MORTALIDADE % PAÍSES Neoplasmas doenças infecciosas doenças cardiovasculares DESENVOLVIDOS 9,2 7,6 53,6 POUCO DESENVOLVIDOS 5,5 39,9 19,0 Fonte:MEDRADO FARIA,1997
Segundo FARIA, as estimativas de incidência do câncer em 1996 para ambos os sexos no Brasil, seria de 10,2% de câncer de estômago, 7,6% de pulmão e 6,4% colo-retal, 5,2% de próstata, 2,1% de esôfago e 2,1% de bexiga.
No complexo industrial particularmente nos municípios de santos e São Vicente, o câncer de pulmão esteve sempre em primeiro lugar com taxas bem maiores do que o grupo de estômago (2º lugar) e no período de 1987-1993, o câncer de próstata vem em 3º lugar.
Observou-se no trabalho “Mortalidade por câncer na Baixada Santista:Complexo Industrial e demais Municípios” ,de FARIA et al, que diferenças estatísticas importantes em termos de mortalidade entre as populações masculinas mais próximas e as mais distantes do complexo industrial de Cubatão, em diferentes períodos, tais como 1980-1986, 1987-1993 e 1995-1996, indicam que a maior taxa de câncer na região da Baixada Santista deve relacionar-se com o processo produtivo e suas conseqüências, entre elas destaca-se a poluição ambiental e o grande contigente de trabalhadores inseridos no complexo e trabalhadores aposentados que trabalharam por alguns anos nas indústrias.
Após duas décadas de discussão sobre a poluição de Cubatão, ainda não se tem medido uma série de parâmetros ambientais importantes para a avaliação de xenobióticos poluentes resultantes do uso se várias substâncias usadas como matéria prima ou produtos finais das indústrias.
A tabela15 retirada dos relatórios da CETESB refletem a variedade de agentes químicos existentes na Baixada Santista, muitos deles constantes da classificação da IARC (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer), como carcinogênicos: cádmio, cobre, estireno, etilbenzeno, mercúrio, níquel, perclorotileno, servin ,tolueno, vanádio, xileno, benzeno, coque, carvão...
TABELA 15 - Hierarquia, por ordem de riscos à saúde pública, dos principais
poluentes químicos do município de Cubatão, considerados os efeitos
toxicológicos decorrentes da presença de poluentes no ar meio aquático e no solo, em relação ao núcleo populacional do centro de
Cubatão. Poluente Classificação Dióxido de enxofre 1º Trióxido de enxofre 2º Fluoretos 3º Gás sulfídrico 4º Amônia 5º Formaldeído 6º Ácido sulfùrico 7º Cloro 8º Monóxido de carbono 9º C7 - ciclo 10º Benzeno 11º Carvão 13º Coque 20º Grafita 14º Óxido de cálcio 20º Buteno 20º Fonte: CETESB,1980 apud FARIA,1997.
O trabalho Mortalidade por Câncer na Baixada Santista: Complexo Industrial e demais Municípios,(MEDRADO FARIA,1997) , finaliza propondo a utilização de marcadores de risco em trabalhadores expostos para possibilitar a caracterização dos processos de danos e recuperação do DNA e das diferentes enzimas presentes na metabolização de muitos compostos. Também propõe indicadores de efeito para colaborar de modo considerável na prevenção do câncer ocupacional. Concomitantemente a Ecologia Humana precisa, segundo MEDRADO FARIA,1998, repensar e atuar sobre os danos dos impactos ambientais permanentes que levam a danos pouco aparentes, porém graves, de saúde das coletividades. Torna-se necessário estabelecer alguns indicadores sanitários com o auxílio dos métodos epidemiológicos de modo que se caracterizem padrões de morbi-mortalidade relacionados à Oncologia.
São quatro as principais correntes econômicas que abordam a questão ambiental:
a) Sob o ponto de vista da economia neoclássica, o meio ambiente é considerado tanto como um fator de produção, como uma condicionante da produção econômica. Como fator de produção, concorre , ao lado do capital e mão de obra, para o estabelecimento de vantagens comparativas, as quais guardam estreita relação com a “capacidade de absorção”, ou seja, a capacidade do meio físico e a tolerância da base social diante dos danos ambientais advindos da atividade econômica ( Dean, 1991 apud. Parizotto, 1995 ). Enquanto condicionante da produção econômica, o meio ambiente define possibilidades e limitações. Nesse caso, o crescimento econômico depende em grande medida dos efeitos da redução dos estoques de recursos sobre a produção e da capacidade dos produtos individuais de internalizar esses efeitos ( Lopez, 1992 apud. Parizotto, 1995 ).
b) O eco-desenvolvimento propõe alternativas de desenvolvimento econômico em nível internacional, operacionalizando-as através de quatro variáveis: a alteração do modo de consumo e do estilo de vida, os padrões tecnológicos, a redistribuição espacial e a qualidade do meio físico. Na sua forma mais simples, estabelece como base para o desenvolvimento o tripé: justiça social, eficiência econômica e prudência ecológica, ao mesmo tempo em que estabelece a melhoria do bem estar das populações mais pobres como indicador da qualidade social e a solidariedade com as futuras gerações como medida de qualidade ecológica ( Maimom, 1992 apud. Parizotto, 1995 ).
c) O desenvolvimento sustentável é definido como sendo “aquele que responde às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de responder às suas necessidades”. Nesse caso o ambiente é tratado sob a ótica de degradação: o desmatamento, o efeito estufa, a chuva ácida, a destruição da camada de ozônio, etc. ( WCED, 1987 ). Conway apud. Maimom, entende sustentabilidade centrado na capacidade dos sistemas produtivos manterem sua produtividade apesar das possíveis perturbações, estresses ou choques a que estejam expostos. E Pearce (1988 apud. Parizotto, 1995) ampara-se sobre esse mesmo conceito para afirmar que ecossistema ou recurso está portanto dependente do equilíbrio entre os ritmos da extração e renovabilidade.
d) Constanza & Daly (1991) definem a economia ecológica ( Ecological Economics) como “um novo campo transdisciplinar que estabelece relações entre os ecossistemas e o sistema econômico” e, nesse sentido, trata a questão ambiental de forma interdisciplinar, holística e participativa, ficando assim, aberta às inovações metodológicas ( Parizotto, 1995 ).
Para a maioria dos autores que se dedicam a estudar a questão ambiental sob o enfoque econômico, a quase totalidade dos problemas ambientais decorre de um misto de fatores econômicos e políticos, ou seja, de falhas dos mecanismos
reguladores do mercado são uma realidade do sistema de livre mercado mormente quando se trata de recursos e serviços ambientais (Ely, 1986; Parizoto, 1995).
As distorções políticas, englobam políticas gerais, comércio internacional, definição de direito de propriedade, instrumentos coercitivos, crescimento da população, falta de informação e de investimentos públicos, etc.
O meio ambiente quando entendido como um recurso ou serviço tem as características de um bem público. Para Ely, apud Parizoto, 1995, os bens públicos, ou bem coletivos, ou ainda bens comunitários, são aqueles bens ou serviços que, uma vez disponíveis para uma pessoa, estão igualmente disponíveis para todas as outras e por isso não podem ser vendidos ou comprados no mercado. A poluição tem conceito similar, só que como “mal público” ou uma externalidade imposta a terceiros impondo-lhes efeitos prejudiciais pelos quais não se pode cobrar quem os causa (Munasinghe, 1993).
Avaliação econômica do meio ambiente: devido ao grande número de fatores que concorrem para a degradação ambiental, esse tipo de avaliação pode ser feita segundo Bojô et alii apud Parizoto, 1995, em três níveis distintos:
- de política geral: quando ligado a demandas ambientais não particularmente óbvias, mas ao mesmo tempo grandes ao longo do tempo.
- de política ambiental: quando decisões consensuais são tomadas no limite da degradação ambiental através de regulamentação, taxação, subsídios, etc.
- de projeto: quando ajustamento são feitos para otimizar demandas ambientais. A política nacional de meio ambiente e a Constituição Federal: a política nacional de meio ambiente foi estabelecida pela lei 6938 de 31/08/81, alterada pelas leis 7804 de 18/07/89 e 8028 de 12/04/90 e regulamentada pelos decretos nº 88.351 de 01/06/83 e 99274 de 06/06/90 e pela lei 9605/98- a nova lei de crimes ambientais - e seu objetivo é “a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar no país condições ao desenvolvimento sócio-econômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade humana”. Os principais pontos abordados pelo dispositivo legal são: a criminalização da conduta do poluidor que expuser a perigo a incolumidade humana, vegetal ou animal ou estiver tornando mais grave situação de perigo existente (art. 15); a conceituação de meio ambiente, degradação da qualidade ambiental, poluição, poluidor e recursos ambientais (art. 2º); fixação das sanções aos transgressores da lei (art. 14, inc. de I a IV); a obrigatoriedade do poluidor indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros pela sua atividade, independente da existência de culpa (art. 14 parag. 1º); a criação do sistema nacional de meio ambiente - SISNAMA (art.6º); a designação das competências do Conselho Nacional de Meio Ambiente - CONAMA (art.2º).
(SILVA, 1994; PARIZOTO,
1995)
A Constituição Federal trata da questão ambiental de forma globalizada, e dá princípios a serem seguidos pelo estado, pelo poder público e pela coletividade para implementar a proteção ambiental. Este novo enfoque subordina todas as atividades econômicas à legislação ambiental, e coloca à disposição da sociedade
um grande número de dispositivos legais para defesa do meio ambiente. Exemplos: O princípio poluidor pagador e o crime ecológico.
3 - Objetivos:
Gerais:
a) Comparar métodos operacionais de empresas do Polo de Cubatão aos parâmetros da Norma ISO 14000.
b) Propor modelo de gerenciamento ambiental, tendo como base matriz da função Meio Ambiente versus Atividades Desenvolvidas pelos demais setores de Produção, o que delineia um produto virtual sustentável* oriundo das empresas cubatenses.