4. GEREÇ ve YÖNTEM
4.6. Morfolojik ve Ġstatistiksel Analiz
No T0, considerando G1 e G2, 22 animais (67%) apresentaram densidade urinária
normal (eustenúria), oito (24%)
apresentaram isostenúria, um (3%)
apresentou hipostenúria e dois (6%) hiperestenúria.
A isostenúria, que consiste na urina na mesma densidade do ultrafiltrado glomerular
Tempos de avaliação: T0 (diagnóstico e internação); T1 (após reposição hídrica – animais com desidratação); T2 (1 a 2h de fluido
(Chew et al., 2011), ocorre mais comumente em animais com falência renal, quando os rins perderam a capacidade de concentrar ou diluir a urina, mas pode ocorrer também como uma resposta transitória a uma ingestão de fluidos (Wansley e Alleman, 2007). No presente estudo, dos oito animais com isostenúria apenas três (37,5%) apresentaram polidipsia, o que poderia justificar a maior diluição urinária. Nos demais animais (cinco cadelas – 62,5%), a principal suspeita é a injúria renal, uma vez que não apresentaram polidipsia e nem haviam recebido a fluidoterapia nesse momento de avaliação (T0).
A hipostenúria indica que os túbulos renais mantêm a capacidade de diluir a urina,
reduzindo a possibilidade de uma
insuficiência renal. É uma resposta não esperada em animais desidratados, o que foi observado em uma cadela desse estudo (6% de desidratação), mas pode ocorrer em animais com piometra devido à inibição do
ADH pela endotoxinas bacterianas, levando a um quadro de diabetes insipidus nefrogênica (Mastrocinque, 2002; Feldman e Nelson, 2004; Wansley e Alleman, 2007; Fossum, 2008; Lunn, 2009; DiBartola, 2012).
A hiperestenúria consiste na urina em concentração superior à normalidade e quando associada à desidratação representa uma resposta fisiológica dos rins para reduzir a perda de líquido do organismo (Feldman e Nelson, 2004; Grauer, 2007; Wansley e Alleman, 2007; Stockham e Scott, 2011). Ambos os animais com
hiperestenúria apresentaram 6% de
desidratação nessa avaliação, sugerindo função renal de concentração da urina preservada.
As médias de densidade urinária dos grupos G1 e G2 nos diversos tempos de avaliação e suas comparações estão representadas na tabela 18.
Tabela 18 – Valores médios (e desvios-padrão) de densidade urinária nos diferentes tempos de avaliação em 36 cadelas com piometra (G1 e G2)
Densidade urinária Grupo T0 T1 T2 T3 T4 T5 T6 T7 1 1,027 Acd (0,017) 1,014 Aa (0,009) 1,016 Aab (0,011) 1,021 Abc (0,011) 1,017 Aabc (0,008) 1,018 Aabc (0,008) 1,033 Ade (0,012) 1,043 Ae (0,020) 2 1,022 Aab (0,008) 1,014 Aa (0,010) 1,023 Babc (0,011) 1,031 Bd (0,008) 1,024 Abcd (0,009) 1,019 Aab (0,006) 1,036 Acd (0,020) 1,035 Acd (0,016) Valores seguidos de letras distintas, maiúsculas na coluna e minúsculas na linha, apresentam diferença significativa (p < 0,05) pelos testes de Mann-Whitney e de Kruskall-Wallis, respectivamente.
Valor de referência de densidade urinária para a espécie canina: 1,015 – 1,045 (Stockham e Scott, 2011).
Na comparação entre os grupos, observou-se diferença nos tempos T2 e T3, sendo a média do G2 maior em ambos (tabela 25). Nesses momentos de avaliação, os animais do G2 estavam recebendo infusão contínua de manitol, sendo o T2 uma hora após o bolus inicial do diurético (dose 1000 vezes maior que a da infusão contínua) e o T3 de
13 a 14 horas após o início da infusão de manitol. Solutos de alto peso molecular, como o manitol, podem aumentar a densidade urinária, justificando a diferença (Chew et al., 2011).
Não houve diferença entre os grupos no T4, momento em que foi interrompida a terapia
com manitol, possivelmente porque a infusão contínua (1mg/kg/min) possui dose insuficiente para gerar alteração de densidade urinária como a observada nos tempos mais próximos do bolus inicial (tabela 18).
No G1, observou-se diferença do T1 em relação aos tempos T0, T3, T6 e T7, com o T1 apresentando a menor média. A redução da densidade no T1 provavelmente deveu-se à fluidoterapia de reposição instituída antes dessa avaliação, havendo efeito diluidor na urina. Também houve diferença do T6 e T7 em relação a todos os demais tempos, os primeiros apresentando os maiores valores e denotando restabelecimento da capacidade renal de concentração urinária após o tratamento da piometra (tabela 18).
No G2, ao longo dos tempos de avaliação, observou-se diferença do T1 em relação aos tempos T3, T4, T6 e T7, com o T1 apresentando a menor média. Também houve diferença entre T6 e T7 em relação a T0, T1 e T5, sendo a média dos primeiros maior. Embora sem diferença estatística, observou-se média dentro dos valores de normalidade no T0 e abaixo dos valores de referência no T1, denotando o efeito diluidor exercido pela fluidoterapia assim como no G1 (tabela 18).
Apesar das médias de densidade urinária apresentarem valores normais na maioria dos tempos em G1 e G2 (tabela 18), foram observados animais com hipostenúria e isostenúria em quase todas as avaliações (tabela 19).
Tabela 19 – Frequência absoluta e relativa de animais com hipostenúria, isostenúria, eustenúria e hiperestenúria nos diferentes tempos de avaliação em 36 cadelas com piometra (G1 e G2)
Grupo 1 Grupo 2
Tempo N Hipost. Isost. Eust. Hiperest. N Hipost. Isost. Eust. Hiperest.
T0 19 1(5%) 4(21%) 12 (63%) 2(11%) 14 0 3(21%) 11(79%) 0 T1 14 3(21%) 7(50%) 4(29%) 0 9 2(22%) 3(33%) 4(45%) 0 T2 20 2(10%) 12(60%) 5(25%) 1(5%) 14 0 4(29%) 10(71%) 0 T3 20 1(5%) 3(15%) 15(75%) 1(5%) 13 0 0 13(100%) 0 T4 20 1(5%) 8(40%) 11(55%) 0 13 1(8%) 0 12(92%) 0 T5 20 0 10(50%) 10(50%) 0 14 0 4(29%) 10(71%) 0 T6 20 1(5%) 0 18(90%) 1(5%) 16 0 1(6%) 10(63%) 5(31%) T7 17 0 0 10(59%) 7(41%) 10 0 1(10%) 7(70%) 2(20%) No G1 observou-se normalização da densidade urinária na maioria dos animais a partir do T3 (exceto no T5 em que 50% das cadelas apresentou isostenúria). No T6 não
foi observado nenhum animal com
isostenúria e apenas um animal com hipostenúria. No T7 todas as cadelas
demonstraram capacidade renal em
concentrar a urina (tabela 19).
No G2, observou-se normalização da densidade urinária na maioria dos animais a partir do T2, o que provavelmente decorreu do efeito do manitol como soluto de alto peso molecular, conforme já mencionado. A partir do T5, nenhum animal apresentou hipostenúria. Apenas um animal apresentou, no T6 e no T7, urina isostenúrica (tabela 19), sugerindo lesão renal instalada. Esse animal apresentou concomitantemente
Tempos de avaliação: T0 (diagnóstico e internação); T1 (após reposição hídrica – animais com desidratação); T2 (1 a 2h de fluido
aumento das concentrações séricas de fósforo acima dos valores de referência no T6 e aumento das concentrações séricas de creatinina no T7, sugerindo progressão da lesão renal, conforme discutido no item
5.2.2.
No presente estudo, observou-se
normalização da densidade urinária na maioria das cadelas a partir de 12 horas do pós-cirúrgico no G1 e a partir do início da infusão de manitol no G2, antes mesmo da OVH (tabela 19). Esses tempos foram menores que o tempo de duas a oito semanas mencionado por Mastrocinque (2002). Barros (2004), estudando os efeitos da terapia com manitol na correção da insuficiência renal aguda (IRA) induzida por gentamicina, observou normalização da densidade urinária mais rapidamente nos animais tratados com fluidoterapia associada
ao manitol (28 dias) do que naqueles tratados apenas com fluidoterapia (32 dias). Esse efeito do manitol não foi evidenciado no presente estudo. Uma vez que a ação das endotoxinas bacterianas sobre a densidade urinária é transitória após a remoção uterina em casos de piometra, a normalização da densidade urinária ocorreu rapidamente (12 horas) após a cirurgia na maioria dos animais avaliados do G1. No G2 essa normalização foi mascarada pela ação do manitol como soluto de alto peso molecular, alterando a densidade urinária não por um efeito renoprotetor, mas sim por ação direta na composição urinária.