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C- CEMAAT OKULLARINA ĐLĐŞKĐN SAYISAL VERĐLER

3. MUSEVĐ OKULLARI

Talvez seja este, ao lado da honra, o bem mais lesado com o surgimento da informática.

Com a internet as pessoas que antes não tinham coragem de subtrair o patrimônio alheio, com a oportunidade de, sem sair da frente de um computador ou de correr o risco de ser surpreendida no instante da obtenção da vantagem, passaram a praticar este delito,

164COSTA JR., Paulo José da. O direito de estar só. 4. ed. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2007. p.

quer motivadas pelo interesse econômico, quer motivadas pela vaidade atrelada à superação de barreiras de segurança informática ou ainda pela improvável possibilidade de serem presas em flagrante ou até condenadas.

Debora Nigri165 sustenta que nosso Código Penal de 1940 não está adequado aos delitos informáticos. Afirma que antes de se impingir os delitos de estelionato, apropriação indébita, furto ou invasão ao domicílio àquele que acessa o extrato bancário de terceiros ou subtrai seus bens deve-se estabelecer qual o bem tutelado quanto à informação do sistema informático, considerado um bem intangível e merecedor de tratamento autônomo por ser tão valioso quanto um bem corpóreo.

Em sentido contrário, Gagliardi166 defende que o computador, nos crimes de fraude por manipulação, apenas executa o ato comandado pelo homem, sendo portanto apenas um longa manus do criminoso.

Diz ainda que o computador seria uma espécie de preposto ou empregado da vítima, sendo enganado pelo criminoso que se fazia passar pela vítima ao utilizar seu password. Assim, se subtraído qualquer valor sem a participação da vítima, por ato unilateral do infrator, teríamos o furto qualificado pela fraude, pela ausência de participação da vítima.

Com o crescimento do comércio eletrônico, milhares de pessoas vêm a cada dia realizando mais operações comerciais. Este novo mercado vem abrindo um campo para os criminosos, através da internet, obter alguma vantagem ilícita.

8.2.1. Do furto

Da mesma forma, o crime de furto encontrou campo fecundo na internet. É crime de furto a conduta do agente consistente em subtrair numerário da conta bancária alheia.

No crime informático impróprio, a subtração ocorre no instante que o numerário “eletronicamente” sai da conta bancária da vítima, materializando o provento econômico do agente.

165NIGRI, Debora Fisch. Crime e informática: um novo fenômeno jurídico. Revista Trimestral de

Jurisprudência dos Estados, 100/40-48, ano 16, maio 1992, p. 47 in SILVA, Rita de Cássia Lopes da. op. cit., p. 96.

166GAGLIARDI, Pedro Luiz Ricardo. Crimes cometidos com o uso de computador. São Paulo, 1999.

Góis Júnior, contrariando nosso posicionamento, sustenta que a subtração de bens existentes da internet como programas de computador, por serem imateriais, conforme entendimento da maioria dos países, não configurariam nosso crime de furto que exige em sua conduta típica a subtração de bem material alheio.167

8.2.2. Do furto de bagatela

Furto de bagatela é definido como aquele em que, pelo ínfimo valor patrimonial do bem subtraído para aquela determinada vítima, não há ofensa ao bem tutelado, razão pela qual o direito penal não deve ser aplicado.

Para Nucci, “O direito penal não se ocupa de insignificâncias (aquilo que a própria sociedade concebe ser de somenos importância), deixando de considerar fato típico a subtração de pequeninas coisas de valor nitidamente irrelevante”.168

Neste sentido, na internet surgiu uma espécie de delitiva denominada “furto salame”.169 Consiste na subtração, mediante transferência bancária levada a cabo pela internet, de centavos de reais; todavia, como subtraídos de milhares de correntistas, alcançaria valores bem elevados. Porque irrisória a quantia, muitas vítimas não se apercebem do furto e não reclamam o estorno da operação ilícita, permitindo a alta lucratividade destes agentes.

Este tema certamente mereceria atenção especial de nosso legislador, evitando-se com isto que nossos julgadores sejam obrigados a interpretar e aplicar ou não a norma existente frente ao direito penal mínimo.

167GOIS JR, José Caldas. op. cit., p. 120. 168NUCCI, Guilherme de Souza. op. cit., p. 719.

169A expressão utilizada por Alexandre Jean Daoun in BUSCALEGIS. Disponível em:

<http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/index.php/buscalegis/article/viewFile/10722/10287>. Acesso em: 14 jan. 2010.

8.2.3. Do furto de uso

Questões interessantes ainda não julgadas pelas Cortes superiores passam a existir com o mundo virtual. A respeito, temos o furto de uso, praticado em um computador. Provavelmente, por interpretação analógica, se apliquem os mesmos critérios do furto de uso comum ou seja, conduta atípica.

Outra solução para sua incriminação seria pelo furto de energia, o que, como posicionado pela mesma autora170, se demonstra excessivo, já que a energia subtraída foi irrisória.

Para o furto de uso do computador, muitas vezes repetido, melhor solução seria um tratamento especial, em legislação específica.171

8.2.4. Do estelionato

O estelionatário encontrou na internet um campo fértil para a prática delitiva. Através dela ele pode obter vantagens ilícitas sem o risco de mostrar seu rosto, sua identidade ou de ser preso em flagrante, aplicando apenas suas habilidades, agora também informáticas.

No estelionato a vítima sofre um prejuízo patrimonial ao ser ludibriada pelo infrator. Na internet, mundo ainda desconhecido para a maioria dos usuários, o infrator encontrou mais instrumentos capazes de enganar a vítima, obtendo com isto sua vantagem indevida mais facilmente.

O estelionatário sabe que o internauta é identificável através do rastreamento da rede, todavia há mecanismos de ocultar tal identificação. Como exemplo, temos a denominada conexão anônima; nela, o provedor, com o falso slogan de democratizar a internet, promete não identificar o internauta. No Brasil, o IG (www.ig.com.br) surgiu com tal propaganda e nos primeiros quinze dias de sua criação captou mais de 14 mil usuários.

170FERREIRA, Ivette Senise. op. cit., p. 216. 171Id., loc. cit.

Visando ainda a obtenção de vantagem patrimonial, através da internet surgiu o phishing scam; nele o internauta envia e-mails contendo mensagens falsas com o escopo de capturar dados pessoais e financeiros dos destinatários.

A vítima, no instante em que clica a mensagem fraudulenta, inicia a instalação de um programa malicioso, seguida de uma mensagem de erro. Em seguida são abertas páginas falsas de formulários para a coleta de informações da vítima. No próximo passo, quando o usuário acessar os sites bancários, estes serão substituídos para sites redirecionados, onde o infrator conhecedor dos dados e senhas pessoais do usuário poderá de qualquer lugar ligado à internet, acessar sua conta bancária e efetuar operações financeiras como se fosse o usuário. Se, exemplificando, utilizasse um usuário falso ou de outrem ou acessasse a rede através dos denominados sítios de acesso anônimo, as chances de ser identificado seriam mínimas.

Da mesma forma, criminosos, com o fim de obter os dados da conta corrente e das senhas dos usuários, criam uma homepage falsa como se fosse a homepage de uma instituição financeira – quando o acionista acessa a homepage do banco na verdade estará acessando uma homepage falsa, idêntica a de sua instituição financeira. Nela ele digita seus dados pessoais e senhas imaginando estar realizando uma operação financeira, mas de fato está entregando aos criminosos todos os seus dados necessários para realizarem operações financeiras em sua conta como se ele fosse. No final, quando clica enter para comandar sua operação dá um erro de conexão.172

Nova modalidade de execução do crime de estelionato foi identificada recentemente pela Polícia Federal em São Paulo. Na operação batizada de “tentáculos”, deflagrada com o auxílio da Caixa Econômica Federal, a Polícia prendeu onze pessoas que, por meio de máquinas de cartão de crédito e débito adulteradas, instaladas em estabelecimentos comerciais, por vezes com a leniência do próprio comerciante, obtinham a senha de cartões de crédito e débito dos clientes. Estes, ao digitarem a senha nas mencionadas máquinas de pagamento, enviavam-na, sem que soubessem, a um lap top conectado à rede de internet por meio da tecnologia wireless, em poder dos criminosos. Em poder das senhas, os estelionatários efetuavam saques em caixas eletrônicos e compras de joias, as quais eram vendidas a receptadores.173

172INELLAS, Gabriel Cesar Zaccaria de. op. cit., p. 18.

Portanto, um tracker pode, em poucas horas, subtrair altos valores da conta de correntistas sem sair de sua casa. Se for atento quanto à transferência destes valores para a conta de um laranja que – passando-se por ele, rapidamente saca o dinheiro e utiliza-se da conta falsa de um internauta – dificilmente será descoberto.

Benzer Belgeler