1. BESLENMEYE BAĞLI HASTALIKLAR
1.4. Mineral Yetersizliğine Bağlı Hastalıklar
A primeira coisa que eu sinto é que eu já conhecia o Alex Grey e acho intragável. Tecnicamente é muito bom, mas eu acho o trabalho dele bobo, um pouco raso, falta alguma coisa. Você tem a montanha e tem o fogo, mas cadê a água, o mato? Tá faltando uma parte. A segunda imagem tem bastantes círculos. Parecia que era a porta de uma igreja com muitos círculos, mas também círculos demais. É um sentimento, uma sensação de não completude. Uma super complexidade técnica, mas a complexidade do pensamento, da estruturação... Às vezes você vê outro quadro que é tecnicamente muito mais simples, mas é muito mais complexo no pensamento que ele traduz.
de desconforto, vai ser nesses que não me passam nada. Ou é muito raso mesmo ou muito fundo e acaba sendo raso porque eu não consegui interagir com aquilo ou interpretar, de alguma forma, ou gosto de outros tipos de arte e outros tipos de arte me tocam mais. Parece que hoje em dia é aquela coisa da profundidade de existir e o cara tenta representar isso e acaba virando uma forma de banal que você vê todo mundo. Todo dia alguém no facebook posta: “nossa eu to super pensando, sentindo meu corpo” e posta uma obra do Alex Grey. Já paralisou, parece. A minha mãe é psicóloga transpessoal e tem uma questão de energia, fluxo de energia, chacra e tal. Eu sei um pouco, mas é meio estranho ver em um quadro. Parece meio comercial. Não parece muito bem desenhado, só pôs com uns efeitos de cor. As imagens são bem comuns. Você vê desde a imagem de Buda até a lojinha de yoga da sua esquina tem sempre estas imagens. Tão sempre presentes no cotidiano ou nos relatos das pessoas rezando. Se o cara até tem que fazer isso, porque ele não pensou mais na cabeça dele antes de fazer?
As imagens no DSC 1A apareceram como peculiares, estranhas, até mesmo como dissonantes. Apesar disso, trata-se de uma dissonância compreendida a partir das características estéticas pouco convencionais de exposição das obras de Alex Grey, nomeadas como “bonitas, surpreendentes”, apreciadas pela sua estética. O conteúdo das imagens parece familiar e tendendo ao ordenamento. São imagens tomadas como de difícil entendimento. No surgimento das obras como dissonantes, não convencionais e difíceis de entender, segundo a compreensão da Estética da Recepção, pode-se observar uma assimetria entre obra e receptores. O vazio, que surgiu na dificuldade de interpretações das obras, que atravessou mais de um DSC, pareceu mobilizar representações projetivas. De acordo com Iser (1979), pertinente às representações projetivas, a recepção da obra só tem êxito mediante a mudança do sujeito da recepção. O vazio presente nesta relação, a dificuldade de nomear e interpretar deve ser tomada como historicamente constituída, mas, igualmente, como tendências coletivas, socioculturais. Trata-se de uma distância estética, na qual a obra se particulariza por meio do rompimento com códigos sociais predominantes.
No DSC 1A, o sujeito coletivo compreendeu as imagens como revelando uma modalidade de corpo, com aspectos espiritualistas e energéticos, como melhor apresentado nos DSC 3: “Energia e Religiosidade” e 6: “Corpo Material e Espiritual”.
Na estória do participante 13M, houve menções à repetição da imagem do fogo ao longo da exposição das obras. Os personagens tornaram-se uma família que ficou disposta em torno de uma fogueira, isto é, próxima ao elemento fogo, que se repetiu nas imagens. O fogo, na consideração do participante da pesquisa, remeteu ao conforto proporcionado pela lareira, pela casa aquecida. Embora o fogo possa ser compreendido como elemento que dissolve, derrete, aqui é compreendido, a certa distância, como um fogo que mantém unido, aconchega, promove conforto.
Embora expresso em menor proporção na amostra, houve no DSC 1B: “Não complexidade, banalidade e ausência de sentido”, um direcionamento discursivo, significativamente distinto da proposição no DSC 1A, que relatou gostar das obras apresentadas e possuir admiração pelo artista. Tratou-se, no DSC 1B, de uma dimensão coletiva de crítica e de um desagrado a aspectos das obras de Alex Grey apresentadas. O aspecto desagradável pareceu provir não apenas das dimensões técnicas da obra de Grey, embora as mesmas apareçam como imagens “não muito bem desenhadas”, mas, sobretudo, da recepção sociocultural de sua obra e sua utilização por pessoas de suposta espiritualidade, em redes sociais virtuais, para expressar sentimentos, considerados pelo sujeito coletivo 1B, como superficiais. Esta consideração pode tanto se caracterizar como uma possível defesa, no caso da obra trazer elementos que sejam ego-distônicos, como, por exemplo, a expressão espiritual fora de dogmas estabelecidos, quanto delinear características da sombra, indicando uma atitude de interesse de reforço positivo pelo olhar coletivo, mais do que uma atitude autêntica, o que poderia caracterizar uma espécie de materialismo espiritual, uma busca utilitarista do fenômeno religioso. Outra dimensão desta preocupação crítica do sujeito coletivo 1B com uma espiritualidade considerada materialista, seria encontrada no âmbito comercial da obra, que colocaria, em imagens, fenômenos humanos relativos à religiosidade, isto é, retiraria da ordem do espiritual para inseri-lo em dimensões do capitalismo como comércio e aumento do valor de venda dos quadros. A crítica apontou, com efeito, um fato encontrado na sociedade contemporânea.
A partir do DSC 1B, alguns elementos de sombra coletiva e pessoal podem ser inferidos. Tomando como perspectiva o potencial de mudança da arte na visão de mundo de uma época, uma mudança de consciência, a expressão deste potencial pode suscitar defesas pessoais ou coletivas, na busca da manutenção do status quo. A dialética autorregulatória e o tensionamento gerado possibilita a emergência de novas
sínteses, tanto individuais quanto coletivas. De acordo com Jung (1930/2011c, par. 153):
Todas as épocas têm sua unilateralidade, seus preconceitos e males psíquicos. Cada época pode ser comparada à alma de um indivíduo: apresenta uma situação consciente específica e restrita, necessitando por esse motivo de uma compensação. O inconsciente coletivo pode proporcionar-lhe tal instrumento, mediante o subterfúgio de um poeta ou de um visionário, quando este exprime o inexprimível de uma época, ou quando suscita pela imagem ou pela ação o que a necessidade negligenciada de todos está almejando.
As respostas subjetivas do sujeito coletivo indicariam também uma dificuldade de interação com a obra, do mesmo modo que ocorreu no DSC 1A, mas, nesse caso, a dificuldade de compreensão pode ter conduzido à crítica. Pode-se conjecturar que o vazio experimentado, na dificuldade de nomeação do sentido da obra, permite uma surpresa ou estranhamento e pode provocar uma mudança ou conduzir à experiência de banalização. Pode haver uma outra modalidade de defesa, uma racionalização diante de um impacto de algo que não foi compreendido. Observou-se que o sujeito coletivo 1B identificou uma sombra de ganância, como se a obra e o artista apresentassem atitudes utilitaristas, com uma complexidade técnica que não é seguida da estruturação complexa do pensamento; a obra é tomada como comercial e banal. Ressaltou-se que os vazios foram preenchidos a partir de vivências coletivas anteriores, como, no caso do sujeito coletivo, atribuir a usuários do facebook uma atitude superficial e banalizada: “todo dia alguém no facebook posta ‘nossa, eu to super pensando, sentindo meu corpo’ e posta uma obra do Alex Grey. Já paralisou, parece”. O horizonte de expectativa do sujeito coletivo, neste caso, indica a possibilidade de uma reprovação prévia das obras, na identificação deste, de um modo de apropriação das obras de Alex Grey, por um conjunto de pessoas, que as utilizam para receber um valor afetivo, relacionando-as a um conhecimento particular do próprio corpo.
8.2. DSC 2 – Sensações e sentimentos catalisados pelas imagens
O DSC 2 origina-se da IC: “Sensações e sentimentos catalisados pelas imagens”, dividindo-se em 05 discursos, cada qual com sua IC ligada à mencionada e mais ampla IC. Estes DSCs foram caracterizados pela menor presença de pensamentos, mas com o foco nos discursos de afetação, tanto agradáveis, causadores de bem-estar (DSC 2A), quanto evocadoras de mal-estar (DSC 2B). Houve discursos que se caracterizaram pelo valor e/ou pela qualidade da afetação (boa, ruim, causadora de mal-estar ou bem-estar),
por um tipo particular de conexão (DSC 2D) ou que destacou a intensidade do efeito, embora, com pouca clareza, sobre a qualidade do mesmo (2E). Finalmente, houve as intensidades não-especificadas, as indiferenças e a dificuldade de nomear os afetos, sentimentos ou sensações evocadas pelas imagens, embora, claramente, tenham ocorrido (2C).
DSC 2 – Sensações e sentimentos catalisados pelas imagens