerária, aquela que mantém o doente preso ao hospital. O psiquiatra preparou uma equipe que, ao longo dos anos, somou mais de 300 profissionais, entre médicos, psicólogos, assistentes sociais e nutricionistas. Osvaldo Santos é lembrado por ter proporcionado aos doentes mentais uma perspectiva que eles não tinham: a de ter alta e se reintegrar à família e à sociedade.
Em 1969, os pacientes do psiquiatra e psicanalista Osvaldo dos Santos assistiram à chegada do homem à Lua pela TV, na seção Olavo Rocha do CPP II, no Engenho de Dentro. E decidiram que queriam ir à Lua. O médico incentivou a discussão e durante dias debateram juntos como se daria a aventura. Os próprios internos chegaram à conclusão de que isto não seria possível. O médico sugeriu então que se tentasse uma outra aventura, que se pudesse realizar. Os doentes de novo pensaram e decidiram: queriam dar uma volta no quarteirão.
E conseguiram. Pela primeira vez naquele instituto, doentes mentais saíram à rua, num passeio que, aos poucos, foi ganhando distância: a praias, a parques. (Osvaldo dos Santos, aos 67 anos “O Globo”, de 23 de janeiro de 2000).
Hélio Pellegrino - Com a matéria intitulada de Os Barões da Psicanálise,
publicada no Jornal do Brasil de 23 de setembro de 1980, Hélio Pellegrino, Eduardo Mascarenha e Wilsom Chibabi, psiquiatras, psicanalistas e membros da SBPRJ, criticaram publicamente as sociedades ligadas à IPA. No final da década de 70 e início dos anos 1980, na realidade brasileira ocorreram vários processos de alta intensidade política que repercutiram nas sociedades psicanalíticas. Várias crises foram demarcadas a partir de questionamentos à Psicanálise no Brasil - considerada por um grupo significativo de profissionais como uma prática elitista que não considerava a realidade brasileira em seu conjunto; representada por um saber importado e cujas instituições reproduziam, em suas estruturas, características da sociedade brasileira, como o desnível e o privilégio entre seus
membros (PONTE, 1999).
Uma das conseqüências desse processo foi o início das clínicas sociais de Psicanálise, sendo que a primeira, no Brasil, foi fundada por Hélio Pellegrino e Catarina Kemper, em 1973. Esse tipo de clínica, destinado à população que não podia arcar com os custos regulares de consultórios particulares, posteriormente foi sendo adotado pela maioria das sociedades psicanalistas.
Nessa perspectiva, a Psicanálise apresenta uma função social por aumentar seu potencial de aplicabilidade, à medida que possibilita entenderem-se determinados processos psíquicos ou as relações entre as pessoas ou, ainda, a formação de coletivos. Com esta possibilidade, quanto ao uso da Psicanálise, Hélio Pellegrino não se deixou engessar pela teoria e colocou-se a serviço da humanidade – em seu texto Pacto Édipo,
Pacto Social, escrito em 1987 -, fazendo uma leitura psicanalítica de fenômenos sociais
complexos. Articulou questões clínicas com questões sociais adequando a clínica ao contexto histórico- social-político, o que possibilitou uma extensão da teoria psicanalítica aplicada à Antropologia e à Sociologia, o que denominou de Antropologia Psicanalítica. Ao fazer análise sobre alguns problemas decorrentes do Capitalismo no Brasil, sustentou-se na Teoria da Constituição do Sujeito, fundamentada no Complexo de Édipo e na Teoria da Castração, propostos por Freud. Com esta leitura, Pellegrino se propôs possibilitar a compreensão do crescente surto de violência e delinqüência que dilacera até hoje o tecido social brasileiro, nas grandes cidades ( FARIAS, 2006 ).
Mediante essa panorâmica que caracteriza as influências internacionais na realidade nacional, em termos do movimento da Reforma Psiquiátrica, compreende-se a composição heterogênea, dotada de contradições significativas que originaram o MTSM. No entanto, como movimento social, faz-se importante observar sua coesão e relativa eficiência em reunir e operacionalizar pautas comuns.
A partir do exposto, o movimento reformista teve na sua constituição antiga integrantes do movimento sanitário participantes dos governos estaduais ou federais (Ministérios da Saúde e da Previdência), e de outros como: sindicalistas, membros de associações profissionais, associações de familiares e ex-psiquiatrizados. A aglutinação do MTSM, que incorporou pautas da Rede Internacional de Alternativas à Psiquiatria, pôde significar uma importante revitalização do movimento, a partir da década de 1987, como já apresentado. Mesmo que, inicialmente, o MTSM tenha sido marcado por certa
radicalidade, que provocou afastamentos de associações científicas e profissionais, uma vez reorganizado nas realidades de cada estado brasileiro (às vezes com designações diversas), passou a compartilhar de um mecanismo de deliberação nacional, que foi reunindo pautas de luta daqueles setores mais críticos da área acadêmica e profissional. É tanto que, nos últimos anos, tem sido possível observar no Brasil uma série de conquistas importantes no que diz respeito aos desafios de uma verdadeira reforma psiquiátrica.
Levados pelos interesses de trabalhadores em saúde mental, usuários e familiares que lograram constituir um instigante movimento social, os movimentos de luta antimanicomial, em sucessivos encontros e através de lutas concretas em cada estado brasileiro, em inúmeros fóruns e entidades representativas, foram sendo construídos com a preocupação de desconstruir o antigo modelo asilar e fundar alternativas de tratamentos que fossem resolutivas e humanistas. Dessa forma, um novo olhar sobre a loucura passava a ser compartilhado com a Sociedade, contrastando antigos preconceitos, de forma alegre e libertária.