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3. MATERYAL VE YÖNTEM

4.1. Sıkıştırma Sonuçları

4.2.2. MongoDB Performansı

No momento posterior à II Guerra Mundial, na Europa e nos EUA, enquanto as bases do Estado de Bem-Estar da Europa se constituíam, criou-se a Sociedade de MontPèlerin, que reuniu teóricos como Milton Friedman, Karl Popper, Lionel Robbins, Ludwig Von Mises, Walter Eupken, Walter Lipman, Michael Polanyi, Salvador de Madariaga, entre outros, criadores da reação teórica e prática contra o Estado de Bem-Estar (ANDERSON, 1995).

Nesse período, criou-se um amplo e articulado conjunto de teses no campo político-econômico de orientações liberais, conhecido como neoliberalismo, teses essas que significaram o recolocar sobre novas bases dos principais fundamentos liberais para a condução da sociedade capitalista. Esse é o significado largamente atribuído, por exemplo, à obra O Caminho da servidão de Friedrich August Von Hayek (2010), publicada pela primeira vez em 1944, que defendeu as liberdades de mercado e atacou o que chamou de limitações de tais liberdades causadas, segundo o autor, pelo intervencionismo do Estado e pelas políticas do Welfare State. A mesma crítica à participação do Estado no campo econômico pode ser encontrada na obra de Milton Friedman (1994), intitulada Capitalismo e Liberdade.

No final dos anos 1960, surgiram as condições para a retomada, segundo Santos (2015), da mão invisível smithiana na regulação do mercado, que estaria ligada ao suposto

esgotamento da dinâmica do Welfare State, o que poderia ser identificado por três elementos que marcariam a desmontagem do Estado de Bem-Estar:

1) A Guerra do YomKipur, gerada pelo acirramento das tensões entre árabes e israelenses, que provocou uma hiperinflação do barril de petróleo em 300%, em outubro de 1973;

2) A crise política iraniana, que resultou na deposição do Xá Reza Pahlevi, dando início `Revolução Islâmica de 1979, produzindo nova elevação no preço do barril do petróleo, que atingiu a casa de 1000%;

3) a enorme insatisfação das empresas internacionais com a excessiva carga tributária determinada pela economia planejada keynesiana, que limitava o desempenho econômico e a alta lucratividade do setor privado (SANTOS, 2015, p. 213- 214).

Dessa forma, durante o período da chamada crise do petróleo dos anos 1970, o discurso neoliberal foi utilizado como ideologia e instrumento contra as baixas taxas de crescimento e as altas taxas de inflação, que seriam causadas pela longa e profunda recessão do capitalismo. O neoliberalismo foi caracterizado por Anderson (1995, p. 22) como ―um movimento ideológico‖ mundial, ou seja, ―um corpo de doutrina coerente, autoconsciente, militante, lucidamente decidido a transformar todo mundo à sua imagem, em sua ambição estrutural e sua extensão internacional‖.

Por isso, o significado maior do neoliberalismo foi e é a ampla e incisiva defesa de proposições práticas que visam o desmonte do Estado de Bem-Estar e sua doutrina, de modo a produzir as condições para atender aos interesses políticos e ideológicos do capitalismo, embora, no campo econômico, não tenha provocado a revitalização básica do capitalismo avançado e, no campo social, tenha conseguido muitos dos seus objetivos, criando sociedades mais desigualdades, embora menos desestatizadas do que queria (ANDERSON, 1995, p. 23).

A nova forma de liberalismo que assumiu o Estado Capitalista, segundo Lima (2014a), modificou e, até, moldou-se às novas conjunturas políticas e sociais, possibilitando a sua sobrevivência sem, paradoxalmente, perder ―suas características intrínsecas‖ de defesa da propriedade privada e o próprio modo de produção baseado na livre inciativa. Para essa autora, o neoliberalismo é:

Uma das formas assumidas foi o chamado neoliberalismo, surgido na década de 1970, que é a aplicação dos princípios liberais a uma realidade econômica pautada pela globalização e por novos paradigmas do capitalismo. Dentre seus mentores, destacam-se Friedrich Haeyk (1899 a 1992) e Milton Friedman (1912 a 2006). No neoliberalismo, defende-se, de forma ainda mais explícita e acentuada, a ideia de que o Estado não deve interferir nos rumos da economia, ou seja, no livre mercado (LIMA, 2014b, p. 29).

Segundo os neoliberais, o sindicalismo e o movimento operário com sua pressão para o aumento de salários e para a expansão de gastos sociais pelo Estado, corroeram as bases de lucros da acumulação capitalista e provocaram processos inflacionários. O remédio sugerido foi a criação de um Estado capaz de romper com o poder dos sindicatos, manter rígido o controle do dinheiro, conter os gastos sociais e eliminar ou reduzir suas intervenções econômicas. Esses fatores políticos deveriam convergir, no campo econômico, para a estabilidade monetária, nova palavra de ordem do neoliberalismo. Estabilidade que deveria estar conjugada, ainda, com a dependência de disciplina orçamentária, da restauração da taxa natural de desemprego e de reformas fiscais.

O conjunto dessas políticas ganhou mais impulsos no início da década de 1980. Na Organização Europeia para o Comércio e Desenvolvimento (OCDE), a eleição de Margaret Thatcher na Inglaterra, em 1979; na América do Norte, a eleição de Ronald Reagan, em 1980; na Alemanha, Helmut Khol derrota o regime social liberal, em 1982; na Dinamarca, modelo de bem-estar social, a coalisão de direita ganha a eleição e constitui-se o governo Schluter, em 1983.

Em seguida, quase todos os países da Europa Ocidental, com exceção de Suécia e Áustria, passaram a ser governados pela direita. Por isso, Anderson (1995, p. 12) afirma que o neoliberalismo ganhou força política, para além da questão econômica, com a ascensão da nova direita na Europa e na América do Norte. Os anos 1980 viram o triunfo da ideologia neoliberal na região do ―capitalismo avançado‖. O fortalecimento do neoliberalismo significou um processo de direitização do Ocidente nesse período, trazendo consigo um duplo movimento:

[...] por um lado, uma supersticiosa exaltação do mercado, fechando os olhos para os resultados catastróficos que seu funcionamento autônomo havia produzido no passado – até desembocar na Grande Depressão de 1929 – e absolvendo-o piedosamente de suas culpas. Por outro, uma recíproca satanização do Estado como causador de todas as desgraças e infortúnios que, de diferentes maneiras, afetaram a sociedades capitalistas (BORÓN, 1995, p. 77).

Se inicialmente, na Europa, apenas governos de direita aplicavam o receituário do neoliberalismo, com o passar do tempo, qualquer governo, inclusive os que se proclamavam de esquerda, aderiram a ele. De modo que, ao final de 1980, os ideais do neoliberalismo haviam triunfado nos países da OCDE. O Japão e os países da América Latina também continuavam fora da tentação e da pressão neoliberal do período.

Nos anos 1990, os ideais políticos e econômicos neoliberais foram fortalecidos pela queda do comunismo real na Europa oriental e na União Soviética, de 1989 a 1991, e

pela recessão nos países de capitalismo avançado de 1991. Com isso, o capitalismo ―de tipo específico liderado e simbolizado por Reagan e Thatcher nos anos 1980‖ (ANDERSON, 1995, p. 18), denominado de neoliberalismo, proclamou-se o grande triunfante. No período, a América Latina tornou-se a terceira área de experimentações neoliberais:

A virada continental em direção ao neoliberalismo não começou antes da presidência de Salinas, no México, em 88, seguida da chegada ao poder de Menem, na Argentina, em 89, da segunda presidência de Carlos Andrés Perez, no mesmo ano, na Venezuela, e da eleição de Fujimori, no Peru, em 90 (ANDERSON, 1995, p. 20).

A introdução do neoliberalismo no Brasil ocorreu com a tentativa frustrada do Governo Collor de Mello (1990-1992) e teve continuidade com o Governo de Fernando Henrique Cardoso como presidente (1994-2002).

Os formuladores do neoliberalismo não escondem que a democracia não é para eles um valor, pois não é a única via possível. A economia de mercado que defendem, baseada no Estado mínimo, também se adapta e floresce em regimes autoritários.

Mas a democracia em si mesma – como explicava incansavelmente Hayek – jamais havia sido um valor central do neoliberalismo. A liberdade e a democracia, explicava Hayek, podiam facilmente tornar-se incompatíveis, se a maioria democrática decidisse interferir com os direitos incondicionais de cada agente econômico de dispor de sua renda e de sua propriedade como quisesse (ANDERSON, 1995, p. 20).

A hiperinflação é outro elemento que os neoliberais dizem não ser uma preocupação; pelo contrário, é um componente que equivale ao medo da ditadura como elemento para aceitação tácita de medidas neoliberais pela população.

[...] há um equivalente funcional ao trauma da ditadura militar como mecanismo para induzir democrática e não coercitivamente um povo a aceitar políticas neoliberais das mais drásticas. Este equivalente é a hiperinflação. Suas consequências são muito parecidas (ANDERSON, 1995, p. 21).

Sem contar a questão da corrupção, que também é utilizado pelos neoliberais para atingir o objetivo de eleger governantes alinhados com os ideais neoliberais. Os governantes que não aceitam esse alinhamento com os ideais neoliberais são taxados de corruptos.

O autor conclui que economicamente o neoliberalismo fracassou, ―não conseguindo nenhuma revitalização básica do capitalismo avançado‖, mas foi socialmente vitorioso, ainda que do ponto de vista do interesse da maioria da população, o neoliberalismo tenha conseguido seus objetivos ―criando sociedades marcadamente mais desiguais, embora não desestabilizadas como queria‖ (ANDERSON, 1995, p. 23).

As investidas neoliberais sobre a América Latina e os demais países emergentes ou em desenvolvimento foram propagadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Mundial (BM), por meio de financiamento de políticas de interesse do interesse do grande capital financeiro internacional.

Para os liberais não existe uma crise do capitalismo e sim uma crise fiscal e uma crise do modelo de intervenção social do Estado. Por isso, os neoliberais postulam que o Estado entrou em colapso e deve ser reformado. Na verdade, a intenção das reformas neoliberais é, sob a égide da recuperação das finanças públicas do Estado, permitir que os capitalistas apossem-se, ainda mais, do Estado, para que esse continue atuando no financiamento e na defesa dos interesses do capital. Querem que o Estado ampliem ainda mais em obras de infraestrutura, políticas industriais e tecnológicas, contribua para aumentar a taxa de lucro do capital, bem como pavimentar a continuidade do sistema capitalista. Nessa direção, Sanfelice afirma:

Embora as diferentes formas políticas que o Estado assume historicamente não sejam uma questão irrelevante, o fato é que numa sociedade de propriedade e apropriação privadas, seja qual for a forma política vigente, esta permanece como domínio de classe (SANFELICE, 2005, p. 181). Nesse sentido, a globalização e a reestruturação produtiva são os elementos que a burguesia internacional utilizam pra justificar a construção do Estado Neoliberal. Com isso, o Estado Neoliberal foi alçado, no campo ideológico, como única forma de realizar transformações no estado crítico da regulação social do presente e, no campo prático, foi transformado em ferramenta para intensificar e renovar as formas de prevalência dos interesses do capital. De modo que, foi um construído um estado que pudesse ser colocado contra os avanços do processo histórico de desenvolvimento do gênero humano.

Por fim, as diferentes configurações do Estado capitalista, sob a forma de Estado Liberal, Estado de Bem-Estar Social e Estado Neoliberal, mantiveram e mantêm a essência do Estado político, ser um instrumento para manter o consenso da ordem instaurada pela burguesia. Fazem isso afirmando ser o sistema político uma herança pretérita e uma forma modernizada de ação do Estado, muito embora não seja possível descartar que tal herança ocorra no aspecto da finalidade da política, ou seja, na política como forma de estabelecer o consenso fundado no modo de produção, fato que a ciência política burguesa faz questão de esconder.

Benzer Belgeler