• Sonuç bulunamadı

11] Mir’ati Hakikat, cilcl 1, sahife 53.

Belgede Ahmed Es'ad Paşa (sayfa 31-43)

Segundo Giorgi (2008), tendo em vista que o método fenomenológico nasceu de uma escola filosófica, sua utilização em pesquisas científicas comporta algumas modificações. Uma delas diz respeito à primeira etapa descrita por Ales Bello (2006), ou seja, a busca à essência. Segundo Giorgi (2008), as essências em Filosofia são mais universais do que nas ciências, onde elas estão contextualizadas e atreladas à perspectiva da disciplina adotada. No caso da Psicologia, por exemplo, buscamos a essência que se manifesta na pessoa, através do significado que determinada experiência tem para ela. Na presente pesquisa, investigamos o significado das experiências fundamentais para os moradores de determinada região, do ponto de vista de seu processo formativo. Para tanto, buscamos apreender o discurso dos entrevistados “na sua intencionalidade própria e constitutiva, ou seja, naquilo que eles pretendiam efetivamente dizer” (AMATUZZI, 2003, p. 20).

Como vimos, o acesso às vivências se deu a partir de entrevistas audiogravadas e do convívio com os moradores, registrado do diário de bordo. Buscamos manter, ao longo de toda a pesquisa, uma atitude aberta, ou seja, uma atitude de “suspensão fenomenológica” que coloca entre parênteses conhecimentos a priori e busca acolher as vivências, deixando que elas reverberem em nosso interior, de modo que, pela atenção às percepções, intuições, sensações e sentimentos que elas nos provocam, cheguemos a uma compreensão intuitiva e

pré-reflexiva dessas vivências. Esse procedimento foi feito durante todo o processo da análise, que dividimos em duas fases.

Na primeira, realizamos a análise individual das entrevistas de Helena, Juliano, Bruno e Thaís, seguindo a ordem citada. Realizamos o processo de redução fenomenológica, pois, de acordo com Giorgi (2008), o entrevistado faz seu relato em uma perspectiva de atitude natural, e cabe ao pesquisador fazer a redução, buscando os traços essenciais das vivências relatadas. Nesse sentido, identificamos nas entrevistas as vivências referentes a cada uma das dimensões da pessoa (de acordo com a antropologia de Edith Stein apresentada no Capítulo 2) e, conforme íamos apresentando e descrevendo as vivências, já discutíamos como elas se inseriam na dinâmica pessoal de cada participante e em seu processo formativo. Identificamos as tomadas de posição, os valores que motivam suas ações e também os movimentos decorrentes de contágio psíquico (STEIN, 1999a).

Nesta primeira etapa, as análises foram mais aprofundadas e podem ser identificadas com o movimento fenomenológico de escavação na subjetividade ou, segundo termo cunhado por Ales Bello, uma “escavação arqueológica” (ALES BELLO; MOBEEN, 2012, p. 17). Foi um processo lento em que buscamos, de acordo com Safra (2006), fazer a experiência da hospitalidade, deixando que a vivência do outro nos atravessasse. Acolhemos cada vivência e buscamos compreendê-las pela empatia. Ao mesmo tempo, cuidamos para que a nossa análise não alterasse a própria vivência. Nesse sentido, as análises foram relidas várias vezes e corrigidas quando percebíamos que elas começavam a se descolar da experiência. O que nos guiou o tempo todo foi, portanto, a própria vivência e o retorno constante aos relatos, de modo a evitar que o discurso desviasse o seu sentido.

Portanto, seguindo os itens abordados no Capítulo 2 (A Fenomenologia de Edith Stein) identificamos e analisamos as vivências de Helena, Juliano, Bruno e Thaís do ponto de vista psicofísico e espiritual; do ponto de vista da dinâmica entre psique e espírito, sob os aspectos ético e religioso e do ponto de vista do movimento formativo. Sendo assim, cada análise individual seguiu o seguinte roteiro:

Resumo da entrevista

1. Aspectos antropológicos

a) Aspectos psicofísicos (percepção do corpo e dos movimentos de instinto e reação);

b) Espírito (ação da vontade, decisões pessoais, avaliação, opiniões); c) Interpessoalidade (relações interpessoais, vivências de

2. A esfera psíquica e a esfera espiritual (dinâmica entre essas duas dimensões que em alguns momentos agem em harmonia e em outros se percebe uma luta de forças diante da qual o eu deve se posicionar); 3. Ética e religiosidade (critérios que norteiam as escolhas e o agir, e

também o modo de vivenciar a relação com o divino);

4. Formação (modo como vivenciam o contexto do bairro e visualização do movimento formativo como resultado da inter-relação entre contexto, núcleo pessoal e livre arbítrio).

Na segunda fase da análise, o nosso olhar se deslocou da profundidade de cada individualidade para a superfície comunitária, ganhando amplitude e colocando em evidência as vivências que nos pareceram fundamentais para os moradores do ponto de vista formativo. Todas as vivências elencadas surgiram da análise anterior. Algumas eram comuns aos quatro participantes e outras, embora não tivessem aparecido em todos os relatos, encontravam respaldo nas outras 11 entrevistas que havíamos selecionado no primeiro momento (e também no diário de bordo). As 11 entrevistas não foram analisadas de forma exaustiva, mas delas colhemos os relatos mais significativos a “olho nu” e incorporamos nas vivências fundamentais aqueles que retratavam vivências comuns a Helena, Juliano, Bruno e/ou Thaís (em todos, em alguns ou em um).

Ao todo elencamos 8 vivências: 1) vivência do improviso (da urgência da vida); 2) vivência da morte; 3) vivências da chaga; 4) vivência de violência;; 5) vivência da solidariedade 6) vivência da periferia; 7) vivência da maternidade; e 8) vivência da religiosidade. Em cada uma realizamos uma descrição da vivência, inserimos relatos que a ilustram e discutimos sua repercussão do ponto de vista formativo. Não incluímos, nesta última, reflexões hipotéticas a respeito do papel da vivência na formação, mas apresentamos apenas as repercussões relatadas ou captadas por nós nas análises, ou seja, mais uma vez o nosso critério de discussão foi o enraizamento na experiência. Feitas essas considerações, passamos à análise e discussão dos percursos pessoais. 

Belgede Ahmed Es'ad Paşa (sayfa 31-43)

Benzer Belgeler