2.3 Kategori Teorisi
2.3.4 Monadlar
Para a realização do presente trabalho, pretendeu-se uma triangulação de dados, ou seja, a obtenção de informações para a realização de pesquisa empírica, a partir da coleta de dados em diferentes momentos e em diferentes fontes. Também houve multiplicidade de métodos utilizados, incluindo-se entrevistas, questionários e contatos telefônicos, conforme Apêndice 1, que traduz, de forma simplificada, as etapas realizadas para o levantamento de dados.
Numa primeira etapa, foram entrevistados consultores das empresas de Consultoria em Recursos Humanos, sendo que sua escolha das mesmas recaiu sobre as empresas TOWERS
PERRINS, WATSON-WYATT e MERCER, devido à sua larga atuação no mercado, notadamente conhecida, inclusive, pelas demais empresas participantes da pesquisa.
Para o levantamento de dados desta fase, foi utilizado Roteiro de Entrevista (Apêndice 2), com perguntas abertas sobre fatos e opiniões dos entrevistados. Como se tratava do início da pesquisa, a utilização de perguntas abertas visava a possibilidade de realizar questionamentos mais profundos e obter perspectivas inesperadas a partir das respostas110. As informações obtidas a partir desta fonte encontram-se expostas no capítulo 4 do presente trabalho e foram extremamente importantes para a escolha das variáveis que seriam utilizadas a seguir, nos questionários enviados para as empresas que comporiam a amostra das empresas respondentes.
Numa segunda etapa, foi definida a escolha por empresas do setor farmacêutico do Estado de São Paulo. Esta escolha deu-se não apenas pela representatividade do setor, em termos de contribuição para a economia brasileira mas, ainda, por todas as razões elencadas no capítulo 5.2, a seguir, e mais, pelo interesse que as empresas demonstraram, de antemão, em participar da pesquisa, quando da realização de um primeiro contato pessoal ou telefônico.
Assim, uma vez definido o universo, foram relacionadas todas as empresas do setor farmacêutico do Estado de São Paulo, a partir do Dicionário de Especialidades Farmacêuticas (nível Brasil), edição 2002, resultando, inicialmente, num quadro de 104 empresas do setor, sediadas no Estado de São Paulo. Cada empresa foi contatada por telefone para atualização de dados da empresa e identificação do profissional para quem seria endereçado futuramente a
110 Mark Easterby-Smith et al. Pesquisa Gerencial em Administração: um guia para monografias,
pesquisa (o respondente deveria conhecer tecnicamente as características do plano e, ainda, ter conhecimento sobre a massa de empregados beneficiada). Por meio de contato telefônico com referidas empresas, foram observadas as seguintes ocorrências:
a) duas delas não tinham interesse em participar, alegando não ser o momento oportuno diante do clima de instabilidade vivenciado pelos empregados da empresa;
b) cinco das empresas não estavam mais atuando no Estado de São Paulo, tendo transferido sua matriz para outros Estados;
c) três das empresas haviam falido;
d) quatro não respondiam pelo número indicado na Dicionário de Especialidades, nem tinham seus nomes indicados em listas telefônicas ou qualquer outro local, sendo impossível o contato;
e) vinte e uma empresas informaram ter menos de 20 empregados, sendo automaticamente excluídas da amostra.
De tal sorte, restaram 69 empresas do universo pesquisado (Apêndice 4), das quais, após monitoramento por telefone ao longo de quase 45 dias, 28 responderam ao questionário enviado por email e fax (posteriormente, foi eliminada da amostra uma das respondentes, cujas respostas destoavam do conjunto, por tratar-se de empresa com exatos 21 empregados, o que se verá no capítulo sobre o tratamento das variáveis).
Finalmente, numa terceira etapa, foram enviados os questionários para as 69 empresas da amostra, cuja redação final encontra-se em anexo (Apêndice 3). O questionário era composto de questões fechadas e de questões com utilização de Escala Likert.
Embora sem qualquer problema referente à compreensão dos entrevistados, algumas questões foram retiradas devido à extensão do questionário e, ainda, à falta de possibilidade de que fossem empregadas de imediato na conclusão deste trabalho.
No início da pesquisa, havia, originariamente, dois questionários: um para os empregadores e outro para uma amostra de empregados em cada uma das empresas participantes. Entretanto, todas as empresas, sem exceção, vedaram qualquer possibilidade de participação dos empregados, por entenderem que poderiam ser levantadas, desnecessariamente, expectativas naqueles quanto aos benefícios concedidos pela empresa.
Paralelamente à distribuição dos questionários, 4 empresas do setor farmacêutico que oferecem o plano de previdência complementar para seus empregados e que já haviam respondido aos questionários foram contatadas e seus representantes legais entrevistados. As respostas obtidas pessoalmente validaram os questionários enviados e acrescentaram importante informações técnicas sobre os planos, enriquecendo o presente estudo principalmente com esclarecimentos sobre o desenho dos planos de previdência fechada oferecidos.
5.2. Características do setor farmacêutico
Conforme mencionado na capítulo anterior, a escolha do setor farmacêutico para a realização desta pesquisa deu-se na apenas pela representatividade do setor, em termo de contribuição para a economia mas, ainda, pelas razões elencadas a seguir. Sobre a indústria farmacêutica,
no Brasil, deve-se informar que:
• Gera volume anual de impostos na casa de 1 bilhão de dólares para o país;
• O setor farmacêutico, ao lado dos setores de comunicação e bancário, foi um dos que
mais se expandiram nos últimos anos, entre os fundos multipatrocinados criados após o plano real.111;
• O Brasil possui um total de 553 laboratórios112 e ocupa a 10ª posição no ranking do mercado farmacêutico mundial (varejo farmacêutico);
• Somente em 2002, 1,614 bilhão de unidades (caixas) foram vendidas ;
• Este segmento gera 48.100 empregos diretos e cerca de 200.000 empregado indiretos na cadeia produtiva113
Quadro 5.2.1. Informações Gerais – Setor farmacêutico – 2002
EMPRESAS ORIGEM US$ BI * % 306 nacional 1374 27,8 63 multinacional 3570 72,2 37 européia 2285 46,2 24 americana 1266 25,6 2 outras 0,019 0,4 369 TOTAL 4944 100 Fonte: IMS Health
* não inclui vendas para o governo.
111 Revista ABRAPP n 256 – Edição especial. 20o. Congresso Brasileiro dos fundos de pensão, São Paulo – SP, Andréa da Rocha Bastos: Capacidade de expansão das entidades fechadas de previdência complementar, p. 83, Set/Out/1999.
112 Conforme dados do IMS Health. Número de laboratórios é superior ao número de empresas do
setor.
113 Dados disponíveis em
http://www.sfiec.org.br/palestras/competitividade/Ind_Farmaceutica_no_Brasil_novos_desafios_prop ostas_arquivos/frame.htm >
Além disso, dentre todas as empresas de diversos segmentos previamente contatadas, as empresas representantes do setor farmacêutico foram as que maior interesse demonstraram na participação da pesquisa e, ainda, na obtenção dos resultados, visando maior conhecimento sobre o setor em que atuam.
De acordo com Ciro Mortella, atual presidente executivo da FEBRAFARMA – Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica114, "A indústria farmacêutica vive um momento de transição decorrente das grandes transformações do mercado, das mudanças estruturais na economia global e internamente, das expectativas de uma nova administração federal [..] as dificuldades decorrem, por exemplo, do controle de preços e a estagnação do mercado que se deve a questões relacionadas com a renda da população e, principalmente, ao fato de que a metade dos consumidores está fora do mercado, sem que haja mecanismos que lhes permita o acesso aos medicamentos. Do modo como está estruturado, o controle de preços engessa o planejamento das empresas, dificultando lançamentos e investimentos para o futuro, tirando- lhes a possibilidade de operar livremente no mercado. Por outro lado, a falta de acesso da população fez o consumo de medicamentos estagnar na casa do 1,6 bilhão de unidades, mesmo após a entrada de genéricos no mercado”.
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