• Sonuç bulunamadı

ARTICULAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO POPULAR NOS ESPAÇOS DE MOBILIZAÇÃO E CONTROLE SOCIAL DAS POLÍTICAS PÚBLICAS

As transformações ocorridas no interior do trabalho social da Cáritas, impulsionadas e potencializadas a partir dos PACs, colaboraram, decisivamente, na construção da identidade da Cáritas como um importante organismo de assessoria popular. Tornou-se uma organização comprometida com a construção da participação popular e como parte do próprio campo democrático e popular que se formou no interior dos diferentes processos de educação popular vivenciados nas décadas de 70 e 80. Entretanto, o tempo de “provação e confirmação” da sua identidade e da sua filiação a esse horizonte político-pedagógico deu-se, principalmente, no interior da década de 90, a partir da opções e estratégias assumidas perante as transformações ocorridas na sociedade brasileira e que representaram um novo tempo na história da educação popular e do campo democrático e popular.

A década de 90 é considerada pela Cáritas como marco temporal de início de uma nova fase na história do seu trabalho social. É no interior dessa década que ela vai aprofundar os aprendizados e escolhas assumidas na fase anterior, extraindo deles novos significados e formas para o seu trabalho político-pedagógico. É a fase que ela define

como da “Solidariedade Libertadora”, onde a “solidariedade assume a perspectiva da universalização dos direitos” (CÁRITAS BRASILEIRA, 2006b, p.41), sendo que o trabalho social desenvolvido pela Cáritas com outros movimentos e entidades parceiras é uma mediação político-pedagógico para a construção do protagonismo popular nos espaços de defesa e ampliação dos seus direitos, articulados e potencializados em torno de uma proposta de um projeto político popular.

As inquietações e questionamentos colocados em torno do alcance político dos PACs, da sua capacidade de transformar-se em alternativas sustentáveis de desenvolvimento, com potencial de disputar e alterar o modelo de sociedade vigente, apontavam para a necessidade de se aprofundar e clarear as concepções, estratégias e metodologias utilizadas no trabalho político-pedagógico da Cáritas e do conjunto das forças sociais populares para viabilizar esse ambicioso, desafiante, e necessário objetivo de transformação social, a partir da organização e mobilização popular.

As transformações ocorridas na década de 90, conforme já referidas no capítulo anterior podem ser sintetizadas em dois grandes eixos: o processo de democratização da sociedade brasileira, cujo marco e a nova constituição cidadã de 1988 e o avanço do neoliberalismo como um novo processo de re-ordenação do modelo de produção e a reprodução social do capitalismo. Elas trouxeram uma nova configuração, ainda que formal, para o exercício da cidadania e da democracia, desafiando parte das forças organizadas, inclusive as entidades de assessoria popular, a re-construir novas bases político-pedagógicas para articular a participação popular e a proposta de construção de um novo projeto de sociedade.

A descrição realizada por Gohn (2003, p. 30-31) sobre as mudanças ocorridas no cenário das lutas sociais nos permite perceber claramente o cenário complexo e desafiante que essas mudanças trouxeram para a construção da participação popular no interior da arena política da sociedade brasileira:

Os anos 90 redefinem novamente o cenário das lutas sociais no Brasil [...] Uma parcela significativa dos movimentos sociais populares urbanos entra em crise. Crises internas de militância, de participação, de credibilidade nas políticas públicas, de confiabilidade e legitimidade junto à própria população etc. e crises externas – decorrentes da redefinição dos termos do conflito social entre diferentes atores sociais e entre a sociedade civil e a sociedade política, tanto em termos nacionais como em termos dos referenciais internacionais (queda do muro de Berlim, fim da União Soviética, crise das utopias, ideologias etc.[...]

Nos anos 90 a agenda política dos dirigentes se modifica em função de problemas internos e das alterações que a globalização e as novas políticas sociais internacionais passam a impor ao mundo capitalista. Nesta nova agenda só há lugar para a participação e para os processos de descentralização construídos no interior da sociedade política [...] As políticas são formuladas para segmentos sociais dentro de um recorte que privilegia os atores sociais que serão os parceiros e não mais os segmentos

       

segundo o recorte das classes sociais. Dessa forma, os sujeitos das ações transfiguram-se em problemáticas: a fome, o desemprego, a moradia. Antes eram os favelados, os sem-terra, os sem-teto etc.

Também as arenas de negociação passam a ser formatadas pelo poder público, fruto das novas políticas sociais. Criam –se processos e canais de participação e mais uma vez deve-se repetir: estes canais são conquistas do movimento social combativo, progressista e articulador de interesses dos excluídos da sociedade civil; mas junto com os novos canais estruturam-se também movimentos sociais que defendem demandas particularistas e estão voltados para atuarem como co- partícipes das ações estatais.[...].

A Cáritas, que estava numa travessia de transformação e atualização do seu modelo político-pedagógico a partir da interação com os movimentos e organizações sociais identificados com o campo popular e com as práticas de educação popular, vê-se numa encruzilhada: tanto pelas crises e impasses que afetaram o campo popular e a própria educação popular como também pelo processo de recuo político recuo político da Igreja Católica no Brasil, como resultado de uma intervenção sistemática do Vaticano50.

Esse processo foi capitaneado pelo papa João Paulo II, visando conter os “excessos” cometidos pelas Comunidades Eclesiais de Base e fundamentados pela Teologia da Libertação, no processo de organização e mobilização popular e no questionamento das suas estruturas de poder. Nesse sentido, aquela posição política predominante na Igreja nas décadas de 70 e 80 e que impulsionou a Cáritas a construir um novo modelo de intervenção social, como forma de garantir o seu reconhecimento e visibilidade no interior de uma Igreja mobilizada pela ideologia da mudança social, aos poucos tem sido sendo deixada de lado, tornando-se uma força periférica no interior da própria Igreja.

Apesar desse contexto de recuos, complexidades, fragmentações e desafios que permearam as práticas de educação popular e o próprio campo popular e democrático, a Cáritas conseguiu dar continuidade ao processo de avanço da sua prática político-pedagógica, mantendo-se inserida e em interação aprendente com parte dos movimentos e organizações sociais que ainda resistem e inovam suas estratégias de luta política frente a essa onda avassaladora de despolitização e desesperança trazida pela ofensiva ideológica e prática do neoliberalismo.

Considero que dois fatores tenham influenciado nesse processo paradoxal de avanço político-pedagógico da Cáritas em um contexto de descenso e desmobilização

 

50A substituição dos bispos progressistas (em fase de aposentadoria compulsória) por bispos identificados

com uma linha pastoral mais conservadora e o estímulo e apoio aos movimentos espiritualistas, identificado com uma perspectiva de fé individualista, desligado dos problemas sociais, são expressões concretas dessa intervenção sistemática do Vaticano na Igreja brasileira e latino-americana.

das forças sociais populares: o primeiro foi o rico processo de aprendizado e relações políticas possibilitadas pelos PACs, que lhe proporcionaram não só uma renovação interna, mas garantindo, também, uma relativa visibilidade e reconhecimento político por diferentes segmentos da sociedade, inclusive àqueles vinculados às lutas políticas das camadas populares. Permitiu, também, contar com o apoio das agências de cooperação internacional, que mesmo no processo de redução dos recursos financeiros destinados às organizações do Brasil, ainda aportavam significativas quantias financeiras para sustentação das atividades desenvolvidas pela Cáritas e para a manutenção das suas estruturas institucionais.

A proximidade e interação aprendente com parte de forças organizadas que protagonizavam o processo de resistência das camadas populares nesse período, no qual o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tinha um papel destacado e a persistência das condições materiais favoráveis para o desenvolvimento desse trabalho, permitiram o permanente e criativo avanço do trabalho social da Cáritas, que se desenvolvia, de certa forma, na contramão do pensamento que estava se hegemonizando no interior da hierarquia católica. A ampla capilaridade social do seu trabalho e a sua envergadura política, o estreitamento da relação com bispos e padres que ainda permaneciam ligados aos setores progressistas e o apoio da cooperação internacional, lhe asseguravam uma margem de autonomia bastante significativa em relação à Igreja.

Outro fator que é importante destacar é a existência de um certo vazio deixado por parte das organizações sociais que exerciam um importante papel de apoio e assessoria político-pedagógica junto aos movimentos populares. Esse distanciamento e/ou redefinição da relação dessas organizações com o conjunto dos movimentos populares foi influenciado pelos novos patamares que se colocavam para a relação da sociedade civil com o Estado e, também, pela nova pedagogia da hegemonia disseminada pelo neoliberalismo, que passa a apoiar e estimular o trabalho dessas organizações sociais com programas e projetos de natureza extra-econômica ou na terceirização das políticas públicas.

As ONGs que estiveram voltadas para o apoio aos movimentos sociais nos anos 80, pois estes estavam submetidos a vários constrangimentos, impostos pelos regimes militares vigentes na América Latina, se reciclam, descobrem novas funções e crescem, quando os movimentos deixam de estar submetidos ao arbítrio ditatorial, assim como toda a sociedade. As ONGs deixam de ser meros apoios e passam a ter centralidade, pois a nova era irá exigir novas relações sociais entre o Estado e a sociedade civil. Os movimentos sociais, em geral, e os populares, em particular – devido às divergências político- ideológicas – não estavam preparados para a esta nova era. As ONGs assumem a liderança de vários processos sociais, que antes eram de domínio das lideranças dos movimentos sociais [.][...] Passam a operar segundo projetos que usualmente recebem, ou receberam, verba e apoio financeiro de

agências de cooperação internacional ou de outras ONGs. Essas agências, ao operarem por projetos específicos – e não apoio direto à instituição local como um todo – mantiveram as ONGS locais dependentes da conjuntura econômica dos recursos disponíveis, o que acirrou os mecanismos de competição e a necessidade de competitividade dos trabalhos. Isso fez com as ONGs se tornassem bastante pragmáticas, preocupadas com a qualificação de seus produtos, ou seja, a prestação de um serviço para um público-alvo, quer se trate de uma cooperativa, uma produção ou comercialização alternativa, um programa de desenvolvimento comunitário, de educação, saúde, etc.(GOHN, 2003, p.57-58)

A Cáritas, no interior da sua rede e na relação com o conjunto das forças sociais populares organizadas, também vivenciou e reproduziu parte dessas contradições, substituindo, algumas vezes, o protagonismo dos movimentos sociais e grupos organizados. Em alguns momentos, ajustou-se a determinadas temáticas e exigências institucionais para favorecer a mobilização dos recursos financeiros necessários para o desenvolvimento das suas ações comopara a manutenção da sua estrutura. Todavia, a sua condição privilegiada de interlocução com a cooperação internacional, a relação política com um conjunto de forças sociais populares que ainda resistiam à força fatalista do discurso neoliberal, colaboram para que não sucumbisse a esses encantos e armadilhas da pedagogia neoliberal e, também, aos sectarismos e “radicalismos” que caracterizou a ação política de importantes setores da esquerda brasileira.

Também nesse período, assume destaque o debate sobre a vinculação da agenda de lutas dos movimentos e organizações sociais aos espaços de participação institucionalizados no interior do Estado, garantidos pela Constituição de 1988. Algumas organizações e movimentos sociais influenciados por uma falsa dicotomia entre esses novos espaços de participação e os espaços construídos e afirmados pela luta política das forças sociais populares, assumem uma postura de crítica e de desqualificação desses novos espaços, como “lócus” de controle e disciplinamento do Estado sobre a ação política das forças sociais populares. Outros segmentos afirmam que se esses espaços forem

[...] articulados a propostas e projetos sociais progressistas, podem fazer política tornando público os conflitos; enquanto interlocutores públicos, poderão realizar diagnósticos, construir proposições, fazer denúncias de questões que corrompem o sentido e o significado do caráter público da política, fundamentar ou reestruturar argumentos segundo uma perspectiva democrática; em suma, eles podem contribuir para a ressignificação da política de forma inovadora.(GOHN, 2007, p.44)

A diversidade das ações desenvolvidas pela Cáritas, como desdobramento práticos dos PACs, impulsionou a sua participação em diferentes frentes de luta por regulamentação de políticas públicas específicas (moradia, assistência social, criança e adolescente, desenvolvimento rural etc.) e pela criação dos espaços de participação

       

popular para o controle da gestão destas políticas públicas específicas. A Cáritas tem participado e apoiado, também, iniciativas de formação política de lideranças das camadas populares para atuar nesses espaços e na articulação de fóruns paralelos da sociedade civil.

De outra parte, ela envolveu-se, também, com as diferentes iniciativas de mobilização popular ocorridas na década de 90, participando tanto da construção dessas iniciativas, como também apoiando financeiramente e contribuindo nas atividades de formação e mobilização das camadas populares. Destacam-se entre essas iniciativas as Semanas Sociais Brasileiras, o Grito dos Excluídos, a Ação da Cidadania contra a Fome e a Miséria, o Movimento pela Ética na Política, as Marchas pela Reforma Agrária e o Tribunal e Plebiscito Popular da Dívida Externa.

A integração desses dois eixos de atuação político-pedagógica não ocorreu de forma linear, uniforme e linear no interior da Cáritas. As ações desenvolvidas por alguns regionais e dioceses vão enfatizar mais o campo das mobilizações populares, mantendo, inclusive, uma certa continuidade do trabalho já desenvolvido nas décadas anteriores a partir dos PACs. Muitas vezes, mantêm uma postura crítica em relação a esse novo campo de atuação de controle das políticas públicas, considerando-os como mecanismos de controle e cooptação da luta popular. Outros começam a despertar e priorizar o trabalho com o campo do controle das políticas públicas, procurando vinculá-los como parte das estratégias de construção do protagonismo popular, não deixando também de se envolver com o campo das mobilizações populares.

Essa diversidade de visões, opções e experiências práticas em relação aos dois eixos que direcionam o rumo do trabalho social da Cáritas, vão ser confrontadas durante o seu I Congresso e XII Assembléia Nacional, realizados em Fortaleza, em 1999. Pela primeira vez a Cáritas realiza a sua assembléia nacional dentro de um congresso51, possibilitando o aumento da participação dos seus agentes edos sujeitos participantes e parceiros das ações desenvolvidas. Criou-se assim um rico espaço de trocas, intercâmbios e debates sobre as diferentes experiências desenvolvidas pela Cáritas em

 

51 A Assembléia Nacional da Cáritas é realizada a cada dois anos. É a instância máxima de deliberação da entidade. Participam da assembléia nacional como delegados oficiais um membro de cada entidade- membro (Cáritas diocesana), a diretoria nacional e membros efetivos do conselho fiscal.O congresso é realizado a cada quatro ano e caracteriza-se por um ser uma instância que garante uma maior participação dos agentes das diferentes instâncias da Cáritas bem como dos representantes das comunidades e movimentos sociais parceiros da Cáritas. É uma instância de formação, de intercâmbios e de avaliação do trabalho social da Cáritas, cabendo a assembléia nacional, realizada dentro do próprio congresso, o poder de deliberação sobre as propostas e encaminhamentos levantados no congresso.

       

várias regiões do Brasil, subsidiando e influenciando nas decisões e opções político- pedagógicas a serem assumidas pela Cáritas durante o próximo quadriênio (2000-2003).

A seriedade com que foi assumida a preparação permitiu o recebimento de 84 experiências relatadas e analisadas criticamente, o que possibilitou a formulação de propostas de ação, não só a partir da iluminação teórica e evangélica apresentada pelos assessores, mas, também, a partir dos desafios das práticas. As experiências encaminhadas por agentes esparramados em todas as regiões desse imenso país, e fielmente registradas, são sinal de que é viável construir uma sociedade justa e solidária através de novas formas de geração e organização do trabalho, da educação para a vida, da formação para o exercício plena da cidadania e da vivência da solidariedade. ( CÁRITAS BRASILEIRA, 2000, p.04)

Conforme o relato acima, a pluralidade das experiências apresentadas, como um retrato do mosaico que era a Cáritas naquele período, se somou com as análises de conjuntura social e eclesial, realizado por assessores convidados, ecoando nas deliberações sobre a missão e as linhas de ação da Cáritas, definidas durante a assembléia nacional da seguinte forma:

Com base na missão de promover e animar o serviço da solidariedade ecumênica libertadora, participar da defesa da vida, da organização popular e da construção de um projeto de sociedade a partir dos excluídos e excluídas, contribuindo para a conquista da cidadania plena para todas as pessoas, a caminho do reino de Deus, a Cáritas definiu como objetivo contribuir na construção de alternativas para que todas tenham igual direito a uma vida digna, realizando ações com os excluídos ou em parcerias com as pastorais e movimentos sociais. Para cumprir missão e objetivos, a Cáritas definiu linhas prioritárias de atuação, baseadas, essencialmente em sete frentes52, todas elas ancoradas na ação política e na prática da cidadania. Nesse sentido, o trabalho da Cáritas vai desde as campanhas emergenciais, prestando socorro imediato às vítimas de catástrofes e situações de riscos, políticas públicas empenhadas na construção da convivência do Semi -Árido, até pequenas iniciativas de geração de trabalho e renda com a valorização e a promoção da economia popular solidária. (CÁRITAS BRASILEIRA, 2000, p.3, grifo do autor).

A Cáritas entra no novo século com uma identidade político-pedagógica que foi sendo tecida, experimentada, avaliada e atualizada a partir do amplo leque de realidades, temáticas e sujeitos sociopolíticos que vão, historicamente, se incorporando ao seu trabalho social. Uma proposta político-metodológica que sofre as influências dos avanços e recuos da Igreja Católica, das exigências das agências de cooperação internacional, das instituições e movimentos sociais organizados, mas, acima de tudo, uma proposta que se alimenta e se retro-alimenta a partir das práticas de organização, de subversão, de criatividade e teimosia esperançosa dos grupos e comunidades populares.

 

52 As setes frentes ou linhas de atuação foram definidas da seguinte maneira: Linha 1- Construção e Conquista de relações democráticas e Políticas Públicas; Linha 2- Formação de Agentes para a prática da solidariedade; Linha 3- Valorização e promoção da economia popular solidária; Linha 4- Fortalecimento e Expansão Institucional ; Linha 5-Atuação em situações de emergências naturais e sociais; Linha 6- Desenvolvimento da Cultura da Solidariedade e Linha 7-Convivência com o Semi Árido.

       

Uma prática político-pedagógica que, imbuída de uma metodologia participativa desde o trabalho com os grupos e comunidades apoiados, como também, no interior da sua estrutura organizacional53, se propõe a contribuir no fortalecimento do protagonismo das camadas populares, na democratização e alargamento das esferas públicas, orientada pelos desafios e exigências esperançosas de construção de um novo projeto de sociedade. Uma práxis que se expressa como uma síntese criativa e fecunda dos processos de descompassos, tensões e aprendizados que marcou a trajetória do trabalho social da Cáritas na sua relação com a educação popular, enquanto uma pedagogia da participação popular.

2.3 – ALGUMAS INFORMAÇÕES SOBRE A ESTRUTURA DA CÁRITAS NO PERÍODO DE 2000 A 2007

A Cáritas Brasileira constitui-se como uma rede, fundamentada na seguinte concepção:

A organização em rede implica na existência de diversos pontos focais (nós estratégicos), de chegada e de expansão, onde não há diferenças hierárquicas, mas diferentes atribuições entre elas, a partir de um ponto gerador (fluxo unidirecional – que é de um ponto central na rede). Na Cáritas todas as instâncias são pontos de rede, o que implica na interação e complementaridade, solidariedade, co-responsabilidade, interdependência, interação circularidade, complexidade. (CÁRITAS BRASILEIRA, 2006b, p.11)

Essa rede se articula em três níveis de organização:

-1º Nível: Cáritas Diocesanas (ou entidades-membro):

São estruturas organizacionais localizadas no âmbito de uma diocese. Possuem entidade jurídica própria e são afiliadas à Cáritas Brasileira, tendo vez e voto nas assembléias nacionais e regionais. Possuem uma diretoria diocesana e um conselho fiscal, eleitos a cada quatro anos, em uma assembléia diocesana, formada pelas comunidades e grupos (movimentos sociais, pastorais, paróquias, etc.) beneficiados com a sua ação político-pedagógica. Geralmente, o bispo da diocese é eleito presidente e os

Benzer Belgeler