4.7. Bulgular
4.7.4. VAR Modeli Tahmini
Em relação ao desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças portadoras de
HIV/Aids, desde que a Aids pediátrica foi descoberta, em 1982, várias pesquisas tem sido
realizadas a fim de investigar os comprometimentos cognitivos e emocionais desta população,
como foi visto no resultado desta pesquisa. Dificuldades de concentração e linguagem,
coordenação motora fina e problemas de comportamentos e atividades acadêmicas foram
encontradas. Além disso, estas crianças vivem em famílias com múltiplas dificuldades, como
financeiros, o que dificulta um tratamento adequado para elas (STEELE, R. G., NELSON,
T.D., COLE, B.P., 2007).
Além do comprometimento no sistema nervoso central, visto anteriormente, as
relações da criança portadora do HIV/Aids com seus familiares são geralmente negociadas em
torno da doença e do seu tratamento, já que o estresse está sempre presente nas famílias de
pessoas com doenças crônicas, incluindo privações e luto por perdas de pessoas próximas,
como os pais. Com as limitações causadas pelo HIV, as rotinas das crianças passam a
envolver internações, dificuldades de relacionamento com pares possivelmente causados pelo
estigma delas próprias e de seus cuidadores, perdas de entes queridos e dificuldades
financeiras. Esse conjunto de circunstâncias pode interferir no desenvolvimento cognitivo e
emocional.
Disfunções psicossociais estão associadas a suporte social e escolar empobrecidos. Os
prejuízos identificados no desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças portadoras de
HIV/Aids estão, na maior parte das vezes, relacionados ao contexto nos quais suas famílias se
encontram, com muitas dificuldades econômicas e pouca qualidade de vida (BROWN, L. K;
LOURIE, K.J., PAO, M. 2000).
Ainda assim há indicativos de potencial de auto-regulação destas crianças. A auto-
regulação é a capacidade que todo organismo vivo tem de auto equilibrar-se, adaptando-se às
diferentes condições do meio em que vive. Cabe dizer aqui que resiliência vem a ser um
fenômeno que procura explicar os processos de superação de adversidades, mas não se
confunde com invulnerabilidade, por que não se trata de resistência absoluta às adversidades
(Yunes, 2002). A despeito dos dois grupos avaliados neste trabalho diferirem de forma
significativa quanto ao desenvolvimento cognitivo e emocional, verificam-se diferenças
Este estudo mostrou que crianças portadoras de HIV/Aids apresentam
comprometimento cognitivo e emocional e menos problemas na relação com seus pares,
quando comparados com crianças sem doença crônica.
Esses dados parecem confirmar os achados da literatura. Neste sentido, os resultados
obtidos ao desenvolvimento emocional e cognitivo de crianças portadoras de HIV/Aids não
surpreendem e são coincidentescom a maioria dos estudos analisados.
Porém, não foram encontradas diferenças nos item hiperatividade, sintomas
emocionais e problemas de comportamento, que vêm a ser habilidades sociais da criança, já
que os dois grupos apresentaram índice superior nestes itens. Esses dados revelam que tanto
as crianças portadoras de HIV/Aids como as crianças sem doença crônica apresentam
dificuldades para concentração, sintomas emocionais e problemas de comportamento. Este
fato pode estar relacionado ao contexto social e econômico em que eles vivem, visto que suas
famílias enfrentam dificuldades financeiras e as próprias crianças freqüentam escolas com
baixa qualidade. O fato de a criança ser portadora de HIV/Aids isoladamente não diz que ela
terá prejuízo nas habilidades sociais, em seu desempenho escolar e no desenvolvimento
cognitivo e emocional, mas no conjunto de outros fatores que a envolvem.
As informações obtidas neste estudo podem servir de evidência quanto à necessidade
de investimento em programas de saúde mental nas áreas mais pobres destinados a crianças e
adolescentes, em especial quando estes enfrentam doenças crônicas. Elas confirmam a
concepção de que problemas de saúde mental na infância e adolescência são comuns e
prejudicam o desempenho escolar e o relacionamento social, tendem a persistir ao longo do
tempo e, o mais importante, que a maioria das crianças com esses problemas não são
É importante formar profissionais de saúde mental, captados nas comunidades locais,
para que possam oferecer tratamentos simples e efetivos (como grupos de treinamento para
pais no manejo de crianças de comportamento difícil), com um baixo custo.
Em última instância, o capital investido pelo Brasil em serviços de saúde mental infantil
terá repercussões imediatas, como a diminuição do sofrimento dos jovens e de seus familiares, e
ganhos individuais esociais em longo prazo. A prevenção e o tratamento de transtornos mentais
na infância e na adolescência têm impacto concreto no futuro dos jovens, favorecendo a
diminuição da criminalidade, do abuso de substâncias, do fracasso, do abandono escolar, do
desenvolvimento de transtornos de personalidade e de transtornos mentais na vida adulta, além de
propiciar que se desenvolvam com maior capacidade de atuar como pais.
Dados não mostraram diferenças no desempenho escolar das crianças portadoras de
HIV/Aids comparando com grupo de crianças sem doença crônica. Estes dados vêm ao
encontro a outros estudos. O sistema educacional brasileiro está muito abaixo do esperado de
uma educação de qualidade; assim, as dificuldades encontradas nas escolas estão para todas as
crianças que se depara com esta realidade. Além disso, a classe social à qual elas pertencem
não coopera para que tenham um bom aprendizado e, muitas vezes, seus pais ou cuidadores
não estudaram e não conseguem ajudá-las nas tarefas de casa, fato que já foi comprovado que
é de extrema importância para que a criança aprenda. Pais que se envolvem com as tarefas da
criança em casa e criam um bom vínculo com a instituição de ensino de seus filhos, e que
freqüentam a escola e as reuniões têm ganhos no que se refere ao aprendizado destes.
Tendo em vista os comprometimentos encontrados no desenvolvimento das crianças
portadoras de HIV/Aids, há muito que ser feito para uma boa assistência psicossocial a esta
população. A promoção de capacitação da equipe de saúde que lida com esta população deve
ser feita; ela deve estar consciente das dificuldades e limitações que estas crianças encontram
Programas de treinamento, de curta duração, porém sistemáticos, devem fazer parte do
planejamento anual de suas atividades. Fortalecer o médico, o psicólogo, a assistente social, o
enfermeiro e os demais profissionais de saúde, para que possam ter um olhar diferenciado a
estas crianças. Grupos de alívios de tensão para profissionais, criados nas instituições que
atendem os soropositivos, são uma forma de apoio aos mesmos.
No Brasil, embora a preocupação com o tratamento seja uma constante em centros
especializados, pouco se tem feito com bebês suspeitos aos riscos associados ao HIV.
Provavelmente, serão eles as crianças com problemas futuros como comprometimento
cognitivo e emocional. Programas de estimulação de bebês devem ser incluídos nos
tratamentos, aumentando as chances de um bom desenvolvimento destas crianças e evitando
atrasos futuros, melhorando a qualidade de sobrevivência dessas crianças.
Implicações educacionais, contribuições da educação e da saúde são caminhos viáveis
de manutenção ou promoção de uma boa qualidade de vida para essas crianças, seus
familiares e profissionais envolvidos tanto nas áreas tanto da saúde como da educação. O
apoio psicopedagógico deve ser oferecido às crianças com dificuldades escolares e seus
familiares. Profissionais de saúde e educadores devem trabalhar juntos visando minimizar os
problemas educacionais destas crianças, buscando alternativas para que ela possa se
desenvolver com plenitude. O hospital no qual a criança faz o tratamento deve oferecer
parcerias com escolas, núcleos e conselhos tutelares, na tentativa de aumentar as
possibilidades de desenvolvimentos emocional, físico e das habilidades sociais da criança,
visando a saúde mental delas.
Por fim, os resultados deste estudo indicam possibilidades de novos estudos no que se
refere às competências sociais, desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças portadoras do
HIV/Aids e de crianças sem doença crônica, já que vimos que diversos fatores estão relacionados
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APÊNDICE 1- Resultados brutos do SDQ - Questionário de Capacidades e
Dificuldades da Criança (GOODMAN, 1999).
Desempenho/ Pontuação Crianças portadoras HIV/ Aids
Resultado Desempenho/ Pontuação Crianças sem doença crônica
Resultado
Sintomas emocionais- 6
Problemas de comportamento- 3
Problema com colegas- 4 Hiperatividade- 7
Anormal Sintomas emocionais- 4
Problemas de comportamento- 2
Problema com colegas- 4 Hiperatividade-2
Normal
Sintomas emocionais- 7
Problemas de comportamento- 0
Problema com colegas- 0 Hiperatividade- 6
Normal Sintomas emocionais- 8
Problemas de comportamento- 4
Problema com colegas- 2 Hiperatividade- 6
Anormal
Sintomas emocionais- 3
Problemas de comportamento- 2
Problema com colegas- 1 Hiperatividade- 2
Normal Sintomas emocionais- 1
Problemas de comportamento- 1
Problema com colegas- 3 Hiperatividade- 6
Normal
Sintomas emocionais- 10
Problemas de comportamento- 4
Problema com colegas- 2 Hiperatividade- 4
Anormal Sintomas emocionais- 6
Problemas de comportamento- 8
Problema com colegas- 6 Hiperatividade- 7
Anormal
Sintomas emocionais- 2
Problemas de comportamento- 6
Problema com colegas- 0 Hiperatividade- 9
Anormal Sintomas emocionais- 0
Problemas de comportamento- 0
Problema com colegas- 0 Hiperatividade- 10
Normal
Sintomas emocionais- 4
Problemas de comportamento- 2
Problema com colegas- 0 Hiperatividade- 3
Normal Sintomas emocionais- 4
Problemas de comportamento- 2
Problema com colegas- 2 Hiperatividade- 3
Normal
Sintomas emocionais- 6
Problemas de comportamento- 4
Problema com colegas- 3 Hiperatividade- 2
Limítrofe Sintomas emocionais- 7
Problemas de comportamento- 6
Problema com colegas- 5 Hiperatividade- 10
Anormal
Sintomas emocionais- 8
Problemas de comportamento- 6
Problema com colegas- 7 Hiperatividade- 8
Anormal Sintomas emocionais- 6
Problemas de comportamento- 4
Problema com colegas- 4 Hiperatividade- 6
Desempenho/ Pontuação Crianças portadoras HIV/ Aids
Resultado Desempenho/ Pontuação Crianças sem doença crônica
Resultado
Sintomas emocionais- 4
Problemas de comportamento- 2
Problema com colegas- 2 Hiperatividade- 8
Anormal Sintomas emocionais- 4
Problemas de comportamento- 2
Problema com colegas- 2 Hiperatividade- 0
Normal
Sintomas emocionais- 5
Problemas de comportamento- 3
Problema com colegas- 0 Hiperatividade- 1
Normal Sintomas emocionais- 4
Problemas de comportamento- 6
Problema com colegas- 5 Hiperatividade- 5
Anormal
Sintomas emocionais- 1
Problemas de comportamento- 3
Problema com colegas- 3 Hiperatividade- 4
Normal Sintomas emocionais- 5
Problemas de comportamento- 7
Problema com colegas- 8 Hiperatividade-7
Anormal
Sintomas emocionais- 2
Problemas de comportamento- 8
Problema com colegas- 1 Hiperatividade- 5
Anormal Sintomas emocionais- 4
Problemas de comportamento- 0
Problema com colegas- 1 Hiperatividade- 0
Normal
Sintomas emocionais- 5
Problemas de comportamento- 4
Problema com colegas- 0 Hiperatividade- 6
Anormal Sintomas emocionais- 7
Problemas de comportamento- 0
Problema com colegas- 0 Hiperatividade- 4
Normal
Sintomas emocionais- 2
Problemas de comportamento- 0
Problema com colegas- 2 Hiperatividade- 4
Normal Sintomas emocionais- 7
Problemas de comportamento- 7
Problema com colegas- 2 Hiperatividade- 8
Anormal
Sintomas emocionais- 4
Problemas de comportamento- 0
Problema com colegas- 0 Hiperatividade- 2
Normal Sintomas emocionais- 3
Problemas de comportamento- 0
Problema com colegas- 3 Hiperatividade- 6
APENDICE 2- Resultados brutos DFH - Desenho da Figura Humana (HUTZ;
ANTONIAZZI, 1995
DFH - Desenho da Figura Humana
Item Evolutivo Indicadores Emocionais
Crianças
portadoras HIV/ Aids
Crianças sem
doença crônica Crianças portadoras HIV/ Aids Crianças sem doença crônica 50 25 70 85 50 60 85 80 50 3 70 70 6 50 30 75 7 35 50 70 4 65 75 85 50 65 75 75 50 65 70 90 3 55 70 50 55 50 85 85 4 15 70 85 25 45 80 70 5 35 30 80 25 85 80 85 30 65 50 90
ANEXO A- SDQ- QUESTIONÁRIO DE CAPACIDADES E DIFICULDADES DA CRIANÇA
ANEXO B – DFH- DESENHO DA FIGURA HUMANA
Dê à criança uma folha de papel sulfite, lápis preto e borracha. (Não é para colorir os desenhos)
Peça a ela que desenhe uma pessoa. Depois que ela terminou você vai fazer algumas perguntas sobre a pessoa que ela desenhou. (v. abaixo) Depois diga para desenhar uma pessoa do outro sexo daquela que ela desenhou antes e, em seguida, faça as mesmas perguntas em relação a esse outro desenho.
Questões
Qual a idade dessa pessoa? Onde ela está?
O que está sentindo? Do que ela gosta? Do que ela não gosta? Ela tem boa saúde? Do que ela tem medo? O que vai acontecer com ela? O que a faria mais feliz?
Quais são os três maiores desejos dela? Principais defeitos?
Principais qualidades?
De que parte do corpo ela mais gosta? De que parte do corpo ela menos gosta?
Cotação do Desenho da Figura Humana-DFH Item Evolutivo-Nível de Maturidade Mental
1. Cabeça 15. Braços para baixo
2. Olhos 16.Cotovelo