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3. MAKSİMUM GÜÇ TAKİP SİTEMLERİ (MPPT)

3.4 MPPT Algoritmaları

4.5.1 O estatuto categorial das preposições a e para em PB

Pensando, portanto, em qual é a representação adequada para a estrutura argumental das sentenças ditransitivas em PB, em primeiro lugar tivemos que estabelecer qual é o estatuto categorial das preposições a e para, na introdução do OI dessas sentenças, ou seja, temos que estabelecer se as mesmas são elementos funcionais ou lexicais. Outro ponto a se considerar é o fato de para acarretar interpretações particulares para complementos de um mesmo verbo, o que não ocorre com a preposição a. Com verbos de transferência e movimento, por exemplo, quando o argumento é introduzido pela preposição a, sua interpretação é sempre de recipiente da ação, como na sentença em (214), na qual Maria recebe a carta diretamente enviada pelo João:

174 (214) O João entregou um livro à Maria.

A preposição para, no entanto, apresenta uma ambiguidade semântica nesse mesmo contexto verbal. Na leitura expressa em (215), Maria é a recebedora/ recipiente do livro entregue pelo João, ou seja, temos o mesmo significado da sentença (214). Já na sentença (216), Maria é beneficiária do evento da carta ter sido entregue na secretaria pelo João. Naturalmente, na visão construcionista que estou adotando, na qual a sintaxe é que determina os papéis temáticos, temos duas estruturas distintas para as sentenças abaixo, como veremos na próxima seção deste capítulo.

(215) O João entregou o livro para a Maria.

(216) O João entregou a carta para a Maria na secretaria.

Exemplos como esses são evidência de que as preposições introdutoras de argumentos em PB possuem conteúdos semânticos bem estabelecidos para os falantes. No terceiro capítulo, mostramos que, historicamente, a preposição a era preferencialmente introdutora de elementos abstratos e animados e que para era usada com locativos e OI beneficiário com verbos de criação. Contudo, como discutido anteriormente, os resultados quantitativos mostram que, dependendo do tipo de texto, mais ou menos formal, e de língua falada vs. língua escrita, há um retorno da preposição a na introdução do OI, condicionado pela pressão normativa.

No entanto, como aconteceu em outros contextos de mudança no PB (cf. Kato 2005) a escola não resgata a gramática histórica e a gramática lusitana integralmente. Assim, o exemplo clássico é o do resgate dos clíticos acusativos e dativos de 3a pessoa na escrita e fala formais, mas não o resgate da ênclise, que é a colocação pronominal do PE, excetuando os contextos com ‘atratores’. O mesmo penso que pode ser afirmado a respeito dos OIs. Como discutido em Armelim (2011) e Moretti (2010), a preposição a não é encontrada com os verbos de criação. Ou seja, não há, nesses contextos, a variação a e para. Assim, a entrada da preposição a, via escolaridade, parece não atingir os contextos ditransitivos, nos quais o OI é interpretado como beneficiário, num contexto verbal particular.

Em outras palavras, encontramos duas situações acerca da introdução de argumentos indiretos em PB. Nos usos comuns da língua, os brasileiros preferem a

175 preposição para, já em contextos mais formais, os falantes a substituem por a, principalmente nos contextos em que sua interpretação geral é de recipiente. Desse modo, acredito ser possível afirmar que a preposição para em PB configura o que Pesetsky (1995:141) chama de superset – super conjunto, enquanto a faz parte de um subset – subconjunto dos possíveis usos de para, como discutimos acerca da preposição to na seção 4.1. deste capítulo.

Assumo, portanto, que o PB possui apenas construções ditransitivas preposicionadas, pois, uma vez que as preposições para e a apresentam semânticas semelhantes, as mesmas passaram a ter o mesmo estatuto, ou seja, para os brasileiros, ambas as preposições são elementos lexicais quando usadas para introduzir os argumentos indiretos que acompanham os verbos de transferência, movimento.

Como discutido nos capítulos anteriores, em PE, a preposição a é somente um elemento funcional marcador de Caso dativo, por isso faz parte da DOC, enquanto para é um elemento lexical presente na PDC. Uma vez que PB não possui preposição dummy no contexto de sentenças ditransitivas, esse fato é mais uma evidência que o PB, diferentemente do PE e outras línguas românicas, possui apenas PDCs. Assim sendo, argumentarei nas seções seguintes que essas preposições são o núcleo do complemento de uma projeção pP, logo podem ser perfeitamente responsáveis por estabelecer uma relação entre os dois argumentos presentes nas construções ditransitivas.

4.5.2 A estrutura argumental das ditransitivas com os verbos de

transferência e movimento

Com base no que foi exposto nas seções anteriores sobre o conceito de estrutura ditransitiva e sobre pP, apresento nesta seção minha proposta para a representação das sentenças ditransitivas com verbos de transferência e movimento, como o exemplo abaixo

(217) João enviou uma carta para Maria.

De acordo coma ideia central de ditransitividade nos moldes de Cuervo (2010), uma sentença ditransitiva como (217) é constituída por dois eventos, não três.

176 Primeiramente, é estabelecida uma relação entre os dois argumentos internos ao vP - o OI Maria é o recebor direto do OD ‘carta’, logo não há uma relação entre dois eventos distintos e, sim, entre os argumentos internos e, depois, essa relação é selecionada pela raiz verbal.

Uma sentença ditransitiva, portanto, deve apresentar categorias funcionais que possam expressar a relação de transferência de posse entre o OD e o OI, sejam elas – uma frase aplicativa, uma small clause ou uma frase preposicional. Como discutido anteriormente, o aplicativo baixo seria o responsável por estabelecer essa relação em línguas como o espanhol e o PE. Em PB, porém, por essa variante não apresentar núcleos aplicativos, pelas razões defendidas no Capítulo I, a relação entre os dois argumentos é estabelecida na estrutura argumental através da preposição presente no núcleo de PP complemento da projeção pP, como podemos verificar na representação abaixo: (218) VoiceP ru DPSuj ru A Maria Voice vP ru v ru Root pP env- ru DP p’ uma carta ru p PP alvo para/a o João

Na estrutura acima, a preposição encontra-se em uma relação de c-seleção com o argumento Fundo como explicitado anteriormente. Logo, ela está necessariamente dentro da projeção PP, complemento de pP. Semanticamente, temos uma interpretação na qual o complemento oblíquo é o alvo/recipiente do evento, ou seja, há uma relação direta de posse entre o OD e o objeto introduzido pela preposição, similar à construção aplicativa do PE, discutida no Capítulo I. Assumo que a partir das construções preposicionadas do PE, os falantes de PB reanalisaram a construção aplicativa do PE e

177 generalizaram o uso da preposição para em todos os contextos ditransitivos com verbos de transferência e movimento.

Pensando na semântica de alvo/recipiente instanciada pelas preposições para e a, a estrutura representada em (218) é perfeitamente capaz de representar uma estrutura ditransitiva do PB com verbos de transferência e movimento com seu argumento indireto sendo introduzido pelas preposições transitivas em questão. Porém, como discutido na seção anterior, a preposição para também veicula a semântica de beneficiário do evento. Dessa forma, coloca-se a seguinte questão: como representar essa outra interpretação veiculada por para? Para respondê-la, lembramos primeiramente a necessidade de considerar que, no modelo construtivista que estamos adotando, a interpretação das raízes é afetada pelas propriedades sintáticas do v ao qual elas se ligam, de modo que a estrutura do evento é construída através da interpretação de elementos funcionais (cf. Wood 2012:218).

Assim, para dar conta da interpretação de beneficiário do argumento indireto dessas estruturas vou me valer da proposta de Wood & Marantz (2015), segundo a qual um único núcleo i* é capaz de introduzir argumentos no contexto relevante. Veremos a seguir, que essa proposta é uma complementação do que foi exposto até o momento acerca da projeção pP que, como venho discutindo, pode ser utilizado para introduz a relação entre os dois argumentos das estruturas ditransitivas.

Benzer Belgeler