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Belgede Ü r ü n K a t a l o ğ u 19 (sayfa 72-76)

Conforme exposto no quinto capítulo, o fato de Skinner ter citado diretamente várias obras de Mach torna mais evidentes os pontos da epistemologia machiana que foram apropriados. Embora Skinner tenha “silenciado” alguns autores que serviram de base para seu comportamentalismo radical, a exemplo de Wittgenstein, o autor não o fez com Ersnt Mach. Este último se configura como um autor significativo para a sua teoria skinneriana. Podemos lançar tese de que o modelo de relações funcionais de Mach também serviu de base para que Skinner concebesse o paradigma central de seu behaviorismo radical, a saber, o conceito de comportamento operante.

O modelo de ciência, a recusa a agentes imateriais na explicação dos fenômenos, incluindo aqui a crítica ao mecanicismo clássico; o caráter instrumental e adaptativo da ciência; as relações funcionais e a máxima descrever é explicar são os aspectos da epistemologia machiana apropriados por Skinner.

Com relação à formação e função de conceitos na ciência em Skinner, é possível falar que a leitura de Mach foi decisiva para o estabelecimento da teoria skinneriana. Todos os aspectos basilares da proposta de Mach (adequação do pensamento aos fatos, a questão da inseparabilidade entre observação e teoria, e o seu descritivismo) são pontos centrais da

proposta de Skinner. É possível afirmar que Mach foi pré-texto para Skinner, uma vez que os argumentos do primeiro são tomados explicitamente em seu texto.

A visão de que o conhecimento é uma atividade humana adaptativa (influência de Darwin para Mach e Skinner) é o ponto inicial da análise. Quando Skinner propõe que a ciência é uma prática social a toma por um olhar selecionista, uma vez que seu critério de validação passa a ser estabelecido pelo grupo e pelos fatos.

Skinner propõe que conceitos e leis científicas são descrições dos fatos. A descrição econômica dos fatos é um ponto de confluência entre os autores. “Skinner, assim, segue Mach enfatizando a eficiência da investigação, a observação imediata, economia na descrição e comunicação como objetivos da ciência” (SMITH, 1986, p. 269, tradução nossa). A teoria, portanto, para Mach e Skinner, não necessita de uma confirmação experimental (posto que ela não se origina de uma atividade racional), “teorias são afirmações sobre a organização dos fatos” (SKINNER, 1947/1972, p. 302 apud CHIESA, 1992, p.1295).

Especialmente, a leitura de Science of Mechanics deu a Skinner uma visão abrangente da recusa a agentes causais em ciência. É claro que o fato de Skinner referenciar Mach de forma explícita em seus textos facilita a compreensão de sua participação.

Faz-se necessário destacar que o behaviorismo radical de Skinner não tem apenas Mach como referente, mas é possível reconhecer que aspectos centrais da proposta de ciência dos autores carregam afinidades. Skinner toma os aspectos estruturais de Mach em seu sistema teórico.

A influência da proposta de Darwin em Mach e Skinner parece solidificar essas afinidades. “Skinner caminha para o modelo de seleção por consequências via instrumentalismo, e o faz via instrumentalismo machiano” (LAURENTI, 2004, p.125).

Apesar do próprio Mach não retratar explicitamente os termos instrumentais, é possível uma leitura pragmatista do autor, especialmente quando este delimita a função dos conceitos e hipóteses em ciência. Quando Mach elimina os fantasmas vitalistas nas explicações dos fenômenos, coloca o conhecimento como uma atividade humana, dirigida a fins adaptativos, regulada pela eficiência deste na resolução de problemas.

A função dos conceitos e leis científicas para Skinner são claramente confluentes com a de Mach, entretanto, as leituras de Bridgman, Russel, James e Pierce se mostram com igual importância para Skinner. A visão pragmática está presente na definição dos critérios de validade de um discurso científico em ambos os autores. Aqui, identificamos uma confluência

de pensamento, mas não uma relação hierárquica. A lógica funcional e selecionista levaram Mach e Skinner a caminhos comuns.

Com uma leitura pragmatista dos autores, é possível deixar ainda mais claro o caráter provisório das afirmações científicas. Ambos fogem do representacionismo e adotam uma visão funcional relacional para os eventos. Os eventos só podem ser vistos e analisados historicamente. Tanto Mach quanto Skinner reconhecem que nós só podemos identificar essas regularidades e, com base no passado, estabelecermos probabilidades futuras sobre os fenômenos.

Skinner, ao adotar o conceito de operante, mesmo creditando a Mach a perspectiva relacional, trás as consequências (produzidas pelas ações) como fator de explicação para o comportamento. Portanto, o modelo de eventos físicos e psíquicos, os conceitos de sensação e representação de Mach não foram incorporados na lógica skinneriana. O autor lança uma proposta inédita ao reformular os conceitos de ação e ambiente e de trazer o homem como produtor e produto dessas relações.

Além disso, há outra diferença apontada por Micheletto (2000) entre a visão de mundo de Mach e Skinner. Mach afirma que o mundo é composto de nossas ações e que as relações de dependências “só existem na mente de quem conhece” (MICHELETTO, 2000, p.120). Skinner adota a seleção por consequências como modelo. A influência de Darwin na ideia de que o ambiente seleciona a partir de variações randômicas, dá às contingências ambientais o valor explicativo. E estas atuam quer o cientista as pesquise ou não. “Skinner, ao propor o comportamento como determinado pelo ambiente genético, pela vida individual e cultural está propondo uma determinação que existe independente do pesquisador. O ambiente age selecionando” (MICHELETTO, 2000, p.120).

Quanto ao modelo causal, Skinner se apropria parcialmente da máxima machiana

descrever é explicar. O autor explicitamente reconhece que a ideia foi primeiro sugerida por Mach e que parece mais adequada para a compreensão do comportamento (a causa é substituída pela função). Entretanto, para Skinner “a ciência é mais do que a mera descrição de eventos à medida que ocorrem. É uma tentativa de descobrir ordem, de mostrar que certos eventos mantém relações ordenadas com outros eventos” (SKINNER, 1953, p.7). Skinner se propõe a uma teoria sobre o comportamento, lança mão da interpretação enquanto método, sem desconsiderar o fato de que a interpretação é uma espécie de “leitura” com base em leis que descrevem as relações empíricas já validadas experimentalmente.

Podemos concluir que a base dos argumentos monista, relacional e anti- mecanicistas de Mach foram apropriados (no sentido em que esse trabalho considera o termo) por Skinner. Entretanto, tal afirmação não significa que Skinner “copia” a epistemologia machiana. Skinner lança uma proposta única de compreensão do comportamento humano como explicado em si mesmo, com contribuições únicas sobre o tema.

Apesar das referências de Skinner a Mach e a outros pensadores, não se deve considerar que ele buscava em qualquer filosofia a sustentação para sua ciência do comportamento. Ao contrário, desde o início, Skinner pensava que a Filosofia tinha muito a usufruir do que uma ciência psicológica produzisse sobre o comportamento humano (TOURINHO, 2003, p.33).

Belgede Ü r ü n K a t a l o ğ u 19 (sayfa 72-76)

Benzer Belgeler