4. ALTUNKÖPRÜ’NÜN GELENEKSEL KONUT ÖZELLĠKLERĠ
4.2 Alan Çalışması Ve İncelenen Yapılar
4.2.8 Muhammet Mehdi Evi
A criança enquanto sujeito social, ao se inserir, ou ser inserido, na cultura de escola, passa, inevitavelmente, por um processo de conversão do ser “criança” para ser “aluno” no contato com suas normas, estruturas e atores. Admitimos como hipótese que se trata de um processo no qual a cultura infantil vai dando espaço à cultura escolar e a criança vai se auto(trans)formando de acordo com essas normas, estruturas e atores ao longo da escolarização.
Flávia Miller Motta (2013), no seu livro De crianças a alunos: A transição da Educação
Infantil para o Ensino Fundamental, atentou para esse processo de transição da criança da
Educação Infantil para o Ensino Fundamental. A autora apresenta resultados de análises das falas das crianças e de suas observações numa pesquisa longitudinal, totalizando três anos de acompanhamento de uma mesma turma durante o último ano da Educação Infantil e os dois primeiros anos do Ensino Fundamental.
Para esta pesquisa, foi interessante destacar que, na cultura institucional, a disciplina, a avaliação, as tradições, os costumes, acabam por reforçar as crenças e valores ligados à vida social das pessoas que estão na escola. Os estudantes vivem em determinado contexto antes de iniciar sua escolarização e esta sua vida é carregada de artefatos culturais, práticas e significados, recebendo influências da família e do seu meio. Essa configuração prévia dos alunos antes da escola e que continua a ser elaborada de forma paralela ao espaço escolar é o que Pérez Gomez (2001) vai chamar de cultura experiencial: a cultura do estudante é o reflexo da cultura social de sua comunidade, mediatizada por sua experiência biográfica, estreitamente vinculada ao contexto, o que não se dá de maneira acrítica. (MOTTA, 2013, p. 114 e 115)
Podemos perceber aqui o entrecruzamento de diferentes culturas das quais as crianças participam antes e durante a escolarização, nas quais elas são inseridas e nas quais elas se formam enquanto agentes sociais. Motta define o conceito de “cultura experiencial”, como um entrelaçamento das culturas infantis, com a cultura escolar e a experiência biográfica da criança.
Em sua pesquisa6 Passeggi et al. (2014) se propõem “a olhar a infância de modo a levar em conta a alteridade da criança, legitimando-a como ser capaz de refletir ao narrar suas vivências e por essa via trazer informações importantes sobre as escolas da infância e sobre as crianças-sujeito” (p. 86)7.
As autoras consideram que o ingresso no mundo da escola se torna para a criança a “trajetória de um apagamento”:
É possível perceber que o ambiente educacional, nessas escolas de educação infantil (pré-escola e anos iniciais do ensino fundamental), nas quais observamos o cuidado em garantir às crianças espaços de brincadeiras e de aprendizagens, o processo de enculturação no universo escolar está marcado, para elas, por um duplo deslocamento, que implica uma série de acontecimentos, dentro dos quais precisam aprender a se situar: o primeiro é o deslocamento da necessidade de brincar para a necessidade de estudar. O
6“Narrativas infantis. O que contam as crianças sobre as escolas da infância?”, Passeggi et al. (2014)
7 Para isso, as pesquisadoras se propuseram a realizar a pesquisa em diferentes escolas do cenário brasileiro
(escolas de aplicação, escolas públicas, escolas indígenas) com crianças na faixa etária de 04 a 10 anos de idade, que participaram de rodas de conversa distribuídas em grupos de acordo com suas idades (grupo 1- quatro a cinco anos; grupo 2- cinco a seis anos; grupo 3- sete a oito anos; grupo 4- nove a dez anos). As rodas eram compostas por grupos três a cinco crianças. Nessas rodas as crianças contavam para um pequeno alienígena suas experiências
na escola “O alienígena desempenhava assim a função de mediador da construção narrativa, permitindo maior
familiarização da criança com o pesquisador, que tenta se aproximar do universo infantil e das crianças respeitando
segundo decorre do primeiro: a sobreposição do estatuto de aluno (a), ao de criança. O que faz dessa trajetória um processo gradual de apagamento progressivo da brincadeira na escola e em seguida em suas vidas. (PASSEGGI et al. 2014, p. 94)
Pino (2005), em seus estudos sobre as pistas deixadas por Vigotski (1997), nos faz compreender o processo de inserção da criança na cultura. A criança já faz parte da cultura antes mesmo de nascer produz cultura e é produzida por ela por ser um ser social, que se relaciona com os outros e com o meio do qual faz parte. Ao serem inseridas na escola as crianças vivenciam um processo de apropriação da cultura escolar no qual a cultura infantil dá lugar as normas, finalidades, estruturas da organização pedagógica e especificidades presentes no cotidiano da escola. As crianças, enquanto ser cultural, apropriam-se do sistema escolar refletindo sobre esse processo e suas narrativas nos faz compreender como esse processo é vivido por elas. Motta (2012) conclui sua pesquisa afirmando:
Acredito que algumas consequências decorram dos achados da pesquisa; dentre elas a necessidade de aprofundar as investigações sobre as culturas infantis dentro da escola formal. A sociologia da infância, ao realizar a maior parte de suas pesquisas na Educação Infantil deixa de legitimar a principal questão posta aqui: crianças continuam sendo crianças após o ingresso na escola. A dúvida sobre os limites da infância não pode obscurecer o fato de que, mesmo no interior da sociologia escolar, há um importante aspecto a ser visto: crianças são um grupo geracional, com características e cultura próprias e, como tal, merecem ser estudadas qualquer que seja o contexto no qual se encontrem. (p. 175)
O novo conceito apresentado por Motta de grupo geracional nos faz pensar nas crianças enquanto pertencentes a sociedade e cujas características são mudadas nas diferente gerações. A criança da década de 20 era completamente diferente da criança do século XXI. As gerações mudam com o tempo e com as mudanças das sociedades assim como as crianças.
Concordando com o que nos diz Motta, apresentaremos no próximo capítulo a metodologia do nosso trabalho de pesquisa que muito se aproxima do que a autora afirma sobre as crianças como grupo geracional.