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E. Gayrimüslim Reayadan Alınan Vergi

V. NÜFUS HAREKETLERİNİN KARŞILAŞTIRILMASI

Para aprofundar as análises do reforço duracional inicial de I, procedemos à medição das sílabas iniciais do sintagma entoacional final das 48 sentenças do PB, da mesma maneira feita para o PE (exemplificados nos itens 54 e 55, acima).

A diferença de duração e de percentual entre o clítico na posição de margem de I (PB_clit_margem= 107ms; 5,58%) e do mesmo elemento na posição não-margem (PB_clit_nãomargem=83ms; 4,34%) foi positiva (5,58% - 4,34% = 1,24%), e tal diferença apresentou resultado estatisticamente significante no teste T empregado (pressupostos estatísticos: KS%PB_clit_margem=0,108; p=0,200; KS%PB_clit_nãomargem=0,183; p=0,084 e Levene F(1,23)=0,675; p=0,416. Teste T: t(23)= -1,678; p=0,05). Já para a sílaba pré- tônica que ocupa a segunda posição na margem esquerda da fronteira de I a diferença foi praticamente nula (PB_preT_margem=142ms; 5,37% e PB_preT_nãomargem=141ms; 5,47%).

Os resultados em PB correspondem aos achados em PE, que demonstraram haver uma diferença de duração significativa no primeiro elemento que se segue a margem esquerda de I e sua contraparte na posição de não-margem. Este reforço duracional inicial não se estende até o segundo elemento posicionado após a margem esquerda de I, uma vez que em ambas as variantes não houve diferença duracional estatisticamente significante para tal elemento.

Para completarmos a investigação sobre o reforço duracional que pode dar-se na fronteira inicial de I (ou margem esquerda de I), analisamos a duração da primeira e segunda sílabas na posição de margem esquerda de I na leitura GP, em PB (veja exemplo 55). Para a primeira sílaba na posição de margem de I e na posição de não-margem, houve uma diferença positiva das médias duracionais e das porcentagens de duração, mas tal diferença não apresentou significância estatística: PB_1ªsil_margemGP=166ms; 13,14% e PB_1ªsil_nãomargemGP=129ms; 11,59%. Pressupostos estatísticos: KS%PB_1ªsil_margemGP=0,151; p=0,200; KS%PB_1ªsil_nãomargemGP=0,135; p=0,200 e Levene F(1,17)=0,783; p=0,383. Teste T: t(17)= -0,990; p=0,165. Para o segundo elemento da margem esquerda de I, na fronteira GP do PB, a diferença da média de duração foi positiva, mas a diferença de percentual de duração foi negativa: PB_2ªsil_margemGP=178ms; 14,6% e

PB_2ªsil_nãomargemGP=164ms; 15,09%, não caracterizando o reforço duracional que pretendíamos investigar.

Encontramos como resultado estatisticamente significante apenas o reforço duracional inicial do elemento clítico na posição de margem esquerda de I na leitura de reanálise no PE e no PB. Parece-nos que este reforço duracional é uma característica da fronteira inicial dos sintagmas entoacionais, mas que se manifesta somente em determinados elementos, como nos clíticos investigados. Tal resultado corrobora resultados anteriores de Frota (2000) e Vigário (2003) para estruturas do Português Europeu. O fato de tal reforço duracional não ocorrer em qualquer elemento da margem esquerda de I nos impossibilita de considerá-lo como uma característica discriminatória dos sintagmas entoacionais. Concluímos, portanto, que apenas as pistas de alocação de acentos tonais e pausas, e alongamento final das sílabas em posição de fronteira são características dos sintagmas entoacionais notoriamente encontradas nas variantes PE e PB.

4.4 Resumo

Nesta seção apresentamos, de forma esquemática, um resumo comparativo, em forma de tabela, das tarefas de produção realizadas no PB e no PE. As duas tarefas foram realizadas com metodologias e procedimentos semelhantes para obtermos dados comparáveis. Em seguida apresentaremos, também, uma segunda tabela comparativa com as características prosódicas encontradas na análise acústica do material coletado e selecionado das tarefas de produção, nas duas variantes.

Tarefas de Produção Características

Português Brasileiro Português Europeu

Tipo de teste Leitura em voz alta, para gravação, de sentenças com ambiguidades estruturais.

Leitura em voz alta, para gravação, de sentenças com ambiguidades estruturais. Material 12 Frases Garden-Path e 12

Frases Semantic Weak, em 3 tipos sintáticos: T1-subordinadas, T2-coordenadas aditivas e T3-coordenadas assindéticas. 12 Frases Garden-Path e 12 Frases Semantic Weak, com adaptações lexicais e

pragmáticas para o PE, em 3 tipos sintáticos:

T1-subordinadas,

T2-coordenadas aditivas e T3-coordenadas

assindéticas. Informantes 16 falantes nativos de Belo

Horizonte, alunos de curso superior.

12 falantes nativos de Lisboa, alunos de curso superior.

Dispositivos Laptop com o programa DMDX para apresentação dos estímulos; joystick para coleta das respostas; gravador digital e microfone de mesa; cabine acústica LabFon/UFMG.

Laptop com o programa DMDX para apresentação dos estímulos; joystick para coleta das respostas; gravador digital e microfone de mesa; sala com pouco ruído da Univ. de Lisboa. Material

Selecionado

24 frases da 1ª leitura (ou leitura GP) e 24 frases da 2ª leitura (ou Leitura de Reanálise). Total: 48 sentenças

24 frases da 1ª leitura (ou leitura GP) e 24 frases da 2ª leitura (ou Leitura de Reanálise). Total: 48 sentenças.

Tabela 11: Quadro comparativo das metodologias das tarefas de produção em PB e em PE.

Análise Acústica Características

Português Brasileiro Português Europeu

Constituinte entoacional usado na marcação prosódica Sintagma Entoacional (I) Sintagma Entoacional (I) Posição da fronteira de I na 1ª Leitura – Frases EC

Após o SN ambíguo Após o SN ambíguo Posição da fronteira de I na

2ª leitura – Frases EC

Após o primeiro verbo Após o primeiro verbo Posição da fronteira de I na 1ª Leitura – Frases SW Lida em um único I (42%) Lida em um único I (36,6%) Posição da fronteira de I na 2ª leitura – Frases SW

Após o primeiro verbo Após o primeiro verbo

Acento tonal predominante L+H* H+L*

Tom fronteira predominante H% H%

Alongamento Final –

fronteira de I – sílaba Tônica

Sim Não

Alongamento Final – fronteira de I – sílaba Pós- tônica

Sim Sim

Reforço Inicial – margem esquerda de I – Clítico

Sim Sim

Reforço Inicial – margem esquerda de I – Pré-Tônica

Não Não

Tabela 12: Quadro comparativo das características prosódicas das sentenças-teste em PB e em PE.

A maior diferença encontrada entre as variantes PB e PE está na natureza do acento tonal que marca o primeiro sintagma entoacional das sentenças. Enquanto no PE há uma maior uniformidade na execução, no PB encontramos uma maior variedade de acentos, com predominância do L+H*. Para o PE, os enunciados são pronunciados com um escasso número de acentos de

sintagmas fonológicos e o acento tonal nuclear da fronteria de I que se forma na porção ambígua da frase é do tipo H+L*, robustamente dominante. Para o PB, há uma maior ocorrência de acentos de sintagmas fonológicos e o acento tonal nuclear do I intermediário é de natureza L+H* em 61% dos casos analisados. Com relação às características entoacionais, os achados apenas confirmam as predições feitas por Frota (2000) para a boa formação de Is no PE, e por Moraes (2007; 2008) para as sentenças declarativas neutras do PB.

O alongamento final dos elementos em fronteira do sintagma entoacional mostrou-se uma pista acústica robusta da marcação e caracterização deste constituinte. No PB, o alongamento ocorreu tanto na sílaba tônica, que recebe o acento tonal de I, como na sílaba pós-tônica, que recebe o tom fronteira de I. No PE o alongamento aconteceu somente na sílaba pós-tônica. Em ambas as variantes, o alongamento do elemento pós-tônico aconteceu independentemente da ocorrência de pausa entre os sintagmas. Apesar da alocação de pausas entre sintagmas entoacionais ser uma característica importante deste constituinte, concluímos que o alongamento duracional do elemento de fronteira é capaz de marcar o final do constituinte e a mudança prosódica que ocorre na transição entre os sintagmas, mesmo na ausência de uma pausa silenciosa. Para o reforço duracional encontrado no elemento clítico, na margem esquerda do sintagma entoacional que se forma na leitura de reanálise, podemos afirmar que tal resultado amplia as características acústicas de marcação de sintagmas entoacionais, mas não pode ser considerado como uma característica discriminatória deste constituinte. Isto porque a ocorrência do reforço duracional está condicionada à presença de elementos clíticos na margem de I, não ocorrendo em outras situações. Devemos considerar que os itens experimentais desta análise possuem características especiais, uma vez que possuem ambiguidades estruturais que provocam problemas de interpretação nos leitores. É prudente, portanto, não generalizarmos os resultados aqui encontrados para estruturas não ambíguas, pois o fator ambiguidade estrutural pode ter reflexos na execução prosódica das frases e gerar componentes prosódicos específicos deste tipo de sentença. O que podemos afirmar, e que é de suma importância para o prosseguimento de nossa pesquisa, é que o constituinte sintagma entoacional é marcado prosodicamente e é o elemento utilizado pelos leitores na mudança de aposição sintática que dão ao elemento ambíguo das frases Garden-Path.

Investigaremos, a seguir, se tais pistas prosódicas caracterizadoras dos Is são acessadas pelos ouvintes na concatenação sintática das frases que ouvem, ou seja, se a prosódia empregada na leitura da sentença pode impedir a entrada do ouvinte no efeito GP.

Benzer Belgeler