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2.2. Düşünme Stili

2.2.4. InQ MODELİ

A liberdade religiosa está no centro da organização social, da identidade da pessoa humana, dos valores transculturais da sociedade, das liberdades políticas e da construção do Estado moderno70.

O direito à liberdade religiosa exige que todas as pessoas tenham liberdade jurídica para seguir a voz de sua consciência; faz parte do direito à liberdade religiosa e garante a todo o homem a liberdade de ter ou não ter religião, de exercê-la ou não, de permanecer na mesma religião ou abandoná-la, ou de suprimi-la de sua vida se assim preferir sua consciência71. A liberdade religiosa tem, então, por base a liberdade de consciência, visto que em uma ordem constitucional livre e democrática, as questões atinentes à fé referem-se exclusivamente à consciência individual. Deve-se, portanto, proteger a esfera individual de cada cidadão de qualquer interferência ou pressão externa seja por parte do Estado ou de terceiros, no que tange às opções de crença. Cabe ao Direito normatizar essa proteção que deve se estender a quaisquer opções que o indivíduo tome em matéria religiosa, incluindo a rejeição a uma crença72. A Declaração dos Direitos Humanos no seu Artigo 18, dá respaldo para a liberdade religiosa quando diz que “toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência, religião e de professar sua crença”73. Este direito torna a pessoa capaz não apenas de determinar-se numa liberdade de escolha de religião, mas de dispor a própria pessoa como um todo, para além das ações, categorias particulares, e através delas; inclui a liberdade de mudar de religião ou de crença e de manifestá-las pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular, sem ser molestado; sem discriminação de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião, política ou de qualquer outra natureza74. Na liberdade de escolha, o indivíduo dispõe do seu ato particular e na liberdade transcendental dispõe de si mesmo como pessoa75.

A liberdade de consciência, para além da questão religiosa, envolve também os planos ideológico, filosófico, artístico e todos aqueles relacionados à liberdade de espírito. Daí fala- se em um direito geral de liberdade de consciência, pelo qual se reconhece que a “gestão dos valores do espírito é coisa que deve ser remetida à determinação de cada sujeito considerado singularmente”76, uma vez que é portador de genuíno potencial humano de decisão.

Sendo assim, a liberdade de consciência é a mais ampla possível e diz respeito à liberdade de determinar-se no sentido de ter ou não uma crença, ou aderir a certos sistemas de valores que não estejam relacionados à religião77.

71 CANTÍN, L. V. Naturaleza, contenido y extensión del derecho de liberdad religiosa, p. 18. 72 MACHADO, J. Liberdade Religiosa numa comunidade constitucional inclusiva, p. 193.

73 MAZZUOLI, V. de O. Coleta de Direito Internacional: Proteção Internacional dos Direitos Humanos, n. 18, p. 478.

74 Ibidem, p. 478.

75 JUNGES, J. R. A liberdade como eixo da vida cristã e da vida religiosa. Convergência, jan/fev., n. 309, p. 24- 32, 1998.

76 MARTINEZ, G.; GARCIA, E. F. História de los Derechos Fundamentales, p. 195. 77 Ibidem, pp. 203 e 304.

Neste sentido, são apontadas as seguintes características básicas da liberdade religiosa em um Estado constitucional: a) a garantia em favor dos imperativos da consciência individual frente a qualquer intromissão, tanto dos poderes públicos, como dos particulares; b) o respeito a um princípio de igualdade ou de não discriminação por motivos religiosos, ideológicos ou de consciência, isto é, o indivíduo não pode ser objeto de tratamento desigual em função de quaisquer que sejam seus princípios morais e, consequentemente, de qualquer que seja a sua conduta de acordo com tais princípios; c) a naturalidade dos poderes públicos, que supõe, não somente o compromisso de não exercer nenhuma perseguição ou coação por motivos de consciência, mas também a obrigação de não estabelecer discriminações injustificadas a respeito das crenças, em favor ou contra os cidadãos78. Na interioridade de sua própria consciência, a pessoa encontra a norma imprescindível da vida humana.

A liberdade religiosa é expressão de convicção da pessoa que enseja a adoção de atitudes manifestadas externamente por meio de culto e o cumprimento de determinados deveres que vão além da simples persecução de preferências. A liberdade de culto, através de rituais, cerimônias, símbolos ou aparatos da religião professada está normalmente associada a comportamentos que a pessoa assume e deve ser igualmente protegida. Tal afirmação diz respeito às várias expressões religiosas, incluindo a tradição cristã.

A busca da liberdade e a aspiração à liberdade que estão entre os principais sinais dos tempos no mundo contemporâneo têm sua primeira raiz na herança cristã. A liberdade é o grande e fundamental dom que Deus nos deu e é preciso que seja exercitado continuamente, favorecendo seu uso responsável e autêntico79.

O Concílio Vaticano II conceitua explicitamente a liberdade religiosa no documento

Dignitatis Humanae com as seguintes palavras:

A liberdade religiosa consiste no seguinte: todos os homens devem ser imunes da

coação tanto por parte de pessoas particulares quanto de grupos sociais e de qualquer poder humanos, de tal sorte que, em assuntos religiosos, a ninguém se obrigue de agir contra a própria consciência, nem se impeça de agir de acordo com ela, em particular ou em público, só ou associado a outrem, dentro dos devidos limites. Além disso, declara que o direito à liberdade religiosa se baseia realmente na própria dignidade da pessoa humana, tal como o conhecemos pela palavra revelada de Deus e pela própria razão. Este direito da pessoa humana à liberdade religiosa na organização jurídica da sociedade deve ser de tal forma reconhecido, que chegue a converter-se em direito civil (DH 2a).

78 Ibidem, p. 268.

O tema da liberdade é um dos principais argumentos dos textos conciliares. Os padres conciliares chegaram a proclamar o “direito à liberdade religiosa”(DH 2d), comprometeram- se de proteger e prover essa liberdade, uma liberdade cristã aberta e comprometida, uma liberdade ativa, em vista do bem comum e da realização dos valores do Reino de Deus e sua justiça na história.

Faz parte da liberdade religiosa o fato de as comunidades cristãs expressarem livremente o valor de sua doutrina para a sociedade e para a vitalização de toda a atividade humana. É próprio da natureza social da pessoa e da índole mesma da religião, o direito pelo qual as pessoas, levadas por seu sentimento religioso, se constituem em sociedades educativas, culturais, com outras crenças religiosas que se ocupam com a defesa e o cuidado da vida (DH 4d ).

Bultmann, diz que “a liberdade da pessoa e a liberdade do espírito são a mais nobre herança da tradição ocidental”80. Confirma-se com ele, a tarefa de levar adiante este valor, muitas vezes esmagado, mitificado, mas não esquecido e sempre sonhado. A liberdade é a grande utopia da vida, é uma estrutura fundamental que testemunha a ação libertadora das religiões.

Paulo Apóstolo, o grande doutor da liberdade cristã, afirma que somos chamados para a liberdade (Gl 5,13). João nos aponta para Jesus: “se Ele nos libertar, seremos realmente livres” (Jo 8,36). Cristo liberta, é dom de liberdade e sana nossa liberdade por seu mistério redentor. É dom e, ao mesmo tempo, é compromisso, caminho a percorrer, projeto a assumir. Só Ele é capaz de nos orientar para a verdadeira liberdade, que lhe custou caro, a própria vida. Exorta o Apóstolo Paulo: “Cristo nos libertou para que sejamos verdadeiramente livres”(Gl

5,1).

A contribuição que a liberdade religiosa cristã pode dar para a busca e a vivência atual de liberdade é que a autonomia precisa ser completada com a responsabilidade. Não basta a liberdade de, é preciso chegar à liberdade para. Como nos reporta a experiência do povo de Deus, narrada no livro do Êxodo: ‘não basta sair da escravidão do Egito; é preciso passar ao serviço do Senhor’ (Cf. Ex 7,26). Da servidão ao serviço. É a grande questão, o grande desafio que, compreendendo a liberdade religiosa a partir do paradigma exodal, confirma-a como uma realidade dinâmica, como um caminho à espiral sempre aberta e que deverá ser percorrido durante toda a vida.

Liberdade é a capacidade que a pessoa tem de tomar posição, de escolher, de optar, tornando-se sensível para compreender, suportar e aceitar as diferenças.

Benzer Belgeler