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2. GENEL BİLGİLER

2.5. TROMBİN İLE AKTİVE EDİLEBİLEN FİBRİNOLİZ AKTİVATÖRÜ

2.5.2. Moleküler Genetiği

Em Geographies of Home, o espaço físico-geográfico também é fonte de reflexões. Começando por Aurelia, que assim que chega aos Estados Unidos, sente, primeiramente, um estranhamento. Essa personagem enxerga o solo estadunidense como sendo cinza, de concreto e hostil. A voz narrativa expõe que

23 “‘Maybe you should create a perfume with my profile […] You could make it from coconuts and honeybees and

the sweat of Brazilian monkeys. You know what they used to call me in Cuba? […] ‘Amazona.’’ Reina flexes a biceps, feigns an aggressive stance. ‘Créelo, mi amor. It would be a big seller.’”

não é que ela romantizava o passado ou acreditava que as coisas tinham sido melhores tempos atrás. Ela havia sido pobre até na República Dominicana, mas algo florescia de dentro dela que lhe permitia saudar cada dia em vez de se afastar dele com pavor. Com os pés descalços plantados em terreno familiar, ela confiava em suas percepções. No entanto, agredida pelo desconhecido e cercada por concreto e edifícios iminentes, ela se tornou vulnerável de tal forma que nem mesmo o regime de Trujillo havia conseguido fazê-la se sentir24 (PÉREZ, 1999,

p. 23, tradução minha).

Nesse momento, ela se encontra em estado permanente de terror no país adotivo, amedrontada de tal forma que se enclausura no apartamento em que vive. Em uma estratégia comum em experiências da diáspora, Aurelia compara a República Dominicana, um solo familiar, com os Estados Unidos, um solo estranho e estrangeiro.

É de se surpreender que Aurelia se sinta mais ameaçada nos Estados Unidos do que havia se sentido no trujillato. No entanto, ela em momento algum deseja retornar a esse país. Tendo vivido a miséria no país natal, ela tem convicção de que os Estados Unidos seriam uma melhor opção em termos de oportunidades para a sua família. Segundo a voz narrativa,

Muitas vezes Aurelia e Papito haviam considerado a hipótese de retornar para a República Dominicana, mas haviam permanecido nos Estados Unidos para ficarem próximos de seus filhos casados e porque sua filha caçula, lembrando-se de sua terra natal, a considerou retrógrada e movida pela pobreza25 (PÉREZ,

1999, p. 22, tradução minha).

Aurelia está ciente de que, se ela tivesse a chance, voltar à República Dominicana não seria uma solução para seus problemas no presente. Ela enxerga nos Estados Unidos uma possibilidade de vida com perspectivas melhores do que se estivesse no seu país natal, remetendo à proposição de Avtar Brah (1996, p. 193, tradução minha) de que “diásporas são também potencialmente locais de esperança e de novos começos”26. Aurelia faz a escolha de morar nos Estados Unidos.

Há um momento na narrativa no qual Aurelia se sente forte no espaço estadunidense. Ela se torna esperançosa e consegue, finalmente, vislumbrar a possibilidade de criar raízes nos

24 “It wasn’t that she romanticized the past or believed that things had been better long ago. She had been poor even

in the Dominican Republic, but something had flourished from within which had enabled her to greet each day rather than cringe from it in dread. With bare feet planted on familiar ground, she had trusted her perceptions. Yet assaulted by the unfamiliar and surrounded by hard concrete and looming buildings, she had become as vulnerable as even the Trujillo regime had failed to make her feel.”

25 “So often Aurelia and Papito had considered returning to the Dominican Republic but had remained in the United

States to be near their married children and because their youngest, remembering little of their birthland, considered it a backward, poverty-ridden place.”

Estados Unidos. Antes desse ponto, contudo, há um momento de busca por algo que ela diz estar faltando no presente e que ela não sabe precisar, mas que não é um país, uma cidade, tampouco uma casa. Aurelia então descobre que o que a faz se sentir deslocada no presente não é necessariamente um espaço físico:

Cada vez mais Aurelia se pegava lembrando o passado distante. […] Ao mergulhar no passado ela estava ciente de que algo estava faltando no presente – algo que sua mãe havia possuído e passado para ela mas que ela tinha perdido e falhado em passar para seus próprios filhos27 (PÉREZ, 1999, p. 23, tradução

minha).

Esse algo que lhe falta acaba por se referir a uma herança, um legado cultural que sua mãe lhe deixa, e que, a essa altura, Aurelia acha que falhou em repassar para suas filhas. Ela então se compromete a descobrir o que seria exatamente esse algo faltante de forma a se orientar melhor no futuro.

Posteriormente, ela percebe que esse algo que lhe falta está ligado às suas tradições afro-caribenhas, principalmente a prática do vudu. Um momento de transformação na vida de Aurelia acontece quando ela toma consciência de sua força como herdeira dessas tradições passadas a ela por sua mãe. Mais precisamente, essa tomada de consciência ocorre quando uma amiga lhe diz para tomar as rédeas da situação de sua filha Rebecca, que é vítima de abuso doméstico. A amiga adverte Aurelia de que ela tem forças para reverter tal situação e que ela sabia exatamente como fazê-lo. Posteriormente, a voz narrativa deixa entender que tal força vem de práticas do vudu, religiosidade que Aurelia herda de Bienvenida, sua mãe.

Consciente de sua força, Aurelia vai então ao mercado e compra galinhas vivas. O vendedor, surpreso pelo fato de que essa senhora não lhe pede que mate e/ou depene as galinhas, a alerta de que o trabalho de depenar é árduo e que ela poderia usar o tempo que gastaria com essas atividades para coisas mais importantes. Aurelia, no entanto, diz que gosta do ritual de matar e depenar as galinhas, já que seria um hábito antigo. Desconfiado, o vendedor brinca: “a senhora está planejando fazer vudu com essas aves?” Aurelia responde que isso seria mais divertido, mas que não. As galinhas eram para a ceia de natal. Aurelia ri e parte com as galinhas

27 “More and more Aurelia found herself remembering the distant past. […] As she delved into the past she was

conscious of something missing in the present – something her mother had possessed and passed along to her but which she had misplaced and failed to pass on to her own children.”

vivas (PÉREZ, 1999, p. 254). Quando questionada por Papito, seu marido, ela explica que só quer ter esse trabalho a mais em honra dos velhos tempos.

A narrativa, nesse episódio específico, apresenta duas cenas simultâneas: por um lado, a cena de Aurelia depenando e preparando as galinhas; e por outro lado, a cena da morte por asfixia de Pasión, marido de Rebecca, em meio a galinhas que ele insistia em ter em seu apartamento, apesar de sofrer de asma. Todo o processo de preparação das galinhas é descrito por meio de léxico da ordem do sagrado, tal qual ritual, banquete, oferta, sugerindo uma intenção que extrapola o ato de preparar uma ceia para a família.

Não há no romance, no entanto, uma declaração de Aurelia que explicite alguma intenção outra que o simples cozimento das galinhas para a ceia de Natal. No entanto, a cada pena retirada, percebe-se, em contraponto, a angústia de Pasión pela falta de ar. O resultado final são duas galinhas cozidas e ofertadas em banquete de natal para a família; e a morte de Pasión em meio a galinhas e penas esvoaçantes. O episódio da morte de Pasión é relevante na narrativa não só porque supõe o fim do sofrimento de Rebecca, mas principalmente porque se constitui como um ponto de identificação para Aurelia. A partir desse momento, ela se diz forte e capaz de criar raízes, apesar do solo cinzento dos Estados Unidos, contrapondo à sua identificação no início da narrativa, quando ela se sente desenraizada e inclusive adoece, sendo hospitalizada. No entanto, conforme mencionado, mesmo nessa ocasião, não se percebe na narrativa um desejo de retorno ao país natal.

É um paradoxo a questão do vudu na vida de Aurelia: ao mesmo tempo que a prática a remete ao local, a algo que ela aprendeu em sua família, ela é também o que insere essa personagem na perspectiva do global, por fazer referência direta ao legado diaspórico africano e à sua vivência da rediasporização. Quando se tem em perspectiva as tradições afro-caribenhas na narrativa, tem-se aí uma ligação com a diáspora africana, que seria, portanto, um nível global que fomenta mundos imaginados na vida de Aurelia.

Outra personagem a ser analisada é Iliana, filha de Aurelia. Para Iliana, a República Dominicana é uma imagem distante, pois ela se muda para os Estados Unidos ainda muito jovem. No entanto, a casa de Aurelia e Papito se torna para ela um microcosmo da imagem que ela revive da República Dominicana. Embora esteja longe de ser o único ponto de referência e de identificação para Iliana, quando se encontra longe da casa dos pais, no início da narrativa, ela

imagina que uma volta a essa casa a transportaria também a uma República Dominicana de seus sonhos.

No primeiro capítulo, tem-se a descrição de sua viagem de volta para a casa dos pais, em Nova York, após um ano e meio na universidade. Durante o caminho, percebe-se que ela tenta rememorar aspectos dessa casa tal qual uma “pátria imaginada” (RUSHDIE, 1991, p. 10): amarela e aconchegante como o calor do sol da República Dominicana, com móveis rústicos; enfim, um microcosmo de uma pátria idealizada. O paralelo que Iliana estabelece entre a República Dominicana e a casa de seus pais é notória, especialmente por meio de sua decepção ao chegar lá e perceber que esse local não corresponde às imagens de suas lembranças: as cores estão diferentes e os móveis vindos da República Dominicana haviam sido trocados:

para Iliana, olhos bem abertos por um ano e meio de ausência, o quarto parecia um versão do que seus pais acreditavam ser parecido com a casa de uma pessoa rica, ou pelo menos de um americano. Lá se foram as estatuetas esculpidas à mão e as gastas mas robustas cadeiras de balanço feitas de madeira e mesas trazidas da República Dominicana.. [...] De pronto Iliana sentia como se a casa de seus pais não fosse dela. Enquanto ela estava longe, sua memória consistiu de imagens impregnadas com o calor de um sol caribenho magicamente transportado para Nova York e de uma casa mobiliada com objetos cuidadosamente esculpidos pelos habitantes de uma ilha a qual tinha sonhado28

(PÈREZ, 1999, p. 30, tradução minha).

A casa dos pais não corresponde à sua expectativa de identificação por meio de uma imagem, ainda que idealizada, de uma República Dominicana. Posteriormente, Iliana percebe que sua identificação estaria mais ligada a um espaço interno, de reconhecimento de si como sujeito, do que com qualquer espaço físico-geográfico. Esse espaço interno está associado a espaços outros, como os discursivos, tópico a ser discutido no próximo capítulo desta tese.

Neste capítulo foram apresentados conceitos que fundamentam este trabalho, como espaço, diáspora e identificação e discutidas as trajetórias de algumas personagens de cada romance analisado. Percebe-se que espaços diversos se entrelaçam nas narrativas, como o espaço diaspórico, espaços de países natais e espaços imaginados. Todos eles influenciam as identificações das personagens. Ambiguidades e tensões nos espaços são também representadas

28

“To Iliana, eyes opened wide by a year and a half’s absence, the room seemed a version of what her parents believed a rich person’s house, or at least an American’s, might look like. Gone were the hand-carved statuettes and worn but sturdy wooden rocking chairs and tables brought from the Dominican Republic. […] Already Iliana felt as if her parents’ home were not her own. While she’d been away, her memory had consisted of images imbued with the warmth of a Caribbean sun magically transported to New York and of a house furnished with objects lovingly carved by the inhabitants of an island she had dreamed of.”

nas obras de Danticat, García e Pérez, ilustrando percursos instigantes e complexos. As personagens femininas analisadas nos três romances parecem estar em processo: em um contínuo movimento de busca por lugares, por pontos de identificação nos espaços que percorrem. Esses pontos, por sua vez, mostram-se escorregadios, principalmente em virtude do espaço de enunciação no qual estão imersas, em especial por serem mulheres: tópico de discussão seguinte, no qual reflito sobre espaço e gênero.

Benzer Belgeler