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Ceza Muhakemesi Kanunu

Belgede HUKUK FAKÜLTES İ DERG İ S İ (sayfa 196-200)

ULUSAL VE ULUSLARARASI YÜKÜMLÜLÜKLERİ *

3. TERÖRİZMİN FİNANSMANININ ÖNLENMESİNE YÖNELİK ULUSLAR ARASI SÖZLEŞMELER VE TÜRK

3.2. Ulusal Hukukta Yapılan Düzenlemeler 1. Terörle Mücadele Kanunu

3.2.3. Ceza Muhakemesi Kanunu

Por onde começar? Pela reflexão? Por uma intuição ou experiência imediata? Pela crítica considerada como um fim em si mesmo? Nenhuma dessas respostas poderia dar conta de seu início, como observamos a partir do estudo do Le point de départ — e se nos perdoe a afirmação anacrônica. O que para uma filosofia forçada sob a ótica do intelectualismo e limitada ao pensar reflexivo seria um problema insolúvel, para a filosofia da ação não o é. Sendo uma tarefa, como já explicitamos, a filosofia possui como ponto de partida a inquietude epistêmica que a leva a assumir o compromisso de integrar cada vez mais profundamente reflexão e prospecção, de aprimorar o conhecimento em ato em vista do progresso da vida. O ponto de partida da filosofia não é uma ideia a priori, não é uma radical dúvida metódica ou mesmo uma representação de natureza a posteriori. O ponto de partida da filosofia não é nada de já determinado, mas uma tarefa a ser cumprida. Nesse sentido, a reflexão não é o limite da filosofia, não é uma espécie qualquer de amarra para lhe conter, mas seu instrumento de crescimento.

Não desprezando a herança da filosofia ocidental, em especial por meio da valorização do seu patrimônio moderno, o Filósofo de Aix — como Blondel será também conhecido — procura estudar a vida humana, concentrando sua busca em torno à pergunta inicial da Action: “a vida humana possui um sentido?” Questão essa necessária. De fato, todo homem é obrigado a considerá-la e resolvê-la implicitamente em seu agir. Enquanto há vida, dá-se uma dinâmica sucessão de atos. Ainda que não sejamos senhores absolutos de nossa ação,137 somos necessariamente levados a agir e, na ação, a escolher a orientação que a ela queremos dar, sendo por essa escolha responsáveis. Com efeito, como sustenta Blondel, deixar-se “levar pela corrente” é, na maior parte dos casos, agir contra si mesmo. Optar por um caminho é renunciar aos outros; mesmo escolher não agir, mesmo o suicídio é já uma escolha (Cf. Action, p. VI-X).

Em suma, “Na prática, ninguém se esquiva do problema da prática; e não somente cada um o põe, mas cada um, a seu modo, o resolve inevitavelmente” (Action, p. X). Na prática, o problema do sentido da ação, do sentido da vida, é universal a todo homem. A ação própria (prática) constitui a via direta de acesso a esse problema. O método de solução popularmente aí empregado é o da conformidade com a consciência moral. Todavia, no homem surgem outras

137 As nossas escolhas não serão nunca realizadas e atuadas em plena luz. Na ação sempre algo escapa.

Não somos senhores absolutos de nossos atos, como nos mostra a nossa experiência quotidiana, seja porque somos sujeitos a vários determinismos que não raramente, contra toda intenção diversa, usurpam o nosso controle, seja porque dos nossos atos resultam consequências exteriores que fogem ao nosso domínio.

exigências: somos, como seres conscientes, atraídos pela pergunta sobre o sentido daquilo que fazemos e daquilo que devemos fazer. Esse segundo caminho de aproximação do sentido da ação, a via indireta, sem poder separar-se da via direta, porque não é possível pensar deixando de viver, contribuiria para seu enriquecimento. Ele não somente ajudaria na iluminação da consciência interior, como também, ainda que de forma limitada, permitiria comunicar a solução particularmente encontrada, apoiando-se em sua universalidade, se é que ela existe (Cf. LECLERC, 2000, p. 134-135). Daí a importância da constituição de uma ciência da ação:

É então uma ciência da ação que é necessário constituir; uma ciência, que não será tal senão na medida em que será total, porque toda maneira de pensar e de viver deliberadamente implica uma solução completa do problema da existência; uma ciência que não será ciência senão na medida em que determinará para todos uma solução única e excludente de todas as outras. Porque não deve suceder que minhas razões, se estas são científicas, possuam mais valor para mim que para os demais, nem que deixem lugar a outras conclusões distintas das minhas (Action, p. XVII).

Sem constituir propriamente o ponto de partida da filosofia, a pergunta sobre o sentido da vida humana, investigada por meio de uma crítica que se apoia sob a abstenção prévia de qualquer certeza, será o ponto de partida metódico para a construção da via indireta que culminará no reconhecimento da filosofia como tarefa.

Digamos que, mesmo que implicitamente seja verdade, para qualquer estágio da pesquisa filosófica, que a filosofia é uma tarefa, como já tivemos oportunidade de observar pelo estudo de Le point de départ,138 a investigação presente na Action tornará clara essa descoberta paulatinamente em seu transcurso e não já desde seu início. O caminho percorrido em Le point de départ é mais direto. Nele, parte-se da pergunta sobre o ponto de partida da filosofia, analisa- se a inconsistência de algumas hipóteses a esse respeito e chega-se à caracterização necessária da filosofia como tarefa e, assim, à resposta a sua pergunta inicial. O percurso escolhido por Blondel na Action é, talvez por preocupação com a sua recepção, mais ameno em relação aos seus adversários filosóficos. Embora não em sentido oposto a como se faz em Le point de départ, na Action Blondel tomará como ponto de partida o estudo rigoroso da ação, conduzido a partir da pergunta sobre o sentido da vida humana, fazendo uso de um método crítico a cujos

resultados até mesmo os intelectualistas deverão ceder, sem que tenham que se sentir combatidos desde o início — pelo menos, é o que se pretende.

Ora, a construção de um programa de conhecimento pressupõe uma compreensão prévia do que seja propriamente conhecer. Isso também se aplica à filosofia. Essa questão a que estamos nos referindo pode ser aproximada tomando-se por base a conhecida problematização platônica da justificação do conhecimento, presente no Teeteto. É preciso entender que o problema a que Platão enfrenta aqui é o de como justificar o que se chama de conhecimento processual. De fato, como reconhecer o conhecimento, verdadeiro, quando se o encontra? As considerações presentes no Teeteto levam a compreender que é possível descobrir um conhecimento (processualmente), porque, de algum modo, esse conhecimento já seria possuído previamente. Conhecer seria, então, recordar. Assim, para justificar a capacidade, digamos, “veritativa” do conhecimento processual, Platão faz uso de uma hipótese, a da reminiscência. Essa serve como explicação que permite aproximar o sentido real do que seja de fato conhecer. A reminiscência explicaria como, a partir do conhecimento processual ou da reflexão da experiência e das hipóteses que se formulam sobre ela, pode-se atingir o que nos permite compreendê-la, seu fundamento anipotético.

Essa sugestão platônica, todavia, diz muito mais do que a simples enunciação de uma hipótese, que para muitos pode parecer antiquada. Ao contrário disso, Platão aponta aqui para algo que se perpetua como um dos problemas fundamentais — se não o fundamental — da tradição filosófica, ou seja, a da justificação da filosofia como conhecimento mais radical (profundo) e universal (abrangente), conhecimento do princípio do conhecimento. Como justificar um conhecimento? Justificando seu princípio último. Como justificar um conhecimento verdadeiro? De acordo com o Livro VI da República, fazendo compreender seu princípio anipotético. Ora, esse conhecimento sobre o princípio não é uma representação do que é, mas a inteligência mesma que sustenta as hipóteses construídas reflexivamente (processualmente), alcançada pelo exercício de uma dialética capaz de superá-las.

Analogamente a essa caracterização platônica do conhecimento filosófico, como as condições de possibilidade do conhecimento verdadeiro são anteriores ao conhecimento processual, apesar de serem descobertas — ou recordadas — por sua ação, assim também a tarefa de integrar prospecção e reflexão, por meio da ação humana, é o ponto de partida da filosofia da ação, mas somente poderá ser descoberta como tal por meio do exercício da racionalidade propriamente filosófica. Nos dois casos, busca-se justificar como podemos chegar à afirmação desse ponto de partida da filosofia sem já pressupor uma noção pré-definida

da mesma, ou seja, sem pressupor que o conhecimento filosófico começaria em uma representação da filosofia, um produto da reflexão ou do pensar processual.

Platão resolve essa questão com a já citada teoria da reminiscência. A resposta blondeliana, por sua vez, também já nos é conhecida. Basta analisar as hipóteses antagônicas sobre o ponto de partida da filosofia e verificar quais seriam contraditórias, não umas em relação às outras, mas no que diz respeito ao seu dar-se factual. Em outras palavras, ao verdadeiro ponto de partida da filosofia não se chega imediatamente, mas apenas pelo exercício de uma dialética que é capaz de revelar o que há de necessário no que é hipotético. Platão identificará o âmbito do necessário em um transmundo, o mundo das ideias, que é a condição antepredicativa de toda predicação (conhecimento processual ou reflexivo). Blondel o identifica nas necessidades práticas da ação, a nós acessíveis em virtude do conhecimento em ato, prospectivo e reflexivo ao mesmo tempo.

Em um contexto filosófico, em que se respirava uma atmosfera profundamente kantiana, Blondel enfrenta a questão da contraposição entre racionalidade teórica e prática, como já nos referimos na introdução (p. 29ss) e aprofundamos ao estudar Le point de départ (Cap. 2). O que está em jogo aqui é a própria caracterização da filosofia como programa de conhecimento. A partir desse pano de fundo, Blondel escolhe uma pergunta capaz de conduzir a investigação filosófica ao exame das hipóteses a respeito de sua natureza teórica e prática: a que se refere ao sentido da vida humana.

Dessa forma, o ponto de partida metódico da Action (1893) é a investigação, isenta de qualquer juízo prévio, sobre a questão do sentido da vida humana. Contudo, essa conduzirá ao conhecimento do efetivo ponto de partida da filosofia, ou seja, sua tarefa. Na Action Blondel assume — inspirado por Platão, Aristóteles e Agostinho, mas não menos por Descartes, Kant e os modernos — o exercício de uma dialética capaz de atingir a afirmação necessária do que não pode ser negado a respeito do que seja o conhecimento filosófico. Para tanto, ele exercita uma crítica rigorosa que, submetendo toda hipótese ao devido controle, procura determinar a partir delas — das hipóteses — o que não pode não ser afirmado. Isso é o que será chamado de método dos resíduos (Cf. Action, p. 322, 332, 335).

Para esse tipo de procedimento filosófico, nada pode ser previamente dado por óbvio, nem em nível de fatos, nem em nível de princípios ou de deveres (Cf. Action, p. XXI). Na via indireta — diferentemente da via direta na qual somos necessariamente obrigados a agir e a agir escolhendo — tudo deve metodologicamente ser posto em dúvida suspensiva, não pelo simples duvidar, mas em vista de assumir somente certezas fundadas. Mesmo o problema da “real

existência de um problema”, ou a afirmação inicial “não existe nada” são postos sob o crivo da crítica:

A força de toda a investigação deve ser fornecida pela investigação mesma; e o movimento do pensamento se sustentará por si mesmo sem nenhum artifício exterior. [...] Que se abandone qualquer prejuízo ou desconfiança, justamente porque não tomamos nenhum partido de antemão, nem pedimos nenhum voto de confiança. Mesmo este ponto de partida “não há nada” não se poderia admitir, porque seria ainda um dado exterior e como que uma concessão arbitrária e escravizante. A operação de desobstrução é completa (Action, p. XXII. XXV).

Entendendo-se que inicialmente é preciso desobstruir qualquer pressuposição a respeito da pergunta sobre o sentido da ação, podemos seguir o desenvolvimento da árvore crítica blondeliana. Ora, para sermos verdadeiramente fiéis a esse método é preciso interrogar-se inicialmente sobre a própria pergunta a respeito do sentido da vida humana: por que se deve dela partir?

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