3.5. Kütle Spektrometresi
3.5.1. Moleküler Kütle Spektrometresinde Ġyon Kaynakları
A primeira vez que o governo brasileiro preocupou-se, oficialmente, com o atendimento à imprensa foi em 1938, quando foi promulgado o Decreto nº3371, de 1º de dezembro, que atribuía esta função ao secretário da Presidência da República, como Chefe de Gabinete Civil. O então presidente Getúlio Vargas havia instaurado o Estado Novo, durante o qual criou o Departamento de Imprensa e Propaganda, que misturava divulgação, comunicação institucional e a censura (KOPPLIN & FERRARETTO, 2001).
Em 1964, durante a ditadura militar, a atividade de relações públicas no Brasil se fortalece. Tanto que quatro anos mais tarde, em 1968, a área de RP ganha regulamentação de enorme abrangência, e é vinculada como carreira e setor de estudo nos cursos de comunicação das universidades brasileiras.
O processo é estimulado pela estratégia de propaganda do governo militar, que cria no mesmo ano a Assessoria Especial de Relações Públicas da Presidência da República (Aerp), com status de super ministério, que adota práticas de barganha por deter vasto poder sobre verbas e vagas no serviço público. Este potencial de troca de favores com a imprensa brasileira foi amplamente administrado em favor da imagem popular do governo militar e tornou-se modelo para governos estaduais, municipais e empresas de grande porte como ferramenta de propaganda.
Nesse veio surgiu um atrativo mercado para jornalistas. Eles eram generosamente solicitados a ocupar o espaço crescente das assessorias de imprensa, sob a tutela formal e/ou cultural de departamentos de relações públicas, para trabalhos que nem sempre exigiam presença física. E sem precisar afastar-se das redações, para que se viabilizasse o jogo duplo do duplo emprego (CHAPARRO in DUARTE, 2002, p. 44).
A dupla jornada de jornalistas nas redações e nos departamentos de RP, aliada ao tom propagandístico implementado pelo regime militar e à enxurrada de press-releases que invadiam diariamente as redações - exaltando e adjetivando assessorados com informações sem qualquer interesse público - acabou por gerar uma crise de credibilidade na atividade de Relações Públicas. Com isto surgiria o epíteto de “chapa branca”, usado pejorativamente para identificar jornalistas que assessoravam o governo militar pós-1964 (KOPPLIN &
FERRARETTO, 2001).
Eis que em 1971 surge a Unipress, uma agência de assessoria de imprensa baseada num modelo preocupado mais com o valor público da informação do que com a promoção das instituições que contratavam o serviço. A Unipress nasceu do trabalho conjunto dos jornalistas Reginaldo Finotti e Alaor José Gomes. Eles abandonaram carreiras promissoras de repórteres da Record e do Última Hora respectivamente para assumir a assessoria de imprensa da Volkswagen no Brasil, que orientada jornalisticamente, tornou-se fonte de consulta obrigatória para editores, pauteiros e repórteres de Economia das grandes redações. Segundo os próprios Reginaldo e Alaor relataram (DUARTE, 2002, p.48-49), a Unipress foi fundada com objetivo de ser não uma agência de RP, mas uma sucursal das redações, em especial dos jornais do interior.
Assim, a Unipress rompia com um modelo propagandístico de assessoria de imprensa para consolidar um modelo mais jornalístico, menos preocupado com a promoção dos assessorados e mais atuante como alimentadora de pauta das redações. Nesse mesmo molde, outras agências foram surgindo, “criando a base para um movimento de autonomia dessa atividade em relação às estruturas, teorias e práticas de relações públicas” (CHAPARRO in DUARTE, 2002, p. 46).
Esta rebeldia desenvolveu-se em duas vertentes: a sindical, estabelecida em 1980 pela Comissão Permanente e Aberta dos Jornalistas em Assessorias de Imprensa do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo; e a dos jornalistas-empresários, resultante da Associação Nacional de Empresas de Assessoria de Imprensa, criada em 1986, pelos fundadores da Unipress.
As duas vertentes tinham em comum o fato de enxergarem a assessoria de imprensa como uma função jornalística, e não propagandista, como defendiam os Relações Públicas da Europa e da Ditadura Militar. Segundo Chaparro, o manual da vertente sindicalista estabelecia que:
os profissionais de assessoria de imprensa são, antes de tudo, jornalistas. Eles vieram preencher uma lacuna atendida indevidamente por profissionais de outros setores, entre eles recursos humanos, marketing e promoções. Seu trabalho visa contribuir para o aperfeiçoamento da comunicação entre a instituição, seus funcionários e a opinião pública. Dentro de uma perspectiva social que privilegia essa última, a assessoria de imprensa agiliza e complementa o trabalho do repórter, subsidia-o e lhe oferece alternativas adequadas, garantindo o fluxo de informações para os veículos de comunicação – porta-vozes da opinião pública (in DUARTE, 2002, p.46-47).
Da mesma forma, a vertente jornalístico-empresarial estabelecia regras para suas empresas associadas onde não era permitido a elas o funcionamento sem no mínimo terem em seu quadro de colaboradores dois profissionais de imprensa reconhecidos pelo sindicato dos jornalistas de seus respectivos estados.
É do movimento destas duas representações profissionais, aliada à crise econômica dos anos 90, que o Brasil inicia uma ruptura entre o trabalho de assessoria de imprensa e a profissão de Relações Públicas, consolidando uma experiência de assessoria de imprensa jornalística única no mundo. (KOPPLIN & FERRARETTO, 2001).
O processo de ocupação jornalística nas assessorias de imprensa tornou-se a partir de então um processo irreversível, tanto que em 1995 um estudo feito pelo Dieese no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo apontava que, naquele ano, um terço dos jornalistas profissionais com carteira assinada trabalhavam fora das redações, ou seja, nas fontes (CHAPARRO in DUARTE, 2002).
Esta proporção só veio a aumentar nos últimos anos, revelando uma mudança de relacionamento entre a imprensa e as fontes, que para alguns implica num conflito ético sem precedentes no mundo, e para outros, significa a dinamização e evolução no processo de informação.
Esta mudança mercadológica veio a consolidar diferenças significativas entre o trabalho dos Relações Públicas, mais propagandístico e institucionalizado; e o trabalho dos assessores de imprensa, que visa antes dos interesses particulares, o entendimento entre o setor político-privado e a opinião pública.