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MTĠDS UYGULAMASI SÜREÇ MODELLEMESĠ

Nas subseções 3.3.1 e 3.3.2, nós apresentamos os mecanismos de natureza cognitiva que subjazem à mudança no processo de GR. Os principais são a metáfora e a metonímia. Nesta seção, nós deixamos de lado os parâmetros cognitivos e pragmáticos para olhar com mais detalhe a estrutura da língua propriamente dita e o modo com que ela é afetada pelos mecanismos observados anteriormente. Vamos abordar, principalmente, dois mecanismos lingüísticos: o da analogia e o da reanálise. Esses mecanismos são de natureza lingüística, enquanto os anteriores são de natureza conceitual. No entanto, eles não se excluem; pelo contrário, de certa forma eles estão relacionados: com a analogia associada à metáfora e a reanálise à metonímia.

3.4.1 A analogia

Meillet (1965) quando tentou mostrar como surgem novas formas gramaticais distinguiu dois processos: a analogia e a GR. O desenvolvimento e a organização de novas formas gramaticais ele nomeou como GR; e a atração de formas existentes para construções também já existentes ele referiu como analogia. Nesta época, em que Meillet escreveu essa obra, havia uma interpretação limitada da analogia, definida como processo pelo qual irregularidades na gramática, particularmente no nível morfológico, eram regularizadas. Esse

mecanismo era visto como uma proporção ou equação. Assim, dada a alternância singular/plural entre cat/cats, poderia se entender analogicamente child-children como child-

childs. Esse exemplo é usual, principalmente, na fala de crianças, mas, de fato, ocorreu na

história do inglês, dado ston-stone ‘ston-stones’; shoe-shoen ‘shoe-shoes, a forma usada atualmente se deveu à analogia.

(21) ston : stones = shoe : X X = shoes

A principal questão relacionada à fórmula de proporção da analogia é a razão pela qual um determinado membro do par é selecionado como modelo. Kurylowicz (1945 apud HOPPER e TRAUGOTT, 1993, p.57) apontou algumas tendências relativas à seleção do modelo: por exemplo, a tendência para substituir uma forma mais específica por uma mais geral, não vice-versa. Já Kiparsky (1968 apud HOPPER e TRAUGOTT, 1993, p.57) buscou redefinir analogia em fonologia como regras de extensão, explicando por que a analogia não é fortuita na mudança da linguagem. Ele entende a analogia como generalização ou otimização de uma regra de um domínio relativamente limitado para um mais amplo.

Apesar de apenas a reanálise poder criar novas estruturas gramaticais, a analogia é muito importante no estudo de GR, visto que é a primeira evidência para o falante de que uma mudança esteja acontecendo.

3.4.2 A reanálise

Langacker define a reanálise como: “mudança na estrutura de uma expressão ou classe de expressão que não envolve nenhuma modificação imediata ou intrínseca da manifestação superficial” (1977 apud HOPPER e TRAUGOTT, 1993, p.40). Um dos tipos mais simples de reanálise, e também uma das mais freqüentes na GR, é a fusão de duas ou mais formas, com a junção das fronteiras morfológicas; um exemplo é a composição, a junção de duas ou mais palavras dentro de uma (HOPPER e TRAUGOTT, 1993).

Em alguns trabalhos, a reanálise tem sido usada como um quase sinônimo de GR. No entanto, Heine e Reh (1984) propõem a separação entre reanálise e a GR, essencialmente em função do princípio da unidirecionalidade, que é uma propriedade inerente à última, mas não

à primeira (HEINE et al., 1991a). Heine et al. (1991b) reserva a reanálise aos casos em que uma manipulação conceitual de uma estrutura lingüística pode ser tratada como alguma estrutura alternativa. Dessa forma, construções pragmáticas podem ser reanalisadas como estruturas sintáticas e estrutura sintática reanalisadas em estruturas morfossintáticas.

Normalmente, a reanálise acompanha a GR: quando um dado morfema está gramaticalizado, não apenas sua posição pragmática ou sintática é afetada, mas também os seu constituintes. Ou se dá o contrário: quando a reanálise ocorre, é provável que ocorra GR de pelo menos um dos seus morfemas dentro da estrutura que sofreu reanálise (Heine, 1991b). Em tais casos, reanálise e GR são o resultado de uma mesma estratégia, que é expressar conceitos mais abstratos em termos de conceitos menos abstratos.

Apesar da reanálise e da GR parecerem processos inseparáveis, considerações como: (i) A GR é essencialmente um processo unidirecional, reanálise não é; e (ii) existem casos de GR sem reanálise e reanálise sem GR (HEINE et al., 1991b, p.169); sugerem que elas devam ser tratadas como coisas diferentes. Por exemplo, quando o demonstrativo se torna um artigo definido (this man > the man), ou o numeral ‘one’ se torna um artigo indefinido (one man > a

man), tratamos de formas gramaticalizadas sem reanálise. No entanto, quando duas orações

coordenadas são analisadas em uma nova estrutura (oração principal > oração subordinada), tratamos como um caso de reanálise sem GR, pois não há um subordinador morfologicamente envolvido. Por exemplo, em ‘she went to bed, she was tired’, a interpretação dessas duas sentenças é que, provavelmente, a segunda oração seja reanalisada como oração subordinada, um complemento de causa da primeira; nesses casos, falamos que houve apenas reanálise, já que não há material morfológico para ser gramaticalizado (HEINE et al., 1991b, p. 169).

A reanálise e a analogia proporcionam diferentes efeitos: a reanálise essencialmente envolve linearidade, organização sintagmática, local freqüente, reorganização e mudança de regra – ela não é diretamente observável; por outro lado, a analogia essencialmente envolve organização paradigmática, mudança na superfície, e padrões de uso. A analogia faz com que as mudanças por reanálise sejam observáveis. Um exemplo da interação da reanálise e da analogia é o desenvolvimento da negação em francês. O processo apresenta as seguintes fases (HOCK, 1991; SCHWEGLER, 1988 apud HOPPER e TRAUGOTT, 1993, p. 58):

(i) A negação era realizada colocando-se a partícula ne antes do verbo.

(ii) Um verbo de movimento negado por ne poderia, opcionalmente, ser reforçado pelo nome pas ‘passo’:

(22) Il ne va (pas)

‘Ele não vai (anda) (um passo)

(iii) A palavra pas foi reanalisada como uma partícula de negação na estrutura do tipo

ne V movimento (pas).

(iv) Pas foi estendida analogicamente para outros verbos que não eram de movimento;

isto é, a estrutura de negação do francês passou a ser ne V (pas): (23) Il ne sait pas.

‘Ele não sabe’

(v) A partícula pas foi reanalisada tornando-se obrigatoriamente concomitante a ne para a negação geral: ne V pas.

(vi) Na língua falada, pas veio a substituir ne via dois estágios: (ne) V pas (reanálise de

ne como opcional), V pas (reanálise com a perda de ne), resultando em:

(24) Il sait pas.

‘Ele não sabe’

Benzer Belgeler