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Çok Modlu Ağ Kablo Yapımı

2. ÇOK MODLU FİBER OPTİK KABLO

2.2. Çok Modlu Ağ Kablo Yapımı

249. O trabalho teórico na construção do conhecimento é, segundo Proudhon, análogo ao trabalho de um cartógrafo, ou de um geógrafo, ao desenhar o mapa de uma região com as referências necessárias para o exame daquilo que se pretende examina no território mapeado. O que um mapa faz? Representa o caminho de maneira mais abstrata, ignorando grande parte dos elementos característicos presentes na região mapeada para destacar apenas aqueles que devem servir como referência para o objetivo de percorrer o caminho. Pode-se dizer que, segundo

Proudhon, esse procedimento se realiza sempre, espontânea e inconscientemente, pela ação de quem se envolve em um processo de conhecimento, mas talvez por isso mesmo costuma se manter no nível inconsciente, e nem sempre é realizado com o devido cuidado e atenção.

A Teoria Serial de Proudhon não pretende ser propriamente um “mapa” específico para o processo de conhecimento de algo em particular, mas sim, talvez mais pretensiosamente, uma espécie de “meta-mapa”, que procura não apenas esclarecer esse processo espontâneo de “mapear” seja lá o que for, mas também orientar nossa atenção com referências que nos ajudem a construir mais deliberadamente nossos próprios “mapas” conforme caminhamos.

a) Há pensamento teórico mais formalizado como tal ou menos

250. O que é significa “teoria” para Proudhon? Como Proudhon caracteriza o pensamento teórico?

Quando se vasculha o conjunto da produção intelectual de Proudhon, encontra-se em suas obras, espalhado por elas sob a forma de conteúdos esparsos mas tratados por ele com bastante assiduidade, e algumas vezes mais detida e longamente, bastante material versando direta ou indiretamente sobre o sentido e o significado de procedimentos que fazem parte do trabalho teórico em geral: esclarecimentos, avaliações e interpretações especulativas a respeito das razões pelas quais um teórico age deste ou daquele modo ao construir suas formulações; e também definições e análises de alguns desses procedimentos teóricos mais especificamente, ou de elementos com os quais se lida nesses procedimentos — por exemplo a noção de “idéia” e o processo de formulação das idéias, o modo pelo qual se realiza tal ou tal outro tipo de raciocínio, os pressupostos implicados, a questão das dificuldades envolvidas quando se trabalha com metáforas, sentimentos e conceitos indeterminados etc.

Mas não encontramos em nenhum momento, em Proudhon, uma clara definição geral do significado de “teoria” ou de “pensamento teórico”. Uma das razões dessa ausência, já esclarecida no capítulo 2 desta pesquisa, diz respeito às estratégias de Proudhon para conduzir a reflexão dos intelectuais e eruditos de seu tempo para o campo dos posicionamentos efetivamente encontrados na sociedade, fora do campo teórico: para isso Proudhon se recusa a diferenciar o pensamento teórico da simples opinião, de modo que o termo “teoria” passa a exprimir também qualquer simples formulação intelectual acerca das coisas, mesmo sem apoio em critérios de validação, como argumentos ou confirmação experimental por exemplo.

b) O pensamento teórico é descritivo

251. Por outro lado, encontramos em seus textos algo talvez ainda mais rico e mais esclarecedor em informações do que uma definição do que seria exatamente o pensamento teórico: em uma das obras de sua última fase — Da justiça na Revolução e na Igreja — Proudhon constrói uma imagem do pensamento teórico em geral, a partir de uma analogia cuidadosamente detalhada entre teoria e mapa, analogia que encontramos freqüentemente utilizada por ele, embora ainda sem esse nível de detalhamento, já desde as obras de sua primeira fase.

O pensamento teórico figura para Proudhon, então, como algo análogo ao procedimento de mapeamento geográfico de um território.

Mas onde há analogia, não há identidade completa. A noção de “mapa” é mobilizada por Proudhon como uma imagem que exprime algo das características de uma teoria, ainda que algo essencial, mas não tudo. Uma teoria não é um mapa no sentido habitual do termo, mas apenas no sentido metafórico. Quais são então os limites dessa imagem formulada por Proudhon? Em quê uma teoria já não é mais exatamente como um mapa?

252. Um mapa dispõe sobre uma superfície plana — geralmente de papel — figuras que representam características do território mapeado, e que no conjunto, formam uma espécie de imagem desse território, na medida em que a disposição dessas figuras umas em relação às outras é análoga às disposições das coisas que se observa o território mapeado. Mas uma formulação teórica é costruída, usualmente, por meio de palavras, que embora não deixem de se materializar quase sempre como pequenas figuras ou traçados que se dispõem linearmente no papel, como nas mesmas linhas que estão sendo lidas neste momento, por outro lado já não têm nesse caráter figurativo o que mais centralmente as caracteriza. É evidente que palavras já não são exatamente figuras: são uma outra coisa.

Mas não usamos de fato palavras para construir indiretamente imagens das coisas? — Fazemos isso quando descrevemos as coisas, quando realizamos uma descrição. O pensamento teórico, para Proudhon, é fundamentalmente descritivo.

c) O pensamento teórico é orientador

253. Mas um mapa é apenas uma descrição de um território? Não: um mapa é um tipo bastante específico de descrição, sobretudo porque é construído com uma finalidade prática. Um mapa tem uma utilidade específica, é um instrumento de orientação. Ele pressupõe que seu usuário pretende interagir de algum modo com o território mapeado. De que modo? — Locomovendo-se por ele, ou localizando algo nele.

O caráter instrumental das formulações teóricas para Proudhon é bastante evidente. Por outro lado, elas não parecem ser puramente instrumentais, uma vez que a utilidade fundamental que um mapa oferece — ao contrário da utilidade de instrumentos como uma foice, por exemplo, ou uma marreta — não aponta necessariamente para uma intervenção específica do usuário no território mapeado, mas para uma orientação em relação a esse território. A construção, e depois também o manuseamento de um mapa, supõem uma ação cognitiva do cartógrafo, e depois do usuário final desse mapa, em relação ao território mapeado. Supõem a assimilação de elementos desse território em um plano paralelo, simbólico, como referências que podem orientar a locomoção através dele ou a localização de alguma dessas referências, apontada como alvo das demais. A criação do mapa e o seu manuseio não supõem necessariamente alguma intervenção do usuário sobre o território real de modo a alterar suas condições originais.

254. Um mapa orienta o usuário por um território independentemente da disposição desse usuário para de fato intervir nele (alterando-o) ou não; e sobretudo independentemente do modo como deve ocorrer essa intervenção, se vier a ocorrer. Um instrumento, uma ferramenta (um alicate, uma chave de fenda etc.) tem sempre, inscrito em sua própria forma, em suas próprias características — e através delas em sua própria utilidade —, um sentido no qual pretende ser usada, ou se supõe que deva ser usada. Com freqüência esse sentido indica uma intervenção específica e claramente determinada sobre um objeto de ação, procurando produzir nele uma alteração de tipo específico, já pré-concebido quando a ferramenta foi criada. Isso define, delimita — e por isso mesmo limita — a utilidade dessa ferramenta ou instrumento, descartando, ou tornando ineficazes, outras possibilidades de intervenção por meio dela. Não é o que ocorre no caso de um mapa.

A utilidade orientadora, norteadora, que um mapa oferece, não apresenta em si mesma um caráter intervencionista agressivo e determinado sobre o objeto de ação que lhe cabe (o território a ser percorrido ou no qual se pretende localizar algo). Não sugere necessariamente uma alteração a ser realizada nesse objeto de ação. É claro que não se pode dizer isso por exemplo de um mapa militar apontando alvos a serem bombardeados, mas em casos como este, o caráter intervencionista está inscrito nas particularidades do mapa em questão, e não no próprio fato de ser um mapa. Um mapa não deixa de ser um mapa, nem perde sua eficácia, se ele for criado apenas para apontar referências em uma paisagem pela qual se pode passear sem nenhuma intervenção, por exemplo de modo a conhecer melhor essa paisagem.

255. Seria isso a indicação de uma postura menos ativa e mais contemplativa no plano teórico, por parte de Proudhon, tomando a teoria como algo que deve procurar corresponder à realidade teorizada sem intervir nela? — Se a imagem dos mapas para representar as formulações

teóricas se esgotasse nisso e não implicasse outras considerações, talvez. Mas não é o caso. Seguindo a analogia de Proudhon, um mapa — e portanto uma teoria — tem de fato um caráter fundamentalmente orientador em relação ao objeto mapeado, ao objeto teorizado. Mas não é exclusivamente isso o que fundamenta o caráter próprio desse instrumento.

d) O pensamento teórico é indiretamente avaliador

256. Se é análogo ao mapeamento geográfico de um território, o procedimento teórico procura re-apresentar (representar) algo, e supõe-se que nessa representação deve procurar ser fiel ao representado, deve procurar corresponder fielmente a ele. Trata-se de uma descrição com fins orientadores. Mas o cartógrafo que desenha um mapa, ao desenhá-lo, também avalia as relevâncias dos diferentes elementos descritivos que serão transpostos do território mapeado para o mapa. Todo mapa é, nesse sentido, uma caricatura do território mapeado. Alguns aspectos desse território são valorizados e apresentados no mapa como referências importantes para a orientação do usuário, outros são apresentados apenas como referências complementares, e outros ainda são simplesmente ignorados, porque o cartógrafo supõe que não são relevantes para a orientação que seu mapa deve oferecer. Em outras palavras, como numa caricatura, procura-se exagerar a atenção despertada por alguns elementos da imagem original, e diminuir a atenção despertada por outros. O resultado não é uma imagem fiel do território, embora não seja de modo algum uma imagem falsa. Trata-se de uma imagem que passou por um conjunto de avaliações do que é e do que não é importante em seu modelo original. O mapeamento filtra no território mapeado as informações que julga relevantes, e naturalmente, as filtra segundo certos critérios, ligados à utilização que se pretende fazer desse mapa, que nem sempre é apenas aquela mais fundamental de servir para orientar a localização ou a locomoção do usuário.

257. Mas quando a utilização pretendida é apenas essa mais fundamental, esses filtros deixam de operar no trabalho do cartógrafo? — É evidente que não. Mesmo nesse caso, um certo tipo de referências pode ser mais útil para um certo tipo de usuário, e outro tipo para um tipo diferente de usuário. Em uma região rural, semi-urbanizada, os elementos urbanos (ruas, placas, pequenas, construções) provavelmente são melhores referências — e fornecem um mapa melhor — para alguém que venha da cidade grande, mas os elementos naturais (pedras, árvores etc.) podem ser referências melhores para um indígena.

Talvez ambos possam se servir das mesmas referências quando forem elementos muito grandes, visíveis e nitidamente diferenciados do cenário em que se encontram, mas quanto às referências menores e menos visíveis, que exigem maior atenção, o mapa ideal tende a não ser o

mesmo de um usuário para outro. Se isto talvez não pareça tão claro para a maioria dos usuários de mapas, é apenas porque a cartografia já é uma atividade bastante desenvolvida e segue atualmente muitos critérios de padronização internacionalmente aceitos, e igualmente presentes por exemplo nos mapas que encontramos em diferentes atlas.

De qualquer modo, mesmo nessas padronizações há filtros convencionalmente aceitos e cuja presença é facilmente detectável não apenas naquilo que se escolheu representar no mapa, como também nas diferentes cores das superfícies e naquilo que representam, nas características dos traçados, nos símbolos escolhidos para figurar no mapa representando essas escolhas, de medidas de proporção, nas medidas para coordenadas de localização etc.

258. A intervenção no território pode ou não estar implicitamente sugerida ou até explicitada no mapa, a partir das próprias intenções pelas quais ele foi criado, e do tipo de referências que figura nele. O clássico mapa dos piratas dos filmes e desenhos animados apresenta um “x” onde se encontra escondido o tesouro, e a rigor seu papel se limita a indicar esse ponto no território e como chegar a ele, mas a intervenção de cavar o solo nesse ponto, ou de pelo menos retirar desse ponto e levar embora o que se encontra ali, está pressuposta como a própria razão de ser desse mapa.

e) O pensamento teórico é um instrumento indireto para a intervenção na realidade

259. Se o mapa em si mesmo não é um instrumento direto de intervenção, mas apenas de orientação, também é evidente, por outro lado, que a construção de um mapa sofre uma interferência de filtros muito maior quando ele não se limita a essa função orientadora fundamental, transformando efetivamente o território mapeado em um campo estratégico para a ação do usuário, ou seja, para orientar sua intervenção no sentido de produzir alguma alteração nas condições com que esse território se apresenta — o que está longe de ser um caso raro, pois muitos mapeamentos são realizados assim. Pode-se fazer um mapeamento da violência na cidade de São Paulo, por exemplo, distinguindo pontos de ocorrência de diferentes tipos de ações violentas, e fatores que contribuem para essa ocorrência ou que contribuem para inibi-la, visando, com tal mapa, orientar ações no sentido de diminuí-la. Ao selecionar estes elementos da cidade como os que devem estar principalmente representados no mapa, põe-se em prática uma avaliação daquilo que se julga importante e daquilo que não se julga importante representar no mapa. E neste caso, a avaliação é feita em função de um certo tipo de intervenção que se planeja ou espera, uma certa alteração do estado de coisas na cidade, que se pretende realizar.

Diante desse conjunto de avaliações, orientadas por intenções ou objetivos mais ou menos determinados, ainda é possível dizer que um mapa é um instrumento isento de qualquer caráter interventivo? Ainda é possível dizer que Proudhon, ao comparar a atividade teórica com um processo de mapeamento, está propondo uma postura mais contemplativa e menos ativa frente à realidade teoricamente “mapeada”? — Dificilmente.

260. Isto observado, note-se a importância que o agente adquire na construção desse instrumento de ação que Proudhon compara à teoria. A intervenção sugerida por um mapa sobre seu objeto de ação depende já de um certo “recorte”, de uma certa filtragem prévia da realidade mapeada em função de um aspecto dela que se pretende especificamente focalizar, de modo que a própria intenção do usuário, de agir sobre esse aspecto particular da realidade colocada como objeto de sua ação, tende a ser anterior ao mapeamento, orientando o modo como é realizado pelo cartógrafo, para que o mapa então, criado sob essa orientação geral prévia, possa depois orientar mais especificamente ação do usuário.

Isto significa que um mapa é um instrumento cujo design, cujo desígnio, cuja destinação inscrita em suas formas [[[NOTA: Flusser]]] sofre uma fortíssima interferência das particularidades do usuário. Muito maior que a de um alicate, por exemplo, para o uso do qual basta que o usuário seja dotado de uma mão suficientemente saudável com os mínimos recursos neurológicos necessários para mobilizá-la adequadamente. De resto, já não importam as particularidades do usuário. Todo o design do alicate é estruturado com base em uma interferência muito maior das particularidades do objeto de ação para o qual se dirige — uma vez que pretende ser instrumento de um tipo específico e determinado de intervenção sobre esse objeto, por meio da ação do usuário.

Na fabricação do alicate, diferentemente do que ocorre com um mapa, a ação pretendida sobre seu objeto, que está inscrita nas formas dadas à ferramenta, tende a se conformar mais às características particulares desse objeto do que às do usuário, que é tratado de maneira mais universalizada (qualquer um que seja dotado de mão e possa usá-la). Já um mapa estratégico desenhado por militares, por exemplo, a princípio pretende ser mais útil para militares do que para usuários civis, e embora isto não seja sempre e necessariamente verdade, objetivos estritamente militares tendem estar inscritos nas próprias referências filtradas para aparecerem no mapa. São dois grupos de usuários particulares orientados por intenções diferentes. O mesmo se poderia dizer, em sentido inverso, de um mapa ecológico nas mãos de um grupo de biólogos ou nas de um grupo de militares.

A primeira conseqüência disto que salta aos olhos, é que a relativa neutralidade do instrumento do ponto de vista dos diferentes interesses sociais em conflito que podem estar envolvidos, torna-se extremamente problemática, podendo chegar a esfacelar-se quase por

completo. Os critérios pelos quais é realizado um mapeamento mais interventivo muitas vezes podem ser questionados por grupos cujos interesses ou cujo modo de compreender e acessar a mesma realidade não são contemplados por esses critérios.

Benzer Belgeler