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Mortalite ile Sonuçlanan Ludwig Anjini: Bir Otopsi Olgusu Ludwig’s Angina Resulting in Mortality: an Autopsy Case

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As Cidades de Florianópolis, capital de Santa Catarina, e de Laguna, cidade situada no litoral da região sul do mesmo estado, destacam-se pela intensa realização de atividades voltadas ao turismo.50 Segundo Cecca (1997), o surgimento das atividades turísticas ocorreu de forma articulada ao processo de planejamento do desenvolvimento da capital, nos anos 70, encontrando-se incluída, no plano governamental, a exploração do potencial turístico do Estado. Portanto, importa registrar que o turismo não se constitui em um fenômeno acidental ou espontâneo, antes disso, segundo Ouriques (2010, p. 81),

O turismo consolida-se como a uma prática econômica e uma ideologia social poderosíssima, a ponto de ser vista socialmente como vendedora daquilo que não pode entregar: desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental, pois na sua curta história nas periferias do capitalismo, em geral, e em Florianópolis, em particular, evidenciam que se trata de uma atividade que contribui para a exclusão social e para a degradação dos elementos de sustentação natural.

Com efeito, o turismo enquanto atividade produtiva nos marcos da sociedade capitalista, realiza-se com a participação de diferentes agentes, destacando-se os empresários, o Estado, a população local e os turistas. Assim, enquanto parte de uma totalidade social mais abrangente, o turismo hegemonizado por segmento empresarial específico encontra-se revestido de contradições, conflitos e interesses divergentes. Por certo, tais contradições encontram-se relacionadas, dentre outros fatores, com a forma desigual quanto ao uso dos espaços turísticos, das relações sociais estabelecidas, das formas de apropriação dos produtos resultantes das atividades desenvolvidas. Assim, decorrentemente das atividades turísticas, observam-se o aumento da arrecadação de impostos pelo poder público, a concentração de lucro pelas empresas, a geração de trabalho formal para uma pequena parcela de trabalhadores e o trabalho informal e temporário para a grande parcela dos trabalhadores. Desse modo, os territórios turísticos acabam constituindo-se em meio e produto das relações sociais e de poder, direcionados para e pelo turismo. Nessa direção analítica, destaca-se que

O turismo materializa-se na lógica da diferenciação histórica e geográfica dos lugares e região. É pertinente ao local tanto quanto ao mundial, pois domina as relações históricas em função de mudanças e reestruturação dos espaços, aproveitando os recursos locais. Transfere o valor dos patrimônios culturais, das cidades, dos lugares e da população local para os turistas, enquanto objeto do olhar, do prazer e de desejo. [...] Para cada modalidade de turismo existe uma demanda espacial. Aproveitando-se áreas de montanhas, de sertão e litoral, áreas urbanas e rurais, metrópoles e cidades históricas, inclusive desertos e os enclaves (CORIOLANO, 2006, p. 371).

No atual contexto do século XXI, uma primeira dimensão ressaltada a partir dos dados empíricos, coletados na região litorânea de Santa Catarina, refere-se ao fato de o turismo constituir-se em uma das principais estratégias de valorização desigual e combinada do espaço pelo capital, estando permeado por múltiplas contradições inerentes ao modelo de produção vigente. Assim, cabe analisar a inserção profissional dos Assistentes Sociais na Política de Assistência Social, num contexto profundamente marcado pela crescente densidade democrática, associada à dinâmica socioeconômica e política da indústria do turismo sob a hegemonia do capital. Nessa perspectiva, as campanhas publicitárias, ou ainda do marketing urbano, projetam as cidades nos “mercados” turísticos nacional e internacional, desenvolvem uma imagem hegemônica capaz de criar o consenso entre poder público, investidores, população local e os consumidores de espaço.

Assim, os espaços do turismo e do lazer dominados pelo poder do mercado são repartidos, fragmentados e comercializados. Em análise sobre o processo de produção ampliada, aponta-se que o lugar “do lazer”, apresentado como independente do espaço do

“trabalho”, se encontra intimamente ligado ao último através do consumo organizado. Nas palavras de Lefebvre (2008a, p. 50),

Esses espaços separados da produção, como se fosse possível aí ignorar o trabalho produtivo, são os lugares da recuperação. Tais lugares, aos quais se procura dar um ar de liberdade e de festa, que se povoa de signos que não têm a produção e o trabalho por significados, encontram-se precisamente ligados ao trabalho produtivo. É um típico exemplo do espaço ao mesmo tempo deslocado e unificado. São precisamente lugares nos quais se reproduzem as relações de produção, o que não exclui, mas inclui, a reprodução pura e simples da força de trabalho.

Diante de tais afirmações, Lefebvre busca relevar o esquema do espaço ligado a uma práxis, onde a apresentação do espaço de forma fragmentada e recortada expressa somente uma representação aparente, pois as dissociações produzidas se encontram associadas e mantidas nos limites dessa sociedade. Com efeito, a valorização do espaço da cidade implica o estabelecimento de uma nova dinâmica no processo de uso e apropriação por parte dos agentes envolvidos nesse processo de produção e consumo. Trata-se, pois, do processo de produção e valorização de frações de espaço, comandado pelos interesses do capital imobiliário. Nesse enfoque, a pesquisa revela que o tipo, o local, o tamanho e a forma de moradia do cidadão, com mais ou menos tempo de resistência, acabam sendo hegemonizados pela lógica do mercado imobiliário.

Tem algumas áreas que estavam sendo muito valorizadas, então, por exemplo, eu moro na Lagoa, então, têm algumas regiões, [...] uma parte da Lagoa que tinha uma comunidade digamos nativa muito significativa, assim como tem Santo Antônio, Ribeirão e outras. São comunidades mais antigas, no histórico do município, mas como essas áreas começaram a ser muito valorizadas, na Lagoa, Barra da Lagoa, ainda muita gente era vinculada à pesca, aí eles começam a vender pelo valor da terra e começam a migrar dentro do município, mas aí eu não tenho certeza desse movimento pra onde que acontece, mas há muito a venda de propriedades antigas em função da urbanização e da valorização da terra (LF 245).

Cabe observar que o valor de troca expresso no espaço-mercadoria se sobrepõe ao valor de uso, nessa dinâmica, o mercado passa a dominar e redesenhar o uso do espaço de forma hierarquizada pelo poder de compra e consumo do espaço socialmente produzido para os fins do mercado. Tal processo implica o deslocamento de comunidades inteiras, para que a lógica hegemônica do capital se reproduza nos fragmentos de territórios, devidamente selecionados para o cumprimento de seu novo conteúdo ― o espaço produzido e consumido enquanto mercadoria. Nesses parâmetros, “[...] o espaço do turismo e do lazer são espaços visuais, presos ao mundo das imagens que impõe a redução e o simulacro. E que reduzem a apropriação enquanto „mercadoria de uso temporário‟ definida pelo tempo do não-trabalho” (CARLOS; CARRERAS, 2005, p. 176). Por conseguinte, o processo de apropriação do espaço socialmente produzido passa a ocorrer cada vez mais a partir das leis do mercado

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