Com relação à disponibilização de suas contas para acesso público no site da Secretaria do Tesouro Nacional, verificou-se que a maioria dos municípios que compõem o Estado de Minas Gerais cumpriram este dispositivo legal (quadro 1), para o período de 21 anos analisados neste estudo. Salienta-se que o percentual de envio dos demonstrativos contábeis foi calculado considerando a quantidade total de municípios do Estado para cada ano.
76 Ano Nº de municípios Percentual Ano Nº de municípios Percentual
1989 722 99,86% 2000 842 98,70% 1990 721 99,72% 2001 849 99,50% 1991 717 99,30% 2002 837 98,10% 1992 722 99,86% 2003 840 98,50% 1993 755 99,87% 2004 836 98,00% 1994 756 100,00% 2005 827 97,00% 1995 728 96,30% 2006 841 98,60% 1996 752 88,20% 2007 825 96,70% 1997 796 93,30% 2008 801 93,90% 1998 754 88,40% 2009 827 97,00% 1999 764 89,60% 2
Quadro 1: Percentual de municípios mineiros que prestaram contas ao Tesouro Nacional, no período de
1989 a 2009.
Fonte: Dados da pesquisa, 2012.
Não foi possível constatar se a divulgação dos dados deu-se de forma oportuna e tempestiva, ou seja, no período a que se referem, ou se foi enviada em data posterior para fins de regularização da situação fiscal do município, cuja exigência se deu a partir de 2001.
Pode-se inferir que apenas para o ano de 1994 houve pleno atendimento do princípio constitucional da publicidade. Isto significa que, mesmo sendo o contribuinte o principal nesta relação contratual, a discricionariedade do gestor municipal é que determina se o cidadão terá ou não acesso as contas dos municípios, gerando assimetria no nível de informações.
Com relação ao envio dos demonstrativos contábeis verifica-se baixa assimetria informacional, já que pelo menos 88,40% tem cumprido os dispositivos legais. Porém, o ideal era que 100% dos municípios, em todo o período analisado, tivessem colocado à disposição do contribuinte suas demonstrações contábeis. Uma das explicações para o alto percentual de divulgação é a penalidade imposta no parágrafo 2º do artigo 51 da LRF. Este dispositivo determina o bloqueio do recebimento das transferências voluntárias, como o Fundo de Participação dos Municípios - FPM, e o impedimento da contratação de operações de crédito, a partir do ano de 2000, para o órgão público que não enviar suas contas para consolidação. A penalidade só é suspensa após regularização fiscal do ente.
De acordo com as carcterísticas descritivas da variável divulgação fiscal para os 853 municípios mineiros, descritas no Apêndice H, percebeu-se que a média de 0,874 para o período de 1989 a 1999 é inferior à média obtida no período de 2000 a 2009, que corresponde a 0,977. Este fato sugere que há uma elevação no nível de divulgação fiscal dos municípios mineiros, após o ano de 2000.
77 Para analisar este fato mais detalhadamente, considerou-se como amostra 715 municípios que estavam presentes em todos os 21 períodos analisados (1989 a 2009). Foi realizado o teste Kolmogorov-Smirnov para verficar as características da distribuição dos dados para a variável nos dois períodos (1989-1999 e 2000-2009).. Apurou-se que a variável não apresentou comportamento de acordo com uma distribuição normal (conforme resultados no Apêndice H).
Em seguida, procedeu-se ao teste de Wilcoxon para médias emparelhadas, cuja hipótese nula é de que não há diferença entre as médias, antes e após a edição da Lei, e ahipótese alterantiva de que há diferenças entre as médias nestes períodos. De acordo com os resultados do teste, pode-se inferir que não houve diferenças entre as médias, e, portanto, não há diferença no nível de divulgação deste municípios quando se compara os períodos de 1989-1999 e 2000-2009 (Apêndice H). Fato explicado pela falta de comprovação da tempestividade da divulgação das informações fiscais por estes municípios.
Com a finalidade de compreender melhor como se deu a divulgação de informações fiscais no Estado de Minas Gerais, foram criados três grupos considerando o baixo, médio e alto desempenho quanto à divulgação fiscal, a partir das medidas descritivas média e desvio-padrão. No quadro 2 estão descritas as categorias de divulgação fiscal para os períodos de 1989 a 1999, e, 2000 a 2009, respectivamente. O grupo de alto desempenho, no período de 1989-1999, apresentou altos escores com relação à divulgação de seus demonstrativos contábeis (mais de 0,942). A situação é inversa no grupo de baixo desempenho (menos de 0,805). Assim, esta estratificação em alto, médio e baixo desempenho representa a comparação da situação do município em relação a todos os outros que compõem a amostra analisada, é um desempenho relativo. O objetivo foi compará-los considerando o mesmo período, e, não comparar com os escores do segurndo período. Portanto, o escore para está variável que foi avaliado como alto no primeiro período, pode ser baixo no segundo, pois dependeu do desempenho das demais micrrorregiões.
Para o período de 2000-2009, o grupo de alto desempenho apresentou altos escores para a divulgação fiscal (mais de 0,986). No grupo de alto desempenho estão situados os municípios que apresentaram maiores níveis de divulgação de suas contas públicas quando comparados aos demais no mesmo período.
78 Divulgação Fiscal Escores 1989-1999 (Período 1 – antes da Lei) Escores 2000-2009 (Período 2 – depois da Lei) Alta (média mais um desvio padrão ) E>0,942 E>0,986
Média (média mais ou menos um desvio 0,806<E<0,941 0,968<E<0,985
Baixa (média menos um desvio padrão ) E<0,805 E<0,968
Quadro 2: classificação das microrregiões mineiros analisados, segundo o nível de divulgação fiscal,
no período de 1989 a 2009.
Fonte: dados da pesquisa, 2012.
Verificou-se que não houve mudança comportamental quanto à divulgação das contas públicas em 77,27% das microrregiões, ou seja, o nível de divulgação fiscal não se alterou ao longo dos anos (figura 2). Assim, considerando a maioria das microrregiões, pode-se inferir que não há evidências da influência positiva da legislação sobre a divulgação de informações fiscais no site da STN por parte dos municípios mineiros, embora haja pequena redução da assimetria informacional no que se refere a disponibilização de demonstrativos contábeis. (figura2).
Divulgação Fiscal 1989-1999 Divulgação Fiscal 2000-2009
Figura 1: Classificação das microrregiões mineiras de acordo com o seu nível de divulgação fiscal para
os períodos de 1989 a 1999, e, 2000 a 2009, respectivamente.
Fonte: Elaboração da autora, 2012.
Já para as outras 22,73% microrregiões, percebeu-se um efeito positivo da legislação sobre o nível de divulgação fiscal, visto que obtiveram maiores escores no segundo período quando comparado ao primeiro período de tempo, conforme detalhado na na tabela 1. A microrregião de Salinas foi a que mais se destacou com relação a diminuição da assimetria informacional, ou seja, deixou de ser uma área de baixo desempenho para tornar-se de alto desempenho, embora ainda tenha que melhorar o seu nível de divulgação. Destacaram-se as microrregiões de Araxá, Varginha e Patrocínio que exibiram escore igual a 1,0. Isto significa que todos os seus
79 municípios divulgaram suas demonstrações contábeis, propiciando aos cidadãos acesso às suas contas.
Tabela 1: Relação das microrregiões que aumentaram o seu nível de divulgação fiscal.
Microrregião Escore 1989 a 1999 Escore 1989 a 1999 Diferença
Salinas 0,6845 0,9647 0,2802
Unaí 0,7172 0,9889 0,2717
Ponte Nova 0,7677 0,9899 0,2222
São Sebastião do Paraíso 0,7727 0,9857 0,2130
Araxá 0,8091 1,0000 0,1909 Caratinga 0,7955 0,9850 0,1895 Januária 0,7955 0,9743 0,1788 Juiz de Fora 0,8072 0,9818 0,1746 Belo Horizonte 0,8144 0,9792 0,1598 Montes Claros 0,8485 0,9905 0,1420 Manhuaçu 0,8455 0,9750 0,1295 Varginha 0,8920 1,0000 0,1080 Governador Valadares 0,8945 0,9760 0,0815 Sete Lagoas 0,9091 0,9750 0,0659 Patrocínio 0,9421 1,0000 0,0579
Fonte: Dados da pesquisa, 2012.
Resumidamente, percebeu-se que algumas microrregiões pertencentes à mesorregião do Norte de Minas aumentaram sua divulgação fiscal, migrando do grupo de baixo para médio desempenho. Enquanto que para certas microrregiões da mesorregião do Triângulo Mineiro, notou que pertencial ao grupo de alto desempenho e passaram, após o ano de 2000, para o grupo de baixo desempenho. Isto significa maior grau de assimetria informacional, já que os gestores destas localiddes não divulgaram suas informações fiscais, restringindo o acesso do cidadão às contas públicas.
4.2. Aprovação das contas públicas dos municípios mineiros pelo Tribunal de