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Nos países em vias de desenvolvimento, a relevância da liberalização de serviços está associada, primordialmente, com a contribuição para a eficiência da economia e à crescente participação do terceiro setor, o qual lidera o crescimento e desenvolvimento da economia.

As regulações nacionais podem criar barreiras à competência internacional em forma de monopólios mercadológicos, restrições legais à entrada ou sobre o investimento direto estrangeiro.

Apesar de não determinar o êxito de uma liberalização comercial, a desregulação nacional representa um complemento necessário para se almejar novas oportunidades de comércio e investimento.

A combinação de desregulação com liberalização dos transportes na América Latina tem produzido uma redução no custo de provisão.

Mas a relação empírica existente entre liberalização do comércio de serviços e crescimento econômico não tem sido explorada suficientemente.33

Durante algum tempo, os serviços foram considerados um setor não transacionável, mesmo que, em muitos países, o setor de serviços tem uma participação importante no produto e no emprego.

Os avanços tecnológicos permitiram que uma porção cada vez maior dos serviços se transformasse em transacionáveis entre países.

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A relação matemática que se tem analisado em diversos estudos é entre a abertura do comércio de bens e crescimento econômico tal como nos trabalhos de DOLLAR, D. Outward- oriented developing economies really do grow more rapidly: evidence frm 95 LDCs, p. 1976-1985. In: Economic development and cultural change, 1992; SACHS, J.; WARNER, A. Economic reform and the process of global integration. Brookings paper on economic activity: 1, 1995; BEN DAVID, D. Equalizing exchange: trade liberalization and economic convergence. Quarterly journal of economics, 108, 1993; EDWARDS, S. Openness, productivity and growth: what do we really know? Economic journal, march, 1998; cujos resultados da pesquisa foram criticados por RODRÍGUEZ, F.; RODRIK, D. Trade policy and economic growth: a skeptic guide to the cross-national evidence. NBER working paper 7081, 1999. A discussão teórica permaneceu aberta, sustentando-se que o fenômeno da liberalização em circulação de mercadorias era recente, sendo impossível alcançar os efeitos dinâmicos da mesma. A principal pergunta que se pode transcender aqui é se os efeitos no setor de serviços são iguais aos identificados para o setor de mercadorias. Nesse sentido, vide: MATTOO, A.; RATHINDRAN R.; SUBRAMANIAN, A. Measuring services trade liberalization and its impact on economic growth: an illustration. The World Bank, 2001.

A teoria do comércio internacional distingue duas razões ao tentar explicar a razão pela qual os países comercializam entre si: porque são distintos (modelo Heckscher-Ohlin) e porque os países são idênticos, mas produzem em mercados de concorrência imperfeita com rendimentos crescentes.

Sobre a primeira corrente teórica, DEANDORFF (1985) estabeleceu o primeiro enfoque formal da teoria da vantagem comparativa para os serviços, estabelecendo que, em situações de concorrência perfeita, essa teoria é aplicável.34

No âmbito do Mercosul, o comércio intraregional consiste não só em um mecanismo indireto de comércio de fatores de produção, mas também uma forma de almejar as economias de localização.

Destarte, os serviços não-comercializáveis seguiriam a distribuição geográfica dos bens, enquanto os serviços comercializáveis (como, por exemplo, telecomunicações e serviços financeiros) observariam tendências de localização (KRUGMAN, 1991, p. 32).

Do ponto de vista de classificação, existem vários tipos de serviços os quais podem ser: os considerados como commodity trade por sua semelhança com o comércio de mercadorias; os considerados como factor trade e os relacionados com Investimento Estrangeiro Direto o qual tem papel importante nas transações de serviços.

Um detalhe importante a ser considerado para os serviços é a questão relacionada com a informação, ou melhor, com a falta de informação no comércio de serviços. Isso porque, como a prestação de serviços é intangível,

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Todavia, idêntica-se três possíveis dificuldades da validade da teoria tradicional: a) complementaridade entre os serviços e os bens, devido à impossibilidade de conhecer os preços dos serviços em autarquia; b) comércio de fatores, nesse caso a abertura do comércio pode criar fortes incentivos pra deslocar fatores de produção para outro país; c) comércio de fatores sem mobilidade, onde a presença física dos fatores de produção nem sempre é necessária para produzir um bem. Para mais detalhes, vide: SAPIR, S.; WINTER. C. Services trades. In: GREENAWAY, D.; WINTERS, L. A. (eds.) Surveys in international trade. Blackwell: 1994.

a qualidade do mesmo somente pode ser conhecida quando executado ao consumir-se.

A informação disponível (subvenções ou regulamentações sobre atividade econômica específica de serviço) não permite conhecer o grau de proteção de cada indústria. Em outras palavras, a falta de informação sobre preços e quantidades não permite conhecer a proteção de um setor, utilizando- se um sistema aduaneiro nacional equivalente.

Com isso, a presença de informação assimétrica leva aos problemas de intervenção do governo para diminuir essas falhas, muitas vezes, por via de licenças e certificações de profissionais para proteger o consumidor.

Entretanto, a informação não é o único elemento de falha mercadológica, aparecendo também a concorrência imperfeita e as externalidades.

Sobre o volume de comércio de serviços nos Estados-partes do Mercosul, a tabela 1 a seguir relaciona com o comércio de bens, sendo que ao todo circulam 3,5% do comércio mundial de bens e3,1% do comércio mundial de serviços.

O resultado em termos de coeficientes de comércio (exportações de serviços sobre o total mundial) resulta em 1% na Argentina, em 1,8% no Brasil e substancialmente inferiores no Paraguai e no Uruguai.

Comparando-se o total do comércio mundial, somente o Uruguai perpetuou uma relação importante pela ótica das exportações entre o comércio de serviços e o de bens 49%, sendo que o Brasil ficou com 28,9%.

Nas importações, a importância relativa é mais alta do que a média mundial na Argentina e no Brasil, mas devido às suas baixas exportações, resultam em déficits nas balanças de pagamentos.

As exportações de serviços do Brasil são, em valor absoluto, superiores aos da Argentina que exporta, principalmente, serviços relacionados com

viagens ao exterior. O Brasil exporta, principalmente, “outros serviços”, dentro dos quais se incluem de maneira mais relevante os serviços comerciais.

Tabela 1 – Transações internacionais de bens e de serviços em 1998 na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai (em US$ milhões)

Argentina Brasil Paraguai Uruguai Total mundial

Crédito Débito Crédito Débito Crédito Débito Crédito Débito Crédito Débito Comércio de bens 26.434 29.448 51.136 57.739 3.824,1 3.938,0 2.832,3 3.594,2 5.377.100 5.297.000 Comércio de serviços 4.660 9.045 7.631 16.676 489,2 562,0 1.392,7 912,8 1.360.992 1.348.956 Transporte 1.071 2.826 1.862 5.090 65,3 324,4 340,0 421,0 301.122 362.008 Viagens 3.025 4.230 1.317 5.385 112,3 142,5 694,9 265,0 425.246 384.998 Outros serviços 564 1.989 4.452 6.201 311,6 95,1 357,8 226,8 634.624 601.950 Serviços/bens (%) 17,6 30,7 14,9 28,9 12,8 14,3 49,2 25,4 25,3 25,5 Bens/total mundial (%) 0,50 0,56 0,97 1,09 0,07 0,07 0,05 0,07 Serviços/total mundial (%) 0,35 0,67 0,57 1,24 0,04 0,04 0,10 0,07

Fonte: Fundo Monetário Nacional (IMF), 2009 (http://imf.org)

Contudo, é relevante destacar que os valores que aparecem do balanço de pagamentos consistem em registros entre residentes e não-residentes, subestimando em tal medida dos serviços negociados no GATS.

Trata-se, especialmente, do modo de provisão commercial presence35 relacionado com o investimento estrangeiro direto (IED), na medida em que o balanço de pagamentos não registra as transações entre residentes do mesmo país (KARSENTY, 2000).

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As concessões gerais do regime do GATS/WTO dos Estados-partes do Mercosul foram importantes, incluindo as seguintes atividades: serviços a negócios, comunicação, construção, distribuição, financeiros e turísticos.

O número de concessão do Brasil na Rodada Uruguai foi de 156 de um total de 620,36 dos quais 19 corresponderam à categoria de “nenhuma restrição”, tanto para o acesso ao mercado37 como para o tratamento nacional.

É interessante comparar essas informações com as correspondentes da Argentina, onde o número de concessões totais foi de 208, mas sendo 136 consideradas de “nenhuma restrição”. Por sua vez, o Uruguai ficou com 96 concessões e 67 itens considerados como de “nenhuma restrição”.

A tabela 2 abaixo dispõe sobre as características das concessões no cenário da Rodada Uruguai, especificamente, nos Estados-partes mercosulistas, comparando-se com a média dos Estados-membros da OCDE e da América Latina.

Levando-se em consideração o número de compromissos negociados por cada Estado-parte sobre o total de compromissos do GATS, visualiza-se que a Argentina e o Brasil fizeram mais concessões do que Paraguai, Uruguai e a média latinoamericana.

Ademais, a relação entre o número de compromissos negociados como de “nenhuma restrição” e o número de compromissos negociados está dentro do patamar da média da América Latina e dos Estados-membros da OCDE, o que não aconteceu com o Brasil.

Essencialmente, a barreiras ao livre comércio de serviços são a legislação e as práticas administrativas estatais, o que, portanto, torna complexa a mensuração da proteção comercial.

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O total especificado de 620 corresponde aos 155 setores de serviços do GATS por quadro modos de oferta: cross border supply, consumption abroad, commercial presence, presence of

natural persons. 37

Acesso ao mercado representa a não-discriminação à entrada de ofertantes (nacionais ou estrangeiros) a um determinado mercado e tratamento nacional consiste e não discriminar entre ofertantes nacionais e estrangeiros de serviços.

Tabela 2 – Negociações realizadas por Estado-parte do Mercosul para acesso ao mercado no âmbito do GATS/WTO (1994)

Indicador Argentina Brasil Paraguai Uruguai

Média da OECD Média da América Latina 1) Número de compromissos negociados 208 156 36 96 330,4 119 2) Número de compromissos sem nenhuma restrição 136 19 18 67 188,9 49,1 3) Número de compromissos negociados/Total de lista GATS (%) 33,6 25,2 5,8 15,5 53,5 19,2 4) Número de compromissos negociados como sem restrição/Número de compromissos negociados ((4) = (2)/(1)*100) 65,4 12,2 50,0 69,8 57,2 41,3

Fonte: Elaboração própria conforme dados da OMC (http://www.wto.org), 2009.

Além disso, não fica claro suficientemente quando à característica de uma medida regulatória ser ou não protecionista ou restritiva ao livre comércio. Assim, o governo pode aplicar uma medida não-discriminatória sobre questões relacionadas a financiamento que, efetivamente, possa ser uma restrição à provisão de serviços de um produto estrangeiro.

As restrições sobre transações de serviços são, na sua essência ou por definição, não-alfandegárias, tendo em vista a característica de fazer, intangível e não-armazenável.

Teoricamente, é complexa a identificação e mensuração das restrições não-alfandegárias para prestação de serviços, tendo em vista as características já mencionadas e sua lógica de implementação puramente política e econômica.

As barreiras não-alfandegárias que podem distorcer o comércio de serviços são assim consideradas:

a) instrumentos relacionados com o acesso ao mercado de um provedor de serviços, como: proibição de investimentos diretos de origem estrangeira e existência de monopólios legais;

b) instrumentos que produzem um tratamento discriminatório aos serviços estrangeiros se comparado aos de caráter nacional, tais como: exclusão em regimes de incentivos em matéria de investimento, tratamento diferencial dado aos não-residentes;

c) medidas que não funcionam como os dois instrumentos já mencionados, mas que se utilizam na prática de característica legal e cultural, tal como as leis de proteção ao consumidor e as preferências do consumidor local em aspectos culturais.

Com isso, esclarece-se melhor o desafio de se mensurar as barreiras não-alfandegárias.

Todavia, mesmo com a informação estatística bilateral e a alta agregação de valores numéricos disponível, dificulta ainda mais a tarefa, tornando-a ainda mais difícil, de tal sorte que a própria falta de referência a um preço faz com que o impacto da liberalização sobre o bem-estar não se possa medir.

Mesmo que a regulação estatal tenha finalidades domésticas, é certo sobre a sua influência ao nível internacional. Em outras palavras, exemplificativamente, os governos podem impor restrições que influenciam de distinta maneira no fluxo de serviços. A regulação representa um elemento comum nas indústrias de serviços, o qual geralmente acaba afetando os demais sub-setores do comércio.

A regulação pode ser protecionista quando se discrimina os produtos estrangeiros, sendo que essa discriminação pode ser intervencionista ou não. Por exemplo, na situação em que se impõem restrições para entrar em uma atividade através de normas de onde os ativos devem ser mantidos no país doméstico, os produtos estrangeiros podem estar em desvantagens e isso envolve uma medida intervencionista.

Um outro exemplo pode ser dado na situação em que se exija o reconhecimento de qualificações profissionais domésticas para os quais o registro profissional fica necessário.

Tal como acontece nas barreiras técnicas ao comércio de mercadorias, em muitos serviços não se alcança a possibilidade de prestá-los em razão dos mecanismos regulatórios.

De acordo com a comercialização dos serviços, é possível individualizar as restrições ao livre comércio na seguinte classificação;

a) barreiras ao movimento dos ofertantes, restrições ao movimento de trabalhadores para a construção, questões artísticas, profissionais estrangeiros, restrições sobre o fluxo de investimento estrangeiro direto; b) barreiras ao movimento dos receptores, restrições aos residentes que viajam para se educar ou por turismo, restrições sobre o deslocamento de equipamento para serviços ou reparações;

c) barreiras ao comércio de serviços, restrições aos serviços de arquitetos, contadores, especialistas em computação, restrições sobre transmissões eletrônicas, restrição às instalações de bancos ou companhias de seguros, ou requerimentos de insumos locais.

2.3.3 O comércio de serviços de transportes nos acordos regionais:

Benzer Belgeler