• Sonuç bulunamadı

2.9. Koroner Arter Hastalığında Tanı ve Değerlendirme

2.9.8. Nükleer Kardiyolojik İncelemeler (Single Foton Emisyon Bilgisayarlı Tomografi ile Myokard Perfüzyon Sintigrafisi) (MPS SPECT)

2.9.8.2. MPS SPECT Görüntülemede Kullanılan Stres Protokolleri

O ponto de partida é que, na vida prática, temos a ver com tal ou tal maneira de ser dos nossos outros. Da mesma forma que não podemos jamais totalizar o que somos. É, ao contrário, na obra de arte, e mais partcularmente no romance, que se manifesta enquanto estética a totalidade própria de um personagem. Há, portanto duas totalizações (relativas) diferentes:

Um autor, não apenas vê e conhece tudo o que vê e conhece um herói em particular e todos os heróis no seu conjunto, mas ainda ele vê e sabe mais sobre eles, vendo e sabendo aquilo que em princípio é inacessível aos heróis, e é precisamente esse mais, sempre determinado e constante de que se beneficia a visão e o saber do autor, em relação a cada um dos heróis, que fornece o princípio de acabamento de um todo – aquele dos heróis e o do acontecimento, dito de outra forma, o todo da obra [...] O depositário vivo dessa unidade que funda o acabamento é o autor, por oposição ao herói, depositário, ele, da unidade que funda o acontecimento aberto, e não conclusivo pelo interior, que constitui a vida [...] É a exotopia do autor, seu próprio apagamento amoroso fora do campo existencial do herói e o distanciamento de toda coisa com a finalidade de deixar esse campo livre para o herói e para a sua vida, é a compreensão de que participa da conclusão do acontecimento que é a vida do herói, exercendo a partir do ponto de vista real-cognitivo e ético de um espectador que não participa do evento [...] A consciência do herói, seu sentimento e seu desejo do mundo – sua visada emotivo-volitiva material – está investida de todos os lados, tomada como um círculo, pela consciência que o autor tem do herói e do seu mundo do qual ela assegura o acabamento; o discurso do herói sobre ele mesmo é impregnado do discurso do autor sobre o herói; o interesse (ético-cognitivo) que apresenta o acontecimento para a vida do herói está englobado pelo interesse que ele apresenta para a atividade artística do autor. É nesse sentido que a objetividade estética opera numa perspectiva que a distingue da objetividade cognitiva e ética: esta diz respeito a um

122 Bakhtiniana, São Paulo, Número Especial: 47-172, Jan./Jul. 2014.

julgamento neutro, indiferente à pessoa e ao acontecimento, e que se exerce do ponto de vista de um valor ético e cognitivo, de uma significação geral, ou considerada como tal, ou que tende em direção a essa significação geral... (p.34)

O texto é problemático, pois não se vê muito bem o que pode dizer respeito à articulação do ponto de vista cognitivo ou ético senão nas retificações de sua relação com a generalidade. Mas quem poderia caracterizar “cognição” e “ética” em uma linha? Permanece o ponto que me parece central: a irredutibilidade das três perspectivas e a articulação dialogal no romance da perspectiva do herói e do autor. A partir daí, são apresentadas de maneira esquemática três grandes figuras da relação do autor e do herói. A primeira possibilidade é, portanto, o caso em que autor só pode “ver o mundo e as coisas pelos olhos do herói, de nenhuma outra forma...” (p.39). Nesse caso, “O plano de fundo não é trabalhado, não é distintamente visto pelo autor-observador e ele nos é dado de maneira hipotética, incerta, de dentro do herói, à maneira como nos é dado o plano de fundo de nossa própria vida”.

Mas mesmo nessa perspectiva, é necessário que o autor traga um princípio de acabamento externo. Caso contrário, a obra se torna “um tratado de filosofia ou uma introspecção-confissão”. Ou ainda, o que importa, é não o acordo ou o desacordo entre as perspectivas do autor e do herói, mas que as perspectivas do herói sejam dadas (p.40) na “possibilidade de vê-lo (o herói) por inteiro, em toda a plenitude de sua atualidade presente, e admirá-lo...” (o que não implica acordo ou discordância) E Bakhtin acrescenta:

É a esse tipo que pertencem quase todos os heróis de Dostoiévski, alguns heróis de Tolstoï (Pedro, Levino), de Kierkegaard, de Stendhal e de outros escritores cujos personagens tendem, particularmente, a extremos desse tipo de personagem.

Uma segunda possibilidade se realiza quando é o herói que toma para si as capacidades externas de objetivação. Novamente há duas possibilidades nesse caso. Seja o herói no “falso classicismo” que é apresentado do exterior, seja o herói autobiográfico:

tendo feito sua a autoprojeção do autor que lhe assegura um acabamento, a reação global que lhe assegura uma forma, o herói a

Bakhtiniana, São Paulo, Número Especial: 47-172, Jan./Jul. 2014 123

incorpora ao seu vivido próprio e a ultrapassa; esse tipo de herói é refratário a todo acabamento por dentro, ele ultrapassa interiormente tudo o que poderia determinar a maneira total e que ele considera como lhe sendo inadequada, ele vive toda integridade acabada como uma limitação e lhe opõe um mistério interior indizível [...] É o herói do romantismo: o romântico teme trair-se através de seu herói e lhe deixa sempre, em algum lugar, dentro dele mesmo, uma espécie de abertura de suspiro por onde o herói poderá subir acima de sua própria forma de acabamento (p.41).

Em todo caso, aqui, a problemática da totalização não aparece mais como a única possível para pensar a obra. Uma vez que “a organização dominante do texto” é aqui, ao contrário, a impossibilidade assumida da totalização.

Enfim, última possibilidade evocada muito rapidamente: aquela na qual o herói

é o seu próprio autor, ele pensa sua vida esteticamente, dir-se-ia que ele desempenha um papel [...]; diferente do herói romântico infinito e do herói impenitente de um Dostoiévski, esse herói é autossatisfeito e seu acabamento cheio de confiança (p.42).

Mas Bakhtin não dá exemplos...

Dito isso, o capítulo termina com uma síntese muito explícita:

O acontecimento estético, para se realizar, precisa de dois participantes, pressupõe duas consciências que não coincidem. Aí onde o herói e o autor coincidem ou melhor se situam lado a lado, dividem um valor comum, ou ainda se opõem enquanto adversários, o acontecimento estético acaba e é o acontecimento ético que toma lugar (panfleto, manifesto, requerimento, apologia e cumprimento, injúria, confissão, etc.); onde não há herói, seja potencial, ter-se-á o acontecimento cognitivo (tratado, aula), onde a outra consciência é a de um deus onipotente, ter-se-á o acontecimento religioso (oração, culto, ritual) (p.43).

Ao mesmo tempo é uma bela síntese, mas ao mesmo tempo não subsiste, no conjunto da vida, e não apenas no romance, a questão da distânca daquele que fala ou escreve e daquele que está em outro lugar? E, além disso, esse texto mesmo é “científico” ou o que...? Ou ainda, o que é feito – imagino que vou voltar a essa questão – da articulação dessa perspectiva “ estética” e do que pode ser nossa capacidade para nos narrar a nós mesmos e nos representar num mundo narrativo nossa relação com os outros e conosco mesmos. Qual a relação entre o que se passa no romance e a maneira

124 Bakhtiniana, São Paulo, Número Especial: 47-172, Jan./Jul. 2014.

como evocamos o que fomos, o que fizemos, o que sentimos? Ou com a maneira de nos reportarmos aos outros, em alguma coisa que se pareça mais ou menos com um relato, e de nos reportarmos em particular ao que percebemos da maneira como eles nos percebem. Que relação aqui entre o que seria cognitivo, ético ou estético? Será que nossa heterogeneidade não passa necessariamente por essa distinção? Se pensamos que sim, permanece a questão de saber sob qual forma. Além disso, nossa tomada de consciência narrativa se faz de acordo com uma modalidade que se pareça de alguma forma a uma dessas que pode haver entre o autor e o herói? Em todo caso, evidentemente, seja a narração romanesca, seja aquela que se produz na nossa vida cotidiana, elas não dizem respeito à “ciência”, mesmo que elas possam incorporar seus fragmentos.

Além de tudo, parece que a questão da posição do leitor e em particular da natureza e da distância e da especificidade interesse (do prazer?) que ele pode ter com a leitura não aparece aqui. Em todo caso, a problemática da totalização, efetiva ou não, permite abordar duas questões, aquela do todo espacial do herói, em seguida aquela do todo temporal do herói.