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Hoje trafega pelo rio Amazonas mais de 25 roteiros de navios de cruzeiros no período compreendido entre outubro e maio (tabela 4), período do circuito de transatlânticos, justificado pelo período de inverno nos países do hemisfério norte.

Quanto aos turistas em Cruzeiros Marítimos no Amazonas, a Amazonatur, em levantamento realizado em 2012, calcula que houve um crescimento médio anual de 6,71% no período de 2003 a 2011, dos 154.750 turistas no período. Foram 23 navios de cruzeiros em 2011, com 23.946 passageiros, com uma média de 1.041 passageiros por navio.

Tabela 4 - Navios de Cruzeiros e Passageiros no Amazonas – 2003-2011

Ano 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Total Passageiros 18.969 12.830 18.363 16.098 16.286 17.655 15.955 14.648 23.946 154.750

Navios 24 19 34 15 23 24 16 19 23 197

Média 790 675 540 1.073 708 736 997 771 1.041 786

Fonte: Síntese dos Indicadores de turismo do Amazonas 2003-2011 (Amazonastur, 2012)

3.6.1 Como se dá a preparação para a chegada dos navios de cruzeiros

A excursão em cruzeiros é preparada por agências internacionais sediadas nos EUA e na Europa. São elas que vendem os pacotes de viagem que podem incluir os roteiros de terra ou não. Os roteiros de terra são preparados pelos agentes de viagem locais ou em consórcio com as agencias internacionais que vendem os roteiros aos passageiros ou os incluem no preço total da viagem.

Necessariamente não são todos que adquirem o roteiro em terra ou que se aventuram em atividades pré-definidas pelas agencias. Os passageiros são avisados dos pontos de parada com antecedência e dos serviços disponíveis em terra. No caso especifico de Parintins e Boca da Valéria, são distintos em sua forma e conteúdo.

Primeiro, o caso de Parintins, por ser uma sede municipal, urbana, compreendendo uma serie de serviços e empresas, o intercâmbio com as agências internacionais é mediado por uma agência ou agente local da empresa que tem o objetivo de organizar a chegada do navio e preparar as atividades de terra que podem incluir citytour, passeios de barco, shows. Tudo pré-definido e cronometrado. Neste contexto é aproveitada a infraestrutura local, como Porto, os serviços públicos, incluído o de segurança.

Conforme a entrevista com os agentes de turismo locais, o receptivo é todo organizados por eles: “A gente participa de congressos em varias as partes do mundo, uma reunião do trade do Caribe, eles nos convidaram para participar. A gente participa da feira em Hamburgo, Miami e agora nós vamos para Curaçao o último foi no Caribe, e lá nos fechamos negócios com as grandes empresas por 2 anos. Nada é fechado por aqui, só nesses encontros”. AG, proprietária de agência de viagem em Parintins.

Os artesãos locais também são contatados e repassadas as datas do desembarque. São profissionais organizados em associação e estão constantemente produzindo seus trabalhos para atender as festas e eventos durante o ano todo: carnaval, pastorinhas, festival folclórico, turistas de transatlânticos. Alguns têm loja própria e produzem seus trabalhos em ateliês localizados na própria loja ou em sua residência. Aqueles que não têm loja produzem em sua residência e os comercializam em barracas nos dias festivos ou com a presença de turistas. Geralmente essa atividade é familiar envolvendo um ou mais membros da família. Em momentos de grande demanda é possível contratar terceiros.

A Associação dos Artesãos possui uma estrutura com barracas desmontáveis que possibilita instalarem-se próximo ao porto durante as paradas dos navios.

3.6.2 Cruzeiros na Boca da Valéria

No caso da Boca da Valéria o contato é feito com os representantes da Comunidade local que se dizem representantes da Associação dos Moradores, artesãos, barqueiros e demais agentes ligados ao turismo. Cabe a eles, conclamar a comunidade a preparar o ambiente para o turismo. Como se pode ver não há participação do Estado. O preparo para a chegada dos navios, consiste em fazer a limpeza da área, construir o “porto”, que é local feito de madeira onde as lanchas aportam, preparar as barracas onde serão vendidos os artesanatos, e preparação de suas casas que podem ser visitados pelos mesmos. O passeio de canoa tem ganhado importância na oferta de serviço e já é considerado um ponto forte do receptivo.

Sobre a produção do artesanato, este é um ponto a ser descrito. Todos os artesãos entrevistados foram unanimes em afirmar que não são artesãos exclusivamente. São primeiramente pescadores ou agricultores, ou ambos. Durante os demais períodos exercem as diversas atividades conforme a sazonalidade ou a disposição da própria natureza. O período da enchente dos rios da bacia amazônica, na região, reduz a oferta de peixe, o que desloca aqueles que se dedicam a pescaria para as atividades em terra firme, como caça, coleta e manejo do gado. O manejo do gado é alternado, sendo que durante a cheia o gado é deslocado para a terra firma e quando as águas baixam e a terra de várzea reaparece o gado retorna. Nesse caso, a mão de obra é assalariada, seja temporária nas fases de deslocamento, seja permanente, no manejo diário do gado.

A agricultura local se baseia tradicionalmente no cultivo da mandioca e na produção de farinha. Outros cultivos são a banana, abacaxi, milho e melancia que obedecem ao calendário sazonal do regime dos rios.

Desse modo, o artesão-agricultor-pescador tem se adaptado as diversas atividades conforme a demanda. Para o artesão, o mês de setembro marca o período de busca, coleta e compra do material para a confecção do artesanato. Havendo disponibilidade esse período pode ser dilatado para o mês de agosto, quando, por exemplo, houve sobra da matéria prima no ano anterior. Todavia, no mês de setembro os artesãos antecipam a produção do que será vendido durante as paradas dos navios em sua região. A partir daí o trabalho é continuo, baseada na demanda do turismo. As primeiras vendas estimulam as seguintes.