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2.7. Besin Öğeleri Gereksinimler

2.7.5. Mineraller ve Vitaminler

O estímulo à produção industrial nesse período, sobretudo nos governos Médici e Geisel (marco temporal deste trabalho), efetuou-se de maneira orientada aos interesses do hemisfério ocidental e capitalista (capitaneado pelos EUA) na nova divisão internacional do trabalho, por meio do chamado Tripé Econômico: as empresas estatais cuidavam da infraestrutura, da energia e dos minérios; as transacionais produziam os bens de consumo duráveis, e o capital privado nacional fabricava os insumos e bens de consumo popular. Também havia facilidade na obtenção de recursos, a juros baixos, no sistema financeiro internacional. Segundo Vizentini (2003, p. 46): “Longe de gerar rivalidade, o tripé estabelecia uma divisão de trabalho e, uma vez que o crescimento era grande, havia lugar para todos”. Em outras palavras, fomentando-se a produção e a exportação, geravam-se mais renda e empregos, impulsionando a economia nacional e gerando reflexos economicamente positivos também na cidade-região e vice-versa.

Especificamente a partir de 1969, o incentivo à exportação de produtos manufaturados tornou-se, pode-se dizer, uma obsessão por parte dos governos e das estruturas de Estado. Isso decorre do fato de que, até meados da década de 60, apesar de todo esforço desenvolvimentista construído a partir dos anos 40, o país ainda era grande exportador de produtos agrícolas (principalmente de café). As políticas de incentivo à substituição de importações ainda não tinham, pois, alcançado os resultados esperados.

Daquele momento em diante, então, os mercados externos deveriam receber e consumir produtos manufaturados brasileiros e não somente a produção agrícola. E assim, de acordo com os interesses desenvolvimentistas internos, a inserção comercial externa brasileira, a partir da política externa do país, foi ao encontro desses interesses nacionais.

No âmbito interno, ainda, os governos Médici (1969-1974) e Geisel (1974-1979) foram os mais representativos no contexto da ditadura civil-militar, em virtude do ápice da

79 Dados do IPEA apresentam o calçado como um dos produtos principais da pauta brasileira de exportações, já na década de 70, como veremos.

112 repressão e da censura (Médici) e pela abertura política interna (Geisel) 80. Esses governos

conseguem colocar em prática aquilo que a ditadura civil-militar professava em termos políticos, econômicos e ideológicos para o Brasil, que era um projeto nacional autoritário, o qual representava também os interesses de uma parte da elite – aquela interessada na industrialização e na substituição de exportações.

Já no âmbito externo, os governos Médici e Geisel optaram por posições no sistema internacional que, de alguma forma, representavam o acumulado histórico do período pós-30, de modo geral, e do pós-64, de maneira específica. As decisões tomadas pelo Brasil no âmbito internacional estavam em relativo compasso com o dinamismo econômico interno, que apontava para a consolidação de um país, que, ao industrializar-se, também tinha intenções de conquistar mercados para seus produtos e, até mesmo, abrir outros flancos de contato fora do eixo EUA-Europa Ocidental 81.

Nesse momento ainda, o país vivenciou um paradoxo, porque, ao mesmo tempo em que havia terrorismo de Estado, também havia um desenvolvimento econômico e urbano industrial nunca antes visto. O país cresceu em média de 7% anuais, chegando até mesmo a obter 13% de crescimento industrial, em 1973 82.

Do ponto de vista comercial externo, o país perdia relativamente sua complementaridade econômica com os EUA em diversos produtos, chegando até mesmo a vender calçados para esse mercado, de maneira competitiva. E Novo Hamburgo e o Vale do Sinos colocavam-se neste contexto nacional com o aumento da produção calçadista e sua exportação. De alguma forma, isso concretizava o binômio de industrialização e inserção externa diferentemente do passado.

No geral, não se pode esquecer que o governo Médici e, principalmente, o governo Geisel investiram fortemente em uma política multilateral e comercial, vinculada à variável bilateral. Essas políticas eram praticadas como sendo faces da mesma moeda. Em outros

80 Os governos que os antecederam (Castello Branco e Costa e Silva) ou estavam às voltas com a consolidação da ditadura (do ponto de vista jurídico, legal, econômico e externo) ou, então, não tiveram tempo de consolidar seus propósitos. O máximo que conseguiram foi deixar uma estrutura econômica oriunda das reformas implementadas ainda no primeiro governo (1964-1967) e ações de uma nova inserção externa, que não deram os resultados esperados (1967-1969). Já o governo Figueiredo (1979-1985) vivia às voltas com a crise econômica e a abertura política.

81 O Brasil conseguiu estabelecer até mesmo divergências políticas com os EUA, na ONU. As duzentas milhas do mar territorial brasileiro, o giro pela África do chanceler Mário Gibson Barbosa, o voto anti-sionista na ONU, o acordo nuclear com a Alemanha e o reconhecimento de governos de perfil marxista-leninista na África negra recém-independente podem ser considerados atitudes diplomáticas brasileiras de opção por outros eixos de inserção internacional, comercial e política.

82 Ver ABREU, 1990, principalmente o artigo de LAGO, L.A.C. do: “A retomada do crescimento e as distorções do Milagre” (p. 233-294). Ver também: BAER, 2009 e SOUZA, 2008.

113 termos, foi compreendido que essas variáveis não eram separadas e estanques, mas completavam-se, gerando, com isso, resultados mais imediatos e positivos na inserção internacional brasileira e, especificamente, na questão comercial.

Conforme Souto (1998, p. 102), durante o governo Médici, isso foi resolvido, já que havia:

(…) a rejeição do país em assumir qualquer papel de liderança entre os países em desenvolvimento. Entre uma liderança incômoda e um perfil pragmático, a opção natural foi pelo segundo (…) a colaboração com países em desenvolvimento é uma tática que tende a mudar à medida em que o país avança na escala de desenvolvimento.

Quando trata dessas duas ações – multilateralismo e bilateralismo – praticadas em âmbito externo, a partir do governo Médici, a autora tem como parâmetro os governos da ditadura imediatamente anteriores, isto é, de Castello Branco e Costa e Silva. Especificamente em relação ao segundo, ao tentar diferenciar-se do anterior, em termos de política externa, radicalizou o discurso diplomático brasileiro em fóruns comerciais multilaterais que não trouxeram resultados concretos para a inserção externa brasileira.

Desde a UNCTAD – Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento 83, os países do Terceiro Mundo tinham por objetivo colocar, na ordem do dia da agenda econômica internacional, as dificuldades dos países subdesenvolvidos que diziam respeito, principalmente, às questões do comércio mundial e à estrutura de preços então existente para os produtos exportados por essas nações 84.

Nessa conferência, no tocante ao comércio, o grande tema era a deterioração dos termos de intercâmbio tema, aliás, impregnado de certo “cepalismo”, já que o secretário-geral do evento era Raúl Prebisch, secretário-geral da CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina da ONU (MAIOR, 1994).

O resultado mais concreto desse encontro foi a organização e a sistematização da Conferência e a criação da UNIDO 85 – Organização das Nações Unidas para o

Desenvolvimento Industrial. Na realidade, a 1ª UNCTAD “(...) institucionalizou-se como foro

83 Depois de longa batalha diplomática, aprovou-se, conforme a Resolução 917 (XXXIV), a realização da 1ª

UNCTAD (MAIOR, 1994; RODRIGUES, 1967).

84 Os principais pontos reivindicatórios da 1ª UNCTAD foram: formular propostas para alterar as normas

comerciais no campo das relações internacionais; reordenar o quadro econômico internacional, onde fosse possível aplicar tais regras; coadunar uma operação diplomática para aplicar tais normas.

85 Esta comissão foi criada para prestar assistência técnica aos países em desenvolvimento, na solução de problemas ligados à sua industrialização.

114 permanente para discussões e negociações sobre os principais aspectos do relacionamento norte-sul (...) (ABNEDUR, 1994, p. 59)”.

Na II UNCTAD, em 1968, em Nova Déli, o Brasil praticamente liderou os países do Terceiro Mundo na busca de soluções para seus problemas de comércio. Inclusive, os representantes brasileiros foram incentivados a negociar em defesa dos interesses terceiro- mundistas. Essa estratégia, contudo, não foi acertada, e o Brasil, que até então participava de fóruns do Terceiro Mundo como observador, passou a discursar como país de Terceiro Mundo, apesar das enormes diferenças entre os componentes86.

Foi no governo Médici e no de Geisel que o binômio bilateralismo-multilateralismo teve melhor definição e trouxe resultados mais positivos nos contatos externos – multilateralismo para com o Terceiro Mundo e bilateralismo para com os países centrais. Os resultados da relação bilateral com o Primeiro Mundo refletiram diretamente na exportação do calçado, porque a venda externa do produto foi quase totalmente dirigida para os mercados centrais – principalmente os EUA, conforme números que serão apresentados adiante nesse mesmo capítulo.

Na década de 1970, o ativismo diplomático brasileiro transferiu-se da UNCTAD para o GATT, o qual intentava a ampliação da agenda de questões envolvendo as negociações Norte-Sul, sob a liderança dos países produtores de petróleo (LIMA, 1990).

A “Diplomacia do Interesse nacional”, do governo Médici, preocupou-se basicamente em tirar proveito das brechas existentes no sistema internacional, com uma estratégia individual de inserção no mercado global, com relações e acordos bilaterais de comércio e assistência. Havia interesse especial nos países mais frágeis, como as nações recém-independentes da África. Assim também, as relações com o mundo árabe começaram a se estreitar naquele momento. Conforme Vizentini (2003, p. 49):

Mais ousada e repleta de conseqüências foi a aproximação com os países árabes, devido ao aumento gradativo do petróleo desde 1971, o que aumentava seu poder de compra e obrigava o Brasil a garantir o abastecimento, buscando simultaneamente compensações ao encarecimento das crescentes importações de combustível (que desequilibrava a balança comercial).

86 Essas diferenças existiam em virtude das condições econômicas de cada país e até mesmo dos regimes políticos. O Brasil já não era um país totalmente agrícola e tampouco recém-independente. Além do mais, o G- 77 era composto desde ditaduras africanas, passando por países socialistas e chegando a países capitalistas e não democráticos, como o próprio Brasil.

115 Essa aproximação, de alguma forma, resultou em uma atitude, até hoje lembrada pelo simbolismo de independência e pragmatismo, no governo Geisel, que foi o voto anti-sionista na ONU.

O primeiro passo da diplomacia denominada pragmatismo responsável e ecumênico do chanceler Antônio Azeredo da Silveira foi aproximar-se dos países árabes. (...) Mais do que isso, o Brasil adotou uma íntima cooperação com potências regionais, como Argélia, Líbia e Arábia Saudita, sob a forma de Joint-Ventures, para prospecção (de petróleo) no Oriente Médio por meio da Braspetro e para o desenvolvimento tecnológico e industrial-militar (venda de armas brasileiras e projetos comuns no campo dos mísseis, por exemplo) (VIZENTINI, 2003 p. 51, grifos do autor).

O governo Geisel também incrementou as relações comerciais e tecnológicas com a Europa Ocidental. Especificamente no caso da Alemanha Ocidental, houve a assinatura do acordo nuclear, que resultou em pressões sérias por parte do Departamento de Estado Norte- Americano e, por parte do Brasil, a retaliação levou ao rompimento do Acordo Militar em vigor desde 1952.

Quando a Casa Branca recusou-se a colaborar com o projeto nuclear brasileiro, o presidente não vacilou em assinar um Acordo Nuclear com a Alemanha Ocidental. Diante das crescentes pressões americanas para desistir do acordo, particularmente intensificadas após a emergência da política de direitos humanos da administração Carter, em 1977, Geisel rompeu o Acordo Militar Brasil-Estados Unidos, vigente desde 1952 (VIZENTINI, 2003, p. 53).

A abertura política, no governo Geisel, inseria-se em um contexto de abertura política e início de problemas econômicos, em virtude do primeiro choque do petróleo. Então, o projeto de abertura era motivado pelas grandes dificuldades que o país enfrentava com a crise do petróleo, em 1973, e o consequente fim do “Milagre”. Era necessário fazer a descompressão política, para evitar possível radicalização. Apesar de ainda viver nos parâmetros do “Milagre”, o aumento do preço do combustível atingiu de frente o país e seu projeto industrial, que necessitava de petróleo. Disso resultou que países de Terceiro Mundo que competiam comercialmente com os EUA, via exportação, foram atingidos por essa crise provocada em solo árabe. Assim:

Apesar de Geisel ter herdado um PIB de 133 bilhões de dólares, uma inflação anual de 18,7% e uma dívida externa de 12,5 bilhões de dólares, o „milagre‟ legara-lhe problemas estruturais, pois apostara num modelo que empregava energia importada barata, dependia do afluxo de investimentos de capitais estrangeiros e da utilização de tecnologia também importada (VIZENTINI, 2003, p. 50).

116 Para combater esse quadro, o novo Ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, lançou o II PND - Plano Nacional de Desenvolvimento, que buscava a aceleração do processo de industrialização por substituição de importações, com vistas a se tornar autossuficiente em insumos básicos e, se possível, em energia.

Nesse contexto de protagonismo externo, com vistas a novos mercados consumidores de produtos nacionais, e início de crise econômica interna, o governo Geisel manteve os incentivos à expansão produtiva e à exportação do calçado. Isso resultou em uma busca por mercados externos que consumissem os produtos brasileiros no geral, as manufaturas no particular e o calçado no específico.

3.2 A EXPORTAÇÃO DO CALÇADO DE NOVO HAMBURGO – VALE DO SINOS –

Benzer Belgeler