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Kanun’da yer alan muhasebe düzeltme işlemlerine geçecek olursak, ilk olarak işletmede mevcut olduğu halde kayıtlarda yer almayan mal, makine, teçhizat ve

Na visão da Associação Brasileira de História Oral (ABHO), criada em junho de

1998, as gravações de entrevistas com testemunhas da História teve início na década de 1950,

após a invenção do gravador fita, na Europa, nos EUA e no México. Nos anos de 1970, as

técnicas da história oral difundiram-se bastante e ampliou-se o intercâmbio dos que a

praticavam, enquanto, na década de 1990, assistiram à consolidação da história oral no meio

acadêmico.

A história oral de vida, como narrativa, corresponde a uma das maneiras como o

sujeito se entende, como explica a autoimagem e como pretende ser conhecido pelos outros.

O narrador, em suas entrevistas, tem liberdade para constituir a própria versão, na qual tem

liberdade de expressão, para ocultar, revelar e reconstituir a vivência pessoal. A versão exibida

pelo narrador é sempre calcada nos fatos reais da sua vida, como na história oral.

A narrativa, notadamente na modalidade de autobiografia, traz a invenção de si

mesmo e é organizada em volta da dimensão temporal que traz significados às etapas relativas

a infância, juventude e, idade adulta, por meio da ficção e criatividade do narrador. Assim, o

conjunto de experiências vividas pelo narrador, representadas pela sua biografia, que visa,

sobretudo, à fala, se configura e ganha vida própria com base nessas complexas elaborações

biográficas.

É relevante, pois, destacar que existe grande diferença entre as entrevistas de

pessoas comuns, não celebridades, e as pessoas públicas, que já possuem um notório discurso

oficial estruturado com base nas pretensões pessoais de dar visibilidade a questões

consideradas mais valiosas, heroicas, de suas vidas. O diálogo e as constantes reflexões e

produções favorecem inovações e interpretações diversificadas, haja vista o fato de

reconstituição dos fatos e as experiências vividas e descobertas integram permanente

elaboração da história de vida dos atores educacionais ora pesquisados.

A fonte oral uma proposta de produção de conhecimento em história de vida se

institui como alicerce primordial na busca de toda forma de conhecimento, seja científica ou

empírica. Para Queiroz (1987), o relato oral foi difundido ao longo dos tempos, se revertendo

na maior fonte humana de conservação e difusão do saber, contribuindo para a ciência em

geral, haja vista que a palavra precedeu o desenho e a escrita.

Corrobora esse mesmo entendimento Thompson (1992), pois declara que a

história oral é tão secular quanto a própria História, uma vez que ela foi a primeira

modalidade de história. Destarte, paulatinamente, as ciências sociais consideram e respeitam

os relatos orais, na proporção em que se denota que os comportamentos, valores e emoções

ainda não se manifestam ou ainda são omitidos dos dados estatísticos.

O discurso do ator social tem uma coerência própria e organiza-se como

linguagem, após o avanço de outras disciplinas, como a Antropologia e a Linguística, para

possibilitar a compreensão de fenômenos sociais que fogem à observação fria e distante do

pesquisador (CAMARGO, 1994).

Desta forma, selecionamos para esta pesquisa o estudo investigativo por via do

método da história oral, haja vista que os sujeitos das pesquisas que percorrem às instituições

sociais, exigem outra visão, expressa como valioso construto para as ciências sociais, e

mesmo para a educação. Nesse sentir, a história de vida também pode ser apoiada na

autobiografia, essencialmente focada em pessoas ou grupos sociais, com vistas ao resgate e a

elaboração narrativa de memórias, biografias e perfis. É sabido que, para existir uma “história

de vida”, é fundamental haver agente social, isto é, uma personagem ou alguém que possa

narrar esta história.

Camargo (1994) compreende que o método da história oral, na modalidade

trajetórias de vida, objetiva adotar sua aplicabilidade em investigações científicas, como é o

caso desta investigação, para que, mediante os fundamentos epistemológicos da história oral,

lhe possa ser atribuída natureza científica. Em sua perspectiva, a autora acentua, ainda, que a

história oral é uma ferramenta pós-moderna para se compreender a realidade contemporânea,

haja vista sua imprevisão e maleabilidade. Nesta abordagem, a espécie de trajetórias de vida

atua como uma formulação histórico-social que se aplica em técnicas de entrevista para dar

ênfase aos sujeitos até então imperceptíveis, revelando os principais estágios dos

procedimentos metodológicos adotados.

Nesse mesmo entendimento, Thompson (1992) assevera que o modelo de história

oral, sob o fundamento da realidade das trajetórias de vida dos sujeitos pesquisados projeta

para o pesquisador uma proposta investigativa que resulta em compreender o universo

sociopolítico e educacional dos protagonistas dessa história, haja vista que o método de

história oral, além de ser uma ferramenta de pesquisa qualitativa, também é empregado não só

por historiadores, mas também por cientistas sociais, antropólogos, educadores e profissionais

dos mais variados ramos das ciências humanas.

Destarte, a história oral procura valorizar as memórias de pessoas, reaver tradição

oral e a “história tradicional” dos atores sociais, deixadas no tempo, com vistas a difundir

experiências e controvérsias vividas ao longo de um tempo. Nesse sentido, assim como a

história oral representa um instrumento da pesquisa qualitativa, o método de história de vida

está intimamente vinculado à história oral.

Para corroborar esse entendimento, Queiroz (1988) explicita que a história de vida

está inserida num amplo contexto da história oral que, por sua vez, também agrega

depoimentos, entrevistas, biografias, autobiografias.

[...] um instrumento privilegiado para análise e interpretação, na medida em que incorpora experiências subjetivas mescladas a contextos sociais. Ela fornece, portanto, base consistente para o entendimento do componente histórico dos fenômenos individuais, assim como para a compreensão do componente individual dos fenômenos históricos. (QUEIROZ, 1988, p. 272).

As histórias orais são destacadas pelo estilo do narrador, o qual dá vida às

personagens, visto que gestos e expressões integram a forma de contá-la. Quando escritas as

histórias narradas, estas podem livrar-se da magia das expressões do contador, porém

alcançam uma nova perspectiva no sentido de alterar a essência de sua natureza, por

conseguinte poderá provocar uma história diferente, que posteriormente será lida e não mais

narrada (FERNANDES, 2011).

O método de história de vida, como maneira de expressar e narrar a própria vida

e/ou as experiências de formação profissional, permite maior entendimento de si mesmo,

ocasionando uma perspectiva mais consciente e independente. Por conseguinte, a história oral

de vida é adotada, cada vez mais, como um recurso pedagógico nas habilidades conceituais e

intelectivas na formação profissional. Por isso, a função pedagógica de uma entrevista de

história de vida não se limita ao narrador que busca novos contextos de autoconhecimento,

mas direciona, também, o pesquisador que pretende uma experiência densa, consciente e

humanizadora (ATAÍDE, 2003).

Nas narrativas autobiográficas, utilizadas na história oral de vida, é comum o

depoimento iniciar-se com a manifestação de suas emoções e afetos imersos e concentrados

em si mesmos. Apresentam no entanto, uma abordagem social em que conceitos acerca do

civismo são fortalecidos à luz do reforço da propaganda de realizações concedidas a países do

mundo ocidental. Esta reflexão traz imagens de uma sociabilidade em transformação, advinda

do campo para o fortalecimento de um ideal de urbanização (CHAVES, 2006).

Nesse sentir, Benjamin (1987) declara que a caracterização, do ponto de vista

documental, é constituída pela multiplicidade de imagens e de linguagens, cujo aspecto

documental de uma época que configura histórias de vida também caracteriza a história da

educação de um determinado momento em certo determinado contexto social. Segundo ele, o

dizer não é apenas a expressão do pensamento, mas também sua realização.

Atuar com memórias narrativas significa conceber a ideia de que a realidade

possui diversas interpretações, considerando que não se buscam dados e informações

privilegiadas acerca de uma celebridade em lugares e espaços determinados, os quais estavam

arquivados ou disponíveis aguardando coleta de si mesmos. Destarte, os “dados” são

construídos de forma subjetiva, porque são sistemas interpretativos, os quais têm relação

estreita com as trajetórias de vida e conexões teóricas das personagens narradoras (CHAVES,

2006).

Adotar esse pensamento conforme Brockmeier e Harré (2003) defendem que é

prevenir o risco de submissão do equívoco ontológico que as narrativas são ilusões de que

existe uma estória a ser revelada, independentemente da análise mais profunda do processo

narrativo, ou, ainda, é presumir que há apenas uma realidade humana que todas as outras

narrativas devem retratar.

Aprofundando nessa temática, Ezpeleta e Rockwell (1989) conceberam a ideia de

que a homogeneidade presente na história oficial, na história documentada, dissocia-se em

diversas realidades rotineiras, em histórias não registradas, que nos falam mais do que as

primeiras (histórias oficiais) acerca das nossas possibilidades pedagógicas e políticas na área

da educação, visto que, sem pretenderem ser verdades universais, são principalmente plenas

de significado social.

Nessa trajetória, a narrativa no contexto de autobiografia constitui a forma de

ensinarmos a nós mesmos e aos outros, bem assim, favorece o processo formativo, tanto

quanto a produção de conhecimento, na proporção em que nos

Dá acesso à realidade, sem exclusão do particular, do marginal, das rupturas que normalmente escapam às estatísticas. Além disso, os relatos de vida produzem um material que simultaneamente exprime o peso das determinações sociais nas trajetórias individuais e as reações dos indivíduos a estas determinações [...] (FONTOURA, 1992, p. 179).

Nesse prisma, Foucault (1986) declara que a narrativa de si é uma partícula da

autobiografia ao se examinar acerca da sua formação teórica. Corrobora esse mesmo

entendimento, Santos (2009), ao postular o argumento de que a autobiografia é um

instrumento capaz de potencializar a emancipação da história, da memória, da trajetória

individual, da forma de estar sendo no mundo, nossas inquietações, como indicadores

presentes na formação de memória.

Pérez-Gomez (1992) acentua que traduzir uma experiência em uma história,

talvez seja o ato mais fundamental da compreensão humana, haja vista que através das vozes

autorais, pela prática de rever, dizer ou narrar suas próprias vidas e suas experiências

profissionais, pode-se teorizar sua vivência.

Portanto, o ato de narrar sua história, mais do que contar uma história sobre si, é

um ato de conhecimento. Narrar a vida, escrever sua autobiografia é, sob o aspecto da criação,

uma prática de autotransformação, onde a escrita como experiência e dispositivo de

autoconstituição é um trabalho que encampa a vida, e nisso consiste a maneira de ser de uma

pessoa (PÉREZ-GOMEZ, 1992).

Prudente é destacar a noção de que, para se construir uma narrativa, é

imprescindível dizer que é necessário um encontro, uma conversa, a qual é uma característica

adotada pelo método da entrevista, que se pode traduzir numa interatividade dos atores da

pesquisa, cujo método também é utilizado por jornalistas para construção de suas narrativas.

Nesse entendimento, Martins e Bicudo (1986, p. 102), quanto ao método da entrevista, assim

se manifestaram: “... a entrevista pode ser construída como um encontro social, cujas

características, entre outras, seria a empatia, a intuição e a imaginação, e nela ocorre uma

penetração mútua de percepções, sentimentos, e emoções.”

Por fim, esses autores concluem que a entrevista constitui instrumento de

conquista, com vistas a produzir narrativas por parte de alguns profissionais da Comunicação

Social, notadamente de pesquisadores que adotam o método de história de vida.

Pela narrativa, o sujeito constrói uma cadeia de significantes que estrutura formas

(visíveis e invisíveis) de representar o mundo e compartilhar a realidade social, ao mesmo

tempo em que engendra sonhos, desejos e utopias (PÉREZ-GOMEZ, 1992). Nesse sentir,

Sontag (1986) declara que a narrativa autobiográfica é um texto vivo, de um sujeito

historicamente datado e socialmente situado; desvela modos de pensamento e reflete formas

de estruturar, criar, recriar cotidianamente o mundo, de sentidos concretos, de enunciados que

criam significados particulares e modos de entendimento.

Olhar para a história de vida dos atores desta pesquisa, com suporte na trajetória

de vida desses educadores, pode trazer luzes à tarefa de pensar, idealizar e arquitetar a

formação da especificidade de suas vidas, que compõe um conjunto das políticas públicas,

notadamente nas políticas educativas. Ao compartilhar suas vivências, rememorando

momentos que marcaram sua trajetória, estas podem colorir o passado com tonalidades

diferentes, dando vida as estruturas que de outro modo nos pareceriam distantes (ARROYO,

1996).

Benzer Belgeler