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3.3. ESKİŞEHİR’DEKİ ÜNİVERSİTELER

4.1.1. Nüfus Ölçütü

Inicialmente foi feita a análise dos processos arquivados. Para que haja arquivamento de um processo existem três circunstâncias, a saber:

(a) Inexistência de provas sobre a condenação;

(b) Inexistência de crime (seja por se tratar de fato atípico ou porque o réu agiu acobertado por excludente de ilicitude);

(c) Advento de causa de extinção de punibilidade, que pode ocorrer por prescrição ou decadência, por exemplo.

Os 13 processos arquivados correspondem em nossa pesquisa a 190 laudos. Na tabela 5, as justificativas de arquivamento foram transcritas para a coluna motivo, de acordo com o que foi proferido no dispositivo legal analisado.

O processo 2007.34.00.700703-4 foi arquivado provisoriamente por não se encontrar a ré. Este processo tem 145 laudos periciais de informática em seus autos e a decisão de arquivamento provisória não permite identificar e analisar a importância destes. Por esse motivo, o presente processo foi retirado da pesquisa. Os 12 processos restantes, que foram arquivados, têm 45 laudos presentes em seus autos.

Tabela 5- Análise dos processos arquivados.

Análise dos processos arquivados

Numeração Laudo conclusivo Quesito Tipo penal Motivo

2003.34.00.007580-6 Sim – agrupou documentos, imagens e mensagens. Não Art. 317 CP - Crimes contra a Adm. Pública investigação criminal. Não há evidência de crime Ausência de justa causa para prosseguimento da 2004.34.00.022446-2 Sim – Não encontrou autoria

ou materialidade

Sim Art. 241 da Lei 8.069/90

(Pornografia infantil via Internet)

Não se verificou indiciado

2005.34.00.017475-6 Sim – Não encontrou autoria Sim Art. 241 da Lei 8.069/90 (Pornografia infantil via Internet) Impossibilidade de identificar a autoria do delito 2006.34.00.007114-5 Sim – não identificou usuário que publicou * Sim Art. 241 da Lei 8.069/90 (Pornografia infantil via Internet) Fato atípico de acordo com a lei vigente à época 2007.34.00.008905-5

Sim – respondeu aos quesitos*

Sim Art. 325 CP e art. 10 Lei 9.296/96 (Crimes contra a Adm Pública)

Não considera presente os elementos de tipo 2005.34.00.015671-3 indicar autoria e materialidade Sim - dados extraídos sem Sim Art. 155 CP (Furto) – Crimes contra o patrimônio Inexistência de materialidade

2006.34.00.014533-0 Sim – um dos laudos extraiu relação de dados solicitados Sim Art. 289 §§ e 290 Moeda falsa – Crimes contra a fé pública Não há elementos suficientes para dar início à ação penal 2006.34.00.007113-1 Sim – não identificou usuário

que publicou*

Sim Lei 8.069/90 (Pornografia infantil via Internet)

Ausência de materialidade delitiva 2006.34.00.007115-9 Sim – não identificou usuário

que publicou*

Sim Lei 8.069/90 (Pornografia infantil via Internet)

Fato atípico de acordo com a lei vigente à época e falta de provas quanto a autoria

2007.34.00.011873-8 Sim – laudos com arquivos de interesse do apuratório Sim Art. 297 Lei 8.212/91 Crimes contra a fé pública Suspensão de pretensão punitiva. Declaração de incompetência, pois não há dano à União. 2007.34.00.018764-3 Sim – identificou usuário do Orkut, mas não o indivíduo Não Art. 139, 140 e 141 do CP – Crimes contra a honra Extinção da punibilidade por prescrição (art. 107, IV, CP) 2006.34.00.033076-0 Sim – identificou material de

rádio

Sim Lei 9.472/97 - Art. 183 Crimes contra as telecomunicações

Falta de base para a denúncia, tendo em vista que não foi descoberto o responsável pela estação 2007.34.00.700703-4 Sim** ART. 331 CP – Desacato – Crimes contra a Adm. Pública Arquivado provisoriamente por não encontrar a ré * Citados na proposta de arquivamento do MP ** O resumo destes 145 laudos não foi realizado, pois este processo foi excluído da pesquisa

Dentre os 12 processos arquivados, com um total de 45 laudos, percebe-se que 41,7% referem-se ao crime de pedofilia e todos foram arquivados por impossibilidade de se verificar a autoria, conforme citado nos laudos desses processos. Dois arquivamentos citam ainda que os casos examinados tratavam de fatos atípicos, considerando que os laudos identificaram pessoas que acessaram e fizeram download das imagens, mas não identificaram o autor das publicações. Cabe ressaltar que, à época, apenas a publicação desse tipo de material era tipificado em lei como crime. Dessa forma, percebe-se claramente a importância do laudo pericial de informática para o arquivamento dos referidos processos. Esses laudos representam 13,3% de 45 laudos analisados que estavam em processos arquivados.

Os crimes contra a Administração Pública representam 16,7% dos processos arquivados por não haver evidência de fato ilícito. Na proposta de arquivamento de um dos processos, o Ministério Público cita explicitamente o laudo utilizado. Os dois laudos presentes nos autos representam 4,4% dos laudos analisados.

Analisando os crimes contra a fé pública (16,7%), verifica-se que, no caso do arquivamento por suspensão de pretensão punitiva, a decisão está motivada nas provas apresentadas nos autos, considerando que foi somente declarada a incompetência do Juízo por não haver dano à União, sendo estes remetidos ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. No arquivamento do processo 2006.34.00.014533-0 não foram encontrados elementos suficientes para dar prosseguimento à ação penal. Os oito laudos aqui citados equivalem a 17,8% dos laudos analisados (sub-amostra de laudos relativos a processos arquivados).

Depreende-se da pesquisa que o processo de crime contra a honra (8,3%) teve extinguida sua punibilidade por prescrição de lapso temporal, uma vez que não foi possível identificar a autoria, fato que também foi informado no Laudo Pericial (equivalente a 2,2%).

A análise ao processo de crime contra o patrimônio (8,3%) teve a maior amostragem de laudos deste recorte, ou seja, 60% dos laudos, e todos estes eram de extração de arquivos existentes em mídias, sem quesitação específica que indicasse autoria ou materialidade.

No processo que apresenta o tipo penal inserido nos crimes contra as telecomunicações (8,3%), verifica-se que o laudo (2,2%) foi indiretamente responsável

pelo pedido de arquivamento, uma vez que não identificou o responsável pela estação clandestina.

Tabela 6- Análise dos arquivamentos

Motivo Qtd Laudo % Qtd processo %

Ausência de autoria 4 8,9 3 25

Ausência de materialidade 31 68,9 4 33,3

Atipicidade da conduta 3 6,7 3 25

Suspensão da pretensão punitiva 6 13,3 1 8,3

Extinção da punibilidade 1 2,2 1 8,3

Total 45 12

De acordo com a análise acima, infere-se que dos 45 laudos distribuídos nos 12 processos arquivados que compõem o objeto em análise, os laudos elaborados tiveram influência para a decisão judicial proferida considerando que o que foi neles relatado está de acordo com os motivos apresentados para proposição e decisão pelo arquivamento, o que corresponde a 100% dos processos arquivados.

Como foi dito anteriormente, os laudos de informática nem sempre conseguem encontrar a autoria de forma direta, considerando o tipo de vestígio dos crimes cibernéticos. Desse modo, é possível dizer que um determinado computador foi utilizado, mas afirmar quem utilizou esse equipamento não é tarefa fácil para os peritos de informática. Na maioria dos crimes que envolvem dispositivos de armazenamento computacional, a materialidade, ou seja, a comprovação efetiva da ocorrência de um delito é mais fácil de ser evidenciada. Para tanto é necessário que a quesitação no procedimento que solicita o laudo seja clara e objetiva, pois considerando o volume de dados a se analisar é necessário que o perito saiba o que precisa encontrar.

Benzer Belgeler