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Por volta de 1350, o português já havia se distanciado do galego por uma fronteira política e tornou-se a língua de Portugal. Nesse período, Lisboa é a cidade onde reside o rei e onde estão as instituições culturais como os Mosteiros de Alcobaça, o de Santa Cruz e a Universidade. Ela é a cidade que concentra o maior número de pessoas e o primeiro porto do país. É nessa região que o português moderno vai se constituir.

Alguns estudiosos distinguem dois períodos para a evolução do português, o arcaico, que vai até Camões e o moderno, que começa com ele, segundo Teyssier (2007). Com os descobrimentos e a expansão ultramarina a língua portuguesa se expandiu para outros territórios, nos continentes africano, americano e asiático.

A evolução do português reflete os períodos da história cultural e literária da língua como o desenvolvimento da prosa literária nos séculos XIV e XV, o

Renascimento, o italianismo, o humanismo, a censura inquisitorial, a Contrarreforma e o controle da educação pelos jesuítas, a reação neoclássica e a Arcádia, o liberalismo e o romantismo, o realismo e o naturalismo. A língua sofre algumas influências estrangeiras neste período por dois fatos:

a) O bilinguismo luso-espanhol – do século XV ao XVII, o espanhol foi em Portugal uma segunda língua de cultura.

b) A influência francesa – no século XVIII, o espanhol deixa de ser a língua de cultura e essa função passa a ser exercida pelo francês..

O processo de gramatização da Língua Portuguesa principia na primeira metade do século XVI, com o surgimento de dicionários e gramáticas da Língua Portuguesa, conforme Auroux (2001). Dentre as produções que surgem nesse período, destacamos as obras de Fernão de Oliveira (1536), Grammatica da Lingoagem Portuguesa, a qual mostrava uma preocupação com a fonética e um grande senso crítico. A de João de Barros (1540), Grammatica da Língua Portuguesa, por sua vez procurava moldar o português com base nas regras do latim. Tanto Fernão de Oliveira quanto João de Barros procuravam sistematizar a língua portuguesa, tendo como base as gramáticas latinas e buscavam no latim uma fonte para explicar o funcionamento da Língua Portuguesa. O destaque dessas obras se dá pelo fato de que elas foram aplicadas “didaticamente” em Portugal segundo Casagrande (2005, p.18).

Após Fernão de Oliveira e João de Barros, até o século XIX surgiu um grande número de gramáticas normativas e de tratados de ortografia, como os de Duarte Nunes de Leão (Ortografia, 1576; Origem da Língua Portuguesa, 1606), de Bento Pereira (Ars Grammaticae Pro Lingua Lusitana, 1672), de Jeronimo Contador de Argote (Regras da Língua Portuguesa, 1721), de João Morais Madureira Feijó (Orthographia, 1734), de D. Luís Caetano de Lima (Orthographia, 1736), de Luís de Monte Carmelo (Compendio de Ortographia, 1767).

Para Teyssier (2007, p.45), ainda “... que bastante decepcionantes, de modo geral, para o leitor de hoje, essas obras fornecem-nos de vez em quando informações preciosas sobre a história da língua”

O primeiro lexicógrafo, Jerónimo Cardoso, escreveu diversos dicionários de português-latim e latim-português (1551, 1562, 1562-1563, 1569-1570),

seguem-se a ele, o dicionário português-latim de Agostinho Barbosa (1611), os dicionários de Bento Pereira (latim-português em 1634, português-latim em 1647), o Vocabulário Portuguez e Latino de Rafael Bluteau (oito volumes de 1712 a 1721, e dois volumes de suplemento, de 1727-1728) e o Dicionário da Língua Portuguesa de António de Morais Silva (1789 – reeditado e ampliado entre 1949-1959).

Quanto à filologia científica, ela foi representada em Portugal, na segunda metade do século XIX por Francisco Adolfo Coelho (1847-1909), Aniceto dos Reis Gonçalves Viana (1840-1914), Carolina Michaëlis de Vasconcelos (1851-1929) e José Leite de Vasconcelos.

A evolução do português, tal como descrevemos, seguiu um ritmo próprio independente das divisões cronológicas da história política ou da história literária, declara Teyssier (2007:81)

A morfologia, a sintaxe e o vocabulário da Língua Portuguesa foram influenciadas:

1. pela formação do português clássico (até o fim do século XVI); 2. pela volta do latim;

3. influências dos Descobrimentos na língua; 4. pelas influências do bilinguismo luso-espanhol;

5. O tratamento (maneira como falante se dirige ao interlocutor); 6. pelo português contemporâneo.

Entre os séculos XVI e XIX, o latim era a língua oficial utilizada pela igreja e pelos intelectuais. Nesse período, somente os nobres e o clero tinham acesso à língua portuguesa, mas, em contrapartida, há registros de um número vasto de gramáticas normativas e de tratados de ortografia como o de Duarte Nunes de Leão (Ortographia, 1576).

Percebe-se uma preocupação clara em exaltar e cultivar o idioma depois de meados do século XVI, pois a Língua Portuguesa havia já aportado em outras regiões que não Portugal. O uso da língua pelos mercadores demonstrava a necessidade de uma sistematização do idioma.

Durante o reinado de D. Dinis, o português tornou-se a língua oficial de Portugal, porém a língua não era ensinada a todos, poucos tinham acesso à Língua Portuguesa e os que a escreviam aproximavam a língua escrita da língua falada. No Brasil, a oficialização da Língua Portuguesa só ocorreu no

século XVIII com o decreto5 do Marquês de Pombal, que proibiu o uso da língua geral.

O ensino do português tanto em Portugal quanto no Brasil foi desempenhado pela Companhia de Jesus. Em terras brasileiras, a Companhia de Jesus exerceu um papel importantíssimo no trabalho de evangelização dos nativos. Segundo Bastos e Casagrande (2002,p.54), a Companhia de Jesus “veio às terras inóspitas realizar o trabalho de evangelização dos gentios”.

Quanto ao ensino da Língua Portuguesa entre os séculos XVI e XVIII, Bastos e Casagrande (2002, p.56) apontam que

Se por um lado, o ensino da língua portuguesa não teve inicialmente, bases sistematizadas de estudo, por outro lado, o fato de haver aulas de latim nos colégios fundados pelos jesuítas preparava os alunos para a aprendizagem da língua portuguesa de maneira muito mais eficiente, já que esta língua, por ter suas origens naquela, seria facilmente assimilada. Durante a época da ‘língua geral’ o português adquiriu um caráter oficial, sendo aprendido apenas por aqueles que frequentavam os colégios jesuítas, sendo empregado nas cerimônias oficiais e nos documentos escritos. (BASTOS & CASAGRANDE, 2002:56)

Em 1500, no início da colonização portuguesa no Brasil, as línguas utilizadas no país eram o tupinambá, língua do litoral brasileiro da família tupi- guarani, conhecida como língua geral e o português. A difusão da língua geral ocorreu pelos esforços dos jesuítas que a estudaram e difundiram-na. Em 1757, a utilização do tupi foi proibida por uma Provisão Real.

Com a expulsão dos jesuítas em 1759 e a oficialização da Língua Portuguesa em 1758, o Marquês de Pombal instalou uma política de proibição do uso da língua geral em todo o território brasileiro.

A Reforma Pombalina tinha por objetivos instituir o ensino público e obrigatório da língua portuguesa, o que possibilitou a destruição das línguas e culturas indígenas. Ao buscar os aspectos positivos da Reforma de Marquês de Pombal, Salomão (2012) afirma que

teria sido a Reforma Pombalina, no seu aspecto positivo, a responsável, no final do século XVIII, pela formação de um público alfabetizado, leitor de traduções dos filósofos enciclopedistas (que entravam às ocultas no país)

5 Diretório criado pelo Marques de Pombal, em 3 de maio de 1757, tinha por objetivo proibir o

(SALOMÃO,2012, p.91)

Os portugueses chegaram ao Brasil, em 22 se abril de 1500 com Pedro Álvares Cabral, e tomaram posse em nome do rei D. Manuel de Portugal, porém a colonização portuguesa só começou em 1532. Os portugueses se instalaram no Brasil, que era povoado por índios e, mais tarde, chegaram os escravos africanos.

Teyssier (2007) coloca que

O português europeu, o índio e o negro constituem, durante o período colonial, as três bases da população brasileira. Mas, no que se refere à cultura, a contribuição do português foi de longe a mais importante. (TEYSSIER,2007:94)

Durante o período colonial o Brasil permaneceu rural. Salvador e Rio de Janeiro despontaram como capitais sucessivas e havia vilas de importância média. Elas possuíam funções políticas, administrativas e religiosas, com papel intelectual e cultural muito limitado, não havendo, ao menos, uma universidade e uma tipografia.

Nesse período, os “colonos” de origem portuguesa falavam o português europeu. Os indígenas, africanos e mestiços aprendiam o português, mas utilizavam-no “de uma forma imperfeita” (Teyssier, 2007, p.94). Ao lado do português, caminhava a língua geral, o tupi simplificado, gramatizado pelos jesuítas.

Até metade do século XVIII, a língua mais utilizada era a geral, mas nesse período ela entra em declínio. As razões para o declínio foram, a chegada de muitos portugueses e o Diretório criado pelo Marques de Pombal, em 3 de maio de 1757, no Pará e no Maranhão e, em 17 de agosto de 1758, em todo o Brasil. Assim, tornava-se oficial o uso da língua portuguesa e proibido o uso da língua geral.

É, ainda, nesse período, que se documentaram os primeiros textos que caracterizavam o português brasileiro. Textos como o de D. Jerónimo Contador de Argote que falava dos dialetos ultramarinos, o de Frei Luís do Monte (Compendio de Orthographia-1767), Jerónimo Soares Barbosa (Grammatica Philosophica, 1822).

Com a chegada de D.João VI (1808), há um relativo progresso material e cultural da colônia. Com a independência, em 1822, o país deixou-se influenciar pela cultura francesa e pela cultura dos inúmeros imigrantes que

recebeu.

As principais características do português brasileiro, segundo Teyssier (2007), são:

1) a diversidade geográfica e a diversidade cultural; 2) a fonética e a fonologia (pronúncia e ortografia); 3) a morfologia e a sintaxe (colocação pronominal);

4) o pronomes de tratamento no Brasil (o uso de tu e de você); 5) o vocabulário (a grafia de certas palavras).

(TEYSSIER, 2007,pp.97-108) Foi com o Romantismo, século XIX, que a questão da língua se apresentou aos escritores. Eles pretendiam escrever com certa originalidade e, no século XX, com o Modernismo essa questão ressurgiu com vigor.

Teyssier (2007) coloca que

O Modernismo representa para o Brasil uma mutação cultural e artística fundamental. O movimento teve origem na Semana de Arte Moderna de São Paulo, que se realizou em fevereiro de 1922. O Modernismo alia a recusa da tradição e dos

preconceitos, recusa proclamada no estilo das vanguardas europeias, a um esforço tenaz para definir uma originalidade propriamente brasileira. (TEYSSIER, 2007,p.112)

Os modernistas romperam com a gramática tradicional e com o purismo lusitano. Eles queriam uma língua que se aproximasse da fala brasileira. Os filólogos e os linguistas passaram a debater a questão da língua depois dos escritores. Como precursores desse movimento, apareceram Júlio Ribeiro (1845-1890), José Ribeiro (1860-1934), Manuel Said Ali (1861-1953), Mário Barreto (1871-1931), Sousa da Silveira (1883-1967) Antenor Nascentes (1886- 1972), Augusto Magne (1887-1966), Joaquim Mattoso Câmara Junior (1904- 1970), Theodoro Henrique Maurier Junior, Serafim da Silva Neto (1917-1960), Sílvio Elia, Gladstone Chaves de Melo, Celso Cunha, Wilton Cardoso, Nelson Rossi e outros.

Quanto aos filólogos, Teysser (2007) completa

De maneira geral, porém, os filólogos da escola brasileira adotaram a “questão da língua” posições moderadas. Reconhecem, a um tempo, a originalidade linguística do Brasil e a superior unidade da língua portuguesa. Uma especificidade brasileira no interior do português, eis, em suma, o que reivindicam. (TEYSSIER, 2007, p. 116)

presença na Ásia está comprometida. Isso ocorre porque a situação do português, na África, nos países lusófonos, é muito diferente da brasileira, segundo Teyssier (2007).

Em 25 de abril de 1974, houve a Revolução que levou a descolonização de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, e Moçambique. O continente africano foi colônia de potências europeias até a segunda metade do século XX. Com a Segunda Guerra Mundial, a Europa ficou bastante debilitada no âmbito político e econômico e esse enfraquecimento das nações colonizadoras fez ressurgir os movimentos de luta pela independência em todas as colônias africanas. No decorrer da década de 1960, os protestos se multiplicaram e muitos países europeus concederam pacificamente independência às colônias. Porém, a independência de alguns territórios se deu depois de prolongados confrontos entre nativos e colonizadores.

Angola teve um processo de independência marcado por inúmeros atritos de ordem interna e internacional, os movimentos de luta que se destacaram nesse processo foram o M.P.L.A. (Movimento Popular de Libertação de Angola), o U.N.I.T.A. (União Nacional pela Independência de Angola) e o F.N.L.A. (Frente Nacional de Libertação de Angola). A independência foi proclamada em 11 de novembro de 1975, mas a guerra civil prosseguiu até 1995.

O acordo de Argel, realizado em 25 e 29 de agosto de 1974, agendou a independência de Guiné-Bissau para 10 de setembro do mesmo ano. Esse acordo estendeu-se a Cabo Verde que proclamou sua independência em 5 de julho de 1975.

Em São Tomé e Príncipe, o governo português reconheceu o “Movimento de Libertação” como o único interlocutor para o período de transição até a eleição de uma Assembleia Constituinte e a proclamação da Republica de São Tomé e Príncipe, em 12 de julho de 1975. Após inúmeras e violentas manifestações de colonos, Moçambique viu consagrada a sua independência em 25 de junho de 1975.

A independência tardia de Timor-Leste ocorre em 30 de agosto de 1999, quando a maioria do povo timorense optou pela independência em um referendo organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

citados, e é utilizada na administração, no ensino, na imprensa e nas relações com o mundo exterior. Em Cabo Verde, a língua utilizada no cotidiano é o cabo-verdiano, um crioulo, ele é a língua materna. Assim como em Cabo Verde, os outros países africanos lusófonos também utilizam suas línguas maternas de origem banto, quimbundo e muitas outras. Os crioulos africanos de origem portuguesa estão ligados à escravatura dos negros, eles são o resultado da simplificação e da reestruturação de uma língua europeia, feitas por populações alófonas que a adotaram por necessidade. Essas se formaram pelo contato com os portugueses e africanos no século XV e são bem diferentes entre si. Atualmente, esses crioulos podem ser considerados português só pela base lexical, porque a organização gramatical deles difere bastante do português.

O português da África é falado e escrito pelos habitantes dos novos Estados africanos independentes. Desponta como a língua oficial, em oposição às línguas nacionais, que é a língua utilizada no cotidiano. As autoridades incentivam a sua utilização e declararam que pretendem conservá-lo, mas que o objetivo maior é o de promover as línguas nacionais. O “português da África” segue a norma europeia, mas no uso cotidiano e oral, aproxima-se bastante do “brasileiro”.

Uma literatura portuguesa desenvolveu-se nesses países e alguns escritores esforçam-se para elaborar um instrumento linguístico original e que levasse em consideração a linguagem falada. Muitos estudos sobre esses autores e essa linguagem já foram feitos.

Benzer Belgeler