• Sonuç bulunamadı

Çoklu Gösterim Veritabanlarında Güncelleme: Model Genelleştirmesi ve Obje Eşleştirme Aşaması

3. MODEL GENELLEŞTİRMESİ VE ÇOKLU GÖSTERİM

A Constituição Federal de 1988 é a primeira carta brasileira que destina um capítulo ao tema da Ciência e Tecnologia, demonstrando assim a relevância que o assunto tem na geração de desenvolvimento socioeconômico para o país. O art. 21835 estabelece as diretrizes para o desenvolvimento científico-tecnológico brasileiro, sem, no entanto, explicitar os meios para alcança-lo. O papel do Estado nesse contexto é realizar as tarefas que propiciem o desenvolvimento científico-tecnológico do país por meio das universidades públicas e dos institutos especializados, concedendo apoio às atividades de ciência e tecnologia desenvolvidas por universidades e instituições privadas, conforme previsto no art. 213, §2º36, da CF. O Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CNCT) desempenha o papel de formulação e implementação da política nacional de desenvolvimento tecnológico.

Como atividade individual, a ciência é um direito fundamental da pessoa humana37. A liberdade de expressão científica deve ser compatibilizada com os deveres

35 Art. 218. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação

tecnológicas.

§ 1º - A pesquisa científica básica receberá tratamento prioritário do Estado, tendo em vista o bem público e o progresso das ciências.

§ 2º - A pesquisa tecnológica voltar-se-á preponderantemente para a solução dos problemas brasileiros e para o desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional.

§ 3º - O Estado apoiará a formação de recursos humanos nas áreas de ciência, pesquisa e tecnologia, e concederá aos que delas se ocupem meios e condições especiais de trabalho.

§ 4º - A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho.

§ 5º - É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular parcela de sua receita orçamentária a entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e tecnológica.

36

Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que: (...) § 2º - As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público.

37Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos

estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; (...)

estatais de promoção e incentivo das ciências, servindo para melhorar as condições de vida da sociedade (Silva, 2009b, p. 98). Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal enfatizou a importância da Lei de Biossegurança frente à liberdade de expressão científica:

O DIREITO CONSTITUCIONAL À LIBERDADE DE EXPRESSÃO CIENTÍFICA E A LEI DE BIOSSEGURANÇA COMO DENSIFICAÇÃO DESSA LIBERDADE. O termo "ciência", enquanto atividade individual, faz parte do catálogo dos direitos fundamentais da pessoa humana (inciso IX do art. 5º da CF). Liberdade de expressão que se afigura como clássico direito constitucional-civil ou genuíno direito de personalidade. Por isso que exigente do máximo de proteção jurídica, até como signo de vida coletiva civilizada. Tão qualificadora do indivíduo e da sociedade é essa vocação para os misteres da Ciência que o Magno Texto Federal abre todo um autonomizado capítulo para prestigiá-la por modo superlativo (capítulo de nº IV do título VIII). A regra de que "O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas" (art. 218, caput) é de logo complementada com o preceito (§ 1º do mesmo art. 218) que autoriza a edição de normas como a constante do art. 5º da Lei de Biossegurança. A compatibilização da liberdade de expressão científica com os deveres estatais de propulsão das ciências que sirvam à melhoria das condições de vida para todos os indivíduos. Assegurada, sempre, a dignidade da pessoa humana, a Constituição Federal dota o bloco normativo posto no art. 5º da Lei 11.105/2005 do necessário fundamento para dele afastar qualquer invalidade jurídica.38

Os Estados e o Distrito Federal podem vincular parcela de sua receita tributária para o fomento científico-tecnológico local. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal enfatizou na ADI 550/MT:

EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 354 DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE MATO GROSSO. LEI ESTADUAL N.º 5.696/90. FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO. ALEGADA CONTRARIEDADE AOS ARTS. 2.º; 61, § 1.º, II, A E E; E 169 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Parcial perda de objeto do feito em relação à Lei n.º 5.696/90, tendo em vista sua expressa revogação. Precedentes. Dispositivo da Constituição estadual que, ao destinar dois por cento da receita tributária do Estado de Mato Grosso à mencionada entidade de fomento científico, o fez nos limites do art. 218, § 5.º, da Carta da República, o que evidencia a improcedência da ação nesse ponto. 39

A ciência referida em sede constitucional tem sentido genérico, e diz respeito a todas as áreas, como conhecimento sistematizado. Considera o texto constitucional que, sem investimento na área científica e tecnológica, não há como se promover o desenvolvimento, pela impossibilidade de o Brasil alcançar o estágio do conhecimento aplicado.

38 ADI 3.510/DF, Rel. Min. Ayres Brito, julgamento em 29-5-2008, Tribunal Pleno, DJe-096 de 28-5-2010. 39

ADI 550/MT, Rel. Min. Ilmar Galvão, julgamento em 29-8-2002, Tribunal Pleno, DJ – 202 de 18-10-2002. No mesmo sentido: ADI 336/SE, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 10-2-2010, Plenário, DJE de 17-9-2010.

O referido capítulo da CF preocupa-se em mencionar que a pesquisa científica básica receberá tratamento prioritário do Estado, visando o bem público e o progresso das ciências. A pesquisa tecnológica buscará atender o sistema produtivo do país e a solução de questões da sociedade. Também chamada de pesquisa aplicada, a pesquisa tecnológica deve ser uma tarefa desempenhada pelas empresas, com estímulos e incentivos advindos do Poder Público.

O art. 21940 volta-se para o papel que o legislador designa ao mercado. Tratando o mercado interno como patrimônio nacional, a carta magna determina que a viabilização de incentivos para fomento de desenvolvimento científico-tecnológico nas empresas se dará por meio de lei federal. Essas leis já foram promulgadas e constituem o marco regulatório vigente de ciência, tecnologia e inovação.

A economia de mercado e a livre concorrência, adotados pela Constituição (arts. 170, IV41, e 173, §4º42), constituem condições importantes para o exercício da liberdade de escolha do consumidor e podem contribuir para o equilíbrio da economia, mas não garantem distribuição condizente de renda e riqueza, daí a determinação do mercado como patrimônio nacional, dando-lhe sentido social, destinado a viabilizar o desenvolvimento socioeconômico e cultural, o bem-estar da população e a autonomia tecnológica do país.

Benzer Belgeler