1. MİNE YUVASI
1.3. Mine Öncesi Dik<kat Edilecek Hususlar
1.3.4. Minelerin Tatbik Edilişi
Pressupõe-se que não haja divisão estanque entre as repercussões na vida pessoal e profissional, uma vez que esses aspectos se interagem, mas para facilitar a exposição dos dados da pesquisa, elas estão relacionadas em gráficos diferentes. .
Gráfico 10 – Relações pessoais após as 30 horas semanais
Fonte: Pesquisa de campo, 2012. (Universo: 55 entrevistados)
Vê-se que 58% (32 entrevistados) apontaram melhora nas relações pessoais, que podem ser atribuídas à maior disponibilidade de tempo para a sociabilidade, os relacionamentos afetivos, cuidados pessoais e com os outros, etc. Da mesma forma, no entanto, chama atenção o fato de que 33% (18) não perceberam alteração, o que leva a pensar de que haja outros fatores intervenientes nas relações pessoais. Ressalta-se também o fato de que para 5% (três) as relações pioraram após as 30 horas. Essa questão não foi respondida por
duas pessoas.
Pode-se supor, portanto, que para a maioria dos profissionais a redução da jornada de trabalho foi benéfica. É importante destacar os depoimentos dos entrevistados.
–– Então eu realizei um projeto pessoal, que foi contribuir no cuidado com minha sogra. E cuidamos até o fim da vida dela, que foi em maio desse ano. Então, foi importantíssimo na minha vida. Isso só foi possível pelas 30 horas. E foram momentos sagrados da minha vida esse cuidado com a família, essa dedicação. (Rosana).
A predominância do sexo feminino no funcionalismo público e a sua relação com a redução da jornada de trabalho foi observada pela presidente do SINDEMA:
–– Porque a maioria valoriza bastante esta questão, especialmente as mulheres. Eu acho que isso tem a ver com a própria situação da mulher, de dupla, tripla jornada de trabalho e tudo mais. É [...] não que os homens não considerem isso importante. A gente aqui tem um contato maior com as mulheres, porque as mulheres são a maioria da nossa base. Então acho que isso foi bastante positivo. (Jandyra)
A pesquisa não objetivou discutir a relação das 30 horas para as mulheres assistentes sociais, mas é uma questão importante a ser aprofundada em futuras pesquisas.
Foi feita uma pergunta com múltiplas escolhas sobre a destinação das horas liberadas, cujas respostas podem ser visualizadas na tabela 13.
Tabela 13 - Destinação do tempo liberado advindo das 30 horas semanais
Destinação do tempo livre Nº %
Dedicação à família e a amigos 33 60
Estudo 25 45
Cuidados com a saúde 15 27
Esportes/academia 14 25
Outra atividade remunerada 11 20
Hobby 8 14
Outros 8 14
Não respondeu 1 2
Com relação ao uso do tempo liberado após as 30 horas, há prevalência de dedicação a cuidados com a vida pessoal, família, amigos, estudo, cuidados a saúde, esportes e hobbys. Assim, as 30 horas semanais promoveram um aumento das horas dedicadas à vida pessoal.
Um receio presente nos debates do conjunto da categoria profissional era o de que a redução da jornada de trabalho provocasse a procura por outras atividades remuneradas. Nesta pesquisa, essa situação ocupou a 5ª posição, com 24% do universo dos entrevistados (13 respostas). Conclui-se, portanto, que 76% dos profissionais não possuem outra atividade remunerada. É necessário ressaltar também que a maioria desses profissionais relatou que a existência da outra atividade remunerada já era anterior às 30 horas.
A pesquisa do CFESS (2005) registrou que 77,19% dos entrevistados possuíam apenas um vínculo empregatício, 10,31% dois vínculos e apenas 0,76% possuíam três vínculos ou mais. Verifica-se que apesar de o índice de Diadema, de 20% (dos que possuem outro emprego) ser maior que a pesquisa nacional (11%), pode-se afirmar que a redução da jornada de trabalho não tenha gerado diretamente o aumento de outros vínculos de trabalho.
As outras atividades relatadas pelos entrevistados, em Diadema, referem-se à perícia judicial no Juizado Especial Federal (trabalho autônomo), à docência em faculdades de Serviço Social e aulas de Yoga. Tais atividades já eram desenvolvidas durante as 40 horas semanais porque sua realização se dava em horários diferenciados, como em períodos noturnos e/ou aos finais de semana.
Os assistentes sociais foram indagados sobre uma possível aceitação de retorno às 40 horas semanais com aumento salarial compatível, mas essa proposta foi recusada veemente pelos profissionais, conforme transcrição a seguir.
– Não. De jeito nenhum. (Vitória)
– Jamais, jamais, jamais. Eu acho muito incoerente. Assim, eu luto pelas 30 horas. Luto, luto, luto pelas 30 horas, ganho, mas é um ganho de direito. Tenho um ganho de direito e um reconhecimento institucional pelas 30 horas, porque lutei por elas. Lutar por uma carga horária de 30 horas é uma coisa, outra coisa é lutar por ganho de salário. Para mim, são dois caminhos totalmente diferentes. (Rosana)
– No momento não estou em outro trabalho, mas pretendo futuramente realizar outra atividade que tenho um grande apreço, algo ligado à arte. Não retornaria à carga horária de 40 horas. (Amanda)
Constata-se a diferença de interesses da redução da jornada de trabalho com o aumento da remuneração salarial. No capítulo 2, a presidente do SINDEMA relatou que, durante o processo de implementação das 30 horas semanais, os profissionais do Programa de
Saúde da Família (PSF), em sua grande maioria, permaneceram nas 40 horas semanais, com um adicional de 33% no salário. Percebeu-se que, com exceção de dois profissionais do PSF que solicitaram a transferência para outros espaços sócio-ocupacionais para diminuir a carga horária, os demais priorizaram a questão salarial. Diversos funcionários de outros setores e secretarias solicitaram permuta para trabalharem nas 40 horas semanais; não se trata de uma procura por outra atividade remunerada, mas de aumento da jornada pela mesma atividade. Essa situação está no relato da presidente do SINDEMA.
– Tivemos vários profissionais das outras secretarias, como Assistência, Educação, pleiteando a vinda para a Saúde, em função de que? Em função do salário, como hoje ainda tem. Acho que diminuiu, mas nós temos alguns profissionais que ainda falam: “Eu queria trabalhar na atenção básica, não em função de um projeto, de uma proposta de trabalho, de uma diretriz, mas muito em função de um ganho salarial”. (Katia)
É necessário contextualizar que a redução da jornada para os profissionais de nível superior, em Diadema, foi uma substituição ao aumento direto do salário. A presidente do SINDEMA recupera esse fato.
– Tinha uma preocupação grande do prefeito com a defasagem salarial, principalmente dos engenheiros, arquitetos e dos analistas de sistema. Como a prefeitura não poderia pagar um salário diferente para estes profissionais, visto que nós estamos numa mesma tabela salarial, que era referência 11, de todo o nível universitário, uma discussão que a gente colocou foi que a diminuição da carga horária significaria um ganho salarial. (Katia)
Percebe-se claramente a contraditoriedade no processo de redução da jornada de trabalho em Diadema. Se por um lado, a diminuição das horas de trabalho significa um aumento salarial indireto, por outro, não repercute de forma imediata nas finanças dos profissionais. Observa-se, entretanto, que após a experimentação da jornada de 30 horas semanais, os assistentes sociais entrevistados avaliaram positivamente os benefícios pessoais advindos da redução da jornada de trabalho e não objetivaram aumentar o vínculo de trabalho. As repercussões das 30 horas semanais na qualidade de vida, no trajeto, nas relações profissionais e na saúde dos entrevistados estão na tabela 14.
Tabela 14 – Repercussões das 30 horas semanais Propiciou melhoria Qualidade de vida Trajeto Relações Profissionais Saúde Nº % Nº % Nº % Nº % Sim 49 89 43 78 34 62 46 84 Não 6 11 12 22 21 38 9 16 Total 55 100 55 100 55 100 55 100
Fonte: Pesquisa de campo, 2012. (Universo: 55 entrevistados)
É possível observar que a maioria dos profissionais percebeu melhoria na qualidade de vida, no trajeto, na saúde e nas relações profissionais, aspectos que indicam a importância da redução da jornada de trabalho para os assistentes sociais da PMD.
No que se refere ao trabalho em equipe, as entrevistas demonstraram a necessidade de organização de horários em comum para encontro da equipe.
– [...] a gente trabalhava por região, e nessa questão de trabalhar por região facilita e muito, na questão do todo. A gente tinha o hábito de planejar as ações. (Vitória)
– Comprometeu de início, na questão de nos organizarmos de forma que tivéssemos tempo para os momentos de troca e discussão. (Amanda)
A importância da redução da jornada de trabalho para a vida dos profissionais é reiterada nos depoimentos.
– Primeiro porque eu tenho mais tempo para algumas coisas que eu gosto muito de fazer, Primeiro a minha militância, que eu gosto. Isso possibilita que eu vá ao CRESS, no horário que você encontra os funcionários. Por exemplo, se eu saio daqui às duas horas, eu chego ao CRESS e aí dá tempo de encontrar, de fazer reuniões com os funcionários. Porque nós somos diretores, não com afastamento para fazer essa atividade, que é de militância, não é remunerado [...] A outra é, por exemplo, a questão para estudar, isso possibilita bastante, a gente ter um horário. (Vitória)
– Sim, houve em todos os aspectos, passei a ter outra qualidade de vida. Parece que não, mas duas horas a menos, faz muita diferença quando lidamos com situações de vulnerabilidades em todos os sentidos. Meu tempo foi destinado a várias atividades: Maior tempo com minha filha; atividade física; descanso; resoluções de questões que envolvem os bancos; leituras entre outras. (Amanda)
Para a grande maioria dos entrevistados, a diminuição da jornada de trabalho foi benéfica, impactando de forma muito positiva nas relações pessoais, no tempo de trajeto e nos
cuidados à saúde.
A parcela de 20% dos profissionais entrevistados que possuía outro vínculo empregatício já se encontrava nessa situação antes das 30 horas semanais, desconstruindo a preocupação de que a redução da jornada poderia propiciar o acúmulo de empregos, ocasionando assim o aumento da jornada.