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Önemli Muhasebe Değerlendirme, Tahmin ve Varsayımları Şirket’in Muhasebe Politikalarını Uygularken Aldığı Kritik Kararlar

TMS 28 (Değişiklikler) İştirak ve İş Ortaklıklarındaki Uzun Vadeli Paylar

2.5 Önemli Muhasebe Değerlendirme, Tahmin ve Varsayımları Şirket’in Muhasebe Politikalarını Uygularken Aldığı Kritik Kararlar

Como sabemos, o potencial mercadológico dos programas de auxílio alimentar nunca foi desprezado pelas indústrias norte-americanas, nem pela indústria nacional, em desenvolvimento.

O programa "Alimentos Para a Paz", aliás, deixava transparente esse potencial mercado, até mesmo nos seus 'prospectos'. Em um deles, que trata das instruções para o uso do leite de soja, determinava claramente o próposito primaz daqueles "projetos-piloto", que era "avaliar os mesmos em termos de estabelecimento de um mercado comercial". .(Cf. COIMBRA; MEIRA; STARLING, Op cit, p. 529)

Continuava o informativo prospectivo dizendo que fatores desconhecidos ao comércio americano poderiam ser importantes àquele mercado, e que esses fatores deveriam e poderiam ser encontrados durante a execução dos projetos de alimentação, na forma de uso dos produtos pelas empresas locais, em ingredientes e em fórmulas possíveis de distribuição em grande escala. (IDEM, p. 530)

Também a indústria nacional esteve presente em muitos momentos da execução do programa de alimentação da CNAE naquela época, muito embora o processo estivesse centralizado nas mãos da coordenação nacional, como afirma Pedro Almino, em sua entrevista:

[...] É, havia, mas essas compras eram centralizadas, não era aqui, eu não tinha

orçamento nenhum aqui, não tinha recursos, não tinha nada. Eu era o diretor-

geral, era quem comandava a coisa toda, mas não tinha nada de dinheiro aqui, porque a merenda vinha das doações e vinha de lá ((da Superintendência da CNAE)). Por exemplo, se o general lá que era superintendente ((José Pinto Sombra)) recebesse dinheiro para comprar alguma coisa, ele fazia por lá a

licitação e enviava para os estados. Não enviava nada de dinheiro para cá.[...]

(In: SOUSA, Op Cit., p. 171- 178) (grifo nosso)

Não obstante o que nos revela acima Pedro Almino, as indústrias locais não deixavam de assediar a merenda escolar, em busca de um nicho de mercado para seus produtos. Afinal, a merenda escolar poderia ser uma compradora potencial, com um grande mercado e, o melhor, mercado permanente e inesgotável.

Este assunto está diretamente relacionado com nosso próximo tópico, a criação da ABAE, já no final deste período histórico da CNAE e no começo de sua fase nacional, quando cada vez mais vai ficando descentralizada.

A afirmação de Pedro Almino, acima, será realmente confirmada mais adiante no nosso estudo, mas sabemos que há sempre, em nível local, produtos a comprar, como açucar, verduras, hotaliças, ovos, etc., e que não há como se ter um controle efetivo dessas "pequenas" compras pela direção nacional.

Mas, voltemos aos trilhos da nossa narrativa para expormos alguns fatos relativos ao assunto em tela, aqui no Ceará, naquele período.

A indústria de massas e panificação esteve assediando a Campanha nos meses finais de 1970, por meio do Moinho Fortaleza (Fortaleza S.A.- Indústrias Gerais), empresa esta que se transformou, hoje, em uma gigante, talvez a maior do Brasil no segmento de massas e biscoitos.

Noticiava o Jornal O Povo, de 20 de novembro de 1970, que o gerente Renato Peltier Gonçalves, do Moinho Fortaleza, fez o lançamento de importante livreto, no qual se divulgava os valores nutritivos do pão, já estando o mesmo sendo distribuído aos alunos das escolas primárias de Fortaleza, por meio da CNAE.

O lançamento do livrinho, na sede da CNAE do Ceará, recebeu aplausos do diretor Pedro Almino, que ressaltou a valiosa colaboração da grande empresa Fortaleza S.A.

Fig. 42 - MOINHO FORTALEZA lançou o livreto

"Pão- O rei da alimentação" na Campanha Nacional de Alimentação Escolar. Fonte: REFERÊNCIA

Indústrias Gerais, visando a melhoria do regime alimentar humano e suas qualidades nutritivas.

O livrinho "Pão - o rei da alimentação", dizia o noticioso, "presta relevante serviço à comunidade cearense, no que concerne ao uso integral do pão na alimentação diária, pelos seus valores nutritivos". (JORNAL O POVO, 20/11/1970)

O Moinho Fortaleza, dizia seu gerente, "tem em vista colaborar com o excelente programa desenvolvido no Ceará, pela CNAE, com atendimento de 380 mil crianças. Difundir conhecimentos de alimentação entre o povo é um tabalho que merece a melhor acolhida". (IDEM)

Outro segmento que assediou a Campanha naquele período foi o mercado dos granjeiros/ avicultores, com apoio da Prefeitura de Fortaleza. Este segmento conseguiu êxito mais efetivo naquele momento.

Em novembro de 1969 chegaram a realizar um festival do frango e do ovo. Inclusive as "vacas mecânicas" da CNAE foram colocadas à disposição do citado festival, para misturar ovos com leite em pó, na confecção de "gemadas" para a população.

Logo em seguida, noticiou o Jornal O Povo, de 26 de novembro de 1969, que a Secretaria Municipal de Fomento e Abastecimento "havia acertado com a Representação da CNAE, a utilização do ovo na merenda escolar, a partir do ano seguinte (1970), como forma de estímulo à avicultura cearense". (JORNAL O POVO, 26/11/1969)

Nutricionistas da CNAE instruíram sobre a preparação de alimentos à base de ovos, sobretudo "gemadas", para aproveitarem o leite em pó oriundo do Programa "Alimentos para a Paz".

O Município, em entendimento com a CNAE, determinou que uma "vaca mecânica" fosse levada à "Cidade da Criança", para exposição ao público durante o I FESTIVAL DO FRANGO E DO OVO, que se realizaria na capital, em meados do mês de dezembro. (IDEM).

Assim, realizaram o Festival entre os dias 11 e 14 daquele dezembro de 1969, oferecendo, gratuitamente, 18 mil copos de gemada, preparadas instantaneamente no próprio local da promoção, pela "vaca mecânica" da CNAE. (JORNAL O POVO, 03/12/1969

Fig. 43 - FESTIVAL vai mostrar ao

fortalezense porque se deve consumir mais ovo. Fonte: Jornal O Estado, 08/12/1969

A Campanha, por meio de seus nutrólogos, ajudou a consolidar a boa imagem daquele

alimento. A professora Maria Aparecida, da Escola de Nutrição da CNAE, afirmou que um ovo, com sua potencialidade proteica e de cálcio, era um alimento mais adequado para os países subdesenvolvidos, tendo em vista seu baixo custo de produção e as facilidades de aquisição. (JORNAL UNITÁRIO, 05/12/1969)

Segundo a professora, "dois ovos possuem mais de trezentas calorias, sendo suficiente para alimentar um adulto por 24 horas. Nos países subdesenvolvidos, como o nosso, devemos encarar o frango como uma das principais fontes de abastecimento", enfatizava a professora. (IDEM)

Como percebemos, havia o assédio da indústria da alimentação aqui no Ceará, assim como em todo o Brasil. Portanto, não podemos descartar a possibilidade de que as indústrias vendessem "diretamente" às representações federais ou, melhor dizendo, que estas pudessem intermediar essas indústrias junto à coordenação nacional da CNAE.

No período posterior, que se iniciou em 1973, uma nova fase da Campanha já se perceberia, quando se afastam as doações internacionais, até mesmo pela justificativa do progresso advindo do chamado "milagre econômico". E, de fato, foi quando as indústrias passaram a contar com várias fontes de intersecção com o Programa de Alimentação, através das quais puderam mais facilmente colocar seus produtos naquele mercado.

Mas, para isso ocorrer houve uma fase de transição, com a criação do INAN- Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição. Este momento, com a interrupção dos programas de cooperação internacionais, é de instabilidade na CNAE. Afinal, precisava-se reorganizar justamente essa noção do controle e logística dos programas de nutrição, agora dependentes integralmente do mercado interno.

As indústrias se ressentiam dessa falta de controle, de alguém com quem pudessem dialogar a respeito do mercado dos programas alimentares. É nesse contexto que surge o INAN.

Mas, antes, em 1968, fora criada a ABAE, pelo superintendente Sombra. Esta que seria uma sociedade civil, sem fins lucrativos, destinada principalmente a colaborar com o Governo nos seus programas oficiais de alimentação escolar, bem como "congregar as indústrias

alimentícais e de material de cantina, educadores e todo o pessoal ligado à saúde e educação

dos escolares brasileiros". (Cf. COIMBRA; MEIRA; STARLING, Op cit, p. 532). É o que vamos ver agora, para finalizarmos este capítulo.

Benzer Belgeler