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2. KURAMSAL BİLGİLER

2.3 DLA Modeli

Depois de firmar-se no cenário da web como veículo de difusão de conteúdos relacionados à cultura e aos usos da internet e de suas tecnologias, em abril de 2015 o youPIX anunciou uma nova proposta editorial: de veículo dedicado ao acompanhamento e à cobertura de conteúdos que circulam nas redes e aos hábitos gerados em torno disso, o site agora propõe em analisar os significados e

implicações dessa cultura digital sob o viés econômico, mercadológico, sociocultural e comunicacional.

A mudança ocorreu a partir de 6 de abril de 2015 com a publicação do artigo editorial "Bem-vindos ao youPIX FWD!", escrito por Bia Granja. O texto retoma a trajetória do youPIX - considerando não apenas o site, mas também a revista PIX inicial e os eventos youPIX Festival - ressaltando sua participação no campo midiático enquanto espaço de divulgação e discussão de fenômenos da cultura da internet, discutindo seu crescimento e popularização de forma a justificar essa própria mudança dentro do cenário da cultura digital. O texto é iniciado pontuando que o objetivo do youPIX ao ser criado era o de olhar para a cultural digital como um setor do campo cultural e midiático em processo de crescimento em profissionalização. Outra questão ressaltada é o fato de o youPIX encarar esse novo campo com um olhar de dentro, um olhar insider.

[...] em 2006 já existia um cenário crescente de pessoas criando e distribuindo conteúdo independente na web e se profissionalizando. Eram quase todos blogueiros, já ganhando dinheiro e começando a mudar a maneira como a gente criava e consumia conteúdo online. [...] E porque todo mundo amava a PIX? Por que ela falava sobre as coisas da internet sem nenhum tipo de afetação. Os veículos tradicionais tratavam — e ainda tratam — a web como um zoológico e as pessoas que já estavam inseridas nessa cultura eram tipo objeto de estudo: "nerds, do que se alimentam, como se reproduzem, etc". (GRANJA, 2015a)

Assim, o youPIX coloca-se como meio que, ao olhar para a cultura da internet, incentiva o que considera como um "ecossistema web", ou seja, uma dinâmica autossustentável de produção e circulação de conteúdos por meio das redes.

Ao longo dos anos, esses criadores de conteúdo passaram a influenciar a cultura e se transformaram em verdadeiros agentes de transformação do nosso tempo: eles têm atitude, são criativos, democratizam o acesso à informação, têm opinião, discutem e ensinam coisas, muitas coisas, questionam o status-quo, inspiram, entretêm...e eles fazem todas essas coisas sob uma perspectiva muito humana e muito real. (GRANJA, 2015a)

A partir dessa visão definida pelo youPIX de que suas plataformas exerciam o papel de difusoras e legitimadoras da cultura da internet, função que, ao julgamento do site, os demais veículos de comunicação não cumpriam, ou o faziam de forma equivocada, a mudança editorial anunciada encontrou sustentação nas próprias mudanças do campo midiático, que passou a olhar a cultura da internet não mais como algo estranho, mas como manifestação cultural legítima. Assim, ao perceber que não teria mais um protagonismo - ou mesmo exclusivismo - nesse tipo de cobertura cultural, já que os demais meios também passaram a exercê-la, o youPIX optou por tornar-se um analista desse universo que antes era apenas divulgado, de forma a manter-se à frente dentro desse campo.

O youPIX sempre esteve a frente do seu tempo ao celebrar, dar palco e discutir essa revolução. Nós ajudamos a dar visibilidade pra esses personagens e suas criações. Mas agora a web já é mainstream...e vazou pra fora da internet. Até sites como o da revista Exame fazem lista de memes hoje em dia, sua mãe já passou um meme pra frente no ZapZap (mesmo sem conhecer o termo), youtubers já ganharam cadeira cativa em alguns programas da televisão e publicam livros que se transformam em best-sellers em poucas semanas. (GRANJA, 2015a)

Dentro dos vários aspectos do universo digital que o youPIX poderia se dedicar a partir dessa mudança editorial, houve a opção pelo viés mercadológico, voltado ao universo de produção profissional de conteúdo digital. De acordo com Bia Granja, o “ecossistema web” colocado pelo site diz respeito ao universo de criação de conteúdos digitais de forma profissional, com o objetivo de lucro. A sustentabilidade considerada desse meio se deve ao fato de esse ser um campo onde coexistem tanto empresas tradicionais que se digitalizam, empresas que já trabalham no formato digital, quanto usuários comuns que se tornam produtores de conteúdos e lucram a partir disso. Ou seja, o youPIX considera a possibilidade de diversos atores envolvidos nesse campo produzirem conteúdos e de estarem envolvidos no trabalho uns dos outros.

Então o youPIX é, na verdade, uma plataforma pra quem faz conteúdo digital, seja pra si próprio, tipo os creators, seja pra veículos, portais, revistas, tv, seja pra marcas, pessoal de agência de branded content, de conteúdo digital, os próprios gerentes de

marketing, pessoas dentro das empresas que cuidam da parte de conteúdo digital. [...] Eu vejo o youPIX como uma plataforma muito relevante de entendimento do que se passa no universo do conteúdo digital. (GRANJA, 2016)

Assim, mesmo colocando-se como um veículo que produz conteúdos para outros produtores profissionais de conteúdos, a partir do momento em que considera um universo em que todos os usuários são produtores de conteúdo em potencial, e que os usos e ações midiáticas do público usuário podem exercer influência direta nessa produção profissional, o youPIX acaba por comunicar-se com uma audiência que, apesar de mais segmentada, se comparada ao público da proposta anterior do site, é ainda ampla.

Com isso, percebe-se na postura do youPIX que o site reconhece no constante desenvolvimento da cibercultura uma mudança de valores e comportamentos, principalmente midiáticos, que se consolida dentro da cultura contemporânea, de tal forma que se tornou comum e presente na vida das pessoas, a ponto de ser um tema em evidência dentro dos próprios meios de comunicação que antes não dedicavam atenção a esses comportamentos e conteúdos.

Remetendo essa mudança aos caminhos percorridos pelos estudos dedicados à cibercultura, que são sistematizados por Rüdiger (2013), há na visão do site uma consolidação do que interpretam os estudos tecnocráticos a respeito da cibercultura, defendendo uma visão otimista de que o desenvolvimento das novas mídias e sua expansão no cotidiano alteram as formas de produção e circulação de conteúdos, fazendo com que esses novos produtos, produzidos pelo público, passem a fazer parte tanto do que circula nos meios de comunicação, quanto do agendamento desses meios. Dessa forma, a nova dinâmica dos meios digitais, o que o youPIX considera como um "ecossistema web", não é mais fechada em si, mas se inter-relaciona com outros espaços midiáticos.

Interpretando ainda a trajetória executada pelo youPIX à luz dos estudos já verificados de Wellman (2004) e Postil (2010), é possível também associar a própria evolução da proposta do youPIX enquanto meio de divulgação da cultura digital com a evolução dos estudos em internet e cibercultura colocada pelos autores.

Em um primeiro momento, a revista PIX surge no cenário midiático para suprir uma necessidade identificada por seus criadores de um espaço que se ocupe da cultura digital. Assim, seu caráter acaba por ter um aspecto de descoberta desse universo cultural e das demandas de seu público consumidor de informações. Conforme essa descoberta do meio cibercultural se consolida, o youPIX também se fortalece dentro do meio midiático e se dedica a manter o registro dos principais comportamentos e tendências da cultura digital nas redes sociais e por meio das tecnologias digitais. Essa atividade, identificada como um exercício de cobertura ostensiva, como analisado nos episódios dos acompanhamentos feitos pelo site a respeito das discussões em torno do Marco Civil da Internet e da Copa do Mundo de 2014, relaciona-se com a segunda fase dos estudos, o período de documentação e registros dos usos tecnológicos, como colocam os autores.

Com a mudança de proposta anunciada pelo site, o youPIX passa a se aproximar do que Wellman (2004) e Postil (2010) interpretam como fase de análise, ou seja, verificada e documentada a consolidação dos usos das tecnologias dentro de um contexto cultural, usos esses que exercem mudanças nessa própria cultura, parte-se para a análise desse fenômeno, para o estudo metodológico que pretende compreender os significados desse novo cenário cultural.

Deve-se ressaltar que, do ponto de vista temporal, o youPIX surgiu dentro de um contexto de cultura digital consolidada nas práticas cotidianas, cenário que os autores identificam já como terceira fase de estudos. No entanto, por ser um veículo de comunicação, o youPIX surge a partir da identificação de uma demanda social para que ele exista. Ou seja, não existe apenas um conteúdo relacionado à cultura digital a ser publicado, mas também um público em potencial para consumir esses conteúdos. Público esse que é agente das mudanças do campo midiático que impulsionam o desenvolvimento da cibercultura, como analisam Tapscott (2010) e Adler (2013). Tais condições para a existência do youPIX só se manifestam a partir da terceira fase considerada por Wellman (2004) e Postil (2010), porém podemos associar as fases anteriores do youPIX aos períodos das pesquisas voltadas à internet descritas pelos autores, já que, conforme o próprio editorial de mudança do youPIX informa, o site também acompanhou o desenvolvimento dos usos das redes

sociais e das tecnologias digitais e a consolidação de uma cultura comum entre esses usuários das redes.

Dessa forma, a nova proposta editorial do youPIX encontra sustentação nas próprias mudanças da cena midiática em que ele surge e se consolida. Assim, ele identifica a demanda por pensar as potencialidades dessa nova cena cultural e, para se diferenciar dos meios que também passaram a acompanhar esse universo, propõe que seu conteúdo não seja mais com fins de atualização e documentação, mas de análise, assim como as pesquisas em internet também identificaram e se modificaram.

Benzer Belgeler